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Luiz Adriano encontra a felicidade na Ucrânia

26 de outubro de 2014 2

Passam das 17h de Brasília, são mais de 22h em Kiev, termômetros assinalam -3ºC. Na capital da Ucrânia, 2,5 milhões almas, no seu amplo apartamento, Luiz Adriano, a sensação brasileira da semana na Liga dos Campeões – cinco gols num mesmo jogo de futebol –, está com um ouvido no telefone e um olho em Alícia, que ainda não gastou toda a pilha AA do dia e corre com fôlego e sem intervalos.

A pequena de 17 meses está tão ligada quanto o pai que recebeu 11 horas antes o anúncio oficial da CBF que estava na lista da Seleção Brasileirão. Ele não consegue parar de sorrir. Quase pergunta para a mulher Camila se não é um sonho maravilhoso. Se for roga que não o despertem. Não hoje.

– O telefone não sossega. Falei com mais de 10 jornalistas nas últimas horas. Em 48 horas, minha vida deu um pulo. Primeiro foram os cinco gols. Agora, a Seleção.

Entre terça-feira e quinta-feira, enquanto saboreava o feito do alcance planetário que só Messi exibia e orava por uma chance ao lado de Neymar, o porto-alegrense Luiz Adriano de Souza da Silva, 27 anos, oito de carreira, sete de Europa, pensou longamente na vida. Se voltasse hoje, de meia e calção, e reencontrasse os torcedores colorados, ninguém o reconheceria nas quatro linhas.

– Não sou mais o mesmo. O técnico romeno Mircea Lucescu mudou minha vida, meu estilo, meu jeito de encarar o futebol, os treinos, os adversários, tudo.

– Como? – pergunto a quase 12 mil quilômetros de distância, já sabendo que à mídia local o exagerado Lucescu disse que o gaúcho “é o melhor jogador brasileiro da atualidade”.

– Demorei. Gastei meses, anos, mas aprendi a ser um jogador mais completo e aplicado. Deixei Porto Alegre como um atacante de lado. Agora sou um centroavante goleador com mobilidade de atacante. Dos meus 117 gols, 80 foram na grande área.
Voltar é um verbo que ele não conjuga em português. Não agora. A Seleção será um recomeço, uma nova vitrina. O futuro está aberto.

– Sou novo, ainda tenho fome de Exterior. O Shakhtar me ajudou, me fez crescer como pessoa. Não quero sair agora, tenho outro ano de contrato. Se for para um grande clube da Europa, tudo bem, vamos conversar.

Na instável Donetsk, 689 quilômetros do atual endereço, na fronteira com a Rússia, bombas ainda castigavam o Estádio Donbass Arena, casa cinco estrelas do seu Shakhtar Donetsk, que o importou do Beira-Rio em 2007. Em Kiev, não. A vida é normal. Dá para sair, passear, jantar à noite. Medo? Ele afirma que não.

– No auge do conflito, o grupo fazia pré-temporada na Áustria. Logo fui instalado em Kiev. Assim que tudo passar, quero retornar a Donetsk. Gosto da cidade, da torcida. Sou muito grato a todos.

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Luiz Adriano faz mais um no Bate Barisov (Maxim Malinovsky/AFP)

No seu mapa de viagem de 2014, Porto Alegre chega antes de Donetsk, cidade de 1,5 milhões de pessoas. Suas férias começam dia 15 de dezembro. No dia 20, ele projeta outro Natal sem fome na Vila Bom Jesus. Foi na zona leste da Capital que ele se criou, fez amigos e ganhou referências. Retribui com dezenas de cestas básicas e dúzias de brinquedos.

– No ônibus do time, eu e o Taison puxamos um pagode. Digo que é um treino para a nossa festa de final de ano na Bom Jesus.

O ex-colorado Taison é um dos 12 brasileiros que estão ao seu lado no clube da Europa Oriental. Eles formam uma comunidade, fazem churrasco, samba – tudo que aplaque a saudade do Brasil.

– Mesmo tarde da noite, às vezes de madrugada, tento não perder os jogos do Inter na TV. Sou colorado, a família inteira é.

Alícia começa a se entregar, pilhas agastas. O entrevistado precisa acordar cedo. O treino é puxado, o frio é intenso.

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Luiz Adriano, o novo atacante da Seleção Brasileira (Maxim Malinovsky/AFP)

 

– Vou treinar em dobro. Quero vida longa na Seleção.

Luiz exala a confiança de quem ganhou seis títulos do Campeonato Ucraniano, quatro Copas da Ucrânia e uma Copa da Uefa, a atual Liga Europa, em sete anos.

– Estou feliz na Ucrânia.

Quem, ao lado de Messi e Neymar, não estaria? Você? Duvido.

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Comentários (2)

  • Curioso diz: 26 de outubro de 2014

    Ué, mas não era esse que duas semanas atrás viria para o Sci POR AMOR, como vocês da RBS estavam falando? O que houve com todo aquele amor???

  • João Cândido diz: 26 de outubro de 2014

    Ele nem sabe que o país está morrendo em uma guerra civil, é só felicidade
    e alienação.

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