Perder com 10 um jogo da Libertadores (Universidade Católica, 2 a 1), mesmo em casa, não é vergonha. Mas perder e repetir erros antigos é pecado, mortal diriam os católicos mais gremistas 72 horas depois da Páscoa. O Tricolor tropeçou nos próprios erros.
1) Se sabe que Libertadores não se ganha sem zagueiro central e sem centroavante. Rafa Marques é um zagueiro inconfiável, falha em sequência. Sua deficiência apareceu em diferentes jogos. E ainda é um zagueiro que não impõe respeito na sua grande área, é frágil, facilmente intimidado. Os chilenos, com coragem de sobra, sambaram no seu quintal.
2) Ao perder André Lima, o Grêmio abdicou dos gols decisivos. Borges se entregou aos marcadores. Terça-feira, 26 de abril de 2011, Borges fez um dos fiascos da sua vida de jogador de futebol. Prejudicou seus colegas, indispôs seu técnico, pode ter jogado fora a Libertadores (pelo menos mais uma fase). Claro, no calor do jogo, o atleta perde a noção da realidade. Faz coisas malucas. Borges fez uma. É um dos principais culpados pela derrota, ao lado de Marques. Eu imagino que Borges está com vontade de ir embora do Olímpico.
3) O Grêmio 2011 não sabe jogar libertadores, não sabe o que significa um jogo, não entende a realidade, a psicologia da competição. Falta experiência no torneio latino. Os jogadores se comportaram como eternos habitantes do Gauchão e sem passaportes. Se jogavam, caiam depois do mais simples empurrão, simulavam faltas. Estavam mal orientados.
4) Quem conhece Néstor Pitana, argentino da Fifa que não merece o escudo, sabe que ele é um árbitro que deixa o jogo correr (o que é muito bom), que tolera faltas comuns na nossa cultura de futebol e que aceita a violência (o que é péssimo). A derrota passou um pouco por ele, que expulsou Borges com acerto, mas poderia ter expulsado o chileno que agrediu Rochemback ainda no primeiro tempo. A derrota passou pelo árbitro "também", mas às vezes a vitória "também" passa.
5) Coletivamente o Grêmio foi péssimo. Os reservas não repetiram os titulares, entre outros 10problemas, mas Grohe fez uma grande defesa, segurou o 2 a 1, Gilson foi o mesmo Gilson de sempre e assim será em outros jogos. Renato perdeu justamente no dia em que usou três volantes (Rochemback, Adilson e Wilson Magrão). Perdeu porque os seus laterais não funcionaram, porque Douglas assistiu o jogo, apesar do golaço, e porque o ataque jamais ameaçou os chilenos, que estava mais organizados, chegaram junto, bateram quando acharam necessário, intimidaram alguns jogadores gremistas. Rochemback jogou sozinho no meio-campo, correu como um desesperado em busca da vitória. Outros gremistas também correram, se esforçaram, mas depois que Borges recebeu o vermelho tudo ficou mais difícil. Aí, faltou qualidade. Nem banco legal havia,
6) É sempre um perigo colocar nas costas de uma jovem revelação de 17 anos o peso mastodôntico de uma decisão. Leandro sentiu. Muito. Não conseguiu uma só jogada especial, sua qualidade ficou escondida na defesa adversário. Mas ele tem fututo, claro. Usar Carlos Alberto é um risco para o Grêmio, um alívio para o adversário. Chamar Lins é um gesto de desespero. Em quatro meses de Olímpico o atacante, que chegou a ser cortado da lista da Libertadores, mas depois voltou, não fez uma só partida digna de aparecer entre os titulares.
7) Uma derrota sempre passa pela direção, assim como a vitória. A derrota na Libertadores ( a recuperação será obra de um titã, que o Grêmio de hoje não é), espelha o frágil grupo que a direção montou, com a ajuda da gestão passada e com o ok desconfiado de Renato. Sem conhecer o mercado local e internacional, a direção buscou jogadores comuns, ficou com alguns que não havia dado certo na temporada anterior e ainda fez contrato de risco com Carlos Alberto (que tem todo o direito de se pronunciar no Twitter, vida a liberdade de expressão, mas abaixo o nonsense).
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