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Grêmio na Libertadores, futebol na altitude e a cabeça dos jogadores

24 de dezembro de 2015 2
24paixao

O preparador físico Paulo Paixão é tetracampeão da Libertadores e tem quase três décadas de carreira (Agência RBS/BD)

Paulo Paixão começou a frequentar a Copa Libertadores da América nos anos 1990. Desde então, com Grêmio, Inter e Palmeiras, venceu a competição quatro vezes: Grêmio (duas), Palmeiras e Inter.

Preparador físico do Sport, Paixão, quase 30 anos de carreira, será apenas um telespectador em Recife durante a 57ª edição do torneio, que começa em fevereiro.

De férias em Porto Alegre, depois de passar pelo Rio, cidade natal, Paixão, 64 anos, falou sobre a experiência em jogos na altitude, já que o Grêmio jogará no México e no Equador. Leia um resumo da nossa conversa.

Altitude é mito ou verdade, professor Paixão?
Altitude e fuso horário são realidades. Atingem todas as equipes, não têm como escapar. Os times sentem os lugares mais altos, correm menos. Um jogador, por exemplo, perde 20% da sua capacidade aeróbica. Queda que pode ser acelerada durante a partida. Tenho experiência com clubes e com a Seleção Brasileira. Acompanhei de perto o desempenho de dezenas de jogadores nesses anos todos.

Há paliativos, claro?
O ideal é passar 21 dias na altitude, treinar no local, na cidade da partida, buscar a adaptação dos jogadores. Qualquer outro movimento pode ser classificado como empírico. Acho que vale investir, tirar o time da sua cidade e levá-lo ao endereço do jogo, passar três semanas trabalhando forte na altitude. A Libertadores merece esforço.

O jogador sente os efeitos da mudança antes mesmo de desembarcar na cidade da partida?
Sente e fala, comenta com o grupo, com a gente. Muitas vezes por culpa da imprensa que, claro, no seu dever de informar, começa a destacar os problemas em correr em estádios localizados acima dos 2,6 mil metros ou mais de mais 3 mil metros. O atleta fica preocupado. Pensa, comenta. Quando ouoço a palavra altitude, falo, ‘pronto, começou a Libertadores.’

Vale a pena chegar à cidade sede da Libertadores no mesmo dia da partida? É boa ideia?
É apenas um paliativo. O ideal é 21 dias, como destaquei. Neste caso, o atleta é avisado que chegaremos antes do almoço, jogaremos e voltaremos rapidamente. Na cabeça dele, o problema fica amenizado. Mas só na cabeça. A realidade é outra.

O senhor conhece jogadores que não sentem a altitude?
Muitos. Alguns têm uma capacidade aeróbica acima da média. Correm, correm e sente menos do que os companheiros. Lembro de Tinga, Cafu, Arce, Luis Carlos Goiano. Tenho uma lista grande deles.

O senhor teme a altitude?
Temo mais a velocidade da bola, que fica muito leve, mais rápida. É difícil dominá-la. Chutá-la. O goleiro sofre demais com os desvios da bola na hora das conclusões.

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Comentários (2)

  • luiz carlos diz: 24 de dezembro de 2015

    Mais uma vez ,vamos só participar, pois não temos time suficiente para disputar Títulos, pena, presidente fraco, dep.de futebol também, vamos para o nosso 16 anos sem conquistar nada. pena .pobre GREMIO.

  • Tricolor Charrua diz: 25 de dezembro de 2015

    Desde a saída de Felipão, procurei ficar observando o trabalho de Roger – profissional que há muito tempo defendia que assumisse o cargo de treinador do Grêmio.

    E volto com a necessidade de separarmos, de forma bem nítida três conceitos:
    1) CLUBE: instituição da qual fizemos parte, por lazer encontrado no esporte (no caso, futebol). É perene, enquanto instituição. Ninguém deixa de pertencer ao clube, nos casos de derrotas, perda de títulos, etc.
    2) GRUPO: efetivo de pessoas que, profissionais (ou ainda nas categorias de base) querem fazer do futebol sua profissão. Mas, para isso, devem estar em contínuo aperfeiçoamento/treinamentos, como em qualquer outra profissão. Há poucos dias, vimos o exemplo de dedicação de Rogério Ceni – há mais tempos, víamos o exemplo de Pelé.
    Porém, nos dias de hoje se percebe que jovens jogadores, com certeza gastam mais tempos no cabelereiro/tatuador do que treinando fundamentos BÁSICOS e NECESSÁRIOS a um profissional de futebol.
    TIME: subconjunto do Grupo que apresentam elevado potencial técnico individual (domínio de significativa parte dos fundamentos do jogo de futebol) e sabem trabalhar em grupo (entrega, atitudes proativas, companheirismo, disciplina tática, inconformismo total com derrotas, respeito com o Clube e sua torcida).
    Sei que Roger tem esses conceitos bem nítidos. Com certeza, tem. Mas e os jogadores, tem? Ver profissional jogador errando passe a 3 metros; perdendo a bola por displicência; batendo escanteio rasteiro e/ou sem força quando todos estão na área esperando bola aérea, etc, etc, enfim.tantas “bizonhices” que nos dão o direito de pensar e afirmar que muitos desses jogadores são tudo, menos profissionas.

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