O rádio perdeu Cláudio Cabral, os gaúchos, um dos seus melhores comentaristas, o futebol do Estado, um das suas referências.
Nada é insubstituível nos microfones. Mas não haverá outro Cláudio Cabral, a quem os colegas chamavam de “Mestre”. Ele tinha um estilo. Não deixou sucessores.
Cabral não era jornalista de universidade. Saiu do Inter, onde era dirigente e usou o rádio (Gaúcha e Bandeirantes) para narrar as experiências de vestiário e de gabinete de estádio. Sua escola foi o dia a dia de um clube de futebol.
Ele aprendeu na prática o que muitos colegas seus exercitaram na teoria. Ele sabia de cor o ABC dos técnicos e dos cartolas. Ele ajudou a traduzir o futebol para muitas gerações de torcedores gaúchos.
Nunca escondeu sua cor vermelha, mas também nunca deixou as origens influírem nas suas opiniões, opiniões fortes, marcantes, sem meias verdades, sem matizes. Caminhava por cadeiras e arquibancadas do Beira-Rio e Olímpico com a mesma tranqüilidade, trânsito igual, respeito idêntico. Nas ruas o respeito era idêntico. Comentava Inter e Grêmio com o mesmo vigor, mas suas ironias tinha o vizinho azul como alvo preferencial em determinados momentos.
Cabral era um dos melhores comentaristas do nosso rádio. Ele via o jogo. Nós ouvíamos. Não o conheci bem. Admirava seu trabalho de longe.
Cabral se foi, o futebol gaúcho vai reverenciá-lo no segundo final de semana de abril de 2012. Não vai esquecer de Cládio Cabral depois.




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