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As trevas alcançaram o futebol

05 de dezembro de 2015 1
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A sede da Fifa, em Zurique, centro financeiro da Suíça, era a fortaleza dos corruptos (Fabrice Coffrini/AFP)

 

O futebol moderno respirou em 1863 quando encontrou as suas regras, base desde então e ainda sob o controle da lendária Football Association – guardião das leis. Depois de 152 anos, o esporte mais popular do mundo encontrou o caos. Nada com o jogo em si, quase perfeito no gramado, mas tudo contra a entidade de 111 anos que controla e organiza o futebol. A corrupção devastou a Fifa, dilacerou as lideranças, jogou dirigentes na cadeia. Desestruturou toda a cadeia de comando. Detonou a confiança que quase todos tinham na entidade que se proclamava a “mãe do futebol”.

Era na luxuosa sede da Fifa, numa zona montanhosa e quase vazia de Zurique, que a rede ganhava músculos e se estendia, oculta. A maioria dos fãs só o vê entre o que as quatro linhas produzem. Nos bastidores, a máfia vendia o direito de exibir as partidas em troca de milhões. Um grupo de cerca de 30 pessoas liderava o processo, mas o dinheiro ilegal irrigava as contas de centenas. O fluxo do dinheiro ilegal superava a barreira do idioma. Ricardo Teixeira não fala inglês, Nicolás Leoz é pessimo em português. Joseph Blatter derrapa no inglês.

O erro dos ladrões foi depositar e receber as volumosas propinas em bancos americanos. A Justiça do país da bola na mão teve a coragem de investigar, denunciar e prender dezenas de dirigentes de nações que veneram a bola no pé. Os EUA ofereceram outra lição aos europeus. No Brasil, curruptos sempre, a CBF funcionou como poder paralelo. Montou até bancada política em Brasília. Agia na ilegalidade. Roubava.

Quando ícones como Franz Beckenbauer e Michel Platini aparecem nas listas dos mais suspeitos, o futebol perde referências. Sem líderes, as reformas patinam. Trancafiar Joseph Blatter, mudar de presidente, é pouco. A Fifa precisa de ampla, profunda e radical reforma. Deve ser tornar transparante, um exemplo. Liberar seus números, salários, valores de contratos com patrocinadores. Exigir que seus executivos sejam éticos, rever a organização dos comitês, selecionar dirigentes corretos e transformar a escolha das Copas do Mundo em algo honesto.

Ao que tudo indica, o futuro da Fifa está intimamente ligado aos dirigentes europeus. Seus times abrigam quase 77% dos jogadores que disputaram a Copa. São eles que devem direcionar a Fifa. São deles os maiores e os melhores campeonatos. Eles inventaram as melhores ligas.

O futebol latino-americano está destroçado. Seus líderes estão na cadeia ou com medo de que o FBI tenha uma cela grifada com seus nomes. No Brasil a situação é desesperadora. Sem Marco Polo Del Nero, a CBF viverá sob o controle do capixaba Marcus Vicente, deputado federal pelo PP e um dos expoentes da Bancada da Bola. Durante anos, ele tentou proteger a CBF e os seus. Desde os tempos de Ricardo Teixeira ele luta do outro lado da força, a que nasceu e cresceu nas salas da Fifa.

Mas vamos deixar a bola de lado, ouvir o que a procuradora-geral dos EUA, Loretta Lynch, fã de basquete, disse sobre os dirigentes corruptos.
– Vocês não vão escapar.
A frase ecoou como um grito de gol nos nossos ouvidos.

 

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Comentários (1)

  • LAERT diz: 5 de dezembro de 2015

    Você sabe Zini que não é só na FIFA. Basta levantar os números dos dirigentes que sempre imperaram no futebol gaúcho, principalmente na Federação, e ainda mais, na Dupla Grenal.
    Se for feita uma devassa não sobre ninguém e ainda leva de roldão um monte de gente ligada à imprensa.
    As negociatas são sempre feita nos bastidores. Ninguém divulga os números reais aos sócios e torcedores. O futebol é a casa da Mãe Joana. Nada diferente da política corrupta que infesta o país.

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