1) Apesar da divisão de opiniões na sua direção e da indignação de parte da torcida, Fábio Koff segurou o treinador. Ele precisará mostrar neste começo de Brasileirão, sua especialidade, que ainda tem força para organizar um time competitivo e vencedor. Todos estão curiosos no clube, querem saber se o grupo continua ou não na mão do treinador, se o vestiário ainda está fechado com ele. A contagem regressiva começa domingo. Ele terá cinco jogos como novos testes. O certo é que os superpoderes do treinador foram reduzidos. Ele vai cuidar mais do campo de jogo, dos treinos, menos do entorno.
2) Rui Costa está fortalecido. Koff apoia seu trabalho. O diretor executivo deve ganhar ainda mais poderes no clube. O Grêmio está convencido: o antigo modelo de clube com diretor político no futebol não funciona mais. É preciso mudar. Grandes clubes europeus não contam mais com diretores políticos desde o século passado.
3) O Conselho de Administração precisa afinar mais com o discurso do presidente. O vazamento de informações no processo de negociação com a OAS, especialmente nos primeiros movimentos, deixaram Koff (e muitos conselheiros) chateado. Nos últimos meses, a Arena roubou muita energia da direção, especialmente de Koff. O desgaste foi tremento. Acirrou ainda mais a briga política dentro do Grêmio. Agora, com a mudança de nomes, a negociação com a cúpula da OAS engrenou. O presidente espera dar boas notícias aos tricolores nos próximos dias. Inaugurar uma nova era na Arena, que tem só seis meses de vida.
4) O volante Fernando deve ser vendido ao futebol europeu antes da janela de agosto, talvez logo depois da Copa das Confederações. Seu substituto será Adriano, que veio do Santos. Luxemburgo quer um reserva. O treinador não admite negociar Welliton, entende que o atacante será útil no Brasileirão.
5) Nos treinos na Colômbia, o técnico nunca posicionou o time na defesa, como se veria na decisão contra o Santa Fe. Com Luxemburgo suspenso, quem comandava a equipe era o auxiliar Roger. Tímido, o ex-lateral não conseguiu se impor. Mas Roger é funcionário do clube, vai trabalhar mais junto ao técnico, ocupar o lugar que era de Émerson.
6) Três jogadores decepcionaram (muito) a comissão técnica e a direção na Colômbia: Zé Roberto, Elano e Barcos. Os dois jogadores de meio-campo podem jogar juntos, mas Elano já não mostra o mesmo fôlego de outros tempos. O Grêmio procura um meia no mercado. Barcos vive um jejum de gols. Já se diz no Olímpico que ele não é o atacante que todos esperavam. Mas o argentino ainda tem crédito. Suas divergências com Luxemburgo são negadas pela direção.
7) Os irmãos Biteco, Matheus e Guilherme, Lucas Coelho, que ocupará a vaga de William José, e Deretti, entre outros jovens, ganharão espaço no grupo principal na sequência do Brasileirão. Vargas deve ficar. André Santos, outra decepção, voltará ao Arsenal em julho. Dida continua no gol. Cris é dúvida.
Caso o time não recupere o vigor nos próximos jogos, Fábio Koff tem uma nome no bolso do paletó bem cortado: Renato Portaluppi. A opção agrada pessoas próximas ao presidente, mas, não é, nem de longe, consenso. O ex-atacante gremista trabalhou com Rui Costa no Grêmio em 2010. É muito prestigiado pelo grupo que antecedeu Paulo Odone no comando do clube.
9) A direção não está satisfeita com a atitude dos jogadores. A derrota na Colômbia frustrou todo mundo no clube. Há uma certeza. É preciso jogadores com mais atitude em campo, mais dispostos ao sacrifício pela vitória, mais dedicados ao time. O discurso, que não é novo, diz que é preciso misturar gente da base com profissionais de fora do Estado.
10) Luxemburgo não gosta que os dirigentes assistam as suas palestras. Só libera a entrada do presidente do clube. O espaço do treinador e dos jogadores, antes dos jogos, é muito íntimo, local onde se fala tudo, se diz tudo. Sagrado, ao menos para Luxemburgo. Neste sentido, fica tudo como está. Sala da palestra é território do treinador.
Vargas (foto de Luis Acosta/AFP) não sabe se volta para a Itália ou fica em Porto Alegre na metade do ano. A direção confia no atacante.

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