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Bandeirinha do Gre-Nal queria ser treinador

10 de agosto de 2014 1
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O árbitro assistente Rafael Alves, 31 anos, trabalhou em quatro Gre-Nais (Arquivo Pessoal)

O astro dos 90 minutos é o árbitro. As dezenas de câmeras da TV e os milhares de olhos cuidam da bola, dos donos das chuteiras colados à esfera e do juiz dos cartões e das decisões de vida ou morte. Esquecem o árbitro assistente, nome que a Fifa deu aos bandeirinhas do novo século. Ele é puro coadjuvante que sempre tem nome, mas que poucos sabem e querem decorar. Um deles receberá R$ 1 mil para dizer se Barcos e Rafael Moura, números 9 de mais de R$ 400 mil mensais, estão em impedimentos. Eles só aparecem em lances extremos, quando a discussão chega ao ponto máximo.
– Faço parte de uma equipe, trabalho em nome de um conjunto. Preciso que o árbitro tenha absoluta confiança em mim. Eu sou a extensão dele – entende Rafael Alves, um dos auxiliares de Anderson Daronco no Gre-Nal 402, ao lado de Marcelo Barison.

Com bandeirinha na mão, cabo de 60cm, 40cm por 40cm de tecido, poliéster com fio de alta resistência, eles atuam nos 55 metros da lateral, entre o meio campo e o escanteio. Nos testes, têm de alcançar 40 metros em seis segundos. É regra,
– É preciso ter concentração e posicionamento. No ajuste dos dois, os erros diminuem.
Enquanto o árbitro vasculha e corre o campo inteiro, o bandeirinha – você já ouviu algum torcedor chamá-lo de árbitro assistente? – cresce e corre em todos os tipos dos estádios, da Pedra Moura ao Maracanã, nas barbas da torcida. Ouve tudo e de tudo. Deixa a mãe no vestiário. É também o que mais sofre o impacto externo, que bate boca com jogadores, reservas e treinadores e não tem o poder de expulsar os malcriados.

Pode dedurar, agarrado na manopla em borracha de 12cm ajustada ao cabo, agitar a bandeirinha de R$ 40. Foi ele que assinalou o discutido pênalti de Paulão na decisão do Gauchão.
– Com o vaivém dos jogadores à Europa, eles parecem mais educados. Não dizem palavrão. Protestam, óbvio, mas numa boa.

No Gre-Nal, as discussões são sempre mais intensas, deixam as arquibancadas e entopem as cabeças dos atletas, mas roubam os bons sonhos de Rafael, 31 anos, oito de arbitragem. Um dos 10 aspirantes à Fifa da CBF – outros 10 portam o escudo definitivo –, ele é a nova aposta da FGF, o substituto de Altemir Hausmman, gaúcho de duas Copas do Mundo.
– Eu fico tão concentrado na partida que nem olho ou sinto o público. Não vejo e não ouço. Os espectadores parecem mudos. À noite, em casa, é que vou ver na TV se o estádio lotou.

Fisioterapeuta e professor de educação física, bandeirinha da classe 2006 da FGF, Alves foi testado no Interior, encontrou lugar nas séries inferiores do Campeonato Brasileiro, cresceu e chegou com fé à primeira divisão.
– O Gre-Nal não me assusta. Sei da intensidade de tudo que cerca o nosso maior clássico. Os colegas de outros Estados dizem que é o mais difícil de apitar. Concordo. Fiz Fla-Flu, Flamengo e Vasco, Corinthians e Cruzeiro. Sei bem.

Rafael queria ser técnico de futebol. Ao ouvir uma palestra do ex-árbitro Leonardo Gaciba, pelotense como ele, repensou.
Imaginou usar o apito. Desistiu.
– Sou mais quieto, tranquilo, muito concentrado no que faço. Acho que escolhi bem a função.
Antônio Carlos Alves, 65 anos, roubará a concentração e a dieta do filho depois do clássico. Prometeu esperá-lo com uma costela gorda e bem passada. Rafael levará a namorada, Vanessa Ioris, 29 anos.
– Uma atuação impecável será o meu presente do Dia dos Pais.

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Comentários (1)

  • Sonia Veber diz: 27 de março de 2015

    Foi muito bem no clássico GRE-NAL 402,juntamente com o outro assistente e o árbitro Anderson Daronco,não dando margem a qualquer dúvida sobre os lances de impedimento ou falta.Ainda bem que não deu certo nem como técnico de futebol e muito menos como árbitro.O teu lugar é na linha lateral de campo para ajudar o árbitro principal a conduzir o espetáculo da melhor maneira possível.Super abraço para você e sucesso.

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