A lista de clubes é extensa e variada. Sandro Laurindo Silva lembra de todos os nomes. Falar de cada time é uma rápida viagem ao interior da sua mente.
— Aos 16 anos viajei à Itália. Fique seis meses no Genoa. Voltei ao Brasil, passei a jogar no América-RJ. Andei por Ceará, Portuguesa, Itumbiara, Remo, onde joguei seis meses e fiquei cinco sem receber, Mirassol, Palmeiras, Botafogo, Malaga (Espanha) e Inter.
Voltar ao Malaga não faz parte dos seus planos, ficar no Inter, sim, mas aí apareceu o São Paulo. O jogador imaginou que iria renovar com o Colorado meses atrás. Não rolou. A crise entre o clube e a Andrade Gutierrez tirou o foco dos dirigentes. Então, começou o "Caso Oscar". Tudo adiado outra vez, embora, em campo, ele já exibisse, a cada jogo, o seu valor como volante, posição clássica do futebol gaúcho, que desperta paixões em técnicos, dirigentes, torcedores e cronistas.
A torcida, que não o conhecia, ficou surpresa. Encontrou um reserva com futebol de titular. Os aplausos não cessaram mais. Antes, era reserva de lateral, uma adaptação, às vezes mais um entre um coleção de volantes. Seu espaço foi conquistado no muque, quando disse na pré temporada que desejava jogar na sua verdadeira posição, caso contrário voltaria para Europa, e depois quando o técnico Dorival Junior ofereceu uma oportunidade real — o que ele não desperdiçou.
Ao substituir a máquina física Guiñazu, não exibiu futebol igual, mas competitivo o suficiente para que a camisa 24 passasse a fazer parte dos 11 preferidos do treinador.
Ele se diz tranquilo, sem ligar para propostas financeiras, concentrado apenas no Inter, nos desafios do Gauchão e da Libertadores. Quer ocupar um espaço, se transformar num dos bons volantes do país, ser reconhecido:
— São três decisões em sete dias, a semana é especial. Não dá para pensar em outra coisa. Sei do interesse do São Paulo, mas a proposta não chegou a mim.
Mas ele, que não tem empresário, que diz ter sido enganado, perdido dinheiro em outros momentos, espera, agora ao lado que que confia, do pai Waldeir Silva, fazer um contrato especial. Ele é um jogador valorizado. Aos 28 anos, sua carreira não está mais no começo:
— Tenho família, um filho. São seis pessoas que dependem financeiramente de mim. Aos 16 anos estava na Itália, sozinho no mundo. Agora, eu e minha família somos Sandro Silva Futebol Clube. Ainda tenho cerca de um meias e 15 dias de contrato com o Inter.
Mas o Sandro Silva FC hoje usa a cor vermelha. A família reclamou que o Gauchão não entrava em Nova Iguaçu. Sandro pegou o telefone e fez um pacote do nosso campeonato regional. Em cada jogo do Inter é uma festa, a família inteira e amigos se acomodam na frente da TV em cadeiras dobráveis, com bandeiras e camisetas. O perfume da carne assando atrai mais gente ainda.
Agora é libertadores, Gauchão só no domingo:
— É a segunda decisão em sete dias. Levo fé no time e no nosso trabalho. Se o Inter jogar como o Inter no Rio de Janeiro acho que temos grandes chances de passar de fase. Não podemos nos intimidar com o adversário. Nossa equipe tem juventude e experiência. Precisamos jogar como se estivéssemos em casa
Deco, o qualificado meia do Fluminense será o seu alvo em campo.
— É um jogador inteligente, que vê o jogo, passa muito bem. É preciso atenção, marcar em cima, não oferecer espaço.




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