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Gre-Nal no Banrisul

30 de outubro de 2014 0

Os dirigentes da dupla Gre-Nal estão apreensivos. O patrocínio dos dois clubes com o Banrisul termina em agosto do ano que vem, no meio do Brasileirão. Como o Rio Grande do Sul terá novo governador e outros partidos políticos no comando, ninguém sabe ainda qual será a postura do banco em relação aos investimentos no futebol em 2015.

O Banrisul é patrocinador master da Dupla. Aporta cerca de R$ 25 milhões anuais nos clubes, que contam com 12 milhões de torcedores (pesquisa do jornal Lance).

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Banrisul é o patrocinador master da dupla Gre-Nal, de Rafael Moura e Rodolpho (Agência RBS/BD)

O presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), Francisco Novelletto, buscará uma audiência com o governador eleito José Ivo Sartori, torcedor do Juventude, no mês que vem. Deseja o apoio do banco estatal aos 45 clubes do interior que disputam as diferentes séries e copas do futebol gaúcho.

Aliás, a GM, que patrocina o Gauchão, ainda não renovou o contrato com a FGF.

A Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 sugaram quase todo o dinheiro que poderia ser investido nos regionais.

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Inter conhece preço de meia destro da seleção uruguaia

30 de outubro de 2014 1

Giorgian De Arrascaeta, 22 anos, foi convocado para a seleção uruguaia, que enfrenta Costa Rica e Chile no mês que vem.

O meia destro, 1m72cm, está na órbita do Inter.

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Marcelo Medeiros, o homem encarregado das contratações no Inter (Agência RBS/BD)

 

 

Clube do jogador, o Defensor Sporting, de Montevidéu, pediu R$ 12,5 milhões parcelados pelos direitos econômicos do atleta.

Empresário de Arrascaeta, o ex-jogador uruguaio Daniel Fonseca também mira a Europa, especialmente Juventus e Roma, que defendeu nos anos 1990.

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Corinthians tem boas chances de perder quatro pontos no Pleno do STJD

29 de outubro de 2014 5

O caso do jogador Petros, a Portuguesa e o Cruzeiro:

1) A Portuguesa perdeu pontos e caiu de divisão porque o jogador Hévertom estava punido pelo STJD e não cumpriu a pena.

2) O Cruzeiro emprestou Jô. Recebeu o jogador antes do final do empréstimo ao Luverdense, mas o clube do Mato Grosso não providenciou a rescisão e nem deu baixa no BID. Quanto defendeu o time gaúcho de novo, Jô ainda estava inscrito no BID pelo Luverdense e não pelo Cruzeiro.

3) Petros foi emprestado ao Corinthians até maio de 2015. As partes romperam o contrato em agosto de 2014. Petros voltou a pertencer ao Social Esportivo Vitória (SEV). No dia 1º de agosto, SEV e Petros rescindiram o contrato. O atleta ficou livre. No mesmo dia, Petros e o Timão assinaram um contrato definitivo, mas com data de inicio em 2 de agosto, e o BID publica seu nome No dia 3, ele atua pelo Corinthians.

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O caso Petros (D) tem potencial para tirar o Corinthians do G-4 e da Libertadores 2015 ( EVELSON DE FREITAS/ESTADÃO CONTEÚDO/BD)

Se discute se Petros poderia ter jogado no dia 3 de agosto.
Duas leituras:

1) Sim. O contrato se iniciou no dia 2, e a partida foi no dia 3.

2) Não. Com contrato datado no dia 2, ele não poderia ser inscrito no BID no dia 1º. O dia 2 era um sábado e, sem expediente nas federações, o registro só poderia ter ocorrido no dia 4.

Ou seja, Petros estava ilegal mesmo quando enfrentou o Coritiba.

Há grandes chances de o Corinthians perder quatro pontos na semana que vem no Pleno do STJD, no Rio. 

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Rival do Grêmio quer Alán Ruiz em 2015

29 de outubro de 2014 5

O Grêmio deseja renovar o empréstimo de Alán Ruiz, 21 anos, por mais uma temporada.

Dono dos direito econômicos do meia canhoto, o San Lorenzo pensa em outro tipo de negócio.

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Alán Rui, meia canhoto argentino (Agência RBS/BD)

 

Pede R$ 12,5 milhões parcelados pela venda definitiva do argentino.

O Cruzeiro também quer Alán Ruiz.

Contatou o San Lorenzo na semana passada, pediu preço e facilidades de pagamento.

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Técnicos de futebol pedem na CBF escola nacional de treinadores

28 de outubro de 2014 1

Futuro comandante da CBF, o paulista Marco Polo Del Nero recebeu ontem, no Rio, Zé Mario e Vagner Mancini, dirigentes da Federação Nacional de Treinadores Brasileiros (FTBF), e o advogado da entidade, o gaúcho Décio Neuhaus.

Entre outras reivindicações, eles sugeriram a criação de uma escola nacional de treinadores.

Del Nero gostou da ideia.

Disse que vai pedir que os gestores da Escola Brasileira de Futebol, que a CBF patrocina, entrem em contato com os líderes da FTBF.

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Zé Mario (E), presidente da Federação Nacional de Treinadores de Futebol (Arquivo Pessoal)

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Barcos fez 50% dos gols do Grêmio no Brasileirão

28 de outubro de 2014 5

Dono de um dos quatro piores ataques do Brasileirão, o Grêmio marcou 20 dos seus 26 gols de dentro da grande área, sendo três em cobranças de pênalti.

Os outros seis foram de fora da área.

Em 31 jogos, o time fez apenas um gol em cobrança de falta.

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Barcos, o máximo goleador gremista ( Lucas Uebel/Grêmio/AFP)

Dos 26, o centroavante Barcos estufou 13 vezes as redes adversárias.

Ele fez 50% dos gols do time no Brasileirão.

 

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Quanto a Arena e o Beira-Rio faturaram no Brasileirão

28 de outubro de 2014 1

No Brasileirão 2014, em 16 jogos, o Estádio Beira-Rio gerou R$ 12,312 milhões, com 333.314 torcedores nas cadeiras numeradas, segundo números da footstats.com.br

A Arena gremista, em 15 partidas, produziu R$ 8.873 milhões, com 284.416 fãs.

Os dois grandes estádios gaúchos receberam 617.730 torcedores em 31 jogos.

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O Gre-Nal do Brasileirão 2014, primeiro turno, no Estádio Beira-Rio (Lucas Uebel/Grêmio FBPA, Divulgação)

 

Mas os melhores números da temporada em bilheteria não estão em nome de gaúchos, paulistas, cariocas ou mineiros.

No empate com o Macaé, sábado, na Arena Castelão, a torcida do Fortaleza, que disputará a Série C pela sexta vez seguida, bateu o recorde brasileiro de público do ano: 63.254, com 62.525 pagantes. A renda chegou aos R$ 1.981.117.

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Dupla Gre-Nal poderá ganhar dinheiro extra da CBF em dezembro

28 de outubro de 2014 0

O terceiro colocado no Brasileirão 2014 – posto do Inter hoje depois de 31 rodadas – receberá R$ 4,2 milhões da CBF como prêmio no final da competição.

Ao sétimo colocado – lugar do Grêmio –, a entidade pagará R$ 1,2 milhão.

O campeão, possivelmente o Cruzeiro, levará R$ 9,2 milhões. O vice, que sabe o Atlético-MG ou o São Paulo, ficará com R$ 6,2 milhões.

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Ricardo Goulart, atacante do Cruzeiro (Juliana Flister/VIPCOMM/BD)

 

No total, a CBF distribuirá quase R$ 34 milhões em bônus a 16 dos 20 clubes.

Os últimos quatro colocados que trocarem de divisão não receberão um só centavo.

O primeiro que aparecer fora da linha de rebaixamento no final, 16º, lucrará R$ 300 mil.

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CBF e FPF ajudam a livrar Corinthians no STJD

27 de outubro de 2014 7

Corinthians foi absolvido por unanimidade,nesta segunda-feira à tarde, no STJD, no Rio, por suposta irregularidade na escalação de Petros, em agosto.

A decisão final, porém, passará pelo Pleno do tribunal. A procuradoria entrará com recurso.

Quem acompanhou o julgamento achou um absurdo. O Corinthians errou no registro do contrato do jogador e o culpado foi quem registrou.

O relator considerou a Federação Paulista de Futebol e a CBF culpadas pelo problema na inscrição.

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Petros, meia do Corinthians ( Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians/BD)

 

Nos bastidores, as entidades trabalharam pela absolvição – algo esperado para quem acompanha o futebol. Os grandes paulistas estão sempre de mãos dadas com a CBF quando surgem problemas na justiça desportiva.

A dupla Gre-Nal entrou como parte interessada no julgamento.

Os gaúchos seriam beneficiados caso o Timão perdesse quatro pontos.

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Corinthians testa sua força política no STJD

27 de outubro de 2014 7

O Superior Tribunal da Justiça Desportiva (STJD) analisa hoje, no Rio, o “caso Petros” – meia corintiano que teria sido escalado de maneira irregular na partida contra o Coritiba, no dia 3 de agosto.

Se condenado, o Corinthians (53) pode perder quatro pontos.

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A inscrição de Petros no Brasileirão será julgada nesta segunda-feira ( Rodrigo Coca/Agência Corinthians, Divulgação)

Deixaria o quinto lugar e passaria a ocupar o sétimo posto da tabela. Seria ultrapassado por Fluminense e Grêmio, ambos com 51.

A dupla Gre-Nal participará do julgamento como parte interessada. Como os dois gaúchos, o Timão busca uma vaga na Copa Libertadores 2015.

A Federação Paulista de Futebol (FPF) admitiu que errou no registro do atleta.

Com ajuda da FPF e até da CBF, o Corinthians tentou anular o processo. Não conseguiu.

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Grêmio perde poder longe da Arena

27 de outubro de 2014 1

Em 31 rodadas, o Grêmio frequentou quatro vezes o G-4, só três vezes em sequência, nas quinta, sexta e sétima jornadas.

A continua ausência da zona nobre do Brasileirão tem um explicação fácil: o péssimo desempenho do time em partidas fora da Arena.

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A Arena dá força ao Grêmio, que sente a falta da torcida quando joga fora (Agência RBS/BD)

 

No empate com o Coritiba (1 a 1), sábado, o time completou a 16ª partida como visitante, com quatro vitórias, seis empates e sete derrotas. Dos 48 pontos possíveis, conquistou apenas 18. Marcou nove gols, sofreu 11.

Se a defesa é a melhor, o ataque é um dos quatro menos eficientes da competição, com 26 gols. Dos quatro times da zona do rebaixamento, Botafogo (30) e Coritiba (29) fazem mais gols do que os gremistas.

Nas últimas sete rodadas, o Grêmio atuará três vezes longe do Estado, Criciúma, Corinthians e Bahia, e quatro na Arena, Vitória, Inter, Cruzeiro e Flamengo.

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Luiz Adriano encontra a felicidade na Ucrânia

26 de outubro de 2014 2

Passam das 17h de Brasília, são mais de 22h em Kiev, termômetros assinalam -3ºC. Na capital da Ucrânia, 2,5 milhões almas, no seu amplo apartamento, Luiz Adriano, a sensação brasileira da semana na Liga dos Campeões – cinco gols num mesmo jogo de futebol –, está com um ouvido no telefone e um olho em Alícia, que ainda não gastou toda a pilha AA do dia e corre com fôlego e sem intervalos.

A pequena de 17 meses está tão ligada quanto o pai que recebeu 11 horas antes o anúncio oficial da CBF que estava na lista da Seleção Brasileirão. Ele não consegue parar de sorrir. Quase pergunta para a mulher Camila se não é um sonho maravilhoso. Se for roga que não o despertem. Não hoje.

– O telefone não sossega. Falei com mais de 10 jornalistas nas últimas horas. Em 48 horas, minha vida deu um pulo. Primeiro foram os cinco gols. Agora, a Seleção.

Entre terça-feira e quinta-feira, enquanto saboreava o feito do alcance planetário que só Messi exibia e orava por uma chance ao lado de Neymar, o porto-alegrense Luiz Adriano de Souza da Silva, 27 anos, oito de carreira, sete de Europa, pensou longamente na vida. Se voltasse hoje, de meia e calção, e reencontrasse os torcedores colorados, ninguém o reconheceria nas quatro linhas.

– Não sou mais o mesmo. O técnico romeno Mircea Lucescu mudou minha vida, meu estilo, meu jeito de encarar o futebol, os treinos, os adversários, tudo.

– Como? – pergunto a quase 12 mil quilômetros de distância, já sabendo que à mídia local o exagerado Lucescu disse que o gaúcho “é o melhor jogador brasileiro da atualidade”.

– Demorei. Gastei meses, anos, mas aprendi a ser um jogador mais completo e aplicado. Deixei Porto Alegre como um atacante de lado. Agora sou um centroavante goleador com mobilidade de atacante. Dos meus 117 gols, 80 foram na grande área.
Voltar é um verbo que ele não conjuga em português. Não agora. A Seleção será um recomeço, uma nova vitrina. O futuro está aberto.

– Sou novo, ainda tenho fome de Exterior. O Shakhtar me ajudou, me fez crescer como pessoa. Não quero sair agora, tenho outro ano de contrato. Se for para um grande clube da Europa, tudo bem, vamos conversar.

Na instável Donetsk, 689 quilômetros do atual endereço, na fronteira com a Rússia, bombas ainda castigavam o Estádio Donbass Arena, casa cinco estrelas do seu Shakhtar Donetsk, que o importou do Beira-Rio em 2007. Em Kiev, não. A vida é normal. Dá para sair, passear, jantar à noite. Medo? Ele afirma que não.

– No auge do conflito, o grupo fazia pré-temporada na Áustria. Logo fui instalado em Kiev. Assim que tudo passar, quero retornar a Donetsk. Gosto da cidade, da torcida. Sou muito grato a todos.

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Luiz Adriano faz mais um no Bate Barisov (Maxim Malinovsky/AFP)

No seu mapa de viagem de 2014, Porto Alegre chega antes de Donetsk, cidade de 1,5 milhões de pessoas. Suas férias começam dia 15 de dezembro. No dia 20, ele projeta outro Natal sem fome na Vila Bom Jesus. Foi na zona leste da Capital que ele se criou, fez amigos e ganhou referências. Retribui com dezenas de cestas básicas e dúzias de brinquedos.

– No ônibus do time, eu e o Taison puxamos um pagode. Digo que é um treino para a nossa festa de final de ano na Bom Jesus.

O ex-colorado Taison é um dos 12 brasileiros que estão ao seu lado no clube da Europa Oriental. Eles formam uma comunidade, fazem churrasco, samba – tudo que aplaque a saudade do Brasil.

– Mesmo tarde da noite, às vezes de madrugada, tento não perder os jogos do Inter na TV. Sou colorado, a família inteira é.

Alícia começa a se entregar, pilhas agastas. O entrevistado precisa acordar cedo. O treino é puxado, o frio é intenso.

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Luiz Adriano, o novo atacante da Seleção Brasileira (Maxim Malinovsky/AFP)

 

– Vou treinar em dobro. Quero vida longa na Seleção.

Luiz exala a confiança de quem ganhou seis títulos do Campeonato Ucraniano, quatro Copas da Ucrânia e uma Copa da Uefa, a atual Liga Europa, em sete anos.

– Estou feliz na Ucrânia.

Quem, ao lado de Messi e Neymar, não estaria? Você? Duvido.

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Alan Patrick e Nilmar guiam Inter de volta ao G-4

25 de outubro de 2014 0

O Inter passou 22 rodadas do Brasileirão no G-4. Saiu da zona privilegiada na quarta-feira, na 30ª rodada, no Rio de Janeiro, voltou no sábado, em Porto Alegre, na 31ª, como terceiro colocado, com 53 pontos.

O Colorado encontrou no Estádio Beira-Rio, 15 mil torcedores, o adversário perfeito para recuperar o posto no topo e continuar em busca de uma vaga na Copa Libertadores da América 2015. Enfrentou e superou o frágil Bahia, um dos times condenados ao rebaixamento em 2014. Foi uma vitória esperada, anunciada, e num gramado de Copa do Mundo, ainda perfeito quatro meses depois do Mundial.

O Inter fez um bom jogo, especialmente no primeiro tempo. Ao seu ritmo, ganhou com facilidade. Controlou todas as ações nos 90 minutos.

Quando foi pressionado, Alisson fez as defesas que se exigem de um goleiro promissor. O número 1 foi modelado em casa. O experimentado Dida é seu atual reserva. Não pode reclamar.

Depois de seis jogos, a defesa não sofreu gol. É um feito. A inclusão de Cláudio Winck melhorou o lado direito, a saída de bola ganhou qualidade.

Dois gols no primeiro tempo tontearam os baianos. Alan Patrick, o melhor em campo, e Nilmar marcaram. O atacante foi principal referência ofensiva. Sem posição fixa, rápido, veloz, teve outros dois gols nos pés. Falhou. Quando o centroavante saiu, o Inter perdeu quase todo o apetite ofensivo. Ele anima e qualifica o time, assim, como D’Alessandro. Em forma, vai voar.

- Achei melhor sair, estava com um incômodo na coxa – disse o jogador, no final.

Abel Braga escolheu um time que agradou a todos, inclusive ele mesmo. Uniu jovens e experientes. Merece destaque depois de uma série de maus resultados. A defesa apresentou alguns problemas de entrosamento, mas Alan Patrick, Nilmar e D’Alessadro, os melhores, decidiram e mereceram os mais calorosos aplausos dos torcedores.

Na reta final do Brasileirão, entre altos e baixos, o Inter só depende das suas forças para se manter no G-4. Não precisa de resultados paralelos.

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Com três centroavantes, Grêmio radical empata em Curitiba

25 de outubro de 2014 1

Felipão é um técnico radical. Adora três volantes, quatro até. Gosta também de três centroavantes (como Abel Braga) em noites de emergência.

O veterano treinador não consegue encontrar o equilíbrio, um futebol mais qualificado e mais competitivo, uma equipe mais harmônica. Assim, ronda, cerca, cola, mas não penetra no nobre círculo do G-4 com o seu limitado Grêmio. O torcedor afunda na cadeira da sala da TV.

Na capital paranaense, contra um dos cinco piores times da Série A, o Grêmio perdeu quando foi superdefensivo. Empatou quando empilhou atacantes. Mas nunca mandou na partida, jamais conseguiu controlar totalmente o Coritiba. Levou bola no travessão, sofreu bola no poste.

Fora da Arena, o time empata ou perde. Sem estes gordos pontos, não haverá Copa Libertadores da América no ano que vem. Não precisa nem fazer contas. Vitórias só em Porto Alegre podem não ser suficientes. É preciso ser ousado, agressivo, ofensivo de vez em quando desde o primeiro minuto e não apenas no segundo tempo, depois de uma derrota parcial.

Marcelo Grohe foi o melhor em campo. O goleiro é o grande nome do time na temporada, ao lado de Barcos que, neste sábado, fez um jogo discreto. No Estádio Couto Pereira, as individualidades falharam e o trabalho coletivo foi discreto. Mas não faltou empenho. O empate com um dos frequentadores do pé da tabela de classificação só mostra o irregular desempenho gremista. Todos esperavam mais do time de Felipão na 31ª rodada do Brasileirão.

Com três volantes marcadores e ruins de passe, a defesa fica protegida, mas o ataque pede socorro. A bola chegada quadrada. Como não há posse de bola, a defesa permanece sob constante ataque. Os atacantes sofrem, não recebem bola com mel e açúcar, mas tijolos. Jogadas ensaiadas? Nada, zero.

Bom foi ver a aposta de Felipão nos jovens, como Erik, Careca e Lucas Coelho. Todos precisam de sequência. O treinador está certo neste aspecto. O futuro está na base, com a ajuda de alguns experientes, mas qualificados, capacitados e decididos jogadores.

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Abel, Felipão, mirem-se no exemplo do Real Madrid

25 de outubro de 2014 11

Foto: GERARD JULIEN / AFPFoto: GERARD JULIEN / AFP

El Classico deu uma aula de futebol. Encontrou o decadente Barcelona, que tenta reproduzir o tique-taca, o antigo e desgastado sistema de jogo da agora frágil  seleção da Espanha, e o organizado, talentosos e dedicado Real Madrid. O resultado foi o esperado: Madri, 3 a 1. Poderia ter sido mais, dois mais.

O Barça começou melhor. Neymar fez um grande gol, de puro talento. Enganou dois e colocou a bola no canto esquerdo de Casillas. Foi só o que Neymar fez, embolado com um discreto Messi no ataque. Luis Suárez estreou. Perdido entre Messi e Neymar, ainda fora de forma, não sabia o que fazer, que lado usar, quando correr, quando esperar a bola. Puro desentrosamento.

Sem pressa, mas dono de um futebol organizado e agressivo, o Real Madrid só precisou de 20 minutos para aquecer, organizar-se e anular o gol dos catalães. Entrou no jogo e mandou. Sem volantes que não acertam passes, que só marcam duro e recebem cartão amarelo a cada 30 minutos, o Madrid esbanjou criatividade e talento. Marca com 10. Ataca com seis, sete.

Com Modric e Kross no comando do meio-campo, ao lado de Isco e James Rodriguez, mais Benzema e Cristiano Ronaldo num ataque superveloz, o adversário começou a sofrer. Perdeu a posse de bola, sofreu contra-ataques  em sequência e os três gols, de Cristiano Ronaldo, Pepe e Benzema, surgiram com absoluta normalidade.

Os treinadores da dupla Gre-Nal, Abel Braga e Felipão, poderiam mirar-se no exemplo de Carlos Ancelotti. Ver e rever o Madrid, seu desenho tático, como ataca e defende em bloco, como usa os meias, como solta um lateral e depois o outro, como marca sem volantões. Apreender estratégia faz bem e enobrece.

Felipão entenderia que quatro (ou três) volantes atrasam o time. Abel saberia que três centroavantes juntos não significam gols.

A qualidade dos jogadores do Madrid é superior. Mas é possível identificar que, independentemente do talento, o interesse dos “espanhóis” pelo jogo é muito maior, superior, ao dos brasileiros que vestem as camisas dos times da nossa Série A. Adicione junto a movimentação, a intensidade e a dedicação dos “estrangeiros”. A falta de velocidade do futebol no Brasil impressiona. Assusta.

El Classico foi uma aula. Será que Abel e Felipão se ligaram?

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Abel Braga poda espaço dos jovens no Inter

25 de outubro de 2014 3

Só um jovem ganhou a melhor atenção de Abel Braga nas 30 rodadas do Brasileirão. Valdívia disputou 21 jogos.

Depois, chegam Claudio Winck, com 10, Diogo, sete e Bertotto, seis – entre outros com números mínimos.

O promissor Aylon atuou duas vezes. O protegido Rafael Moura ganhou 21 partidas (cinco gols), Wellington Paulista, 20 (três gols).

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Abel e Aylon (C) no começo da temporada (Inter, Divulgação)

Conselheiros da situação e da oposição estão decepcionados com o trabalho irregular de Abel Braga no Inter na temporada 2014. O treinador carioca, 61 anos, deve deixar o clube em dezembro. A renovação de um dos contratos mais rentáveis do Brasil, superior ao de Muricy Ramalho e de Felipão, é improvável.

Depois do Brasileirão, Abel deixaria o Beira-Rio com 322 partidas no currículo e como o segundo treinador que mais defendeu o Inter na história.

Ele perderia só para o histórico Marechal das Vitórias, o pelotense Tetê (1907/1962), com 327 partidas.

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Quanto a dupla Gre-Nal gastou com futebol entre 2008 e 2013

25 de outubro de 2014 2

Entre as temporadas de 2008 e 2013, segundo estudo da Pluri Consultoria, a dupla Gre-Nal investiu R$ 1,426 bilhão no futebol.

O Inter gastou R$ 827 milhões. O Grêmio aportou R$ 599 milhões.
A diferença entre os dois valores é de R$ 228 milhões.

O campeão de gastos no período é o Corinthians, com R$ 1,047 bilhão, seguido pelo São Paulo, R$ 935 milhões.

O Inter foi o terceiro clube que mais aplicou dinheiro em futebol na Série A do Brasileirão.

O Grêmio entrou em oitavo lugar.

Campeão em 2013, perto do bicampeonato, o Cruzeiro gastou R$ 603 milhões.

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Árbitros do Espírito Santo cuidarão do Inter no Beira-Rio

24 de outubro de 2014 0

Aspirante Fifa, Dewson Freitas da Silva (PA) apita Coritiba e Grêmio, hoje, às 18h30min. A CBF precisou mobilizar assistentes de quatro Estados para auxiliar o paraense. Chamou outro paraense, um sergipano, dois mato-grossenses e mais dois paranaenses.

Em auxílio à Marcos André Gomes da Penha, juiz de Inter e Bahia, às 21h, no Beira.-Rio, a CBF convocou mais quatro auxiliares do Espírito Santo, conterrâneos do árbitro, e um gaúcho.

O presidente da CBF, José Maria Marin, decidiu que os árbitros assistentes adicionais (AAA), os dois que ficam ao lado das goleiras, não serão mais convocados em 2015. Marin alegou que o custo é alto. A CBF não segue as lições da Uefa. Os europeus não só vão manter os AAA, como procuram qualificá-los.

Sem bancar cursos de aperfeiçoamento aos árbitros, a CBF também esnobou um legado da Copa. Alegou falta de dinheiro e desativou a Tecnologia na Linha do Gol (TGL) nos 12 estádios do Mundial. Sandro Meira Ricci testou o TGL com sucesso no Beira-Rio, em junho, no jogo entre França e Honduras.

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Ricci: o árbitro número 1 da CBF vive má fase no Brasileirão (Daniel Garcia, AFP)

 

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O roqueiro paulista famoso que gosta do Inter

24 de outubro de 2014 5

São-paulino de fé, que tem o Inter como segundo time e é superfã de futebol, o vocalista Nasi, da excelente banda Ira!, que se apresenta neste sábado no Auditório Araújo Viana (mais informações em www.opuspromocoes.com.br), na Capital, deixou o rock por alguns minutos e falou sobre futebol. 

Alcancei Nasi por telefone, em São Paulo. Abaixo, um resumo da nossa conversa.

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Uma das grandes bandas do país, o Ira!, com Nasi, toca na Capital nesta sábado (Gabriel Wickbold, Especial)

O Dunga convocou nesta sexta-feira só jogadores brasileiros que atuam no Exterior para os amistosos de novembro, na Europa. O que você achou?
Não pense que a CBF deu uma de boazinha. Os clubes se mobilizaram. Estavam à beira de um motim. Imagina deixar os times sem os seus principais jogadores nos momentos mais decisivos do Brasileirão e da Copa do Brasil. Loucura, né. A CBF está arcaica, velha. Não consegue nem discutir o futebol brasileiro.

O Cruzeiro será campeão de 2014?
O Cruzeiro e o técnico Marcelo Oliveira entenderam como se vence um Brasileirão. Conquistaram o máximo de pontos possíveis no primeiro turno, quando a maioria dos times ainda estava despertando, formando a equipe, contratando. Os mineiros aprenderam a lição em 2013. Repetiram agora. Devem vencer.

Quem espera o segundo turno da competição se dá mal?
Os jogos são mais difíceis no returno. É mais complicado vencer os times menores, que não querem cair e se aplicam mais. O G-4 provoca outra disputa.

Como está o seu São Paulo?
O título está longe, mas se o Cruzeiro “der mole” na reta final o São Paulo encosta. O mais provável, porém, é buscar uma vaga no G-4, disputar a Libertadores em 2015. Mas na Copa Sul Americana, a obrigação é chegar à final do torneio.

Você acompanha a dupla Gre-Nal de perto?
Sigo o Inter com atenção desde os anos 1970, com os supertimes comandados pelo Rubens Minelli. Hoje estou decepcionado. O time caiu em função do ataque. O Inter contratou Nilmar muito tarde. Mas acho que há uma boa base, a equipe do ano que vem será melhor, poderá disputar grandes títulos. O Inter ainda procura a sua cara.

E o rival azul?
O Felipão recuperou o Grêmio. O treinador nem pediu um tempo depois da tragédia do 7 a 1 entre Alemanha e Brasil. Nem precisou de uma reciclagem. Pegou um time à deriva e o levantou. Grêmio e Inter vão lutar pelo G-4. Será uma briga bonita.

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Marin cria data-Fifa sem querer

23 de outubro de 2014 0

Dunga sofreu uma pressão forte do presidente  da CBF, José Maria Marin.

O dirigente exigiu que o treinador não tocasse nos clubes brasileiros e só chamasse atletas que atuam na Europa. Criou uma data-Fifa no Brasil sem querer, seguiu os grandes países da Europa, ao menos em novembro.

Alexandre Gallo, que cuida da seleção olímpica (sub-21), acatou em silêncio a mesma ordem. Mudou quase toda a lista dos jogadores para os próximos amistosos.

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Marin foi pressionado pelos dirigentes dos clubes ( Rafael Ribeiro/CBF, BD)

 

O paulista Marin, antigo aliado de Ricardo Teixeira, fraquejou depois da pressão de clubes, como Santos, Grêmio, Atlético-MG, Botafogo e São Paulo.

Os clubes ganharam uma batalha.

Só vencerão a guerra com a CBF quando conseguirem se unir outra vez.

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Dunga faz data-Fifa sob pressão dos clubes

23 de outubro de 2014 2

Quando quer, quando pedem,  quando pressionam, Dunga pode ser um treinador sensível e conectado com o futebol nacional. Ele deixou os times brasileiros intactos. Todos disputarão a reta final do Brasileirão com todas as suas forças, sem lamentar ausências com a camisa amarela em amistosos com seleções Classe C.

Dunga fez uma data-Fifa ao seu modo. Convocou apenas os brasileiros que atuam na Europa para enfrentar os amistosos na Turquia e na Áustria, no mês que vem. A CBF foi pressionada pelos dirigentes dos clubes. Cedeu. Não desfalcou time algum no momentos mais decisivo do campeonato.

– Mantemos contatos com vários treinadores e dirigentes e somos sensíveis da responsabilidade que os clubes tem. Abrimos mão de alguns jogadores brasileiros e daremos oportunidades para quem está na Europa. Era o momento oportuno de cada um ceder um pouco – falou o treinador numa entrevista coletiva, nesta quinta-feira, no Rio, depois de anunciar os relacionados.

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Dunga, técnico da Seleção Brasileira ( Fred Dufour, AFP/BD)

Estrela na rodada do meia da semana da Liga dos Campeões, cinco gols num jogo só, o ex-colorado Luiz Adriano, do Shakhtar Donetsk, foi chamado, entre outras novidades que você pode ler abaixo.

Se você observar bem a relação dos convocados, verá que os atletas que atuam no Brasil não farão falta. Não há um só grande jogador, um craque de Seleção Brasileira, atuando no país.
A nova lista de Dunga:

Goleiros
Rafael (Napoli)
Neto (Fiorentina)
Diego Alves (Valencia)

Laterais
Danilo (Porto)
Dodô (Inter de Milão)
Filipe Luis (Chelsea)
Mário Fernandes (CSKA)

Zagueiros
David Luiz (PSG)
Miranda (Atlético de Madri)
Marquinhos (PSG)
Thiago Silva (PSG)

Meio-campistas
Fernandinho (Manchester City)
Casemiro (Porto)
Firmino (Hoffenheim)
Lucas (PSG)
Luiz Gustavo (Wolfsburg)
Oscar (Chelsea)
Philippe Coutinho (Liverpool)
Rômulo (Spartak Moscou)
Willian (Chelsea)

Atacantes
Luiz Adriano (Shakhtar Donetsk)
Neymar (Barcelona)
Douglas Costa (Shakhtar Donetsk)

 

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Luiz Adriano pode ser a surpresa da lista de Dunga

23 de outubro de 2014 0

Dunga chama hoje, às 11h, no Rio, os 23 jogadores da Seleção Brasileira que enfrenta Turquia e Áustria no mês que vem, na Europa. A lista é secreta, mas o porto-alegrense Luiz Adriano, 27 anos, pode ser uma das surpresas – ao lado de Paulo Henrique Ganso, do São Paulo.

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Luiz Adriano, goleador na Europa ( Filippo Monteforte/AFP/BD)

O porto-alegrense se igualou a Messi como o jogador que mais marcou gols em uma só partida na história da fase moderna da Liga dos Campeões. Fez cinco na goleada de 7 a 0 do Shakhtar Donestsk sobre o Bate Borisov.

Ex-Inter, criado no Beira-Rio, o atacante defende a equipe ucraniana desde 2007 e tem mais um ano de contrato.

Caso não seja lembrado, Luiz Adriano tem convite para defender a seleção da Ucrânia nas Eliminatórias da Euro 2016. O técnico Mikhail Fomenko disse que o receberia o brasileiro “de braços abertos”. Falta só o ok do atleta

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Festival de volantes de Felipão segura três pontos na Arena

22 de outubro de 2014 5

Técnico gaúcho adora volante. Não sei quem gosta mais. Felipão, Celso Roth ou Mano Menezes. Com quatro deles em campo, solidários e atentos, porém nada criativos, o Grêmio, de Felipão, venceu o Figueirense na Arena, chegou aos 50 pontos e encostou no Inter na tabela. Mas a Dupla está fora do G-4.

Título? Nem no sonho. O único campo de batalha é o G-4.

O Grêmio venceu com um gol de pênalti, obra de Barcos, que chegou ao 28º gol na temporada. O lance foi esquisito, duvidoso. Nem no replay da TV é possível ter certeza da falta, se a bola bateu mesmo na mão. O juiz que erra hoje é o mesmo que acerta amanhã. É assim desde que o futebol é futebol, secular e apaixonante futebol.

Quem viu a partida, quase 100 minutos de ação, não gostou. O dono da Arena não atuou bem outra vez. Foi previsível e carente de força ofensiva, como em Goiás, no criticado 0 a 0 de sábado. Procurou e não achou talento e criatividade.

O mesmo time que defende bem, superprotegido, ataca com fragilidade. Os problemas são sempre os mesmos. O ativo e veloz Dudu não consegue armar, Luan não cria e Barcos vive isolado. Os alas não apoiam bem, os volantes não criam.

O Grêmio ganhou do combativo Figueirense. O técnico Argel reclamou do pênalti que deu a vitória aos gremistas, no primeiro tempo, e pediu outro ao seu favor, que não foi, o replay prova, já nos descontos.

O resultado valeu bem mais do que a atuação do coletivo. Mas não anima ninguém. Há vida no G-4, porém só com vitória. O próximo jogo é em Curitiba. Fora da Capital, a vida dos gremistas não está fácil.

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Filme de terror para o Inter no Maracanã: derrota e saída do G-4

22 de outubro de 2014 5

O Inter é um time manco sem o 10 D’Alessandro. Corre errado, corre torto. Nilmar poderia ajeitar a corrida e o time inteiro. Não conseguiu. Nem ele, nem Alex, muito menos Alan Patrick.

Nilmar teve a bola do jogo no primeiro tempo no gigantesco Maracanã. Parou na frente do goleiro do Flamengo. Fez o que Rafael Moura faria. Chutou em cima do goleiro. Perdeu o gol mais feito das últimas semanas.

O gol não nasceu. Pior para o Inter, que depois sofreu dois gols, ambos no segundo tempo, perdeu três pontos e ainda saiu da zona nobre do Brasileirão, o G-4 da Libertadores. Foi a pior derrota dos últimos meses. O topo da tabela parecia à casa do Inter. O time frequentou o alto da classificação durante 24 rodadas.

Ao Inter faltou tudo, ataque, meio, defesa. Faltou ousadia do treinador, que escalou um time cheio de cuidados defensivos numa partida contra um time da parte inferior da tabela. Abel Braga já tirou o que podia do grupo. Parece não encontrar forças para buscar o algo mais no final da competição. Ele é o alvo da ira da torcida nas redes sociais.

O Inter foi (e é) um time lento, carente de ousadia, organização tática e intensidade. O ataque parece desassociado do meio-campo. O pobre Nilmar luta sozinho contra uma turma de zagueiros.

Depois de sonhar com o título, o Inter enfrenta outra realidade. Precisará lutar para reingressar no G-4.

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O perigoso custo da rivalidade Gre-Nal

19 de outubro de 2014 11

César Grafietti, gerente de crédito do Itaú BBA e coordenador do estudo, analisa o futebol do Brasil pós-Copa e da dupla Gre-Nal pela ótica da economia:

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Grafietti analisa o momento do futebol gaúcho e do Brasil (Arquivo Pessoal)

Como você avalia o atual cenário do futebol brasileiro?
É desconfortável. Após dois anos de forte crescimento de receitas, sempre acima dos custos, em 2013 vimos uma inversão desta tendência, com custos crescendo mais que as receitas. A explicação vem da fragilidade profissional dos gestores.

A política de grandes salários sobreviverá ao ano de 2015?
Não creio. É fundamental que os clubes entendam que a existência deles depende de forte ajuste de custos. O primeiro, mais óbvio, é o da redução salarial, que levará um tempo para ocorrer.

Como você avalia o Inter?
O Inter tem histórico muito positivo. Até 2012, apresentava dívidas controladas, boa geração de receitas, parte importante delas recorrente (TV e patrocínio) e um excelente programa de sócio torcedor. Entretanto, é um clube que consistentemente vende direitos de atletas para fechar suas contas, e este é um enorme risco. Caso esta fonte seque, o clube pode vir a ter problemas para manter custos tão elevados. Em 2013, apesar da venda expressiva, o clube investiu muito e viu o endividamento aumentar. A impressão é que começa a sair da zona confortável e buscar o risco.

Como será o ano que vem?
Não será fácil. Precisará continuar vendendo direitos de atletas para fechar as contas, sob pena de ver a dívida aumentar. Ou, o que é mais correto, deve reduzir a folha.

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Jogadores da dupla Gre-Nal numa ação do Bom Senso FC no interior (Agência RBS)

Como está o Grêmio?
O ano de 2013 para o Grêmio não foi bom. Receitas em queda e custos em alta. Muitos investimentos em aquisição de atletas que ainda precisariam ser pagos ao longo de 2014. O resultado foi fechar 2013 com mais dívidas. Insustentável como modelo, da mesma forma que o Inter, tem um excelente programa de sócio torcedor que garante boa receita recorrente, assim como TV e patrocínios. Mas depende da venda de atletas. Mas, pelo que acompanhei pela imprensa, teria feito forte redução de custos no elenco, dispensando atletas mais caros e enquadrando custos às receitas. Se fez, está correto. É o caminho.

E a projeção para 2015?
Tudo depende do final da questão anterior. Se fez a lição de casa, reduzindo custos, aproveitando mais a base, terá um ano melhor, mas duro. Se não, estará trilhando o mesmo caminho do rival.

A rivalidade gaúcha ajuda?
A rivalidade é importantíssima na gestão do programa de sócio torcedor dos dois. Mas a rivalidade também pode ser o caminho do descontrole. Buscar títulos a qualquer custo costuma terminar mal. O Inter tem feito isso, contando com a venda de atletas e o Grêmio seguiu o mesmo caminho em 2013. A rivalidade que sustenta é a mesma que leva os clubes ao caos financeiro.

Como 2015 se comportará?
Os anos de 2014 e 2015 serão bastante difíceis. Aliás, 2014 já está sendo complicado conforme vemos na imprensa os casos de atrasos de salários. É preciso mudar a mentalidade da “estrutura” futebol e isto leva tempo. Reduzir custos significa limitar capacidade de investimentos e competitividade e isto certamente nos levará a aceitar que o Brasil não tem 12 times grandes e que disputam títulos relevantes. Temos quatro ou cinco e alguns que eventualmente lutam pelas conquistas, graças à beleza do futebol.

Como se dará a mudança?
A Lei de Responsabilidade do Esporte pode ser um marco nesta mudança, ao obrigar os clubes a se adequarem, com possíveis punições aos que descumprirem as regras. Mas para isto funcionar, a punição tem que vir. Ainda assim, é um processo que se bem conduzido deve significar real melhoria da condição econômico-financeira dos clubes apenas a partir de 2016 e, quem sabe, se consolidando em 2017 e 2018. Se tudo funcionar bem, se clubes se organizarem, se atletas entenderem que os saltos salários não se sustentam e se os torcedores aceitarem que nem todos lutam por títulos, o futebol em 2018 será melhor.

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