Quatro gols, duas bolas no poste, duas grandes defesas. O 4 a 0 do Barcelona sobre o Santos parece que não foi tanto.
Doeu igual, mas quase foi seis, sete.
O Santos nunca achou o Barça campeão mundial no Japão. Correu atrás, em volta, do lado. Equipe inferior, no sentido coletivo, o primeiro, e técnico, sentiu a força de Messi, o melhor, e os seus. Fracassou. Conheceu a mais trágica derrota do futebol brasileiro em uma final em muitos anos. Fracassaram seus jogadores especiais, Neymar e Ganso, murchou o confuso esquema tático de Muricy Ramalho - se bem que todos os sistemas já foram testados contra os espanhóis e quase nunca dá certo.
Campeão da Libertadores, o Santos desistiu do futebol no segundo semestre. Arrumou dezenas de desculpas. Viveu nas glórias de ter sido o melhor time da América do Sul no primeiro semestre, no segundo foi LaU. Surfou no marketing do Mundial de Clubes da Fifa. Teve meio ano para crescer como time. Ficou na média baixa, seu Brasileirão foi péssimo. Confiou nas suas reservas técnicas, que foram anuladas pelo futebol intenso do adversário.
O Barça não deixou o Santos pensar. Fez quatro, foi pouco e ainda bem que Pelé ficou no Brasil.
A aula não foi só de futebol, mas de conceito de futebol.
Futebol não se faz com dois ou três jogadores espetaculares, mas com um trabalho coletivo que deixa os grandes jogadores com espaço para brilhar e correr por dois (jogar e marcar). No Brasil, o profissionalismo no futebol ainda é miragem. Uns jogam quando querem e só como querem. Se a cabeça do jogador brasileiro não mudar, adeus grandes títulos internacional, bye bye Copa do Mundo de 2014.
O Santos pagou o preço. Imaginou que o grande futebol da Libertadores poderia brotar em 90 minutos depois de desistir dele durante seis meses.



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