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Por que esconder, Diego?

09 de junho de 2010 0

Decisão de Maradona de fechar treinos da Argentina contraria onda de confiança da imprensa hermana


Eu chego e saúdo o guarda negro e alto de jaqueta escura, as letras HPC (sigla em inglês do Centro de Alta Performance da Universidade de Pretória) bordadas do lado do coração.

– Bafana, Bafana!

É o apelido da seleção sul-africana e significa, em zulu, meninos, meninos.

Ele responde, muito animado:

– Muchachos, muchachos!

Se eu não soubesse, teria certeza: a fortificada concentração da Argentina fica do outro lado da cerca protegida por uma lona verde que corre por centenas de metros. Impede que cerca de 40 jornalistas argentinos, coreanos, chineses e brasileiros sigam a movimentação dos 23 atletas que Diego Maradona escolheu entre os mais de cem que testou desde 28 de outubro de 2008.

O portão retrátil da universidade, lar de quase 40 mil estudantes, está guardado por dezenas de vigilantes particulares e policiais, alguns bem estressados. A entrada é vetada aos jornalistas, que não desistem, aguardam um milagre. Encostados em possantes teleobjetivas, os fotógrafos procuram o foco, que bate na parede da concentração e volta. Não há quem buscar.

– Não entendo, o que será que a Argentina está preparando, uma jogada espetacular? Treinando algo inacreditável?

Atrás da questão de Camilo Martino, 46 anos, percebe-se uma tonelada de ironia. Repórter do Diário Popular, de Buenos Aires, ele não vê razão para barrar a imprensa:

– Os argentinos estão confiantes, esperam grandes atuações. Maradona não precisa esconder o jogo.

Não sabia, nem imaginava que os hermanos estavam tão otimistas. Elias Perugino, 47 anos, experiente repórter da Revista El Gráfico, explica:

– Quem vê o futebol, na África, no Brasil ou na Rússia, sabe que a Argentina tem excelente matéria-prima. Os jogadores chegam à Copa no seu melhor momento. Não foi assim em 2002 nem em 2006.

Peço mais detalhes.

– Messi e Higuaín brilham na Espanha, Milito faz gols toda hora na Itália, Tevez é estrela na Inglaterra. Todo grande time europeu tem um grande jogador argentino.

Há um porém:

– Temos uma defesa fraca, frágil, que precisa de cuidados e um goleiro, Romero, que não é confiável.

A discussão dos repórteres é quebrada pela chegada de dois torcedores com faixas, bandeiras e uma fantasia. Naturais de Córdoba, são os dois primeiros a desembarcar em Pretória.

– Quero ser o mascote oficial da seleção – pede Jonas Testi, 31, suando dentro de uma fantasia de zebra.

A Argentina é zebra?, pergunto.

– Me diz, brasileiro: quem tem melhor jogadores hoje? Me dá outro Messi, mais um Verón? Você já viu o chute do Di Maria?

Bem ao lado, Xavier Isaurralde e Luis Oscar Martinez, de uma rede de TV, começam a preparar o fogo. Compraram a churrasqueira portátil, o carvão e a carne (“muito boa”, garante Xavier) em Pretória.

– A fumaça vai voar. Quem sabe o Maradona sente o perfume do assado e dá um pulo aqui? – brinca Xavier.

– Vou guardar o pedaço dele, bem passado – diz Luis, dando a deixa para Xavier: – Um vazio por uma entrevista exclusiva.

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