
Falei rapidamente com Paulo Roberto Falcão por telefone antes das 19h30min desta segunda-feira que fez tremer o Beira-Rio. Da Redação da ZH, senti todo o abatimento do ex-técnico colorado, que estava na sua casa, ainda meio atônito, tentando entender todo o processo.
Ele está magoado, frustrado, chateado. Está muito incomodado.
Não esperava a demissão. Não na manhã desta segunda-feira, 18 de julho, quase cem dias antes da sua contratação.
Sua relação com o presidente Giovanni Luigi era péssima. Normalmente, os dois não conversavam, não trocavam ideais sobre futebol, não discutiam o dia a dia do clube.
Às vezes, Luigi tentava se intrometer na escalação no time, dar palpites, mas Falcão fingia ouvir. Não dava atenção, nem quando ele elogiava, como no jogo com o Corinthians ou em outros. Na hora da demissão, não deixou o presidente completar a sua fala. Disse que não desejava ouvir mais nada. Saiu do Beira-Rio e foi conversar com um amigo num shopping da zona sul da Capital. Foi logo alcançado por jogadores, ex-jogadores e técnicos que, por telefone, mandaram seus abraços.
Antes, se despediu dos jogadores. Foi abraçado por todos, alguns o beijaram, D'Alessandro e Bolatti desejaram boa sorte. Andrezinho era um dos mais chateados. O vestiário ficou comovido com a saída do treinador. O novo técnico vai precisar reconstruir o vestiário.
Falcão, Luigi e Carvalho
O presidente Luigi não queria Falcão no Inter, assim como Fernando Carvalho, que ainda manda no clube. É o grande líder, o poder, o dirigente histórico. Luigi desejava ficar com Roth, com o apoio de Carvalho. Foi Roberto Siegmann que demitiu o treinador e trouxe Falcão. A dupla vivia numa mundo a parte no Beira-Rio. Não tinha o respaldo da direção. Estava isolados. A derrota para o São Paulo foi usada para afastar os dois
Ao demitir Roberto Siegmann, Giovanni Luigi não afasta apenas seu homem forte do futebol e conselheiro do Inter. Tira do caminho um candidato potencial a presidência do clube no final de 2012.
Foi Siegmann que praticamente garantiu a eleição de Luigi depois de enfrentar alguns influentes políticos colorados que desejavam, entre outros movimentos, estender o mandado de Vitorio Piffero, em outubro de 2010.
O presidente prometeu contrações. Adiou. Prometeu outra vez. Não cumpriu. Falcão fez a sua lista de reforços, queria quatro jogadores. O presidente achou caro os reforços sugeridos pelo técnico. Mas o que é caro para o Inter dos nossos dias?
Falcão saiu do Inter ferido. Não esperava o golpe. Mas um dia quer voltar. Não sabe quando. Agora ele deve descansar um tempo, talvez sair da cidade, viajar. Mas quer continuar treinando clubes de futebol. Está no mercado.
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