Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

A janela da crise na Europa

28 de abril de 2013 3

Colorado de Erechim, 34 anos, o advogado Eduardo Carlezzo, que trabalha exclusivamente com direito desportivo há 11 anos, é o primeiro a alertar sobre o novo momento do futebol alemão:

– A Bundesliga é a nova referência para os gestores de futebol. A Premier League, que gasta mais do que arrecada, já foi parâmetro, os ingleses não são mais. Todos querem saber como os alemães conseguem lotar estádios, faturar alto em marketing, pagar bons salários e em dia.

Em São Paulo, onde tem escritório e assessora clubes como Botafogo, Flamengo, Coritiba, Bahia, Náutico, Vegalta Sendai-JAP, Colo Colo-CHI, Nacional-URU, entre outros, Carlezzo, que também é secretário-geral da Comissão de Direito Desportivo do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, fala sobre o mercado mundial de futebol. A nova janela abre no dia 1º de agosto.

– As vendas de jogadores geraram R$ 5,6 bilhões em 2011. Ano passado, o número caiu para cerca de R$ 5 bilhões. Caiu, mas não dá para dizer que o mercado está estagnado. As regras do fair play financeiro da Uefa são sérias e muda o comportamento financeiro dos clubes.

– Dê um exemplo – digo.

– O Milan é um deles. Clube poderoso e comprador, avisou na janela passada que não iria contratar porque não tinha dinheiro. Outros clubes fizeram o mesmo. O cenário europeu mudou.

– Algum motivo especial para que os clubes fechassem os cofres? – pergunto.

– A crise financeira na Europa é real, afeta o bolso de todos. O jogador brasileiro sentiu. Os mercados de Portugal, que era mais de 20% de atletas do Brasil, da Itália e da Espanha (seis milhões de trabalhadores desempregados) minguaram. O da Grécia, que importava desconhecidos do Brasil, quase sumiu.

Questiono: surgiram novos mercados?

– Rússia e Ucrânia continuam contratando. A China se abriu, começou a buscar nossos jogadores, inaugurou uma nova frente, buscou até gente com nome mundial, como Drogba e Anelka. Investe bem. É uma nova opção. Mas é bom lembrar que o PSG, sozinho, gastou mais dinheiro do que todos os 20 clubes espanhóis na janela passada.

– Em compensação, nosso país está forte, segura os novos, como Neymar, e atrai jogadores de prestígio, como Pato, Zé Roberto, Forlán, Seedorf…

– Sim, muito. Pego o exemplo do Leandro Damião. Ele poderia ter deixado o Inter em 2011. Sabe os motivos que o fizeram ficar no Beira-Rio? O seu clube lhe paga bons salários. Sair, ao menos para ele, só vale a pena se o novo contrato no Exterior for realmente acima da média.

Indago se o Brasil oferece bons salários.

– O México pagava melhor. O Brasil o superou nos últimos anos. Paga mais do que o Japão, que tem o futebol subsidiado por grandes empresas. Os nossos maiores clubes oferecem salários europeus para certos jogadores, alguns com currículo de Seleção. Eles não saem. Ficam por aqui. Está tudo bem, não precisam da Europa.

Bookmark and Share

Comentários (3)

  • LAERT diz: 28 de abril de 2013

    É preciso que os clubes, através de seus dirigentes, se conscientizem que os salários
    pagos aos profissionais em geral, do esporte, especialmente, do futebol estão fora da realidade do mundo. Criou-se uma verdadeira ilha da fantasia, onde todo mundo ganha milhões e as dívidas são deixadas em nome de clubes, que viraram empresas fantasmas.
    Todos os clubes do mundo estão endividados até o pescoço. No entanto, continuam proporcionando aos seus atletas, valores incompatíveis com a economia mundial.

  • José Bebber diz: 28 de abril de 2013

    Uma das formas de não incentivar a saída de craques para o exterior seria de, na hora de convocar para a seleção, dar preferência para os que jogam aqui. Mas o que ocorre é o contrário.
    José Bebber, Flores da Cunha, RS.

  • Eduardo diz: 28 de abril de 2013

    Parei de ler qdo citas que o cara assessora Flamengo e Botafogo, 2 clubes falidos cujo mês tem mais de 90dias e em alguns casos só pagam na justiça……………

Envie seu Comentário