O novo (rico) futebol brasileiro
Você pode escolher um número, dois, três, ou somar os oito.
1 - Crise econômica na Europa.
2 - Valorização do real na comparação com o dólar, o euro e a libra.
3 - Bancos europeus reduziram financiamentos para a contratação de jogadores de futebol.
4 - Os clubes brasileiros estão explorando bem suas fontes de receita.
5 - O saudável momento da economia brasileira.
6 - O desejo de voltar à Seleção.
7 - Metade dos grandes clubes da Europa opera com prejuízo.
8 - A redução nos salários dos grandes jogadores na Europa.
Escolheu? Somou?
Então você pode ter a certeza de que a volta de grandes jogadores ao futebol brasileiro não é um presente divino, nem obra do acaso, muito menos amor à pátria ou paixão confessa a determinada cor local.
Eles retornaram porque perceberam na Europa a existência de um novo Brasil. Observaram que o ambiente é bom e que vai melhorar ainda mais depois da Copa da África, assim que a Copa de 2014 estiver mais próxima do nosso horizonte.
O gaúcho Renan esteve perto do Estádio Beira-Rio na janela de janeiro. Com o negócio fechado, o goleiro poderia completar a seleção dos jogadores que retornaram ao futebol brasileiro nos últimos 14 meses. Renan atuaria ao lado de Maldonado (Flamengo), Alex Silva (São Paulo) e Roberto Carlos (Corinthians); Cléber Santana (São Paulo), Fernandão (Goiás), Corrêa (Atlético-MG) e Robinho (Santos), Fred (Fluminense), Adriano (Flamengo) e Ronaldo (Corinthians), com Roger (Cruzeiro) e Vagner Love (Flamengo).
Ronaldo foi o grande ímã. O ex-número 1 da Fifa (três vezes) abriu as portas no ano passado. Inovou, se transformou em quase um sócio do Corinthians. Na folha salarial, seu contracheque anuncia R$ 400 mil mensais. No contrato, o mais letal atacante do Brasil dos últimos 20 anos receberá R$ 13 milhões – 30% a mais do que na temporada passada. Com o Fenômeno, o Corinthians anunciou o maior patrocínio de camisa do Brasil em 2010: R$ 38 milhões. Sem ele, caem os valores para 2011, e os R$ 38 milhões podem se transformar em R$ 25 milhões.
– A dívida do Corinthians é de R$ 100 milhões. A diferença é que antes o clube faturava R$ 70 milhões por ano. Agora, vai ganhar R$ 160 milhões. É o efeito Ronaldo e Roberto Carlos – garante o presidente do clube, Andrés Sanchez.
Roberto Carlos seguiu projeto idêntico ao de Ronaldo, ideia do mesmo empresário, Eduardo Farah. O lateral está procurando parceiros para o Corinthians. Ganhará uma parte da quantia que arrecadar, algo como 50% se a empresa for brasileira, 80% se o contrato for fechado em dólares.
As parcerias de Fred e Adriano seguem outros modelos. Empresas privadas pagam parte dos salários dos jogadores. Eles não se comprometeram (ainda) em colocar dinheiro nos clubes através de novos contratos.
O caso de Robinho é único. O Manchester City fez um péssimo negócio ao contratá-lo por 42 milhões de euros junto ao Real Madrid. Em agosto, o Barcelona ofereceu 50 milhões de euros. O City não quis, imaginou que seu novo time começaria por Robinho. O engano foi tamanho que o clube inglês, propriedade de um bilionário árabe, emprestou o jogador de graça ao Santos, desde que os brasileiros pagassem seu salário de R$ 1 milhão.
O Palmeiras conseguiu até patrocínio para o uniforme do técnico Muricy Ramalho. O clube vai receber R$ 1,3 milhão por ano. Sem uma estratégica de marketing como as que trouxeram Ronaldo, Roberto Carlos e Robinho, o Palmeiras vê os rivais faturando:
– O Valdivia seria um cara que dá para fazermos marketing. Temos um flerte antigo com ele. O problema é tirar o meia dos Emirados Árabes Unidos – explicou o diretor de marketing palmeirense, Rogério Dezembro.
Os jogadores querem dinheiro. Os clubes não têm, mas com a ajuda dos ídolos podem atrair patrocinadores. Não são salários europeus, mas são suficientes para aumentar (ou começar) uma fortuna. A Copa de 2014 será outra atração. Vai ser bom jogar no Brasil nos próximos quatro anos.





















