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Posts do dia 5 julho 2012

Luxemburgo precisa inventar

05 de julho de 2012 24

Em outros clubes, no auge do sucesso, Vanderlei Luxemburgo era um técnico supercriativo. Mexia seus jogadores como peças de xadrez.

No Grêmio, ele ainda exercita o básico. Se o lateral direito sai, ele coloca outro no lugar. Se o canhoto se machuca, ele escala um direito do lado esquerdo. Se o ataque está mudo, ele empilha atacantes.

Será que a criatividade secou? Não creio.

Ele poderia, quem sabe, testar (eu disse testar) Léo Gago na ala esquerda domingo, contra o Santos sem PH Ganso. Chamar Rondinelly, compor o time com dois volantes (é preciso mais, fora emergências?) e dois meias. Não acredito na dupla Kléber e Marcelo Moreno, dois atacantes sem a velocidade exigida. Queria ver Kleber e Miralles numa sequência de jogos, apesar dos problemas do argentino.

Luxemburgo precisa inventar. Técnico é, antes de tudo, um criador. Luxa sabe melhor do que todos nós.

Luxa começou em fevereiro no Grêmio, mas muito poucos confiam no seu Grêmio. Sua qualidade como técnico não se discute, seu time sim.

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Boca e seu futebol pré-histórico

05 de julho de 2012 41

Campeão justo, o Corinthians enfrentou um time obscuro no Pacaembu, mais de 30 mil paulistas em volta.

O Boca se apresentou como um time da Idade Média do futebol da América do Sul. Bateu, usou a violência, exaltou o antigo apego dos argentinos pela violência acima do futebol. Não foi o histórico Boca da década passada.

Os argentinos voltaram aos anos 1960 e 1970, quando a pancada decidia quase tudo. Tanto que os ingleses se negaram a jogar em Buenos Aires. Temiam pelas suas vidas.

O uruguaio Santiago Silva foi tomado por uma força estranha, em São Paulo. Deu até soco em campo. Ele é um personagem caricato do futebol. Depois, ainda pilhado, roubou a câmera de um repórter ao cruzar o corredor que une campo e vestiário. A direção do Boca devolveu depois.

O calejado Rolando Schiavi pisou no Pacaembu disposto ao conflito, ao combate, ao tranco violento. Xerife de antigamente, acobertado pelo árbitro (Wilmar Roldán), o zagueiro ensinou como não se deve jogar na zaga. Ficou entre violência e as falhas amadoras.

No Corinthians, só Emerson Sheik entrou no jogo baixo do adversário. Tanto que mordeu a mão de um zagueiro. O futebol é bom e faz bem. Só não pode alucinar, não dentro de campo, não os jogadores que se dizem de profissionais em cada entrevista.

O Corinthians jogou uma grande decisão, ergueu a Libertadores (o título tem a assinatura de Tite) e limpou parte do seu complexo de inferioridade.

O Boca escancarou o atraso da Argentina, com o seu futebol empobrecido, exportador e violento.O último título do país foi em 2009 e com um Verón, e um Estudiantes, que jogava muito futebol.

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Libertadores do Corinthians tem assinatura de Tite

05 de julho de 2012 23

Invicto, depois de superar Vasco, Santos, Boca, entre outros, o Corinthians é justo e festejado campeão da Copa Libertadores da América, edição 2012. Ó Japão é a próxima parada.

Não fosse Tite, os paulistas não estariam no topo, não nesta quarta-feira, não no Pacaembu, tomado por um bando de loucos.

O Corinthians não tem craques, jogadores excepcionais, goleadores ou matadores. Exibe uma estrutura, um modelo de equipe, um conceito de futebol, tudo bem acabando, desenhado, quase lapidado. Seu time é forte, compacto e competitivo. Pode ser pouco ousado, mas sabe o momento exato de pressionar, recuar e atacar.

Tite foi o nome do título, da Libertadores. Merecia um troféu próprio. Ele foi o grande condutor do time. A torcida pode lembrar de Leandro Castan na zaga e dos gols de Emerson Sheik, do toque genial de Romarinho em La Bombonera.Vai até lembrar. Mas quem olha o futebol fora do burburinho da torcida pode oferecer ao técnico gaúcho, campeão pela Dupla, o reconhecimento que ele merece. O comando é dele, campeão brasileiro pelo mesmo time em dezembro passado. É preciso mais?

O Corinthians dominou o jogo, depois de um começo nervoso, ganhou no segundo tempo (2 a 0). Enfrentou um adversário combativo, mas sem a qualidade técnica de outros anos. Nem Riquelme é mais o mesmo, nem a parceira é a igual a dos doces anos da década passada.

O Corinthians é e foi mais time, uma equipe mais organizada, dona de um jogo mais pensado, equilibrado.

Tite é o melhor treinador do Brasil. Náo é de hoje, nem da célebre noite paulistana. A conquista da Libertadores passou muito por Tite. A Seleção Brasileira será a sua próxima missão, caminho natural, amanhã ou depois de amanhã.

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