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Posts de junho 2010

Holanda não tem medo do Brasil

30 de junho de 2010 10

A Holanda é sempre uma seleção mágica em todos os sentidos. Na maneira de jogar, com seus ponteiros, seus craques, sua filas de Cruyff, Gullit, Van Basten,  Berkamp, Robben e etc, seus técnicos ofensivistas, sua paixão pelo futebol.

O pragmatismo é dom dos vizinhos europeus. Nunca da Holanda.

A Holanda é uma seleção vistosa, é o Brasil da Europa, mas sem os cinco títulos mundiais.

Poderia estar exibindo três, 1974, 1978 e 1994. 1998?

A Laranja Mecânica, inventada na década de 1970, caiu em todos os Mundiais. Matou o Brasil uma vez, foi dinamitada duas vezes.


A Holanda tem até um Pelé, guardada as proporções. Cruyff revolucionou o futebol e foi um dos cinco maiores jogadores do planeta de todos os tempos. Tem time célebres, como o Ajax que mandou na Europa em diferentes temporadas.

O holandês é como o brasileiro. Gosta de futebol bem jogado, detesta retrancas, adora os craques, aplaude de pé o drible, o bom passe, o gol de letra. Ama dois ponteiros, vaia o lateral que é apenas lateral. Pega no pé direito do volante que insiste em apenas marcar.

A Holanda, ao contrário de outras seleções do mundo, não teme a Seleção Brasileira.
Joga igual, defende e ataca com o que tem. Não fica atrás, não espera. Não é como o Chile, que ataca mais ou menos e não defende nada bem.

Por ser o Brasil europeu, a Holanda acha que joga o mesmo futebol dos trópicos. Esquece que precisa gerar craques dos seus 17 milhões de habitantes com a mesma rapidez e quantidade que o adversário de sexta, que os pescam quase todos os anos em quase 200 milhões de pessoas. É pelo fato de a Holanda não temer o Brasil, independentemente do seu carregamento (ou não) de craques, que o Brasil teme a Holanda. Se a Argentina treme, a Holanda não treme. O perigo vive aí. A Holanda sabe que pode e tem seleção para vencer o Brasil.

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A dupla Gre-Nal em ação na Copa (VIII)

30 de junho de 2010 4

Beira-Rio – O time titular de Celso Roth não usou goleiro no treino de ontem de manhã. Os reservas podiam chutar de qualquer lugar. A ideia era marcar com intensidade a saída de bola, evitar qualquer risco.

Libertadores –
Se a Conmebol der o OK, Tinga ganha vaga entre os 11. Sai Giuliano. Tinga será o terceiro homem do meio-campo de Roth. Repete no Brasil a posição que ocupou na Alemanha com relativo sucesso.

Gols – Silas acha que a chegada de André Lima vai mostrar ao atacante Borges que tem alguém na sua sombra.

Dose dupla –
Silas carregou dois times completos, 22 jogadores, para Florianópolis, e ainda mais quatro reservas.

Substituições – Na Copa Hora, o Grêmio, como os outros três participantes do torneio, pode trocar até sete jogadores por jogo.

Negócio –
O diretor esportivo da Lazio, Igli Tare, chega hoje ao Brasil para oferecer R$ 19,8 milhões por Hernanes. Mas ele sai do São Paulo só depois da Libertadores.

Estreia –
O gaúcho Flávio Murtosa, auxiliar técnico de Felipão, desembarca sexta em São Paulo para iniciar os trabalhos táticos no Palmeiras.

Fim –
Walter é a maior decepção da gestão Fernando Carvalho no futebol.

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Silas vive num mundo à parte

29 de junho de 2010 28

Você está vendo bem, ouvindo melhor ainda. A vuvuzela da Copa faz barulho, rouba a atenção, mas não esconde o ruído local.

A decisão de Silas em colocar Mário Fernandes na reserva, seja da zaga, com Ozeia, ou na lateral, com Edilson (que ele vê na Seleção Brasileira em breve), é um absurdo. Será alinhada como uma das piores decisões de 2010.

Silas pode, tem o direito, é o técnico. Faz o que quer, o que a direção permite, ao que parece tudo e mais um pouco. Mas precisa saber que está errado. O controle de qualidade de Silas está fora de controle.

Silas decidiu mudar o status de Mário Fernandes. Disse que a partir de agora ele será lateral, zagueiro nem pensar. Informou que ele será reserva. O homem de defesa cobiçado por times europeus não serve para a defesa titular gremista. Edilson, Ozeia, Rodrigo e Uendel, uma defesa "semi-avaiana", cabem?

Ao colocar a maior revelação do Olímpico dos últimos anos no banco de reserva, Silas veste o uniforme do despreparo. Buscar jogadores no Avaí parece o ideal. Perder com estes mesmos jogadores é natural.

No Grêmio, o conceito de futebol ainda é um Everest.

Ninguém escala.

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A dupla Gre-Nal em ação na Copa (VII)

29 de junho de 2010 0

Volta – O volante Rodrigo Souto, do São Paulo, está aproveitando o período sem jogos para se recuperar de dores musculares na panturrilha direita que o tiraram do time antes da paralisação do Brasileirão. Ele ajudou a equipe a se classificar para as semifinais da Libertadores e aguarda o Inter.

Preço –
Walter vai por 7 milhões de euros e Rafael Sobis vem emprestado por um ano? Se for isso mesmo, será um negócio da China para o Inter.

Aviso – Fernandão alertou seus colegas do São Paulo sobre a nova pegada do Inter com o comando de Celso Roth.

Dúvida – Com Fábio Santos e Uendel na disputa pela lateral esquerda, Silas deve usar Neuton no meio da zaga.

Ao vivo – A TVCOM mostra amanhã, às 19h30min, Coritiba e Grêmio na abertura da Copa da Hora, em Florianópolis. Às 21h30min, jogam Avaí e Vasco.

Chuteiras –
Nos próximos oito dias, o Inter joga três vezes: Lajeadense (estreia de Roth) , Peñarol e Nacional, os dois últimos em Rivera.

Saudade – Grêmio e Inter voltam ao Brasileirão em 16 dias. O tricolor recebe o Vitória, o Guarani espera os colorados em Campinas.

Mudança – Mário Fernandes não está mais tão feliz no Grêmio de Silas.

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Outro jogo, outro erro, das nossas vidas

27 de junho de 2010 3

A espera durou 17 dias e 50 jogos. No 51º, o planeta arregalou os olhos. Observou o grande jogo da Copa do Mundo da África do Sul. Alemanha e Inglaterra fizeram uma partida espetacular, com cinco gols, emoção a cada minuto, grandes jogadas, brilhos individuais e um erro da arbitragem que vai ser lembrado por muitas gerações de fãs.

Com 2 a 1, jogo indefinido no final do primeiro tempo, a Inglaterra no ataque, tentando o empate, Lampard chutou de fora da grande área, a bola bateu no travessão, voltou a gramado, superou a clássica linha do cal. Gooool. Trinta e duas câmeras notam o gol e deram o replay do gol. Gol legal, límpo e transparente.

O árbitro uruguaio Jorge Larrionda, um escrivão de 42 anos, mandou o jogo seguir com se fosse um imperador de antigamente, dono da vida e da verdade. O bandeirinha Mauricio Espinosa que corria desatento ao lado do juiz também não viu a bola entrar. Continuou com a postura de quem viu uma jogada absolutamente natural. Se os 51 milhões de habitantes da Inglaterra (30 milhões na frente da TV) enlouqueceram, os 82 milhões de alemães sorriam e lembraram de 1966. Riram muito mais alto. Eu ouvi os risos. 

Medo do passado

Quarenta e quatro anos atrás, Geoff Hurst acertou o travessão e a bola bateu no poste e roçou a linha do gol. Não havia 32 câmeras, o jogo ainda não era planetário. Gol?

O juiz suíço, Gottfried Dieust, consultou o seu bandeira russo. Deu o gol.

Os alemães juram que não foi, os ingleses dizem que foi, sim senhor, e o mundo ainda não sabe ao certo depois deste tempo todo.

Os ingleses jamais se esquecerão deste último domingo de junho de 2010.

E jamais deixarão de perseguir Larrionda, que a partir de agora terá sua vida devastada pelos tablóides ingleses. A mídia sensacionalista inglasa ganhou um novo inimigo. O juiz uruguaio será perseguido pelo resto da sua vida. Seu nome será sinônimo de coisa ruim nas ilhas britânicas.

A nova geração

Fora o lance inacreditável, a Alemanha foi melhor, mereceu a vitória, exibiu uma seleção mais compacta, mais veloz e com melhores jogadores. Campeã da Europa nas categorias Sub-17, 19 e 21, os alemães buscaram os principais talentos da nova safra e os mesclaram com a geração que ficou em terceiro lugar na Copa do Mundo de 2006. Um deles é o jovem Thomas Muller, 20 anos, uma das revelações do torneio e legítimo sucesso de Ballack, ao lado do colega Özil.

Os ingleses, ao contrário dos históricos adversários, que fazem o maior clássico de seleções da Europa (o mesmo que o nosso Brasil e Argentina representa para as Américas), desembarcaram na África com uma geração superada, cansada. Perdedora.

Lampard, Gerrard e Rooney, que voam na Premier League, se transformam em jogadores comuns no English Team. O técnico Fabio Capello, mais de R$ 1 milhão por mês de salário, não renovou, não descobriu novos talentos e ficou nas oitavas de final.

Deve ser demito por justa causa, mas vai espernear, chamar Larrionda de "o grande vilão do futebol inglês do novo século".

A Inglaterra pega o avião de volta.
A Alemanha surfa na nova e boa onda de novo favorito para vencer a primeira copa do continente africano.

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A dupla Gre-Nal em ação na Copa (VI)

27 de junho de 2010 1

Certeza – Walter ainda não foi no Inter o jogador que todos esperavam. Sua venda será um alívio para a direção.

Auxílio – O atacante Emerson, ex-Flamengo, que interessou ao Inter, só foi parar no Fluminense depois que Muricy Ramalho pediu. Insistiu.

Europa – George Lucas, 25 anos, ex-Gremio, deixou o Santos. O lateral-direito vai disputar a Liga dos Campeões com o Braga, vice-campeão de Portugal.

Retorno – Eltinho, que não acertou no Inter, volta ao Avaí e deve enfrentar o Grêmio dia 5, uma segunda-feira, às 21h30min, na última das três rodadas do torneio Copa da Hora, no Estádio da Ressacada, em Florianópolis.

Interrogação – Silas é o único que ainda tem dúvidas na lateral esquerda entre Neuton e Fábio Santos.

Suor – Celso Roth tem se puxado nos treinos no Beira-Rio.

Pós-lesão –
Souza, um dos líderes do grupo gremista, deve voltar só em agosto. Ele ainda não jogou em 2010.

Futuro – Silas quer testar contra o Juventude, dia 10 de julho, o time que enfrenta o Vitória na volta do Brasileirão quatro dias depois no Olímpico.

Futuro – Celso Roth ainda tem 30 exatos dias para reorganizar o Inter. O primeiro jogo da Libertadores será no dia 28 de julho, uma quarta-feira.

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A dupa Gre-Nal em ação na Copa (V)

26 de junho de 2010 0

Ilha – O Vasco vai disputar A Copa da Hora contra Grêmio, Avaí e Coritiba, em Florianópolis, sem o meia Felipe, o atacante Zé Roberto, o paraguaio Irrazábal, o meia Carlos Alberto e o atacante Philippe Coutinho.

Recomeço –
O Grêmio estreia no torneio contra o Coritiba quarta-feira, às 19h30min, com transmissão da TVCOM. Depois, jogam Avaí e Vasco. Os torcedores poderão assistir a dois jogos com apenas um ingresso.

Grécia – Reforço do Inter, Leonardo estava no Olympiacos desde janeiro de 2008. Foi titular na maior parte do tempo, mas nos últimos jogos encontrou o banco de reservas. Não jogou a partida em que o Olympiacos foi eliminado pelo Bordeaux, da França, nas oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa, em fevereiro.

República avaiana –
Ozeia é titular da zaga. Mario Fernandes é reserva de Edilson.

Passaporte – O Atlético de Madrid quer Dagoberto, do São Paulo. Mas o atacante só sairia depois de enfrentar o Inter nas semifinais da Libertadores.

América – Quem vai decidir sobre antecipação (ou não) da janela de agosto no Brasil, e assim liberar as novas contratações do Inter para as semifinais da Libertadores, é o Clube dos 13. A CBF não quer se envolver com os clubes. Seu assunto é Seleção.

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A dupla Gre-Nal em ação na Copa (IV)

25 de junho de 2010 5

Opção – O goleador Washington voltará a ser relacionado por Ricardo Gomes no São Paulo e deve reforçar o banco de reservas nos duelos com o Inter pelas semifinais da Libertadores – 28 de julho, em Porto Alegre, e 5 de agosto, no Morumbi.

Custo – Se Rafael Sobis voltar ao Beira-Rio, a folha de pagamento mensal do Inter se aproximará dos R$ 5,5 milhões e se transformará na mais alta da América do Sul.

Verde – A contratação de Sobis, se concretizada, deve acelerar ainda mais o negócio entre Inter, Palmeiras e Taison.

Grama – Quem viu o trabalho de Jorge Fossati estranhou a performance de Celso Roth. A cobrança do gaúcho nos treinos é muito maior. Quem não gosta de treinar forte vai sofrer.

Explicação – O empresário de Silas é o mesmo de Ferdinando e William.

Vício – Roth escalou três volantes entre seus 11 preferidos logo no primeiro treino: Sandro, Guinãzu e Glaydson.

Mão – Inter ganhou a queda de braço com o Palmeiras pelo lateral Leonardo, que faz 26 anos segunda-feira.

Volante –
Ferdinando voltou a receber oportunidade entre os titulares no coletivo de ontem no campo suplementar do Olímpico.

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Itália encontra fundo do poço

24 de junho de 2010 1

A surpreendente queda da Itália, ainda mais que a da França, mostra como as falhas de dois técnicos experientes podem liquidar duas seleções tradicionais em Copas do Mundo em apenas 270 minutos. A dupla não se move sozinha, se movimenta com o apoio das suas respectivas federações, respondem aos presidentes das entidades, cada um na sua, mas têm licença para longos voos. Podem ousar.

Fico com Marcelo Lippi, campeão do mundo na Copa da Alemanha. Esqueço Raymond Domenech, vice no mesmo torneio.

Lippi ganha quase US$ 1 milhão por mês. Foi chamado depois do fracasso da Itália na Euro 2008. Foi recebido como esperança. Foi saudado como o salvador. Ele ganhou todos os títulos possíveis, da Copa da Itália passando pela Liga dos Campeões e até uma Copa do Mundo.

O que a esperança italiana fez?

Nada, quase nada, zero se a seleção italiana for analisada. Convocou errado.

Os melhores atacantes do país estavam longe da África do Sul, como Cassano e Balotelli, um que é inventivo, capaz da jogada diferenciada, do toque de qualidade. Lippi insistiu com atacantes sem qualidade, meros definidores.

Não é culpa de Lippi se a Itália não produziu um novo Toti e outro Del Piero, se Pirlo estava fora de forma, machucado, se Cannavaro envelheceu, se Buffon, um dos três melhores goleiros do mundo precisou abandona a Copa.

Mas é dele a falta de apresentar no Mundial uma equipe tão limitada, tão quadrada, tão sem criatividade, tão burocrática. Lippi se defendeu, quando precisou atacar no desespero levou três gols em 90 minutos. Achou que o seu ferrolho venceria outra vez. Perdeu. Não entrou nem na fase do mata-mata, onde, talvez, levada pela sua camisa, a Itália pudesse jogar o que não sabe.

Com quatro títulos mundiais, dona de uma torcida que ama o futebol, de um campeonato nacional que encanta o planeta, menos que antes, mas ainda conserva um certo charme, a Itália precisa se reinventar. Chegou ao fundo do poço, como disse Gattuso. Ficou em quarto lugar no Grupo F, atrás até da Nova Zelândia. Fez o fiasco do novo século.

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A dupla Gre-Nal em ação na Copa (III)

24 de junho de 2010 2

Mudança – Depois de 11 anos de Cruzeiro, Eduardo Maluf é o novo diretor de futebol do rival Atlético-MG. Maluf revelou que recebeu propostas de Palmeiras, Flamengo, Inter e Corinthians.

Reais – O amistoso entre Grêmio e Nacional, domingo, às 16h, em Rivera, terá a concorrência de Argentina e México. Ingressos: entre R$ 25 e R$ 40.

Voto – O balanço de 2009 do Inter deve ser arma da oposição nas eleições.

Preço – O Porto, de Portugal, aceita pagar algo como R$ 7 milhões por Walter. É meio Rafael Sobis.

Londres – Futuro colega do volante Sandro no Tottenham, Defoe, 27 anos, fez o gol salvador da Inglaterra na decisão com a Eslovênia.

Nome – O Penharol desistiu do ex-colorado Jorge Fossati. Empregou Manuel Keosseian, 56 anos, ex-técnico do Municipal, da Guatemala.

Aquecimento – O São Paulo, adversário do Inter na semifinal da Libertadores, fará três amistosos antes de voltar ao Brasileirão, dia 14 de julho. Espera o Avaí no Morumbi.

Volta – Jornais alemães apontaram a contratação de André Lima como uma das piores da história recente do Hertha Berlin. Preço: mais de R$ 7 milhões.

Ataque – O Inter já esteve bem mais otimista em relação à volta de Sobis.

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A dupla Gre-Nal em ação na Copa (II)

23 de junho de 2010 6

Rede – O gol de Palermo na Copa fez a alegria dos seus fãs no Beira-Rio. O centroavante se ofereceu para jogar no Inter meses atrás. E continua disponível.

3-5-2 – O técnico Celso Roth ainda não anunciou a data do seu primeiro trabalho tático no Beira-Rio. Nem dá pistas sobre seus 11 titulares ou esquema preferido.

Voto – As oposições do Inter se organizam para reaparecer após a Copa.

Urnas – O preço de Rafael Sobis, cerca de R$ 13 milhões, é mais ou menos o que o Inter pagaria para ter Felipão e sua comissão técnica durante 12 meses.

Futuro – Depois da péssima estreia no Brasileirão, a direção gremista já coloca a Copa Sul-Americana como a nova prioridade de 2010. A competição vale uma vaga para a Libertadores 2011.

Luz – Leandro foi intimado no Olímpico. Ou melhora ou sai.

Estrelas – Mithyuê foi emprestado de graça ao Atlético-PR porque na sua posição jogam Souza, Hugo, Douglas, Leandro, entre outros menos votados. Só na soma dos quatro, os salários passam dos R$ 700 mil mensais. E eles “precisam” jogar.

Norte – Quem buscou Mithyuê no Estádio Olímpico foi Paulo César Carpegiani, técnico do Atlético-PR e um dos maiores meias da história do futebol gaúcho.

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A dupla Gre-Nal em ação na Copa (I)

22 de junho de 2010 4

S.O.S. – Com André Lima, aumenta a sucursal do São Paulo no Olímpico. São sete agora, Joilson, Rodrigo, Lúcio, Fábio Santos, Souza, Borges, Hugo e André Lima.

Empata com o volumoso clã do Avaí, com Edilson, Ozeia, Uendel, Ferdinando e William, mais Silas e o irmão Paulo Pereira.

Ilha – Silas vai testar o lateral esquerdo Uendel nos amistosos em Florianópolis. Acha que o jogador pode ser titular já no Brasileirão.

Endereço – Antigo sonho tricolor, que foi pré-inscrito na Libertadores 2009, o meia canhoto de chute forte Renato Abreu assinou com o Flamengo até 2011.

Futuro – O volante Sandro assistiu aos dois jogos da Inglaterra no Mundial. Viu futuros colegas do Tottenham e ainda adversários da Premier League com a camisa da seleção. Peter Crouch, que o volante colorado conheceu em Londres meses atrás no hotel do seu novo clube, jogou duas vezes, mas não marcou.

Gol – Celso Roth ainda não anunciou quem será o goleiro titular na Libertadores, se o recém-chegado Renan ou o já testado Pato Abbondanzieri.

Fé –
Fernando Carvalho acha que a torcida estará ao lado de Roth na Libertadores. O dirigente não vê hoje contestações públicas ao treindor.

Saudade – O Brasileirão volta em exatos 22 dias, uma quarta-feira: Grêmio e Vitória e Guarani e Inter.

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Grêmio e a diferença entre André Lima e William

21 de junho de 2010 93

O Grêmio se superou. Anunciou a contratação de André Lima, 25 anos, um atacante que não deve nada ao centroavante William.

Eu diria que os dois se equivalem. Eu afirmaria que a dupla não conhece os caminhos do gol. Prova? A ausência do nome dos dois do topo da tabela de goleadores dos campeonatos regionais e nacionais.

Desde maio de 2009, nas minhas contas 13 meses, o centroavante foi dispensado de três clubes brasileiros por absoluta falta de gols: São Paulo, Botafogo e Fluminense.

Ah, nem vou contar a sua medíocre passagem pelo Hertha Berlim. na Alemanha.

Como Borges se machuca com gravidade duas vezes a cada cinco meses, um atacante é bem-vindo. Mas também não é preciso radicalizar. Contratar um reserva que não faria sombra ao centroavante William.

Sabe qual a diferença entre André Lima e William?

Nenhuma.
Nada.
Zero.

No campo é nada. No salário é maior.

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A chance da vida de Roth

21 de junho de 2010 9

Vida de torcedor de futebol não é uma existência recomendável. Ele sofre.

Pena.

Mas, muitas vezes, a culpa dos pecados nem é sua, passa muito longe do seu desejo.

É pura culpa dos dirigentes de futebol.
Como o fã não se governa, termina nas mãos do dirigente, nem sempre capacitado, às vezes muito qualificado.

O cartola é capaz de conduzir o torcedor aos céus, encaminhá-lo ao calor do inferno, retê-lo no limbo. Pobre torcedor, ninguém se comove com o seu sofrimento ou seu desejo. Sua voz não é ouvida como deveria, suas ideais não dão frutos. Ele, muitas vezes, bate no poste e volta.

O torcedor do Inter está sofrendo com Celso Roth antes mesmo de ter cometido qualquer falta - seja o colorado da arquibancada ou mesmo o técnico recém contratado. Sofre pela falta de confiança, sofre antes pela descrença.

Muitos meses atrás, em vitoriosos Gre-Nais, a torcida colorado inteira cantava e fazia coro:

– Fica Roth, fica Roth...

Era 100% provocação. Ciente da rejeição dos gremistas por Roth, os colorados pediam a sua permanência no Olímpico. Riam, cantavam, brincavam. O futebol é pura gozação também e as risadas sempre fazem bem.

Nova realidade

Hoje quem brinca é o cara de azul. Lembra que num Gauchão não muito distante o colorado queria ver Roth no Olímpico, agora enxerga o técnico no Beira-Rio e no comando do time nos dois mais decisivos jogos dos últimos anos.

Roth é um homem correto. É adorado pelos dirigentes. Domina vestiários, às vezes tranca as portas para os palpites dos próprios dirigentes. O problema de Roth é que ele nunca ganha nada, não equilibra seus times, se desgasta, briga.

O convite

Roth recebeu o convite mais atípico dos seus quase 20 anos como técnico. Precisa dirigir o Inter em quatro jogos. Necessita de duas vitórias e dois empates (ou quatro empates talvez).

Roth tem oportunidade única na sua vida. Pode usar a faixa de campeão da América depois de quatro jogos. É oportunidade rara no futebol.

Será que o uruguaio Jorge Fossati levaria um pedacinho da faixa?

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Futebol do Grêmio pede ação

21 de junho de 2010 104

Fica Joilson.
Fica Ferdinando.
Fica William.

Vai Mithyuê.

Não que Mithyuê seja uma maravilha, talvez nem tenha qualidades para ser ídolo no Olímpico.
Mas é jovem. Mostrou qualidades. Sabe jogar, talvez precise de uma sequência de jogos entre os titulares para dizer quem realmente é, se será.

Joilson teve a sequência e não aprovou.
Ferdinando jogou meio semestre e não somou.
William entrou e não marcou como real centroavante.

A presença dos três no grupo mostra como as categorias de base do Grêmio são maltratadas.

Nos 11 titulares, não aparece um só jogador germinado no Olímpico. Talvez seja a falta deles que tenha feito do Grêmio um time absolutamente comum nos últimos tempos.

Lembre que o Grêmio tem hoje a maior folha de pagamento da sua história, uma das cinco maiores do Brasil, ainda não computado o novo salário de Victor.

Folha de pagamento de Primeiro Mundo.
Futebol de segunda. Feira? Não.
De qualidade duvidosa. Mergulhe nos números e confirme (ou não).

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Seleção vence e convence o fã

20 de junho de 2010 7

O Brasil não é uma Seleção. É um time. Dunga não priorizou os craques. Abraçou o coletivo.

Na vitória contra a forte e, às vezes, desleal seleção da Costa do Marfim não apareceu apenas o futebol da equipe. Nasceu, ao menos na Copa, a individualidade. Duas, por sinal.

Primeiro Luís Fabiano, autor de dois gols, um deles muito bonito, mas com a ajuda dos dois braços. Não foi um Maradona, mas bebeu na mesma fonte da esperteza, comum no futebol.

Antes e depois, o mundo observou o renascimento de Kaká. Se ele não foi brilhante, teve lampejos de craque, especialmente com dois passes para o primeiro e o terceiro gols do Brasil. Kaká fez a sua melhor partida na Copa. Foi o melhor do Brasil, mesmo com os dois gols de centroavante de Luís Fabiano.

Gostei do Brasil. Notei um time compenetrado, bem organizado, atento ao sistema defensivo, saindo e defendendo em bloco. Sofreu um pouco no primeiro tempo com a força dos africanos, se acalmou depois do gol, venceu o jogo com alguma tranquilidade depois. Não se intimidou com as pancadas do adversário. Kaká, nervoso demais, foi expulso. Logo ele, um jogador que joga em paz.

O francês Stephanne Lannoy ajudou e prejudicou. Não viu os braços de Luís Fabiano no segundo gol, nem a violência africano. Viu demais ao expulsar Kaká. Vai ver o Boeing de volta para a França. Juiz com erros tão graves não pode apitar jogos decisivos numa Copa do Mundo.

O Brasil jogou bem, afastou a má impressão da estreia, ganhou de um time forte e recuperou a confiança do torcedor. Pode melhorar mais, mesmo sem grandes craques, mesmo que a Seleção se porte mais como um time de futebol.

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Do que se ressente a África do Sul

20 de junho de 2010 3

A Copa do Mundo da África do Sul recebeu cinco seleções do seu continente, além da equipe do país-sede. Das seis, só a Argélia conta com um treinador com passaporte africano. Todas as outras chamaram estrangeiros – um deles do Brasil, o experiente Carlos Alberto Parreira.

Entre os seis técnicos, quatro são europeus, como Lars Lagerback (foto menor), duas Copas como discreto treinador da Suécia. As federações não falam, mas jornalistas locais admitem que os técnicos africanos, em sua grande maioria, não são respeitados pelos jogadores – especialmente os que chegam ricos da Europa.

Além dos treinadores estrangeiros, importados sem critérios, o futebol africano se ressente da falta de investidores e da ausência de um trabalho de base com os jovens. Na África do Sul, o número de campos de futebol na periferia das cidades impressiona. É possível notar crianças, jovens e adultos praticando o esporte sem os equipamentos adequados, às vezes calçando apenas um tênis velho.

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O Grêmio e suas incertezas

18 de junho de 2010 60


O Grêmio entrou em férias, a direção saiu junto, os jogadores voltaram, os dirigentes não se apresentaram ainda.

O Grêmio continua o mesmo que foi sufocado pelo Santos na Copa do Brasil, idêntico ao que foi triturado no Morumbi. Nada mudou.

As férias são longas e coletivas. São merecidas, mas o Brasileirão se aproxima e as contratações estacionaram na parquímetro zero.

O Grêmio saiu de viagem sabendo o que precisava. Não encontrou.

1) Um bom zagueiro (ou você acha que Ozeia e Rodrigo, que é baixo para a posição, e é faceiro, e ri quando o time sofre gols, podem segurar algum bom ataque brasileiro?);
2) Um bom lateral-direito (ou você imagina Edilson na posição?);
3) Um lateral-esquerdo (ou você se garante com Fábio Santos, que não consegue fazer dois bons jogos em sequência?);
4) Um volante, problema que se arrasta desde o dia que Rafael Carioca deixou o Olímpico (ou você ainda acredita, como Silas, na volta de Ferdinando?);
5) Um bom atacante, capaz de sentar no banco de Jonas e Borges e fazer os gols quando os titulares estiverem em falta (ou você bota fé em William?).

E pensar que entre todas as contratações do Grêmio na temporada só Borges deu certo?

Não é uma façanha. Não é um atestado.  Neste quase, disse quase, semestre posto fora.

Ou você acha que Gauchão é tudo?

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Inter contrata sucessor de Kaká

17 de junho de 2010 24

O Inter encontrou o futuro nas categorias de base do São Paulo, ninho de bons jogadores. Oscar, 18 anos, acertou hoje sua surpreendente transferência para o Internacional depois de uma luta judicial contra seu ex-clube. Ele assinou um contrato de cinco anos.

Oscar integrou o grupo tricampeão brasileiro. Foi campeão da Copa Nike sub-15, em 2006, no Campeonato Mundial sub-17 (2007 e 2008),  na Espanha. O meia jogou na seleção brasileira em todas as categorias de base, da sub-15 até a sub-20.

Ele recorreu à Justiça no ano passado. Pediu rescisão de contrato.  Disse que, aos 16 anos, foi coagido pelo clube a assinar contrato profissional. O São Paulo ainda pode recorrer.

Oscar é um meia de bom chute de pé direito, clássico, que entra na grande área e com muita leitura de jogo. Promete. No Morumbi, nas categorias de base, era chamado de "o sucessor de Kaká". Claro, óbvio, que  Oscar ainda precisa dizer que tipo de jogar é.

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Na trilha de Roth

15 de junho de 2010 13


Vinte e oito dias, 28 noites, é o que sobra para Celso Roth montar seu Inter, que estreia em Campinas, dia 14 de julho, três dias depois do final da Copa do Mundo, pela oitava rodada do Brasileirão.

Roth se apresentou nesta terça-feira no Beira-Rio, imprensado entre o jogo de Costa do Marfim e Portugal e do Brasil. Seu terceiro desembarque passou um tanto batido. O torcedor, meio nocauteado pela Copa, não prestou a devida atenção.

Sexta-feira os jogadores voltam ao trabalho.

Roth comentou sobre a desconfiança dos torcedores em seu trabalho e sua fama de fazer boas campanhas com seus times, mas nunca vencer títulos.

Sobre títulos

1) "Procuro um grande título e espero que eu consiga conquistar aqui no Inter. Vou continuar trabalhando e persistindo. Esta oportunidade que o Inter está me dando é ímpar. Primeiro porque estou voltando para o clube que me abriu as portas no futebol. Minha expectativa é mais alta possível. Espero aproveitar da melhor maneira esta chance. Quero fazer um bom trabalho para conquistar a confiança do torcedor."

Sobre a Libertadores
2) "Temos grupo para jogar as duas competições. A direção se preocupou em preparar um grupo para a disputar as duas competições de forma equilibrada. A intenção é sempre estar usando força máximo em uma ou em outra. A Libertadores é a prioridade máxima, mas o Brasileirão também é um campeonato importante."

Sobre o grupo
3) "Um dos, senão o melhor grupo do Brasil e com muito potencial."

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Nem Dunga gostou do Brasil

15 de junho de 2010 13


Você esperava mais?

Eu esperava bem mais.

Muito mais porque a Coreia do Norte não está entre as cem melhores seleções do mundo, não visita um Mundial desde 1966 e tem escassas chances de intercâmbio.

A Seleção Brasileira foi burocrática e previsível. Estancou na marcação forte da Coreia do Norte. Insistiu em entrar pelo meio da defesa, congestionada com cinco homens. Seus melhores momentos foi quando consegui atacar pelas pontas, que é o melhor caminho para abrir as defesas.

Faltou talento aos 11 de Dunga. O craque Kaká afundou na marcação outra vez. Que fim levou o jogador que foi o número 1 do mundo três anos atrás?

Os dois gols nasceram de duas grandes jogadas individuais:

1) Maicon entrou pela direita e, quase sem ângulo, detonou um direitaço no desprevenido goleiro adversário, 1 a 0.
2) Robinho, numa lançamento magistral, encontrou Elano livre na grande área, pronto ara o disparo final, 2 a 0.

O gol coreano, no final do jogo, nasceu de outro belo lançamento, mas pegou o lado direito da zaga brasileira olhando as estrelas desde o Ellis Park.

Foi a estreia, o nervosismo pega, a gente entende.
Mas sabe também que a Costa do Marfim tem mais qualidade e força dos que coreanos. Todos os brasileiros têm certeza de que os africanos serão mais difíceis e, depois, Portugal ainda mais. A verdadeira Copa do Mundo ainda não começou para o Brasil. Acho que nem Dunga gostou da sua Seleção. O verdadeiro Brasil ainda precisa dizer quem é na África do Sul.

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Com Kaká é bem melhor

15 de junho de 2010 12

Na Seleção, Kaká, 28 anos, soma 76 partidas oficias, com 27 gols, desde o começo da década. Na história das Copas do Mundo, em 2002 e 2006, fez seis jogos, marcou somente um gol.

Kaká é de uma linhagem brasileira quase exclusiva, a dos craques, dos atletas que alcançam o Olimpo da Fifa, que são chamados, ao menos durante um ano, de número 1. Ele foi o grande nome planetário de 2007, seguido de Cristiano Ronaldo (2008) e Messi (2009).

Três anos depois, o Brasil inteiro vê na Seleção um só craque, Kaká
, sobrevivente da geração de Rivaldo, Ronaldinho, Ronaldo, que a idade já engoliu. Ao fazer uma Seleção espelhada no esforço coletivo, Dunga deixou Kaká na obrigação de brilhar como o único craque na companhia de ótimos e bons jogadores.

O Brasil se dobra aos pés de Kaká, 200 milhões de torcedores fazem suas preces.

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A verdadeira Dinamáquina está na torcida

14 de junho de 2010 6

Também tem Holanda e Paraguai, por hoje. Amanhã tem mais:



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O que será do amanhã de Roth

14 de junho de 2010 32


Celso Roth se apresenta nesta terça no Beira-Rio. Ele desembarca montado num salário superior ao do defenestrado Jorge Fossati. Seu prêmio por título também é maior, superior ao do uruguaio que levou o Inter às semifinais da da Libertadores.

Roth chega ao Inter como um dos cinco técnicos mais bem pagos no Brasil. Nada contra, o profissional precisa se valorizar.

O Inter é que foi atrás de Roth - o contrário não aconteceu. Roth sempre se valorizou. Roth tem uma enorme, uma cavalar, rejeição no Inter. Normal. Roth não agrada ao torcedor, nem faz questão de ser feliz ao lado dele. Sua carreira é pontuada por reações contrárias dos torcedores ao seu sempre discutido trabalho.

Lembro que no Olímpico, na sua última passagem pelo Grêmio, a terceira, ele era vaiado a cada jogo. Acredito que o treinador nem preste mais atenção na torcida que o hostiliza em diferentes cidades brasileiras. Faz o seu trabalho, vira as costas, embarca no carro e busca seu condomínio. A torcida só paga seu alto salário. Nada mais.

Não sei como Roth pode ajudar o Inter. Ele terá cerca de 40 dias para organizar o time, refazer um esquema tático, o seu querido 3-5-2, ou o 4-4-2 dos sonhos dos cartolas colorados - que Fossati não queria ver nem pintado de ouro.

Técnico nunca faz nada só. Precisa da mão firme dos dirigentes, do apoio e, especialmente, da compreensão do grupo e da paciência, do carinho e das palmas da torcida.

Roth tem ao seu lado os dirigentes (Fossati os teve antes). Precisa conquistar os boleiros. E o vestiário do Inter é famoso pela sua força, pela sua complexidade, pela quantidade de altos salários que abriga. Tem ainda a missão quase impossível de trazer a torcida para o seu lado.

O Inter vai viver dias difíceis. Todos sabem.

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O mundo particular de Dunga

14 de junho de 2010 24

Ele foi o nome da desgraça em 1990. Ele foi o capitão da glória em 1994. Ele pode repetir o Franz Beckenbauer de 1974 exatos 36 anos depois. Beijar a Copa do Mundo da Fifa como jogador e técnico. Imitar um único e histórico brasileiro, Mário Jorge Lobo Zagallo.

Entre as Copas do Mundo da Itália e a dos Estados Unidos, 48 meses consecutivos, 192 semanas, 1.460 dias e noites depois, Dunga começou a formar um inimigo invisível no interior do seu cérebro. Nomeou a imprensa como adversário número 1. Não cunhou um rosto, escreveu um nome, marcou um sotaque. Somou. Não escolheu jornalistas do Rio, que classificaram a desastrosa Seleção Brasileira de Sebastião Lazaroni como fruto da “Era Dunga”, nem os paulistas, que o atacavam pela sua falta de habilidade em campo, o que não era real, muito menos os gaúchos – que quase sempre estiveram ao seu lado quando ele rasgava os gramados como bom e aplicado volante de chuteiras de travas altas. O gaúcho venera um volante de contenção.

Dunga colocou todos os jornalistas no mesmo e largo saco, jogou sua ira dentro, fechou. Deu um nó bem dado. A aversão de Dunga aos jornalistas brasileiros estava escondida porque ele também andava oculto depois de se aposentar no Inter por força de jogadas espetaculares de Ronaldinho. Coisas do jogo, da bola, da vida de boleiro. Entre as quatro linhas, jovens não respeitam os mais velhos, nem os de insígnias douradas. Corre quem pode, dribla quem tem mais talento. Sofrem os menos dotados em 90 minutos.


REPÚBLICA DAS ESTRELAS

Dunga voltou às primeiras páginas em 2006, quando aceitou liderar a nova e séria comissão técnica da CBF, cansada da República das Estrelas da Copa do Mundo da Alemanha. Foi imediatamente criticado por parte da mídia, pela quase totalidade dos treinadores do país. Ninguém via nele um representante capaz da turma dos “professores”, ainda mais sem experiência em clubes, em categorias de base. Dunga foi saudado como um alien na categoria dos treinadores.

Aos poucos, ancorado por um grupo de fiéis jogadores, o novo e inexperiente treinador foi desenhando um time, uma ideia de futebol, um esquema de jogo, ao lado do seu fiel escudeiro, o ex-lateral Jorginho.

Craque, por ser apenas craque, não tinha vez. Ronaldinho, melhor exemplo, foi murchando aos poucos. Dunga queria mais do que um drible de cinema e duas jogadas de efeito. Queria comprometimento, camisa molhada, carrinho e bola dividida. Ganhou e levantou assim a Copa América, a Copa das Confederações, a liderança das Eliminatórias 2010.

Esculpiu um time de futebol, não uma Seleção Brasileira.

Os europeus estranharam, acusaram a Seleção de pragmática, sem o “futebol samba”, e elegeram a seleção da Espanha como a maior amiga da bola da atualidade.

Na véspera do Mundial, Dunga recompensou os seus valentes com 23 vagas no Mundial da África do Sul. Levou apenas um craque, Kaká. Os outros 22, com exceção, talvez, de Julio César, o melhor goleiro do planeta, são jogadores que o Brasil produz em série quase todos os anos.


GRUPO DE SECADORES

Em Joanesburgo, Joburg, dizem os íntimos, Dunga mostrou nas pasteurizadas entrevistas coletivas que a sua ira continuava intacta, apesar das vitórias recentes. Acusou os jornalistas de “secadores”, como se jornalista fosse torcedor. Jornalista não torce, escreve. Não veste camisa, usa caneta. Em cada pergunta, mesmo a mais sincera ou curiosa, Dunga sempre nota algo oculto. Usa ironia de volante em algumas respostas. Vê fantasma onde há luz.

Dunga vive uma guerra iraquiana com a imprensa. Alimenta-se do conflito, espalha, influencia os jogadores que, nas entrevistas coletivas, repetem as mesmas frases do chefe. A Seleção é um bloco só, na maneira de pensar e de atuar. As entrevistas coletivas não apresentam deslizes ou bolas fora. Ou polêmicas.

Dunga pode vencer a 19ª Copa do Mundo.

Se ganhar vai dizer que levantou a taça sem o apoio da imprensa, que, aliás, não tem o dever de apoiar ninguém. Se perder, já sabemos quem será o culpado.

Dunga vive num mundo à parte. Não sai de lá.

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