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O técnico mais polêmico do mundo está desempregado

27 de dezembro de 2015 0
25mou

Faixa estendida na casa do Chelsea, em Londres, depois da demissão de Mourinho, um ícone local ( Glyn Kirk/AFP)

José Mário dos Santos Mourinho Félix, 52 anos, não reinventou o futebol do século 21 como Pep Guardiola. O estudioso catalão recuperou o passe, decretou a posse de bola, acelerou o toque, aposentou os volantes, redefiniu os meias, redesenhou as funções dos atacantes e conquistou o mundo como o seu Barcelona dos sonhos. O estilo Guardiola de jogar (e ser) encantou o torcedor. Os mais antigos recuperaram o gosto pelo futebol. Os mais jovens descobriram o verdadeiro futebol.

Ao contrário de Guardiola, adversário dentro e fora de campo, o português não avançou. Recuou. Seu propósito é primitivo e não contemporâneo. Ele só deseja colocar a bola no gol. Anular o adversário. Ganhar. Filosofar sobre 22 em campo não é seu tema.

A luta de Mou (como a imprensa inglesa o trata) é intensa, diária, mas não está centrada apenas no retângulo de 105 metros de comprimento por 68 metros de largura. É bem mais ampla. Ele combate o adversário, o presidente do outro time – a máxima de Mourinho é de que os treinadores não devem temer os presidentes, os presidentes é que devem temer os treinadores –, o técnico – até os torcedores se for mesmo preciso. Mourinho enfrenta situações-limite a cada 90 minutos.

Quando o vestiário segue as suas ordens, se desdobra por ele, sempre capaz de reagir à máxima pressão, tudo vai bem. Quando racha em dois, três grupos, Mourinho cai, como aconteceu no Chelsea antes do Natal. O mesmo vestiário, com outros habitantes, também expulsou o brasileiro Felipão antes, em 2009.

Mourinho não deixa ser parecido com Felipão em certos aspectos. Seu grupo é sua família. Antes de saber quem é titular ou reserva, exige lealdade. Pede fidelidade. Abomina traições. Afina o discurso, ninguém pode fugir do seu. Como Felipão, não o melhor, o pior, vê fantasmas em todos os lugares, complôs, um mundo unido contra o seu time, com a ajuda extra da arbitragem.
Quando Mourinho foi derrubado no Chelsea, os torcedores foram ao londrino Stamford Bridge, com faixas. Pediam a volta do treinador, ídolo local. Chamavam jogadores, como Diego Costa, de “canalhas”. Culpavam o presidente.

No primeiro dia no vestiário, na quarta-feira passada, o holandês Guus Hiddink, sucessor do português, falou com os jogadores. Repetiu o diálogo na coletiva.
– Não podemos ignorar o que aconteceu recentemente, mas pedi que os jogadores se olhem no espelho. Você tem que sentir uma grande vontade de jogar. Senão, vem falar comigo e vamos conversar.

Com dois títulos da Liga dos Campeões, Porto e Inter de Milão, em 15 anos na carreira, Mourinho nunca será lembrado pelo seu estilo de jogo, mas pelas conquistas e palavras. Desempregado, foi sondado por Roma, Manchester United e Real Madrid. Nada mal para quem não é o maior e nem mesmo o melhor.
Ele é Mourinho, que nem é mais um só nome, mas um conceito. Quem o chama, não busca só um técnico, mas um novo estilo de vida. O treinador é um pouco de tudo, presidente e roupeiro. É um torcedor. Deu caviar ao Chelsea, um time que passou 50 anos comendo sanduíche, sem um mísero título. Ninguém esquece o sabor.

 

O que um livro diz de Mourinho:

Na era dos treinadores estrelas, José Mourinho merecia um livro como Mourinho Rockstar – As Diversas Faces do Técnico Mais Polêmico do Mundo (Editora Grande Área, 223 pág, R$ 39). Mas o gol não é dele ou do autor, Luís Aguilar.
O gol é do leitor, que poderá saber o que pensa o treinador que se acha acima do bem e do mal e o que técnicos, jogadores e dirigentes têm a dizer sobre essa figura única e polêmica.
O golaço é da Editora Grande Área, especializada em livros sobre futebol e que, depois de apresentar Guardiola Confidencial, de Martí Perarnau (R$ 44,90 – R$ 29,90 na forma digital), oferece outra opção. Só não qualifica a biblioteca quem não quer.
Aguilar é português como Mourinho. Jornalista, escreve para a revista Playboy e é autor de biografias, como a de Cristiano Ronaldo, e de livros, um deles trata dos negócios corruptos da Fifa. O planeta das celebridades está ao seu alcance. Trata Mourinho como uma e nas primeiras páginas do livro o apresenta como alguém que “gosta de viver a margem das regras. Rejeita o espírito do politicamente correto, recusa ser mais do mesmo. Afasta-se da banalidade e desafia o sistema.”
Aguilar o define como anti-herói. Abre espaço para que outros também o classifiquem. O francês Erci Cantona o chama de “um ator”.
O sueco Ibrahimovic vai além:
– Tornou-se um homem por quem, basicamente, eu estaria disposto a morrer.
Nem todos cultuam Mourinho.
– José Mourinho é daqueles que deviam ser tratados a pauladas nos dentes – extravasou Pietro Lo naco, dirigente italiano.
Zagueiro do Real Madrid, Sérgio Ramos, ex-comandado, falou:
– O mister nunca jogou bola, não sabe como é.
– Quando uma pessoa estúpida alcança o sucesso, isso a torna ainda mais estúpida e não mais inteligente – Arsène Wenger, treinador do Arsenal.
Mourinho não quer, pede, agrados. Como raros, faz o que bem entende. O que ele ouve, sempre diz, pouco importa.

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