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O alemão que derrubou Blatter e Platini e mudou a história do futebol

22 de dezembro de 2015 0
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Eckert é integrante da Comissão de Ética da Fifa (Christof Stache/AFP)

Hans-Joachim Eckert não é um Beckenbauer, mas também entrou na história do futebol.

O advogado alemão, 67 anos, é o responsável por derrubar os dois homens mais poderosos do futebol mundial, Joseph Blatter e Michel Platini. A dupla foi suspensa do futebol por oito anos. Eram VIPs, tratados como chefes de Estados em qualquer lugar e ocupavam o centro da tribuna de honra em grandes estádios de futebol.

Eckert, suprema ironia, foi conduzido à Fifa por Blatter. Assumiu a Câmara de Julgamento da Comissão de Ética da Fifa em 2012. Desde então, por sua associação com o ex-dirigente suíço, pesava contra ele a fama de tentar afastar Blatter de qualquer grande escândalo. Fama injusta.

A relação entre Eckert e a Fifa remonta o começo do novo século. Quando o escândalo ISL, empresa encarregada de negociar os direitos de transmissão de jogos explodiu, ele liderou a investigação. Alcançou os brasileiros João Havelange e Ricardo Teixeira. Braço-direito de Havelange, Blatter saiu do caso como se trabalhasse em outro lugar. O advogado alemão entrou então no radar dos que achavam que ele protegia o veterano dirigente suíco.

Ao examinar o Relatório Garcia, que investigou as condições da escolha das sedes das Copas do Mundo da Rússia de 2018 e do Catar de 2022, ele afirmou que o estudo levantava suspeita de “comportamento duvidoso”, mas que não havia nenhuma prova de corrupção. Blatter escapou outra vez.

Não foi Eckert o primeiro advogado a falar publicamente em “falsificação das contas” e “conflito de interesses” em relação a Blatter e Platini, o que acabou com a dupla. Foi Domenico Scala, presidente das Comissões de Auditoria e Eleitoral da Fifa, um advogado suíço de 50 anos. Ele já previa duras punições aos envolvidos, com o apoio do colega. Tudo foi confirmado ontem.
Scala gerencia a próxima eleição para presidente da Fifa e coordena o projeto que vai originar profundas reformas na entidade.

Depois das eleições presidenciais de fevereiro de 2016, um dos cinco candidatos oficiais que assumir o poder não poderá governar sem Eckert ao lado. Ele é um dos únicos sinais de ética que a Fifa ainda dispõe.

Blatter, por sua vez, não se entrega. Promete recorrer ao Comitê de Apelação da Fifa, em seguida ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) e depois à justiça suíça.

 

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