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Daniel Cravo: "Sem investidores, o futebol brasileiro pararia"

28 de janeiro de 2014 0

Sem dinheiro e endividados, os clubes brasileiros abriram ainda mais espaço para a entrada de grandes investidores na janela de transferências de janeiro. O fundo de investimentos Doyen Sports, sediado em Malta, bateu na porta do Inter e, por R$ 41 milhões, levou Leandro Damião para o Santos, o mesmo caminho de Lucas Lima. A saída de Leandro do Grêmio foi obra de investidores captados pelo Palmeiras. Jogadores da dupla Gre-Nal têm parte dos direitos econômicos nas mãos de empresários.

A Uefa prometeu banir das competições europeias clubes que tenham jogadores compartilhados com empresários. Pediu apoio da Fifa, que preferiu consultar suas confederações, como a CBF. O advogado Daniel Cravo (foto Agência RBS.BD), que defende o Inter e é especializado em direito desportivo, fala do processo. Leia mais a seguir.

cravo

 O que a Uefa deseja?

Daniel Cravo – Exige que apenas os clubes tenham participação nos direitos econômicos dos jogadores. Ficaria proibida, assim, a participação de empresários e fundos de investimento nestes direitos. A entidade, que manda no futebol da Europa, acha que isto pode manipular os resultados das competições, por exemplo. Certos clubes, até da Europa, como o Porto, de Portugal, que trabalha com investidores, não teriam mais condições de competir com os grandes times.

 O que aconteceria se os investidores deixassem o futebol?

Cravo – Sem investidores, o futebol brasileiro pararia. O mercado pararia se os investidores abandonassem o futebol brasileiro. Não só no nosso país, mas também na América do Sul. A Fifa entende o processo, não é tão rígida quanto a Uefa, neste caso, e deseja discutir o tema. No Brasil, são raros os grandes jogadores que têm 100% dos direitos econômicos em nome de um só clube.

 Qual a sua posição?

Cravo – Acredito que é preciso discutir mais a questão. Há três perguntas no ar: banir, regular ou deixar totalmente livre? Eu entendo que é preciso criar certas regras, uma delas é oferecer mais transparência ao processo envolvendo clubes, empresários e investidores. O clube poderia informar quem são os investidores, quantos são e quanto dos direitos econômicos do jogador foram negociados.

 Como o governo brasileiro, que diz que o dinheiro circula entre investidores e não entre clubes, vê a movimentação?

Cravo – Queria vetar a presença do investidor no futebol brasileiro, mas o Projeto de Lei do Ministério do Esporte não foi adiante. As mudanças teriam um impacto gigantesco entre os clubes, que não têm como manter os atletas sem a ajuda de terceiros, e precisam buscar parcerias para sobreviver, competir de verdade e tentar vencer.

 

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