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Os pulmões dos Bafana Bafana

03 de junho de 2010 0


Diga uma vez:

- Bafana Bafana.

E você verá o sul-africano abrir um imenso sorriso. Talvez ele acrescente duas palavras ao ouvir o carinhoso apelido da seleção do seu país:

- Vamos ganhar!

O torcedor local, ao menos o de Joanesburgo, maior polo financeiro e industrial do continente africano, está confiante como nunca esteve. Se vê pela quantidade de bandeiras enfeitando carros, estabelecimentos comerciais e residências.

A camiseta amarela é a peça da moda. Os jornais só falam da Copa do Mundo. Os sinais estão até nas igrejas.

O torcedor imagina que a África do Sul pode vencer o Mundial por ser a dona da casa, por ter o técnico Carlos Alberto Parreira (experiente e vencedor), pela motivação espetacular dos jogadores, por ter uma nação atrás da equipe.

Os sul-africanos acreditam em milagres. Pensam que estarão na final no Estádio Soccer City dia 11 de julho.

Cada vez que um político famoso encontra um microfone ao alcance da mão, dia ou noite, sai falando alto da necessidade de o país abraçar a seleção de futebol como nunca aconteceu antes. Diz mais ou menos assim: “se os jogadores acreditarem neles, a nação vai atrás”.

Todos lembram o que Nelson Mandela fez no Mundial de Rúgbi nos anos 1990. Usou o esporte favorito do branco com sangue europeu para chamar a atenção do carente negro africano. Com a união em torno do selecionado nacional de rúgbi, ele quis dizer que as raças podiam ser uma só. África do Sul, a partir daquele momento, começava uma nova etapa da sua história – que o futuro sem preconceito racial, sem vingança, depois que o negro ocupou o poder, não seria apenas possível como totalmente viável na África do Sul.

A voz pela nova união está em todas as cidades províncias, bairros e ruas, mas não chega em todos os ouvidos. Os brancos, em sua maioria, não gostam e não acompanham o futebol. Não sabem que são as grande estrelas da bola no pé e não se preocupam com elas. Muitos têm entradas para assistir aos jogos, mas compraram os tickets porque foram motivados pela Copa e seus astros internacionais. Não devem torcer com o fervor que uma seleção que abriga uma Copa do Mundo merece. Serão meros espectadores.

Rúgbi é o esporte dos brancos, os negros elegeram o futebol. Depois de quase uma semana em Joburg, de dezenas de entrevistas, conversas, tevê, internet e jornal, eu não tenho certeza de que os caras pálidas desta grande, acolhedora e bela cidade gritarão Bafana Bafana com todas as forças dos seus pulmões.

Digo mais.

Eu duvido. Mas ainda creio na força do gol.

Ou como dizem os sul-africanos:

- Laduuuuuma.

Que é a maneira que os negros encontraram para gritar gol.

Ou como eles dizem:

- É o barulho da tempestade.

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