Pelé disse que Ronaldinho não é mais o craque que foi. Seria só mais um no grupo de um time de futebol.
O Rei está certo.
Nunca um jogador se desvalorizou tanto em tão pouco tempo dentro e fora do campo. A queda foi casada, tudo junto e ao mesmo tempo. Festa na rua, cansaço no estádio. Produção = zero.
Ronaldinho se acostumou a bater a porta na cara dos clubes que o buscaram. É assim desde o Olímpico na virada do milênio. Foi assim no Rio. Ele renega seu passado a cada novo passo. É como se o ontem não existisse mesmo, o anteontem fosse só a Seleção, amanhã tudo se resolve no extenso Brasil.
Sua fase final no Barcelona, a trágica passagem pelo Milan, o fiasco no Flamengo, o descrédito na Seleção, o rápido acerto com o Atlético-MG, exibem a derrocada nos últimos quatro anos. Ele não leva mais a vidade um jogador de futebol. Cada novo passo é uma queda, sempre parecida, mas cada vez mais radical. O Flamengo o acusa de chegar ébrio aos treinos.
Ele desembarcou ao país em janeiro de 2011 como uma grife do futebol planetário. Menos de um ano e meio depois veste a histórica camisa do Galo apenas como um jogador a mais da nossa constelação.
Não houve a euforia midiática das primeiras horas na Gávea, nem a mobilização da torcida, o frenesi natural dos fãs apaixonados de um clube de massa. Desembarcou em Minas Geriras como mais um jogador de futebol, normal, sem fanfarra.
Nas palavras dos especialistas do marketing do futebol, e eles sabem o que falam, Ronaldinho é uma marca "gasta", sem grande valor, sem mais atração.
Sem a grife de dias gloriosos, sem futebol de outros tempos, só a lembrança salva Ronaldinho, a distante lembrança: ele poderia fazer de novo, outra vez, mais uma, bis. Só que não faz, nem demonstra vontade para tanto. Vive num mundo paralelo.
Do mesmo mal padeceram torcedores do Barcelona, Milan e Flamengo, os mais recentes. Mas eles não querem refrecar a memória dos "Anos Ronaldinho"
Os mineiros são os novos cobaias do experimento R10, talvez os últimos brasileiros em ação.
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