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Paixão com tristeza: "Nunca senti nada igual"

11 de julho de 2010 0


Paulo Paixão tem falado direto com Dunga.

– É uma tristeza… – confessou sexta-feira ao telefone, voz ainda em busca do tom normal.

– Ninguém esperava uma derrota assim… – repete. – Ninguém, ninguém…

Um consola o outro, mas as palavras, qualquer uma, não são suficientes para esconder a dor de cada um. Sejam ditas ao vivo, cara a cara, ou pelo celular.

O experiente preparador físico da Seleção, quatro Copas no currículo, campeão mundial, nunca havia recebido baque igual como o da desclassificação na fria noite de 2 de julho, em Port Elizabeth. Entre todas as suas mais variadas decisões, jamais viu um grupo tão demolido num vestiário depois de uma derrota em quase 30 anos de futebol.

– Nunca me envolvi com um grupo igual, tão unido, tão decidido. Foi uma pena. Olha, foi um dos meus melhores trabalhos. E o grupo queria, Zini, posso dizer que queria muito esta Copa.

Sobre o seu futuro na Seleção, Paixão não sabe. Eu sei que ele está alerta, que deseja mais aos 59 anos de idade, que não se esconde de novos desafios. A futura comissão técnica será formada a partir da contratação do técnico, em três semanas. É o treinador que escolhe o preparador físico.

Paixão não recusaria um novo convite. Sempre conseguiu conciliar seus trabalhos nos clubes com a Seleção. Paixão sempre foi unanimidade na CBF. Ele saiu ileso da Copa. Recebeu elogios pelo trabalho que dotou Kaká de resistência física após seis meses de departamento médico no Real Madrid.

– É o Felipão? – eu pergunto.

Ele diz que falou com Felipão no final de maio, antes da pré-temporada da Seleção, em Curitiba, quando estava com a delegação gremista em Goiânia. Conversaram por quase uma hora. Ainda no Uzbequistão, o técnico falou que iria assumir o Palmeiras em breve e pediu conselhos. Ganhou. Como foi uma conversa pessoal, o amigo de Felipão foi o primeiro a saber que ele voltaria ao Brasil em julho. Guardou o segredo.

Neste domingo, Paixão começa a gastar seus últimos dias de folga na Europa. Terça-feira, em Moscou, será homenageado pelos dirigentes do CSKA pelos serviços prestados ao clube (2007/2009). Paixão deixou entusiasmados seguidores na Rússia, preparadores físicos locais usam os métodos do brasileiro em diferentes clubes do país. Ele volta ao trabalho com o abrigo do Grêmio no final da semana que vem.

Neste domingo, na decisão da Copa do Mundo da África do Sul, onde ele poderia estar, como na de 2002, o preparador físico não arrisca um favorito. Gosta do futebol da Holanda, de defesa compacta, com um jogador especial, Robben, e do precioso toque de bola da Espanha, um time que se conhece.

A final é uma faca no coração. Cada vez que ele vê ou lê as palavras “final de Copa”, bate uma tremenda tristeza em Paixão, tão gigantesca que às vezes parece que ele está tonto.

– Ainda não sei como definir a intensidade da minha tristeza. Nunca senti nada igual…

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