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Uma conversa franca e direta com Yago Pikachu

30 de agosto de 2015 2
30pkch

Yago Pikachu acha que tem bola para voos maiores no Brasil (Jorge Rodrigues/Eleven/BD)

Por celular, desde a Redação de ZH, em Porto Alegre, questiono um dos jogadores brasileiros mais badalados dos últimos meses.

– Chamar Yago de Pikachu (um Pokémon do tipo elétrico da animação japonesa, como você pode ver na imagem menor da página) é pejorativo?

Em Belém, no Pará, acomodado num canto do vestiário do centro de treinamento do Paysandu, a mais de 4 mil quilômetros de distância, Pikachu responde com tranquilidade, como se tivesse narrado a sua história em cem entrevistas.

– Não é. Pode me chamar de Pikachu, não me importo mais.

– Você já se importou alguma vez na vida?
– Ah, sim, claro, quando era pequeno. Ficava brabo, não gostava, batia o pé, mas só piorava.

– Como nasceu o apelido? Yago não me parece um nome comum. Não há dois Yagos num só time de futebol.
– Eu era muito franzino, pequeno mesmo, quando tinha nove anos. Usava calção no meio das canelas, mas era muito agitado, rápido, corria muito, não parava um segundo. Um dia, num jogo de futsal, aqui mesmo em Belém, um técnico chamado Capitão da Tuna, que cuidava dos meninos, me chamou. Gritou: “Ei, você aí, Pikachu, entra, vamos jogar”. Saiu do nada o apelido, acho. Não tenho uma explicação.

– E pegou de verdade?
– Sim, todos riram e passaram a me chamar de Pikachu. “Passa a bola, Pikachu. Marca, Pikachu. Corre, Pikachu”. O nome colou. Eu não gostava muito no começo. Depois me acostumei. Fazer o que…

– E o que aconteceu quando você foi defender as categorias de base do Paysandu em 2005? Por que você não trocou de nome ao mudar de endereço?
– Fui junto com dois colegas. Eles me conheciam bem. Passaram a me chamar de Pikachu também nos treinos da base do Paysandu. Não gostei no começo, depois me acostumei. Todos me chamavam assim. Hoje não dou bola. Pode me chamar (risos).

Será que o apelido Pikachu atrapalhou sua carreira? Será que não existe preconceito?
– Não acredito. Em Belém, todos gostam de mim. Me chamam numa boa, sem agressividade, malícia. Me sinto importante, mesmo com o apelido do Pokémon.

Depois de quatro anos como profissional, o paraense Glaybson Yago Souza Lisboa ganhou status de celebridade no Pará.
É um orgulho estadual. Aos 23 anos e 1m68cm, já disputou 203 jogos pelo Paysandu, que o classifica como um dos maiores atletas do clube no século 21. Marcou 59 gols, nunca um defensor fez tantos gols quanto ele na região. Conquistou um título estadual e dois acessos à Série B. É parado na rua, dá autógrafo em todos os lugares, até no banheiro, e na cidade dizem que ele assinou um pré-contrato com o Flamengo, time que tem uma multidão de torcedores no norte do Brasil.

– Negativo. Não firmei compromisso com ninguém. Meu contrato termina no final do ano, serei livre, mas o meu futuro ainda não está totalmente desenhado. Sabe que minha rescisão de contrato custa hoje R$ 8 milhões?

– Por que os grandes clubes brasileiros estão interessados em contratá-lo?
– Soube do interesse do Goiás e do Palmeiras no primeiro semestre. Mas há muita especulação no mundo do futebol. Acho que sou um bom jogador, um lateral que ataca muito e faz gols. Confio muito em mim.

– Você sempre atuou na lateral direita?
– Nasci e me criei lateral, mas às vezes jogo na meia, mas sempre numa emergência. Lateral-direito é a minha posição.

– Você quer deixar Belém?
– Quero algo mais na minha carreira, mas vivo bem aqui. Sou casado, tenho uma filha de 13 meses, consegui uma boa casa, tenho meu carrinho. Sinto que as pessoas gostam de mim. Tá tudo legal.

– Seu empresário não tem planos para você?
– É meu pai, Carlos Lisboa (46 anos). Ele é da Polícia Militar de Belém. É duro comigo, dá muita bronca, sempre de olho nas minhas atuações.

PM? E ele deixou que você fosse chamado de Pikachu pelos colegas quando criança?
– (Risos) Nunca adiantou mesmo (risos).

Quarta-feira, o Paysandu foi batido pelo Fluminense e saiu da Copa do Brasil.

Pikachu perdeu uma grande vitrina, se é que ele ainda precisa.

Precisa?

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Comentários (2)

  • Heloísa Pires diz: 30 de agosto de 2015

    Se o Inter tem o Poko Pika, porque o Paysandu não pode ter o Pikachu?!…

  • Luiz Gustavo diz: 30 de agosto de 2015

    Será que Pelegrini é uma pessoa com problemas de memória? sim porqe quando o time dele foi favorecido no gauchão no jogo como Cruzeiro ele calou. Cara -de- pau-mor. Que grande dirigente, que pessoa que prima pela ética….e ZH dá espaço…que VERGONHA, OU MELHOR FALTA DELA….

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