O técnico de futebol é vilão na cabeça de torcedor. Quando o time vence, ganha o jogador. Na derrota, sofre o treinador. O processo é cultural.
Torcedor faz passeata para derrubar técnico, seja milionário, salário médio ou mínimo. Jamais organiza piquete contra goleiro, zagueiro ou centroavante.
Quem olha de longe, olhos vermelhos de paixão, não vê o entorno, o todo que cerca o técnico. Treinador não treina sozinho, não joga, não decide, não escala, não pune sem o consentimento do homem de futebol e dos dirigentes. Mas ele é tão culpado (ou vitorioso) quanto todos.
Ainda sob o impacto da derrota, sábado, Dorival Júnior colocou na sua conta a má partida contra o Botafogo. Disse que o 2 a 1 negativo era responsabilidade sua. Ok, a posição é boa para consumo externo. Mas não é verdadeira.
O trabalho do treinador no Inter não é bom. Você sabe. Não fez um bom Brasileirão 2011, fracassou na Libertadores, foi feliz no Gauchão.
O Inter não joga um futebol de acordo com a qualidade do grupo de jogadores, mas lesões em série atrapalharam os planos táticos de Dorival. Tinga deixou o clube, por exemplo.
Casos de indisciplina no vestiário afetaram a liderança do comandante, mas nestes momentos o treinador precisa da mão firme dos dirigentes. Não pode entrar aí a amizade com os jogadores, mas a postura da chefia.
Dorival entra na perigosa fase da desconfiança. A torcida pressiona, os dirigentes sentem, os jogadores ficam no meio. Ele está na mão dos resultados, como todos os técnicos, porém num estágio mais avançado. Qualquer derrota pode significar o fim de um trabalho, qualquer vitória deve ser mais que um vitória, três pontos precisam significar bom futebol e esperança.
O relógio corre contra Dorival no Beira-Rio, mesmo que ele não faça nada sozinho, tenha ao seu lado um executivo de futebol remunerado, um vice-presidente e muito mais. Futebol é jogo de equipe. Ninguém faz nada sozinho.
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