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Clássico livro do futebol brasileiro volta aos leitores

22 de maio de 2011 0

 

Livro de 1965, um clássico sobre esporte, Gigantes do Futebol Brasileiro, dos jornalistas João Máximo e Marcos de Castro, ganha nova edição com a biografia de 21 craques, entre eles Falcão.

João Máximo, que nasceu em 1935, tem ciúme dos jovens jornalistas:

– Eles veem e sabem tudo. Conhecem o reserva do Messi e assistem o Messi desde o primeiro dia em que vestiu a camisa do Barcelona. É uma geração bem mais informada do que a minha.

Nos tempos de Di Stéfano (1945/1966), divindade argentina antes dos anos Maradona (1976/1997), a TV não se ligava no futebol como nos nossos dias de canais exclusivos ou esporte 24 horas.

– Minha referência era o Maracanã e os jogadores brasileiros. Os estrangeiros eu via nos jornais, nas revistas e ouvia falar. Quem passava pelo Rio eu via, batia palmas. Nem em São Paulo eu ia.

Máximo e seu contemporâneo Marcos de Castro usaram o Maracanã, inaugurado em 1950, como espelho para criar parte de um dos maiores livros dos quase 130 anos de história da bola em nosso país. Embalados pelo sucesso da Seleção em 1962, confiantes no tricampeonato em 1966, a dupla, então na redação do Jornal do Brasil, lançou, antes do Natal de 1965, o livro Gigantes do Futebol Brasileiro. Uniu rápidas, porém ricas e inéditas, biografias de Friedenreich, Fausto, Domingos da Guia, Leônidas, Tim, Romeu, Zizinho, Heleno, Danilo, Jair da Rosa Pinto, Nilton Santos, Garrincha e Pelé. Jogadores que eles conheceram ou craques mais antigos que eles foram saber na palavra de outros jornalistas, amigos, colegas dos boleiros, conhecidos, familiares e torcedores.

Preciosidade, o livro sumiu das livrarias, apesar do impacto negativo da Seleção na Copa do Mundo da Inglaterra. Uns resistiram nos sebos através das décadas, com preços acima da média, e outros foram morar nas bibliotecas de quem acredita que o futebol não termina no fim da noite de domingo depois do último gol da televisão. A obra era exibida com áurea de preciosidade, relíquia, tesouro.

No prefácio, Paulo Mendes Campos diz que “jamais renunciarei ao direito e ao prazer de sonhar o futebol”. O livro é nutrido por uma bem-vinda fantasia (não só a dos autores, a nossa igualmente) que acompanha os craques que nós não assistimos, mas que vivem na nossa memória, adicionados por outras gerações. Sem o fantástico, as histórias do futebol e de seus craques carregam a mesmice de um simples amistoso.

Na nova edição, Gigantes do Futebol Brasileiro (Editora Record, 464 páginas, R$ 49,90) perdeu Jair da Rosa Pinto, que a viúva Célia, vetou. Mas ganhou Gérson, Rivellino, Tostão, Falcão, Zico, Romário, Ronaldo, Didi e ainda Ademir da Guia (os dois últimos os autores consideram reparação de uma falha da primeira edição). A escolha segue o gosto dos jornalistas. Pergunto sobre jogadores gaúchos, Máximo cita Tesourinha:

– O conheci no Vasco em final de carreira. Não jogou muito na Seleção, mas sei que foi espetacular no Inter. Um vizinho nos anos 1950, gremista, me falava muito do Geada. Mas o Rio Grande do Sul era muito distante na época.

– Continua longe?

– Não, gosto muito de Porto Alegre. Em 1970 ou 1971, não lembro bem, fui convidado por um dirigente do Inter para conhecer o Beira-Rio. Na época era editor de esportes do Correio da Manhã. Fui muito bem recebido, jamais esqueci.

– Por que não tem jogadores gaúchos no livro de 1965?

– Na época eu tinha poucas informações sobre o futebol fora do Rio.

– Mas e agora, em 2011?

– Agora tem o Falcão.

– Ele é catarinense?

– Eu sei, mas ele é uma das estrelas do Inter e está no livro porque foi o melhor jogador da Copa do Mundo da Espanha.

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