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Alemanha mira o topo do mundo da bola

27 de abril de 2013 0

 

O novo e impressionante futebol alemão, que tomou a Europa de assalto depois de tontear os dois gigantes espanhóis, quer o mundo

Os europeus, menos os britânicos que acham que vivem em um continente próprio e que a Premier League reflete a sua força, entendem que a fórmula ideal do bom futebol une a dedicação alemã, a defesa italiana e o passe holandês – talvez fosse bom acrescentar o toque de bola espanhol das últimas 10 temporadas.

Ao tombar Barcelona e Real Madrid com oito gols (um dos gols de Müller você vê acima, na foto de Odd Andersen) em 180 minutos na Liga dos Campeões, Bayern de Munique e Borussia Dortmund embalaram as quatro qualidades e testaram os conceitos na prática. Tomaram a Europa de assalto no meio da semana e mandaram um recado ao mundo das chuteiras: a Alemanha voltou.

O império espanhol de futebol, dono do planeta desde a Eurocopa de seleções de 2008 e escudado no Barcelona, o melhor time do século 21, está ameaçado por times altos, fortes, velozes e que não escolhem sistemas táticos. Atuam no ataque e na defesa com o mesmo gosto e dedicação. Usam o contra-ataque, como o Bayern, ou atacam, como o Dortmund e a seleção. Marcam por pressão no campo adversário, independentemente do time do outro lado.

O novo futebol alemão, agressivo como nos velhos tempos, qualificado como nas três vitoriosas Copas do Mundo, não apareceu no começo do outono europeu de 2013. Foi gestado na década passada, quando os dirigentes do país observaram que suas principais equipes e a seleção haviam perdido o papel de protagonistas nas competições globais. Abrigada em seu território, a Copa de 2006 foi o fim de um ciclo, começo imediato de outro.

Longe do título, que ficou com o rigor defensivo da Itália, o Mundial serviu para aposentar jogadores, revelar outros e abrir caminho para as novidades segundo os conceitos do técnico Joachim Löw, assistente da equipe principal e mentor das categorias de base. Com Löw, uma nova geração ganhou espaço.

O impulso econômico do Mundial, sem corrupção e as mazelas de um país subdesenvolvido, reformou estádios, atraiu torcedores, fortaleceu clubes, gerou novos patrocinadores e aumentou o consumo de produtos licenciados – claro que a força econômica do país ajudou.

A Bundesliga é referência: 13, 8 milhões de ingressos vendidos, média de 45,1 mil fãs por jogo, 93% de ocupação nos estádios em 2011/2012. O campeonato 2010/2011 gerou R$ 5,8 bilhões em receitas, número que cresce sem parar desde 2006.

Longe de perder de vista Itália e Espanha, que já foram donas dos mais espetaculares campeonatos e se perderam por falta de renovação e busca incessante de estrangeiros, a Alemanha crê nos próprios valores. Revelações como Kroos, Müller, Schweinsteiger, Badstuber, Boateng, Neuer, Götze, Reus, Hummels, Özil e Khedira são produtos da renovação.

Só os dois últimos atuam no Exterior, no Real Madrid. Götze, o “Messi alemão”, custou R$ 100 milhões ao Bayern, o que mostra o poder de compra do novo futebol germânico.

O país deseja que a Europa repita a frase cunhada no século passado: “Os outros times jogam, os alemães ganham”. O eco será planetário. Nem precisa ser com mais duas vitórias.

O executor

Joachim Löw, 53 anos, era assistente do técnico da seleção alemã na Copa de 2006, Jürgen Klinsmann. Ganhou a confiança dos dirigentes para substituí-lo e poderes para renovar. Buscou atletas na base, os melhores jovens nos clubes e formou uma equipe aos poucos.

A Alemanha é segunda colocada no ranking da Fifa. Com o atual grupo, o projeto é ganhar a Copa do Brasil em 2014, a Eurocopa em 2016 e depois o Mundial da Rússia em 2018.

O arauto

Jogador histórico da seleção e do Bayern de Munique, Paul Breitner, 61 anos, visitou o Brasil e, depois de elogiar os avanços do futebol do seu país, criticou o brasileiro.

Garantiu que não basta trocar treinador ou jogadores: “É preciso, acima de tudo, mudar a mentalidade”. O ex-lateral acha que a nossa Seleção pratica um futebol ultrapassado e que as transformações precisam ocorrer na base, durante a formação de novos atletas.

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