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O torcedor e o jogador, segundo John Carlin

30 de janeiro de 2011 5

Quero dividir com vocês um dos textos mais lúcidos que li nos últimos tempo sobre a relação jogador e torcedor. O autor é o britânico John Carlin, jornalista, fã de futebol, que vive em Barcelona, escreve para o jornal El Pais, da Espanha, e colabora com a Folha de S.Paulo.

Eu já o entrevistei. É um grande cara, admira o futebol brasileiro, sempre foi um anti-Dunga e na entrevista que fiz com ele um ano atrás disse que a Espanha ganharia a Copa do Mundo da África do Sul,

Bom vamos ao texto do Carlin.

Título:  Não pisoteie sonhos

Por John Carlin *

Nós, torcedores, precisamos acreditar que os jogadores são tão dedicados ao time quanto nós

OS FUTEBOLISTAS profissionais fazem o que fazem pelo dinheiro. Quem disser que joga por amor à camisa do time é um hipócrita e uma fraude. Não são palavras minhas, mas de Benoit Assou-Ekotto, que joga pelo Tottenham e pela seleção de Camarões. Ao rejeitar o roteiro politicamente correto que os demais jogadores seguem, ele repetiu as mesmas declarações surpreendentes, incomuns e brutalmente honestas em duas entrevistas recentes.

Comentando sua transferência do Lens ao Tottenham, há quatro anos, o herege disse: “Não entendo por que todos mentem. O presidente do meu ex-clube disse que saí pois ganharia mais e que não tinha amor pela camisa. Eu respondi perguntando se existia um jogador no mundo que assinasse com um clube e dissesse: “Eu amo sua camisa! Ela é vermelha, e eu a adoro”. Nenhum jogador liga para isso. O primeiro assunto discutido é sempre o dinheiro”.

Uma camisa vermelha era o que Wayne Rooney estava preparado para abandonar, substituindo-a pelo azul do Chelsea ou do Manchester City, caso o Manchester United não tivesse cedido à sua demanda de salário de US$ 250 mil semanais. Conforme as negociações avançavam e a posição de Rooney ficava mais clara, os torcedores do United reagiram com indignação, definindo-o como “prostituta”.

Quando Rooney, que está lesionado, voltar ao gramado, tentará convencê-los de que tudo resultou de um mal-entendido, e ele faz o que faz por amor, e não dinheiro. E os torcedores, ou boa parte deles, escolherão acreditar.

Estão malucos. Vivem num mundo de fantasia no qual é necessário que se sintam convencidos de que os jogadores têm afeto tão grande quanto o deles pelo time; que suarão sangue pela equipe.

Os jogadores é que são sensatos. Quando alegam amar a camisa do time, estão mentindo, como Assou-Ekotto apontou. Mas, apesar de franco, ele está errado em sua indignação. Nós, torcedores, sentimos uma necessidade desesperada de nos iludirmos e de acreditar que os jogadores são tão dedicados ao time quanto nós. Ser torcedor de futebol é pura emoção. Temos tempo de sobra, no restante de nossas vidas, para pensar de maneira lógica.

“Jogo para ganhar dinheiro”, disse Assou-Ekotto, “como todo mundo mais no planeta”. Claro. Mas deveria fechar a boca quanto a isso. Ao ser franco demais, ele termina pisoteando os nossos sonhos.

* John Carlin é colunista do diário espanhol “El País” e autor de “Conquistando o Inimigo”, livro que inspirou o filme “Invictus”. A trdução é de Tradução de Paulo Migliacci. O texto foi publicado no jornal Folha de S. Paulo.

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Comentários (5)

  • carlos diz: 31 de janeiro de 2011

    Pelo amos de Deus, Carlos Alberto (ex-vasco) nao, nao, nao … Tragam o tubo de oxigenio porque estou a beira da morte, se trouxerem este cara, boleiro mal carater, que briga com tecnico, que quer sair na porrada com o presidente do clube, que esta se lixando pra torcida, peladeiro, pipoqueiro, ai que a Libertadores vai pro brecho. Sem ele, ao menos da pra SONHAR em passar da fase de grupos.

  • carlos diz: 31 de janeiro de 2011

    Grande texto, Zini. Nao e que John Carlin tem toda a razao.

  • João diz: 31 de janeiro de 2011

    Eu também achei um bom texto. Mas gostaria de discordar na medida que eu acho que ele está simplificando demais. Por exemplo: o Guiñazu, na minha opinião, é um jogador que dá o sangue pelo time na medida que a torcida gosta. Mas é claro, ele fará o mesmo no São Paulo ou no Boca se ele for para estes times. Ou seja, ele é um excelente profissional e por isso é tão desejado no Inter e por outras torcidas. Outros exemplos: o Sóbis e o Tinga, se doam que nem o Guiñazú, com outras características, são colorados, amam o Inter como torcedores, mas se esforçariam igual em outros times porque também são excelentes profissionais. Isto vale para o D’Ale, para o Aecsandro, Bolívar, etc. Hoje em dia o jogador tem que se doar na medida que a torcida deseja caso contrário ele não vai para a frente. Vemos casos de jogadores que são bons mas não conseguem progredir por que não doam o sangue na medida que a torcida quer. Será que não é isto que acontece com alguns jogadores que são bons mas não conseguem se firmar nos seus time? Já ouvi o Roth dizer que o jogador tem que aproveitar as oportunidades e que alguns jogadores aproveitam melhor do que outros. Não vou citar nomes para não correr o risco de ser injusto. Mas quantos jogadores bons o Inter contrata e ele fica de fora? E a torcida fica perguntando: onde está o fulano? E o jornalista responde que está bem e treinando, treinando, …

  • Jonas diz: 31 de janeiro de 2011

    Está se tornando insuportável essa tendência “moderna” de tolerar comportamentos dinheiristas por parte de jogadores de futebol. Nao nos esqueçamos do princípio de tudo: FUTEBOL É PAIXÃO, E O QUE MOVE TODOS ESSES TRILHOES PELO MUNDO DO FUTEBOL É A PAIXAO DOS TORCEDORES DOS CLUBES. Portanto, a origem do dinheiro que enche os bolsos dos jogadores do mundo inteiro é a PAIXÃO, e nao a razão (futebol, aliás, é uma das coisas mais irracionais do universo).
    Mesmo tendo isso em consideração, ainda é necessário admitir as necessidades financeiras dos jogadores, afinal são profissionais. Porém, o dinheiro deve ser APENAS UMA DAS VARIÁVEIS de escolhas dos jogadores. Como não levar em conta sua história em determinado clube, os gritos da torcida recitando seu nome, as bandeiras confeccionadas em seu rosto? Admitir que a ÚNICA variável de pensamento de um jogador seja o dinheiro é a coisa mais absurda que poderíamos ouvir.
    Jornalistas que defendem este tipo de comportamento estão dando um tiro no pé. Zini, aqueles que lêem teu comentário são apaixonados, aqueles que consomem tuas informações o fazem por amor aos seus clubes. Se fossem calculistas como esse africano aí, ou como Jonas/Ronaldinhos da vida, nunca teriam ouvido falar de ti.
    Grande abraço.

  • laerte diz: 1 de fevereiro de 2011

    Censurando???? Que feio! Aí vai o texto novamente, para você divulgar daqui a alguns dias, quando mais ninguém estiver acessando este post:

    O sr Carlim apenas enfileirou um rosário de obviedades, baseado no que falou um ilustre desconhecido. É óbvio que os jogadores, assim como os jornalistas, vão trabalhar sempre onde o salário for maior, a menos que tenham receio de calote por parte do empregador. Mas uma coisa é certa: é muito mais fácil vestir a camisa de um clube que pague salarios em dia, onde os jogadores não tenham receio de condomínio nenhum (aliás, será que o sr Carlim já ouviu falar em Condomínio de credores?). Duvido!

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