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Moacyr Scliar e o livro do Cruzeiro

19 de janeiro de 2011 2

Moacyr Scliar luta pela vida numa UTI. Um AVC o derrubou momentaneamente. A força dos seus amigos, fiéis leitores e admiradores vai levantá-lo – como sempre se erguem alguns dos personagens dos seus mais de 70 livros.

Scliar gosta demais de escrever, escreve sem parar, trata de tudo. Ele é um dos poucos escritores que escreve bem mais do que um livro por ano. É caso raro.

Gosto de Scliar, o admiro. Fui seu editor no caderno de final de semana de ZH, antes de atuar no Esporte. Ele ligava, queria saber o tema principal da edição, às vezes gostava de envolver a sua coluna no tema de capa, pedia sugestões, oferecia ideias, criticava, elogiava e ouvia.

Diz Paulo Sant’Anna do topo da sua genialidade:

– Se eu comprasse um jornal, juro, o Scliar seria o meu primeiro contratado (Claudio Brito sedria o segundo).

Eu dividi muitos papos na Redação com o Scliar. Em pé, no balcão do bar, entre pequenas doses de café preto. Scliar visitava a ZH todas as semanas. Scliar é um sujeito afável, educado, de boa conversa. É um famoso que tem tempo para dois dedos de prosa sempre que é chamado. A maioria dos famosos são apressados, curtos de tempo. O Scliar sempre tem tempo, ainda mais se este tempo for ocupado com o pedido de um texto.

Eu e o Scliar (eu o chamo de Moacyr) sempre conversamos sobre livros, os do mês passado, os mais antigos, os lançamentos, os mais vendidos e as traduções (falávamos também sobre Israel, um país que nos dois admiramos). Depois que ele se tornou imortal na Academia Brasileira de Letras, eu perguntava sempre em tom de brincadeira:

– Fala, Moacyr, conta os livros que os imortais costumam ler. Dá uma dica…

Às vezes eu brincava, especialmente com a sua inesgotável e acelerada produção literária.

– Moacyr, já escreveu o livro do mês?

Scliar é um dos poucos torcedores do Cruzeiro que eu conheço e que não se importa com a dupla Gre-Nal. Ele segue a minoria, ele é do tempo do Estádio da Montanha, que ficava perto do Estádio Olímpico. É também do Estrelão, na Protásio Alves, será do novo estádio de R$ 5 milhões que o clube vai erguer em Cachoeirinha em busca de novos fãs e de uma nova vida.

Hospitalizado, ele não viu, nem ouviu, seu time realizar a maior façanha recente ao vencer o Inter (1 a 0) domingo passado. Eu sempre o cutucava, queria que ele escrevesse um livro sobre o Cruzeiro.

Eu falei, insisti, pedi que ele escrevesse. Mas, talvez, a obra definitiva sobre o Cruzeiro, de Porto Alegre, que é mais antigo do que o Cruzeiro, de Minas Gerais, esteja quase no final da lista dos cem livros que ele ainda vai  escrever em mais algum tempo. Pode ser até lançado perto da inauguração do Novo Estádio do Cruzeiro.

Não é uma ideia, Moacyr?

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Comentários (2)

  • gilmar niederauer diz: 19 de janeiro de 2011

    Que pena. Torço sinceramente que o Scliar se reestabeleça e com certeza, possa escrever o livro sobre o Cruzeiro.

  • Eduardo Lima Braga diz: 19 de janeiro de 2011

    Genialidade do Paulo Sant’Anna, por favor, nos poupe, Zini. Ademais disso, não esqueça que com estes conceitos a sua credibilidade vai por água abaixo. Quanto ao Moacir Scliar, concordamos todos.

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