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Posts de dezembro 2010

Ronaldinho, Traffic e Grêmio: a decisão

31 de dezembro de 2010 7

Grêmio e Traffic estudaram vários modelos de parceria. O primeiro, em prática, é o de compra e venda de jogadores com menos ou mais fama.

Exemplo: a maior agência de marketing esportivo da América do Sul oferece um jogador ao Grêmio, como o uruguaio Coates, e pode, depois, participar da venda de um Jonas ou de outro atleta top do Olímpico.

Outros modelos, um deles envolvendo dinheiro, devem ser estudados na sequência de reuniões em Porto Alegre, São Paulo e Rio.

Por outro lado, o Grêmio já sabe que o grande negócio da Traffic em 2011 seria colocar Ronaldinho no Flamengo.

A empresa de J. Hawilla pagaria 50% do salário fixo do jogador, ou cerca R$ 500 mil a cada 30 dias. Recuperaria os altos custos recebendo parte da publicidade que o jogador geraria com a camisa da torcida mais popular do Brasil.

O Grêmio avisou seu novo parceiro que negocia com o jogador e que ele deseja retornar ao Olímpico. Usou a palavra de Assis. Confia na ação do irmão do craque que nem todos confiam.

“Novos parceiros, como Grêmio e Traffic”, disse um conceituado dirigente tricolor, “conhecem a hora cerca de avançar ou de recuar na hora de negócios milionários e históricos”.

A Traffic quer Ronaldinho Gaúcho no Flamengo, craque que o Grêmio deseja, mas, ao menos tempo, costura uma lenta parceria com o Tricolor gaúcho.

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O Grêmio está nas mãos de Assis

30 de dezembro de 2010 8

Os números de um possível contrato entre os Assis Moreira e a nova gestão tricolor estão fechados, contados e somados.

Até as vírgulas parecem nos conformes.

O Grêmio colocou a questão nas mãos de Assis, irmão do jogador. O próximo movimento é dele.

Assis disse aos dirigentes azuis que Ronaldinho só voltaria ao Brasil para jogar no Grêmio. Caso contrário, ficaria no Exterior. Nada de Flamengo, que tem o suporte da Traffic, da TIM e da Olympikus para investir em Ronaldinho na próxima temporada.

O Palmeiras, com a ajuda de patrocinadores, ofereceu R$ 1,3 milhão por mês. Felipão aproximou os paulistas de Assis.

Assis tem a bola. Ele vai dar o passe. O Milan não quer mais o jogador. Assis tem capital para pagar o Milan e depois recuperar o dinheiro em publicidade no Brasil. Ele está rico. Mas não sei se fará o movimento.

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Um Beira-Rio que você nunca viu

30 de dezembro de 2010 1

Emídio Ferreira, vice-presidente de Patrimônio do Inter, e Ricardo Gothe, secretário da secretaria municipal de Porto Alegre da Copa do Mundo de 2014, passearam pelas sociais do Inter na tarde quente do penúltimo dia de 2010.

Ao fundo, se vê o avanço das obras. Em abril, talvez no final do mês, o torcedor já verá os primeiros sinais reais das novas arquibancadas exigidas pela Fifa.

O Inter prepara um novo Beira-Rio para o Mundial de 2014.

O Beira-Rio será o estádio da Copa.

A Arena Gremista, por enquanto um projeto, só terá chance se o Inter desistir de reforçar seu estádio.

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Ronaldinho pode voltar ao Olímpico dia 2 de fevereiro

23 de dezembro de 2010 4

O Grêmio tem três jogos oficias pelo Gauchão antes da estreia na Pré-Libertadores, dia 26 de janeiro, em Montevidéu.

 Joga dia 16 com o Lajeadense (Porto Alegre), 19, Ypiranga (Erechim) e 23, Universidade (Canoas).

Como o Tricolor ainda não pensa em organizar um jogo especial para o possível retorno de Ronaldinho por absoluta falta de datas, o craque pode atuar no Olímpico só no dia 2 de fevereiro, no jogo da volta contra o Liverpool.

A primeira partida da volta do jogador seria em terras uruguaias.

Claro, se tudo der certo no negócio entre Grêmio/Família Moreira/Milan.



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Inter precisa de um centroavante para chamar de seu

23 de dezembro de 2010 2

Alecsandro não é o cara.

Ele tentou, bem que tentou. Enfiou um monte de gols, mas a torcida deseja outro 9, sonha com novo matador. Alecsandro não é mau jogador. Ele não pode ser o culpado por tudo e todos. A culpa precisa ser espalhada entre direção, técnico e jogadores.

Alecsandro sofre da crise “Pós-Nilmar”.

Ele herdou a camisa do ídolo.

A torcida não gostou. Cada vez que via Alecsandro pensava em Nilmar.

A torcida sonha com Nilmar todos os dias. Ou com alguém da mesma árvore genealógica.

O Inter precisa de um centroavante, bom, qualificado, com grife de Seleção para matar a fome da torcida. Sem um camisa 9,com perdão da palavra, “espetacular”, a direção vai se incomodar, ouvir os gritos de revolta.

Só um grande centroavante acalma parte da ira da torcida.

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Ronaldinho e a nova camiseta tricolor

22 de dezembro de 2010 6

Grêmio e Topper, que substituirá a Puma, já trabalham na coleção 2011. (aliás, você leu por aqui a primeira informação sobre a troca de camisas do tricolor)

A nova camiseta poderá ser lançada na semana do primeiro jogo da Copa Libertadores da América, contra o Liverpool, dia 26 de janeiro ou no começo fevereiro. Tudo depende da capacidade de trabalho da Topper nas próximas semanas.

 As novas camisas custarão entre R$ 160 e R$ 190. A ideia é confeccionar um modelo mais clássico, especialmente do uniforme número 1. A ousadia será destinada aos modelos reservas, segunda e terceira camisas.

A Topper quer investir pesado no Grêmio e no futebol. Tem grandes planos.

A marca já trabalhou com o Inter na primeira metade da nova década do milênio. E do Beira-Rio só chegam elogios sobre a capacidade da empresa.

Ronaldinho, se acertar com o Tricolor, usará a 10 da Topper. Só aparecerá com artigos da marca brasileira quando estiver envolvido com o Grêmio. Fora, continuará sendo o garoto-propaganda da Nike, uma marca internacional.

Ronaldinho usará Topper, mas seus milionários pés estarão envolvidos com chuteiras marca Nike.

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Grêmio busca parceria com time de Beckham

20 de dezembro de 2010 4

Repatriar Ronaldinho é apenas uma das pontas, talvez a mais vistosa, da nova gestão tricolor.

A outra é que o Grêmio está no caminho de acertar uma parceria com o L.A. Galaxy, de Los Angeles, time da estrela britânica David Beckham (R$ 330 milhões por um contrato de cinco anos com o clube).

Os contatos estão adiantados. Os gaúchos mostrariam sua experiência na formação de jogadores, os norte-americanos pagariam com ensinamentos na área de marketing. O Grêmio poderia fazer pré-temporada na Califórnia.

Os The G’s usariam jogadores da base gremista ou mandariam jovens para intercâmbios no Brasil.

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Roth fica, mas Inter depende dos reforços

20 de dezembro de 2010 1

Celso Roth fica.

Como sempre o torcedor não é ouvido. Dirigente só atenta ao fã no desespero, na sequência de derrotas, nos momentos de desespero. Dirigente acha que sabe mais do que o torcedor, até porque é um ou já foi um deles mais apaixonado ainda.

Roth fica apesar do desconforto dos torcedores, que não sabem, ou não querem saber, que o técnico não é o único culpado. Pode ser “um dos”. Não “o” culpado. As culpas precisam ser divididas no Beira-Rio. Cada um no seu quadrado.

Roth foi nomeado vilão de Abu Dhabi. O título foi injusto. Roth ganhou a Libertadores, mas a mão de Jorge Fossati estava na mecânica do time. Todos correram para a abraçar Roth, esqueceram do uruguaio.

Os dirigentes colorados, por outro lado, têm convicção que Roth é o cara. É preciso respeitá-los. O Inter teve apenas dois técnicos em 2010, Fossati e Roth.

Técnico bom é o que começa e que termina um trabalho, ganha na metade, no meio e no final. Roth nunca se completa. Não consegue fechar um ciclo. Não que seja mau técnico, não é. Trabalha muito, trabalha demais, mas os resultados do seu trabalho não são vistos regularmente nos jogos. Se você lembrar uma sequência de bons jogos que o Inter fez depois da Libertadores me avise, me ilumine. Eu não sei.

Roth fica. É mais fácil trabalhar com um técnico que conhece o grupo, é pior começar tudo de novo, dizem os dirigentes. Discordo. Roth foi campeão pelo Inter quando pegou o time nas semifinais da Libertadores.

Roth fica, mas precisa de bons reforços, como um volante e um atacante. Deve colocar Giuliano no time. Avançar Sobis, encontrar o substituo de Índio. São só cinco medidas imediatas, há mais, muito mais.

Roth fica, mas vem aí uma das mais difíceis Libertadores da história, talvez mais difícil.

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Ronaldinho 2011 será o Ronaldinho 2005? ou o 2010?

19 de dezembro de 2010 31

Ronaldinho ocupou o sábado, garantiu o domingo esportivo sem bola no Brasil, só bola na Europa, onde a neve permitiu.

O Grêmio quer repatriar Ronaldinho, fala do assunto abertamente, não pede segredo.

Antonio Vicente Martins, o novo homem do futebol, trata do caso diretamente. É ele quem faz o contato com Assis Moreira, irmão jogador.

O clube não quer o mito. Deseja o jogador. Sabe do envolvimento publicitário, sabe da necessidade de parceiros no supernegócio, mas pensa dia e noite no craque.

O Grêmio entende que ele tem todas as condições de voltar a exibir seu melhor futebol no Olímpico, como o de 2005, quando foi eleito o melhor do mundo pela Fifa.

Eu tenho minhas dúvidas. Ronaldinho perdeu seu toque mágico nas últimas quatro temporadas européias. Nunca mais repetiu uma sequência de grandes e inesquecíveis atuações, a Seleção o esqueceu, os torcedores do Milan o atacam de dia e de noite. Ele é questionado na Itália sem que ninguém lembre do seu passado espanhol.

Ele não tem sido mais o que já foi. Basta vê-lo em ação. Se não foi um jogador comum nos últimos anos, não pode ser, jogou menos do que podia e muito menos do que seus times exigiam – e os torcedores queriam.

Há oito jogos em sequência ele ocupa o banco de reservas, entra, quando entra, no final. Ronaldinho está sendo descartado aos poucos em Milão.

Futebol ele tem e de sobra. Só um pirado diria o contrário. A questão é saber se Ronaldinho ainda sabe onde seu futebol está e o que é preciso fazer para que ele recupere o seu auge técnico e físico.

Se o Grêmio reencontrar o mapa, creia, ele será um sucesso espetacular.

Caso contrário, Porto Alegre será Milão.


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Os incríveis números de Ronaldinho no Brasil

18 de dezembro de 2010 28

Palavra do presidente do Grêmio, Paulo Odone Ribeiro, aos repórteres da Rádio Gaúcha, Felipe Gamba e Rafael Serra, neste final de sábado de mais de 30 graus. Aliás, sexta, Serra foi o primeiro a informar sobre o interesse gremista:

- Ronaldinho pode jogar no Grêmio, as portas estão abertas, só depende de Assis e da liberação do Milan

O Grêmio começa abrir as portas do século 21.

Não só por Ronaldinho, pela coragem, mas pelo tamanho do negócio. O Grêmio começa a acreditar no seu tamanho. Pensar acima do Rio Grande. Começa a medir um time para ilustrar seu novo estádio.

Ronaldinho não é só um nome mediático. É um jogador que tem um passado no Olímpico. Cresceu na grande área local. Mas sua saída foi desrespeitosa. O passado é um calo no tênis novo.

Uma década depois o Grêmio o recebe de braços abertos.

A volta do atacante vai dividir a torcida. Na enquete da Gaúcha, neste sábado, o sim venceu.

O Grêmio não é o único endereço que a família Assis Moreira cobiça neste país tropical depois de uma longa, brilhante, mas sinuosa década de invernos com neve.

A Gávea foi tentada. O jogador pediu R$ 1 milhão no bolso mais uma gulosa parte de contratos publicitários. O Flamengo ficou de estudar. Ainda não respondeu.

O Palmeiras ofereceu R$ 500 mil mensais livres, mais R$ 900 mil, também a cada 30 dias, como parte do acerto publicitário.

Assis bateu pé no R$ 1 milhão antes de qualquer verba de publicidade. Felipão aproximou o irmão de Ronaldinho da direção paulista. Mas não tocou na parte financeira. Aí, mudou a turma de verde.

O Grêmio é uma terceira tentativa de verão (Liverpool e LA Galaxy estão na mesma fila). O Tricolor precisa arrumar parceiros fortes, com dólares e euros nos bolsos e na bolsa. Não tem dinheiro para tanto. Tanto que está atrás de um empréstimos para fechar o ano.

Empresários do futebol não acreditam que a torcida gremista consiga levantar algo como R$ 1 milhão mensalmente para pagar Ronaldinho. Uma parceria forte é a solução. Mas a torcida pode ajudar muito.

Ronaldinho seria o jogador mais bem pago de todas as Américas e continuaria recebendo um salário europeu, ainda mais com os contratos publicitários somados aos seus salários.

Independentemente do dinheiro, da grana, dos pilas, uma pergunta fica flutuando no calor de dezembro: o Ronaldinho do Grêmio seria um jogador disposto, motivado, interessado, diferenciado ou o mesmo craque apagado das últimas temporadas nas Europa?

Ronaldinho, pelo que me falam, quer a Seleção Brasileira em 2014. Deseja um recomeço. Nada melhor do que começar onde Mano Menezes põe os olhos quase todos os dias.

Mas o Grêmio precisa correr. Deve fechar o negócio até a primeira quinzena de janeiro. Ou então esperar mais seis meses quando Reinaldinho deixa do Milan com os seus direitos no bolso.

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Inter precisa conhecer os motivos do terceiro lugar

18 de dezembro de 2010 34

O Inter acordou vitaminado no sábado. Dormiu na terça-feira da bobeira. Fez o contrário. Pagou o preço histórico. Garantiu apenas o terceiro lugar no Mundial de Clubes de Abu Dhabi. Fez 4 a 2 no Seongnam. Jogou o que todos esperavam que ele jogasse contra o Mazembe, na estreia. Fez tudo atrasado. O descuido atrapalhou a vida dos colorados. Custou uma fortuna em emoções.

Cada partida tem a sua história. Cada um lê 90 minutos como quer. Vilão no jogo anterior, alvo da torcida, Alecsandro fez dois gols, foi garçom de Tinga no primeiro e saiu de campo como um dos melhores. O camisa 7 Tinga foi o melhor da decisão. Alecsandro fez os gols no dia errado, jogou uma grande partida na data trocada. Mas ele tem seu valor, óbvio.

Vida de jogador é assim. Um dia ele é vaiado, pior em campo, o último dos jogadores do planeta. No outra, salve, salve o goleador. A torcida é passional. Esquece num simples segundo o ódio de um jogo inteiro de outra tarde/noite.

O Mundial de Clubes 2010 não termina na boa vitória contra a precária equipe da Coreia do Sul, inferior ao Mazembe. Ficou a derrota histórica para os africanos do antigo Zaire. A tatuagem será defícil de ser anulada, apesar do laser diário.

O Inter precisa aprender com a derrota. Saber os motivos da derrota, não absorvê-la apenas como desastre de um jogo só. Achar que faltou sorte, tudo OK, tudo bem, vamos tocar a bola. Não é assim.

O colorado sabe que terceiro lugar não é nada para quem buscava a taça de campeão.

O que ele sabe, todo mundo sabe, é que Celso Roth não pode ficar, a torcida não o aceita, e que o grupo precisa de uma reformulação, de reforços. A Libertadores começa em 50 dias. O time precisa de novos e qualificados jogadores. O grupo atual não convence mais. Teve a sua chance de conquistar o mundo. Bateu na trave. Voltou com o prêmio de consolação.

O Inter de 2011 será outro, com uma nova gestão, com um novo presidente.

A pergenta é: o que muda da fotografia atual?

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Não espere que um jogador tenha amor ao clube

17 de dezembro de 2010 15

Jogador de futebol é profissional. Diz, repete, faz questão de usar a palavra “profissinal” em cada entrevista, em diferentes situações, na derrota, na vitória.

Não espere ver lágrimas nos olhos de um profissional da bola.

Ele vai ficar tristes, se abater, mostrar os olhos baixos na hora das perguntas. Sentirá a derrota como ninguém. Mas sua derrota é diferente da derrota do torcedor.

Não espere que o jogador seja torcedor, com raríssimas, mas raríssimas exceções.

Não.

Jogador de futebol é camaleão. Muda de pele a cada um, dois anos. Troca de clube, vive novas cores, outra realidade, enfrenta novos desafios. Vai ganhar, vai perder. Não vai chorar outra vez.

O jogador pode ser criticado por correr menos, por jogar mal, por não se esforçar como deveria. É do jogo. Só não pode ser acusado de ter um amor pelo clube que ele não carrega no coração. Nem é culpa dele. É a sua profissão que o faz diferente. Diferente, nem melhor, nem pior. Diferente.

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Os dilemas financeiros do Grêmio

16 de dezembro de 2010 42

O Grêmio ainda não fechou o acordo financeiro com a ICQ, grupo financeiro britânico com base na África do Sul. O clube pede um financiamento de 5 milhões de euros (R$ 11,28 milhões). Uma das garantias é o passe de alguns jogadores importantes da equipe.

A opção por uma instituição financeira do Exterior foi motivada pelos juros mais baixos do que no mercado nacional.

O dinheiro colocará em dia salários, 13º salário, prêmios e impostos.

Sem um S.O.S. dos bancos o Grêmio não conseguirá fechar o ano no azul.

O socorro bancário mostra que o clube está sem dinheiro para investir em contratações neste final de 2010. A solução, segundo a nova gestão do clube, está na parceria com a Traffic, que pode colocar novos jogadores no Olímpico. A Traffic precisa de uma vitrina para os seus jogadores.

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Os vilões de Abu Dhabi

16 de dezembro de 2010 28

Derrotas históricas no futebol promovem caçadas. A arma é a ira do torcedor. É bomba de hidrogênio.

O fracasso nos Emirados Árabes Unidos atingiu todos os colorados que usaram a cor vermelha na grama do excelente estádio reformado com nome de sultão. Não sobrou um, todos foram criticados. Quem não usou chuteiras, roupas de dirigentes, também não escapou das flechas venenosas da torcida.

Em grande decisões todos perdem. E, no outro extremo, todos ganham. Não dá para culpar um ou 11. Como não dá para saudar só 22 nas vitórias. Na hora da foto dos campeões tudo mundo corre para o meio-campo.

No momento da derrota não adiante se esconder. Todos precisam pagar o preço do fracasso. Não é justo escolher um vilão solitário e único num esporte onde o coletivo é tudo, seja em campo ou fora dele. Quem está no Oriente Médio talvez ainda não tenha conseguido medir o tamanho da derrota. Vive fora da realidade local. Sentirá o bafo do calor colorado na volta ao Sul.

O alvo número 1 de todos, pelo que percebo nas entrevistas, nos e-mails, telefonemas, é Celso Roth. Em desastres, o técnico é sempre a primeira vítima, regra do futebol brasileiro. A culpa aumenta quando se observa que o trabalho dele nos 90 minutos foi péssimo. Seu erro nas substituições contra o Mazembe foi primário.

Roth está isolado em Abu Dhabi. Não há clima para a sua permanência no Beira-Rio. Pergunte na rua, questione o torcedor.

Roth foi culpado também por não preparar adequadamente o time no Brasileirão. Trocar reservas por titulares. Aí, Roth não está só. Foi escudado pelo departamento de futebol, com Fernando Carvalho no leme.

Roth não manda no clube. Sua decisão teve o OK da cúpula. Ele não pode ser o único culpado pela decisão.

Alecsandro chega depois. A torcida já não gostava dele (e a direção não se toca). Gosta menos ainda agora. O fã quer um centroavante para chamar de seu desde a partida de Nilmar. Esquece que o atacante vive da bola dos outros 10. Ele não resolve nada sozinho.

O fracasso do atacante foi acompanhado pelo desaparecimento de outras estrelas em campo. Elas sumiram do verde.

D’Alessandro, melhor jogador colorado, fez uma partida sem sentido, sem brilho, de jogador comum. Tinga não foi o esperado, Sobis perdeu gols vivos, Kleber perdeu o talento do passe em 90 minutos, Giuliano perdeu a aura de talismã. Tudo em apenas 90 minutos.

O problema do Inter foi coletivo. Não fruto de uma ação isolada. Procurar um vilão em Abu Dhabi é tempo perdido. A hora é de análise interna, de reforma de grupo, de troca de treinador. O Inter fechou um ciclo. Começa outro. Em janeiro teremos o Inter com as feições do novo presidente.

Giovanni Luigi tem um trabalho gigantesco pela frente. O maior desafio da história de Luigi como dirigentes de futebol está apenas começando.


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River sonha com D'Alessandro no Natal

15 de dezembro de 2010 12

O periódico Olé, editado na Argentina, volta a lembrar hoje do interesse do River em D’Alessandro, sonho semestral de um dos mais populares clubes argentinos.

A cada final de campeonato, o nome do meia colorada é lembrado.

Presidente do clube, o ex-zagueiro Daniel Passarella gostaria de contar com o canhoto, mas sabe que ele é caro e não sabe se ele estaria disposto a voltar ao time que o formou quando jovem.

O que todo mundo sabe é que o River não tem dinheiro para bancar o negócio.

D’Alessandro continua sendo um dos jogadores intocáveis do Inter, ídolo da torcida. Sua pífia atuação na decisão com o Mazembe pode ter arranhado a sua imagem no final do ano. Mas o Inter sabe que ele é um dos jogadores mais valorizados do grupo.

Não creio que haja negócio com D’Alessandro sendo alinhavado no horizonte vermelho.

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Os sete pecados do Inter

15 de dezembro de 2010 15

UM/// O Inter teve quatro meses para reorganizar o time depois da vitória na Libertadores. Não o fez. Os titulares jogaram pouco, o time quase não repetiu escalação, Celso Roth, por ordem da direção, nunca ofereceu sequência aos seus preferidos. Faltou repetir o time titular, colocar os 11 favoritos em ritmo de decisão. No dia em que as individualidades não funcionaram, o futebol coletivo também não apareceu. O Inter perdeu um pouco para os seus defeitos.


DOIS///  O problema central do time foi o mesmo de outras jornadas. Dificuldade antiga, conhecida, discutida, questionada: a falta de qualificação no chute final. Na média, o time chuta pouco. Teve quatro oportunidades claras de gol em Abu Dhabi. Não fez. Perdeu. O ataque, mais uma vez, não garantiu a vitória.


TRÊS /// Todos os 11 titulares são jogadores, rodados, experimentados em jogos decisivos e internacionais, como Kleber (foto). Uns atuaram na Europa, outros tem experiência em seleções, brasileira e estrangeiras. Mas, em muitos momentos, na estreia no Mundial de Clubes, o nervosismo prejudicou jogadas básicas, o passe, o chute, a conclusão. Faltou tranquilidade, a bola no chão, a inteligência. O Inter inverteu seu jogo em alguns momentos. Levantou a bola. Seu melhor jogo não é o aéreo, é de bola no chão.


QUATRO /// D’Alessandro, melhor jogador da equipe, deveria ter sido o grande nome colorado na primeira decisão do Mundial de Clubes para os gaúchos. O meia que faria a diferença, as jogadas qualificadas, o garçom das grandes vitórias, fez um trabalho abaixo das suas reais possibilidades. Giuliano, gurizão, chamou mais a responsabilidade que o argentino que, quando perde, não dá entrevista. Só tem palavras aos fãs nas vitórias.


CINCO /// Celso Roth acertou ao substituir Alecsandro. O técnico errou duas vezes ao trocar Rafael Sobis por Oscar no segundo tempo. Sobis era o seu melhor atacante, o único capaz de marcar, de decidir. Oscar é um garoto, ainda não tem experiência. Aliás, poderia ter ganho sequência e ritmo de jogo no Brasileirão desde agosto. Mas Roth não usou Oscar com regularidade. Por uma questão de filosofia, Roth preservou dois volantes e tirou um atacante quando o time perdia de 1 a 0.


SEIS /// A falta de gols matou o Inter num jogo onde a maioria de chances de estufar as redes adversária estiveram nos pés colorados durante 90 minutos. Alecsandro, outra vez, não cumpriu seu papel de matador. Não fez gol. O jogador mais criticado pela torcida colorada fechou seu ciclo no Beira-Rio. Desde a saída de Nilmar que o fã pede um atacante de porte semelhante. Se contasse com um real matador, a sorte do Inter seria outra, com absoluta certeza.


SETE /// Insistência com o 4-2-3-1. Com Taison, tudo deu certo, valeu a Libertadores. Sem Taison, com Sobis, o esquema nunca funcionou. Sobis atua mais à frente, é homem de conclusão, das proximidades da área. Não tem, nem terá, a velocidade do seu ex-companheiro. Roth só mudou o sistema tático quando o Mazembe avançou no placar, tarde demais. O Inter foi um time desequilibrado.

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Roth sente a pressão do fã colorado

14 de dezembro de 2010 51

Chovem frases contra Celso Roth. Indignação pura. Setas de todos os lados. O técnico é um dos vilões deste histórico 14 de dezembro de 2010.

Mas não é só ele. Há outros. Roth está apenas na frente. Técnico sempre é escudo. E o departamento de futebol que permitiu que ele escalasse os reservas durante quase cinco meses? Onde está?

Falam dos seus erros, das suas más substituições do treinador em Abu Dhabi, da falta de organização da equipe, da ausência do time base no Brasileirão, do uso equivocado dos reservas, etc.

A torcida esqueceu da vitória na Libertadores. Roth conseguiu arrumar o time em quatro jogos. Foi saudado de pé pelos torcedores no Beira-Rio. Menos de quatro meses depois é o vilão número 1. Entenda uma torcida se você for capaz.

Técnico nunca se mede nas derrotas ou nas vitórias. É preciso viver os dois lados. Roth nunca teve simpatia total em lugar algum por onde passou. É um treinador polêmico. Mas não dá para retirar os méritos de um campeão de Libertadores, mesmo em quatro jogos. Mas ninguém pode esconder seus erros em Abu Dhabi. Retirar Sobis em jogo decisivo é um gesto suicida.

Roth vai ser pressionado 24 horas por dia na sua volta.

Não sei se a direção colorada vai segurar. Tenho minhas dúvidas.

Fernando Carvalho gosta dele. Se Carvalho segurar, o Inter se fica com Celso Roth na LIbertadores.

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Grêmio vive dezembro quase perfeito

14 de dezembro de 2010 13

Futebol vive da rivalidade.

O Grêmio viveu seu dezembro quase perfeito. Faltou o título do Brasileirão.

Mas …

1) Pisou no último mês de 2010 jogando o melhor futebol do Brasil, segundo especialistas do Brasil inteiro.

2) Ganhou o quarto posto no Brasileirão, o que não é bom, mas poderia assegurar uma vaga na LIbertadores 2011 – onde o Inter já está – dependendo do final da Copa Sul-Americana.

3) Viu o Independiente vencer o Goiás nos pênaltis, num jogo elétrico, inesquecível. Como os argentinos venceram a Copa Sul-Americana, os gremistas ingressaram na Pré-Libertadores como integrantes do G-4 do Brasileirão.

4) Bateu palmas com a renovação do contrato do técnico e ídolo Renato e a chegada da nova gestão tricolor, comanda por Paulo Odone, um presidente que é do ramo.

5) Viu o grande rival, o Inter, perder para um time africano logo no jogo de estreia do Mundial de Clubes nos Emirados Árabes Unidos. A derrota do Inter provoca a primeira final de Mundial sem a presença de um clube sul-americano.

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Derrota em Abu Dhabi está dentro do próprio Inter

14 de dezembro de 2010 57

O Inter perdeu. A zebra africana passeou no deserto.

O Mazembe fez 2 a 0, dois gols no segundo tempo, dois gols de qualidade. Surpresa absoluta.

O Inter teve todas as chances para vencer a partida, teve o gol ao seu lado, as bolas da decisão, mas perdeu. Errou. Perdeu um jogo que poderia ter ganho, talvez até com alguma facilidade. Tivesse feito o primeiro gol, os outros nasceriam naturalmente

O acabamento das jogadas ofesivas do Colorado foi péssimas. A bola passou na linha do gol. O goleiro Kidiaba fez defesas fantásticas, fez o jogo da sua vida.

Quem viu o jogo, o bom jogo, teve a certeza que o Inter poderia vencer.

Durante os primeiros 45 minutos, especialmente, bastava o ataque ter encaixada uma jogada. nada, zero. Só gols perdidos.

Veio o segundo tempo, o gol africano, um golaço, numa bela jogada pessoal de Kabangu, e o nervosismo colorado bateu nas alturas.

Celso Roth errou nas substituições.

Tirar Sobis e Tinga numa decisão é pedir para perder. Os dois foram contratados com a cabeça quase no Mundial de Clubes. Roth teve toda as chances de organizar/reorganizar o time no Brasileirão. Não o fez. Usou só os reservas. Poupou, poupou e na hora da decisão não teve o que mostrar.

O Inter teve uma derrota histórica.

Perdeu por vários motivos.

Roth é um deles, suas substituições não fortaleceram o Inter. Mas há outros problemas.

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Inter: como o futebol hipnotiza torcedores

14 de dezembro de 2010 8

Um grande clube de futebol nunca tem limites.

Tem seu ciclo no topo, que pode ser ampliado, diminuido, dependendo da capacidade dos gestores.

Todo mundo sabe como começou, ninguém imagina como/quando vai terminar.

O futebol se revela, se renova a cada dia.

Uma das lições, uma das cem, do futebol é aproveitar o hoje, saudar o ontem, deixar o amanhã acontecer.

Participei da cobertura do Mundial de Clubes de 2006, na Ásia. Foi uma aventura fascinante. Vi o Inter chegar como azão, sair com a taça. Hoje, seu status é outro. Chega com ar de favorito, mesmo na frente dos sempre arrogantes europeus.

Escrevi textos sobre a torcida do Barcelona, antes do jogo, e nunca tinha visto uma torcida tão confiante, otimista, cheia de si.

Nem parecia que os espanhóis enfrentariam um time brasileiro, um futebol tão rico na história da bola no pé. Eles não conheciam o Inter, não tinha noção dos jogadores adversários, quem era quem. Só ouviam falar de Porto Alegre porque é a terra de Ronaldinho Gaúcho, seu ídolo maior na época.

Na hora senti: “O Barça vai perder”.

Perdeu.

Mas o que eu vi, e que torna o futebol ainda mais mágico, é o magnetismo de um grande clube. No dia da decisão, em Yokohama, fui mais cedo ao estádio. ZH faria uma edição extra. Precisava de materia inédito. O que encontrei de gaúcho expratriado, atraído pelo símbolo colorado, foi impressionante.

Gente de fora do Brasil, que morava (ou ainda mora, não sei) nos EUA, na Europa, na China, na Austrália, na Nova Zelandia, nos Emirados Árabes Unidos, correram ao Japão hipnotizados pelo Inter. Cada uma com a sua história.

Depois do jogo, ao contrário de voltar de ônibus ou de carro ao meu hotel, em Tóquio, peguei o metrô. Encontrei mais dezenas de colorados, uns indo direto para o aeroporto de Narita, outros buscando seus hotéis, casas de amigos. Todos vivendo o grande domingo das suas vidas esportivas.

O Inter nunca mais foi o mesmo depois da jornada japonesa. Só cresceu. Faz quase meia década que frequenta grandes competições sem escalas. Há um punhado de razões para dizer que o Inter é o grande favorito hoje. O futebol africano está numa escala inferior. Menos por culpa dos jogadores, mais pela falta de estrutura.


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Grafite vê o Inter como favorito

13 de dezembro de 2010 1

No inverno alemão, -2°C, Grafite, por telefone, confirma que recebeu um chamado do Inter. Hoje, não pode aceitar.

O Wolfsburg, ex-time de D’Alessandro, já avisou que não vai liberar o centroavante na janela de janeiro, um ano antes do final do seu contrato.

Em junho, a conversa pode ser outra. Grafite gostaria de voltar ao seu país e o Inter seria um bom novo endereço, ele afirma. Sobre o interesse do Vasco, não sabe de nada.

Edinaldo Batista Libânio, o Grafite, 31 anos, está ligado no Mundial de Clubes, que conquistou com o São Paulo (2005).

Diz que os europeus dão muito mais atenção a Liga dos Campeões, ao contrário dos sul-americanos, e que, segundo os torcedores do continente, a Inter surge como favorita.

Opinião que ele não segue.

Ele viu os dois times em ação nos últimos meses e acha que a crise técnica dos italianos favorece aos gaúchos. O jogador tem convicção de que o Inter será bicampeão mundial.

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Ronaldinho vai estar ao lado da rival Inter ou do Inter no Mundial?

13 de dezembro de 2010 23

Ronaldinho completou oito jogos na reserva do Milan.

Domingo, quando o líder Milan bateu o Bologna, fora de casa, por 3 a 0, em jogo válido pela 16ª rodada do Campeonato Italiano, o Gaúcho só aqueceu.

Ninguém perguntou ainda, ou ele não falou.

Será que Ronaldinho vai secar a Inter, rival história do seu Milan?

Estará ele ao lado do Inter, rival de toda a vida do Grêmio?

Qual será a preferência do atacante?

Você pode imaginar?

Você sabe?

Ele sabe tamanho de uma derrota num Mundial de Clubes.

Seu Barça de 2006 caiu nos pés do Inter.

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10 superazuis dos primeiros 107 anos

13 de dezembro de 2010 10

O jornalista Marcelo Ferla, ex-colega de Zero Hora e de Editora Globo, lança hoje (segunda-feira), a partir das 19h, na Sairava Mega Store do Shopping Praia de Belas, na Capital, Os Dez Mais do Grêmio (176 páginas, R$ 32).

O nono livro da Coleção Ídolo Imortais, da Maquinária Editora, do Rio de Janeiro, elege os 10 maiores jogadores da centenária história tricolor. Observe  os nomes escolhidos, concorde ou não, faça a lista, eu publico

Eurico Lara

Luiz Carvalho

Foguinho

Airton

Gessy

Everaldo

Alcindo

De León

Renato

Valdo

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História de Vida: O Professor Tite

12 de dezembro de 2010 4

Na ampla cobertura de Adenor Bachi, 49 anos, a luz do Guaíba do final da tarde de dezembro da Capital lembra a luminosidade dos Emirados Árabes Unidos. É um sorridente Ade, seu apelido familiar, que recebe a mim e ao fotógrafo Genaro Jones no 20º andar.

Seu aperto de mão é forte, bem serrano. Seu sotaque ainda guarda no final de cada frase bem construída e em bom português o acento do mapa italiano de Caxias do Sul.

– Mandei meu irmão se infiltrar no meio da torcida do Corinthians certa vez. Queria saber o que eles diziam, o que pediam. O Miro voltou impressionado. Disse “Ade, eles não reclamam nada só apoiam, só incentivam”.

– É uma torcida diferente? – eu pergunto.

– Sim. A Geral, no Olímpico, e a Popular, no Beira-Rio, apoiam o tempo inteiro. Mas os outros setores do estádio não agem sempre assim. No Corinthians parece que todos aplaudem a toda hora. Depois, claro, se nada deu certo, eles cobram a conta, sempre pesada … – ele ri.

Três minutos depois, Ade já não é mais Adenor, que escapa. Na confortável poltrona da sala, surge o técnico Tite, um dos treinadores da elite do futebol brasileiro, o atual “professor” do Corinthians, campeão gaúcho pelo Caxias, brasileiro pelo Grêmio, latino pelo Inter. Títulos que o tornam diferente e especial no cenário local, habitat do atual técnico da Seleção, Mano Menezes, do antigo, Dunga, de um mais velho ainda, Felipão.

– Sou da escola de Ênio Andrade, respeito Carlos Froner, os acompanhei desde que era jogador. Lia as colunas do professor Ruy Carlos Ostermann e o Lauro Quadros quando tentava entender um pouco mais de futebol, ver além do que eu observava na época, quando era jogador de futebo.

Seu horizonte não se encerra mais em Torres, praia do sonhos de todo o caxiense. Se estendeu, cidadão do mundo que é. Agora, o centro de ação é São Paulo, seu contrato vai até a última semana de 2011 e ele precisa lidar com Ronaldo e Roberto Carlos entre outros cobras. Ganhar os títulos que 2010 escondeu do Timão.

– Admiro os dois. São especiais como atletas, como seres humanos os conheci agora. O Roberto é um gurizão, sempre de bom humor. O Ronaldo é igual com todos. Trata todo mundo bem. Respeita o presidente. E o que é mais importante. Reverencia também o porteiro do clube.

Tite vai adiante.

– Sabe que o Ronaldo deu R$ 5 mil para cada funcionário do Corinthians? Não avisou ninguém. Foi lá, discretamente, chamou cada um e estendeu seu Natal. Ele é uma pessoa simples. Trata todo mundo igual.

Um ano, nove meses e sete dias de Caxias, entre 1999 e 2000, o jogaram no cenário no Gauchão, o Olímpico o tornou nacional, o Beira-Rio o consolidou, o Corinthians puxouo treinador, o Palmeiras imitou o rival, o Timão o chamou de novo depois de 2005.

Ele se empolga ao falar de Ronaldo. Puxa o Toshiba, liga e mostra alguns lances de jogadas (uma delas seus volantes de soltam, avançam, entram pela área e marcam gols de fazer corar centroavante) que usa em palestras:

– Olha, a qualidade do passe, a conclusão, a inteligência. O Ronaldo antevê as jogadas. Ele é mesmo um jogador diferente, diferenciado.

O Fenômeno pode ser tornar um perigo de cem quilos de peso e de uma tonelada de criatividade para as defesas da Dupla na Libertadores. O Corinthians é um dos seis brasileiros, ao lado de Inter, Grêmio, Santos, Cruzeiro e Fluminense, na competição que dá direito ao jato Brasil/Mundial de Clubes. Quando eu faço a lista dos classificados, ele pensa 30 segundos, começa a falar em táticas, lembra seu glorioso 3-5-2 gremista, sua matadora linha de quatro colorada. Toma fôlego e entra no torneio latino:

– Nunca vi uma Libertadores tão qualificada. É só time de ponta. Vou para a minha sexta Libertadores (duas como jogador) e acho que vai ser a mais competitiva da história. O nível técnico das equipes brasileiras é altíssimo, com bons jogadores, mais os reforços, e ainda técnicos experientes.

Tite pede licença, levanta, some durante alguns minutos e volta como Ade.

Na mão, dois tipos de refrigerantes e um suco. Serve o líquido gelado. Desaparece de novo. Retorna com dois pratos.

– É o pavê da Rose (sua mulher). Ela deixou para vocês…

O doce é ótimo, caseiro, feito, talvez, com receita das vovós. Enquanto eu o fotógrafo aprovamos o doce, Adenor volta como Tite e lembra o que mudou nos seus 10 anos como treinador de futebol:

– Meu conhecimento tático é muito maior e o meu método de trabalho foi se aprimorando. Sou bem mais experiente, claro. Mas, ao mesmo tempo, acho que o torcedor está muito mais informado, conhece melhor o treinador, jogador e dirigente. Exige mais e tem mais base.

De Abu Dhabi, de onde voltou no dia 20 de setembro, ele pescou uma certeza:

_ O Inter tem mais possibilidades de vitória do que em 2006. Por ele e pelo adversário, que atravessa uma crise técnica grande.

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TP Mazembe: os temores de uma África desconhecida

12 de dezembro de 2010 8

Nunca desprezo adversário, desmereço, ignoro.

Apenas o coloco no devido lugar nas minhas análises.

Não quero dizer que o TP Mazembe (o TP é de Todo Poderoso, como é chamado no seu país) é o pior time do mundo. Não é. É o melhor do continente africano, tem tradição e história, títulos e nomes. Mas é time de um futebol inferior, de uma escola atrasada, que ainda busca um lugar especial no futebol do mundo.

México e África são de duas escolas inferiores quando se analisa o futebol. O Brasil e a Itália são do Primeiro Mundo do Futebol.

Conheço a África, não todo o continente, mas uma dúzia dé nações. Estive na África do Sul em junho/julho, falei com vários jornalistas locais, escrevi sobre o assunto. Todos, sem exceção, falaram que África está atrasada no futebol. Não existe grandes investimentos no futebol. O Rugbi, por exemplo, ganha mais dinheiro, mais exposição na mídia, na África do Sul do que o futebol.

A África gera talentos, craques até, que são imediatamente exportados. Seus clubes são pobres, não tem estrutura,  gestão, bons executivos, bons campos de treino, vestiários, às vezes faltam camisas, bolas e chuteiras. Eto’o costuma doar fardamentos completos aos seus conterrâneos.

O continente carece de bons técnicos também. Não os deixa evoluir. Prefere contratar europeus, especialmente as seleções.

Um dos maiores problemas dos africanos é o condicionamento físico. Os jogadores são bem dotados fisicamente, são fortes, corre e batem. Mas não aguentam correr 90 minutos em ritmo de competição. Cansam. Não tem a preparação física científica que segue o Inter nos mínimos detalhes e ainda comandado pelo fisicultor da Seleção Brasileira. É pouco?

Quando um clube do tamanho do Inter, com quase R$ 200 milhões de orçamento anual, enfrenta um time africano, só podemos dizer que o adversário é inferior, é mais fraco e que só vencerá se a zebra for passear nos desertos dos Emirados Árabes Unidos.

Não desmereço o TP Mazembe. Só não acredito que o Inter possa ser superado por uma equipe africana. Não no atual estágio. Não num jogo normal.

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