A Série A da Itália foi a Premier League, La Liga, Bundesliga num passado recente. Desfilou Zico, Maradona, Platini, Gullit, Van Basten e Kaká. Hoje, é caso de polícia, com estádios velhos e vazios, com perdas de receitas milionárias e o sumiço de milhares de torcedores. O problema não é só a ausência de astros e estrelas e uma infraestrutura defasada.
É mais grave. É a corrupção.
A máfia está matando o futebol da Itália, o primeiro a ocupar o sinal aberto da TV brasileira nos anos 1980. Gerações começaram a seguir o futebol da Europa pela Itália. Foi nosso primeiro canal.
A máfia das apostas ilegais, que acerta resultados, quem ganha, quem perde, qual o escore, se o gol é contra, de dentro ou fora da grande área, penetrou de tal maneira no tecido da bola que o primeiro ministro Mario Monti sugeriu que o futebol fechasse para balanço durante três anos.
Os bandidos, com sede em Cingapura e ramificações na Europa, pagam R$ 1,5 milhão por resultado arranjado. Faturam quatro vezes mais. Compram a integridade e o futuro de jogadores, dirigentes e técnicos das séries A, B, de todas.
Torcedores estão desesperados. Não sabem se o gol do seu time é falso ou verdadeiro, se o título é encomendado ou real. O futebol do país está ferido de morte.
Não adianta trocar de canal, de liga. O futebol precisa ser reinventado na Itália. Ou as novas gerações verão nos estádios outro Coliseu, memória de um passado caro.
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