"Surra mundial", choraram os argentinos.
"Vitória de campeão", gritaram os alemães.
Os dois estão certos.
Todo o restante do planeta, que dedicou um pedaço do sábado para assistir à eletrizante goleada da Alemanha sobre a Argentina na belíssima Cidade de Cabo, tem quase certeza que nasceu o campeão da Copa do Mundo da África do Sul. A 19ª Copa do Mundo terá um novo dono dia 11 e deve atender pelo nome de Alemanha, um tricampeão sedento pelo Tetra.
Os 4 a 0 não foram demais. Apenas espantaram. A diferença entre os dois times, no papel, não é tão grande. Em campo um abismo dividiu as duas seleções cheias de história.
As duas seleções já haviam disputado cinco partidas em Copas, com três vitórias alemãs. As últimas, aliás, ocorreram exatamente nas quartas de final de 2006, nos pênaltis, e na decisão de 1990. A única vitória argentina aconteceu na final de 1986, com Maradona em campo.
A Alemanha achou um gol aos 3 minutos de jogo com Müller, a maior revelação da Copa. Quem faz o primeiro gol, normalmente ganha. Mais organizados, melhor orientados, esbanjando juventude, preparo físico e jogo coletivo, os alemães dominavam os argentinos, que não conseguiam entrar na sua grande área.
Especulavam o contra-ataque, quase definiram a partida ainda no primeiro tempo e o jogo só ficou no 1 a 0 pelo detalhe. No segundo tempo, os três gols nasceram com a naturalidade absoluta dos times que controlam um jogo. Schweinsteiger foi o nome do jogo, fez fila no terceiro gol, mandou no meio-campo. Messi foi uma decepção, volta sem um gol na bagagem.
A Argentina, por sua vez, tragicamente repete a campanha da Copa de 2006: venceu o México nas oitavas e foi eliminado pelos alemães nas quartas. Maradona usou outra vez um time ofensivo demais, sem cuidados defensivos, abandonado os zagueiros nas mãos de apenas um volante. Confiou na qualidade técnico e no brilho pessoal dos seus jogadores. Bateu de frente no futebol coletivo dos europeus. Bateu e caiu.
A 2ª Era Maradona, como a 2ª Era Dunga, se encerrou na África do Sul. Maradona, como os argentinos temiam, não foi na decisão o técnico que muitas imaginavam. Um treinador capaz de ler o jogo com a certeza dos estrategistas. Como Dunga, Maradona sai nas quartas de final. Não vai deixar saudade.
A Argentina, como o Brasil, precisa recomeçar.



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