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Posts do dia 21 abril 2012

Nada de novo no burocrata Tricolor do Gauchão

21 de abril de 2012 34


No quarto mês da temporada, o Grêmio encontra a sua primeira decisão de 2012 no segundo turno do Gauchão, a Taça Farroupilha. Venceu o Canoas. Espera o ganhador de Inter e Veranópolis, no Beira-Rio. Domingo, 29, será dia de Gre-Nal, caso a zebra continue dormindo no final de semana.

O Grêmio fez um gol aos sete minutos de jogo, com André Lima, e parou. Dominou o frágil Canoas no sábado chuvoso, cara amarrada, do Olímpico. Teve chances de gol, perdeu vários, foi pouco contundente. Perdeu, mas não sofreu com o ataque adversário, que jamais ameaçou Victor.

Quem penou foi a torcida. Observou um time burocrático, sem criatividade, opaco.

Foi o mesmo Grêmio dos últimos tempos, carente de qualidade, sem a aplicação necessária, com erros nos passes, imprecisões nos lançamentos e que ofereceu espaços preciosos ao adversário da Região Metropolitana. Fosse um time mais qualificado, mais ambiciosos, o resultado teria sido outro.

O jogo era decisivo. O Tricolor parecia envolvido com um amistoso sem grife. A determinação ficou estacionada no vestiário. Até Vanderlei Luxemburgo reclamou com razão da morosidade dos seus comandados.

Todos que foram ao Olímpico, se acomodaram na frente da TV, saíram felizes com a classificação. Mas preocupados, tensos, com a exibição do time. Entra jogo, sai jogo, o Grêmio não acerta o passo, o passe, calibra a chuteira. Ao time falta qualidade em todos os setores quando Kléber e Marcelo Moreno estão fora. O Grêmio sabe, Vanderlei Luxemburgo sabe mais do que nós.

Os laterais são um problema, Pará é um problema dobrado, pé direito na zona canhota,  jamais conseguem completar uma jogada de linha de fundo, o que desespera André Lima. O meio-campo não cria, Marco Antonio se movimenta, mas sua produção é mínima, não alimenta os atacantes com fome de gol.

Luxemburgo tem trabalho, muito trabalho, trabalho pesado, extra. Nem as jogadas ensaiadas aparecem nas faltas. As cobranças de longa distância se aproximam do cômico, um bico na barreira . E como esperar vencer uma Loteria Esportiva sem jogar.

Mas a classificação veio, há uma final em sete dias e muitos torcedores se movem pelos resultados fáceis, só por eles. Estes estão ok. O Grêmio, creia, não está.

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Dorival Júnior joga seu futuro em maio

21 de abril de 2012 16


Se o Inter não pode mais errar, Dorival Junior muito menos. Seu trabalho começa a ser contestado, questionado, criticado.

O treinador entra na "sua reta decisiva", para usar a linguagem do futebol, no Beira-Rio. Maio é a sua grande prova desde que chegou ao Inter, na metade do ano passado.

Dorival terá dois jogos complicados pela Copa Libertadores da América. Precisa superar o Fluminense, o melhor time da primeira fase do torneio. Não há outro caminho.

Entre os dois clássicos com os cariocas, pode ter um Gre-Nal, outro jogo de risco, partida que poderá valer um título gaúcho. Se passar, terá o Caxias em dois jogos pela final do Campeonato Regional.

A campanha do Inter na primeira fase da Libertadores não o recomenda. O grupo de jogadores, sim. O técnico também tem competência.

O Inter depende dele mesmo. Há qualidade na grama e no banco. O momento, porém, não é nada bom.

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Café, gols e lembranças

21 de abril de 2012 10


Numa mesa de canto do Z Café Bistrô, Marcelo Moreno senta de costas para a entrada. Quer privacidade, ele é uma pessoa discreta, não gosta muito de sair, badalar. Sabe o custo real da imagem de um jogador de futebol. Já entendeu o Gre-Nal eterno da Capital:

— Tenho 24 anos, com 19 estava na Europa, a vida me ensinou muitas coisas. Até como não ser feliz. Hoje, em Porto Alegre, sou feliz. Nunca me receberam tão bem numa cidade, num clube, até as "tias" que fazem a comida no Olímpico são legais. Quero ser assunto dentro de campo. Nunca fora.

O outro mundo do atacante era a Ucrânia, onde jogou (também viveu na Alemanha e na Inglaterra) com temperaturas absurdamente baixas, duelou, com derrota por nocaute, com um idioma complicado, sofreu pela falta de referências
— Um dia, bola laranja no campo branco, fez -27ºC, com gelo, vento, neve. Tudo. Menos torcida.

O calor do Brasil, do povo, dos fãs gremistas, especialmente do gremista, o trouxeram de volta ao país, onde viveu dos 16 anos aos 19 anos, ele que nasceu em Santa Cruz de La Sierra.

— Como está meu português? — ele pergunta.

— Bom — eu digo.

— Legal, aprendi em Salvador, onde joguei dois anos (Vitória, 2005/2007).

No Shakhtar Donetsk, Moreno ficou próximo de Douglas Costa. Os dois tinham longas conversas. O novo amigo gaúcho, cria tricolor, sabia que Triple M, um dos apelidos de Marcelo Martins Moreno, vivia infeliz:

— "Vai jogar no Grêmio", o Douglas dizia. Insistia. "O clube é grande, a torcida é superquente, a cidade é muito boa. Você vai curtir muito". Aceitei os conselhos.

O atacante teve convites de Flamengo, Palmeiras, Corinthians e até, acredite, do Inter:

— Preferi o Grêmio.

A felicidade de Moreno, que cresce com os gols e triplicaria com um título tricolor (ele falou oito vezes em ganhar um título em 30 minutos de conversa), encosta num ponto legal quando toca no nome de Dona Ruth Moreno, 51 anos.

— A mãe saiu de Santa Cruz de La Sierra, viajou três dias de carro com meus dois irmãos, Demis e Marlon. Estão comigo em casa, ficam até julho. Ela tem medo de avião — ele sorri.

Os Moreno, ele, pai, mãe e irmãos são 10. Os dois maiores já conhecem o apartamento de três suítes com vista panorâmica que o centroavante comprou numa zona nobre da cidade. Os outros quatro (fora a irmão Sara), que ainda estudam na Bolívia e que usam camisa do Grêmio nos jogos da escola e nas peladas, chegarão nas férias.

— Mas só se tiverem boas notas — adverte.

Um deles, Leandro, 12, vai fazer estágio na base tricolor:

— Será atacante, goleador — diz.

A palavra gol dá comichão no pé direito de Moreno. Perna, coxa, que sofreu uma lesão muscular dia 4.

— Estou bem, confiante, já treinei forte. Os médicos pediram para esperar mais um pouco.

Em campo, ele precisa do gol para viver feliz. Os últimos quatro anos foram de aprendizado, mas sem a alegria que ele degusta de azul, preto e branco.

— Acertei agora.

Ele fez oito gols em 16 jogos em 2012.

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