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Posts na categoria "Bola Dividida Especial"

Os detalhes da chegada gremista ao Chile

16 de abril de 2013 7

Uniformes

A delegação do Grêmio desembarcou em Santiago com mais de 950 quilos de bagagem. Um ônibus foi contratado só para levar o material até o hotel Hilton, onde o grupo de jogadores está hospedado. Vieram três jogos de camisas tricolores e três jogos do uniforme número 2, o branco. Há jaquetas e calças de abrigos especiais para o frio, dezenas de chuteiras e tênis.

Insônia

O presidente Fábio Koff não consegui dormir em São Paulo. Passou a noite acordado. Perto das 4h da manhã, ligou para o assessor de futebol Marcos Chitolina. Uma hora depois já estava no aeroporto, pronto para embarcar para o Chile. Então, aproveitou um voo de mais de três horas e sem turbulência e compensou o sono perdido no Brasil no conforto da primeira classe.

Avião

Os jogadores viajaram ao lado de passageiros comuns no trajeto entre São Paulo e Santiago. O chileno Vargas, que é chamado de Edu Vargas no seu país, foi o mais festejado. Distribuiu autógrafos e sorriu nas fotos. O atacante é uma pessoa tímida, fica na dele, não conversa muito.

Desconforto

A viagem do Grêmio foi muito cansativa. A delegação deixou Porto Alegre na segunda-feira perto das 20h, chegou em São Paulo uma hora e meia depois. Acomodados no hotel depois das 22h, os jogadores precisaram acordar muito cedo, perto das 4h para pegar o voo às 7h para o Chile. Desembarcaram no Chile perto das 11h e foram direto para o hotel. Nesta quarta-feira tomam outro avião para Talcahuano, terra do Huachipato.

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Sandro Silva garante foco no Inter em semana decisiva

07 de maio de 2012 17

A lista de clubes é extensa e variada. Sandro Laurindo Silva lembra de todos os nomes. Falar de cada time é uma rápida viagem ao interior da sua mente.

— Aos 16 anos viajei à Itália. Fique seis meses no Genoa. Voltei ao Brasil, passei a jogar no América-RJ. Andei por Ceará, Portuguesa, Itumbiara, Remo, onde joguei seis meses e fiquei cinco sem receber, Mirassol, Palmeiras, Botafogo, Malaga (Espanha) e Inter.

Voltar ao Malaga não faz parte dos seus planos, ficar no Inter, sim, mas aí apareceu o São Paulo. O jogador imaginou que iria renovar com o Colorado meses atrás. Não rolou. A crise entre o clube e a Andrade Gutierrez tirou o foco dos dirigentes. Então, começou o “Caso Oscar”. Tudo adiado outra vez, embora, em campo, ele já exibisse, a cada jogo, o seu valor como volante, posição clássica do futebol gaúcho, que desperta paixões em técnicos, dirigentes, torcedores e cronistas.

A torcida, que não o conhecia, ficou surpresa. Encontrou um reserva com futebol de titular. Os aplausos não cessaram mais. Antes, era reserva de lateral, uma adaptação, às vezes mais um entre um coleção de volantes. Seu espaço foi conquistado no muque, quando disse na pré temporada que desejava jogar na sua verdadeira posição, caso contrário voltaria para Europa, e depois quando o técnico Dorival Junior ofereceu uma oportunidade real — o que ele não desperdiçou.

Ao substituir a máquina física Guiñazu, não exibiu futebol igual, mas competitivo o suficiente para que a camisa 24 passasse a fazer parte dos 11 preferidos do treinador.

Ele se diz tranquilo, sem ligar para propostas financeiras, concentrado apenas no Inter, nos desafios do Gauchão e da Libertadores. Quer ocupar um espaço, se transformar num dos bons volantes do país, ser reconhecido:

— São três decisões em sete dias, a semana é especial. Não dá para pensar em outra coisa. Sei do interesse do São Paulo, mas a proposta não chegou a mim.

Mas ele, que não tem empresário, que diz ter sido enganado, perdido dinheiro em outros momentos, espera, agora ao lado que que confia, do pai Waldeir Silva, fazer um contrato especial. Ele é um jogador valorizado. Aos 28 anos, sua carreira não está mais no começo:

— Tenho família, um filho. São seis pessoas que dependem financeiramente de mim. Aos 16 anos estava na Itália, sozinho no mundo. Agora, eu e minha família somos Sandro Silva Futebol Clube. Ainda tenho cerca de um meias e 15 dias de contrato com o Inter.

Mas o Sandro Silva FC hoje usa a cor vermelha. A família reclamou que o Gauchão não entrava em Nova Iguaçu. Sandro pegou o telefone e fez um pacote do nosso campeonato regional. Em cada jogo do Inter é uma festa, a família inteira e amigos se acomodam na frente da TV em cadeiras dobráveis, com bandeiras e camisetas. O perfume da carne assando atrai mais gente ainda.

Agora é libertadores, Gauchão só no domingo:

— É a segunda decisão em sete dias. Levo fé no time e no nosso trabalho. Se o Inter jogar como o Inter no Rio de Janeiro acho que temos grandes chances de passar de fase. Não podemos nos intimidar com o adversário. Nossa equipe tem juventude e experiência. Precisamos jogar como se estivéssemos em casa
Deco, o qualificado meia do Fluminense será o seu alvo em campo.

— É um jogador inteligente, que vê o jogo, passa muito bem. É preciso atenção, marcar em cima, não oferecer espaço.

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Bola Dividida: o Inter e o caminho da Libertadores

02 de novembro de 2011 4

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D'Alessandro, o melhor estrangeiro do Brasileirão

19 de outubro de 2011 17

Luiz Zini Pires comenta sobre o grande aproveitamento de D’Alessandro no brasileirão 2011. Confira.

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Bola Dividida: irregularidade afasta Grêmio e Inter da Libertadores

12 de outubro de 2011 1

No Bola Dividida desta semana, aposto que a irregularidade de Inter e Grêmio no Brasileirão será decisiva para deixar a Dupla fora da zona da Libertadores. Confira.

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Bola Dividida: os caminhos da Dupla até a zona da Libertadores

07 de outubro de 2011 1

Luiz Zini Pires e Luís Henrique Benfica analisam o momento da Dupla no Brasileirão, os próximos jogos e as chances de Grêmio e Inter na Libertadores 2012. Otimistas ou pessimistas?

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Grêmio tem 30 pontos, Inter, 33, pela frente e muitos sonhos

08 de outubro de 2010 20

O Brasileirão está aberto, restam 10 rodadas, tudo pode acontecer. São 30 pontos.
Não há mais favoritos. Os fantasmas rondam na parte de baixo da tabela, no topo, no meio. Ninguém pode encomendar a faixa de campeão. O Prudente pode reservar as passagens para a Série B.

Raros arriscam dizer quem será o campeão. Você diria?

O campeonato se apresenta com equipes irregulares, que não conseguem, na média, vencer em sequência, salvo exceções em determinados momentos. Não há um grande time em outubro, um imbatível, um que você separe e diga:
- Ok, olha o campeão em campo!!!! Que futebol legal, competitivo, único.

O Grêmio de Renato é um exemplo que sai do bolo. Acordou em setembro, vem somando pontos, ganhando fora, jogando bem, goleando em casa e fora. A Libertadores é meta, é possível. Sete pontos o afastam do torneio continental. Dez do líder.

O Inter, por outro lado, não vence mais fora do Beira-Rio. Mas ganha em casa. Oito pontos o separam do líder, com um detalhe: tem um jogo a menos. O título é viável.

O Flu, que se exibiu como favorito durante semanas, eu mesmo apostei, não se anima mais. O Corinthians cai. No vácuo, o Cruzeiro sobe. Montillo faz a diferença. Seria o Cruzeiro o Fluminense dos nossos dias?

A diferença entre o nono colocado, o Palmeiras, e o líder Fluminense, é de 10 pontos. Numa competição parelha como o Brasileirão não é uma diferença absurda.
Seria se o Fluminense tivesse encontrado na reta final a regularidade que o abandonou recentemente.

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O Doutor e as suas memórias gaúchas

22 de agosto de 2010 5

Os assessores se dobram ao paraguaio de 81 anos no barulhento hall de entrada do Hotel Sheraton em noite de decisão de Copa Libertadores. Ele é Nicolás Leoz, mas não é chamado pelo nome ou sobrenome.

O círculo íntimo do homem mais poderoso do futebol das Américas, presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) e membro do Comitê Executivo da Fifa o trata como Doutor.

– O Doutor desce em 10 minutos – me diz uma senhora de cabelos ruivos.

– Fique tranquilo, o Doutor fala com todo mundo – me acalma outra pessoa.

– O Doutor não vê classes no futebol. Ele trata o fã da arquibancada e o craque de bola da mesma maneira – adianta um terceiro.

– O Doutor coloca a imprensa no seu lugar. Com ele, o jornalista sempre tem voz, não é um Dunga – ri mais um.

– O Doutor é um ser político, ele faz o impossível para que as pessoas se acertem e vivam tranquilas no mundo do futebol – explica outro.

Altivo, o Doutor cruza a porta, assume o hall cinco estrelas e o barulho da numerosa comitiva da Conmebol some como por encanto. Ele me pega pelo braço e me faz sentar ao seu lado numa poltrona.

Está feliz, reviu Pelé, a quem chama de compadre, mas o quer como filho. O Rei batizou seu filho Josué, 16 anos.

Nicolás Leoz lembra um avô elegante de terno e gravata, bem barbeado e penteado e não aparenta quatro décadas de vida. Esta forte, graças às longas caminhadas diárias e à alimentação regrada (mas diz que “se passou” no churrasco na fazenda de Francisco Novelletto, presidente da FGF, no meio da semana). Seu raciocínio ainda é rápido, de um homem mais jovem. A memória está intacta e, antes de qualquer pergunta, diz que é “muito gaúcho”.

– Mesmo? – eu tento duvidar.

– Tanto que sou sócio de Grêmio e Inter – ele ri. – Eu frequento o Olímpico e o Beira-Rio desde 1983, sempre entregando belas taças. Quero voltar outras vezes.

Se emociona ao falar dos amigos colorados Gildo Russowsky e Arthur Dallegrave, ambos falecidos, cita o nome do gremista Fábio Koff, presidente do Clube dos 13, com orgulho, e lembra quando comprava ônibus em Caxias do Sul e o levava a Assuncão muito tempo atrás. Leoz morou anos na capital paulista, se diz torcedor do São Paulo, acha João Havelange um dos maiores dirigentes de todos os tempos e vê a candidatura de Ricardo Teixeira à presidência da Fifa com os melhores olhos do mundo. Não diz se apoia. Mas, claro, sabe que Teixeira daria mais força ao futebol do continente.

Com Leoz, que é nome do estádio do Libertad na capital paraguaia, a Libertadores chegou ao México e deve avançar sobre os EUA. Há um mercado rico à espera dos latinos bons de bola.

O Doutor torceu para o Inter na decisão, entregou a Copa aos jogadores e vai estar em Abu Dhabi, ao lado do presidente da Fifa, Joseph Blatter. O troféu do Mundial de Clubes passa pelas mãos dos dois, talvez chegue aos braços colorados. Leoz será Inter outra vez porque o Inter é da sua América e a Libertadores, que uniu 1 bilhão de telespectadores em 2009, é a sua vitrina.

– Eu sou muito gaúcho – ele repete, com novo sorriso, antes de se alinhar à sua comitiva e buscar o Beira-Rio onde a 51ª edição da Copa Libertadores da América chegava ao auge.

– É por aqui, Doutor – falou a assessora, que o guiou até a porta do hotel no Bairro Moinhos de Vento.

Lá fora ele ouviu os primeiros foguetes da interminável noite de quarta passada.

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Humildade do Rei

20 de agosto de 2010 8

Cicerones de Pelé em suas 48 horas gaúchas, dirigentes locais ficaram impressionados com a humildade do ex-jogador. O Rei atendeu aos fãs sem nenhuma pressa, com paciência e educação, ofereceu autógrafos e parou para fotos. Viu Inter e Chivas (3 a 2) com atenção, mas fez brincadeiras e aceitou pegadinhas, tipo:

– Ih, Pelé, você não faria o gol que Giuliano fez, deslocando o goleiro – brincou um.

– Pelé, acho que neste time do Inter não teria lugar para você – gozou outro.

Pelé ria muito e devolvia as piadas, sempre envolvendo seu glorioso Santos nas respostas bem-humoradas. Depois, na hora da entrega do troféu, ele abraçou os jogadores colorados, um a um, e sempre tinha uma mensagem especial aos campeões.

Ao capitão Bolívar disse que os “colorados estavam resgatando o orgulho do futebol brasileiro”, perdido na Copa. Criticou a Seleção que, ao contrário do Inter, não levantou uma taça em 2010. Garantiu que vai torcer pelo Inter em Abu Dhabi.

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Com o Rei

19 de agosto de 2010 8

Repórteres dos matutinos Marca e Ás, dois dos maiores jornais esportivos da Europa, vieram ao Rio Grande do Sul cobrir a final da Libertadores. Mas não cansavam de lembrar do título do seu país na Copa do Mundo da África do Sul.

Um deles perguntou se Pelé gostaria de jogar numa seleção como a da Espanha dos nossos dias.

Pelé riu e, claro, respondeu que “sim”.

*

Cada vez que se movimenta pelo mundo, Pelé ganha um sistema de segurança todo especial. Em Porto Alegre, não foi diferente. Nas viagens, ele sempre recebe um codinome para que ninguém diga e repita “olha, o Pelé chega em 20 minutos”, “ele está chegando”, … e, assim, alerte a multidão.

Ontem, seu codinome era “Alcione”.

– Chegou a Alcione – disparou um segurança no momento em que o Rei pisava no Beira-Rio.

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Paixão total: "Eu quero sempre mais"

15 de maio de 2010 53

EXCLUSIVO – Coordenador da preparação física do Grêmio, Paulo Paixão não esconde seu apetite por taças. Mira a Copa do Brasil e se fixa na Copa do Mundo. Sua motivação dobra a cada competição. Confira a entrevista:


Paulo Paixão chega ao Olímpico às 8h30min da sexta-feira engolida pela neblina. Seu carro preto importado, de luz acesa, desliza pelo pátio gingando no samba de Arlindo Cruz. Antes de se acomodar no estacionamento, pisa no freio e troca um amistoso minuto de conversa com um funcionário do Grêmio que limpa o pátio. Sai, tranca a porta, entra no vestiário, vê se as velas estão acesas, se as imagens dos santos estão limpas, muda de roupa e me recebe, com o fotógrafo Fernando Gomes, na sala de imprensa.

O preparador físico mais vencedor da história do futebol brasileiro está elétrico numa das primeiras horas da amena manhã de maio, 30 dias antes da estreia do Brasil na Copa do Mundo, contra a Coreia do Norte.

– Você nunca vai me encontrar desanimado. Sem chance.

Paixão é uma pessoa educada e humilde (os mais chegados o chamam de Paulinho Gentileza). Oferece café. Peço sem açúcar, como o dele.

Do fundo do vestiário, sai o meloso dueto sertanejo-universitário da dupla Victor e Léo, onde os jogadores se arrumam cheios de energia para o puxado trabalho matutino. Paixão não se importa com o som alienígena, mesmo que seu habitat natural seja o planeta do pagode, onde Zeca Pagodinho é grã-vizir.

A música move Paixão, anima, dá força, é companheira de trabalho e de viagem. Quando trabalhou no Jubilo Iwata, na segunda metade dos anos 1990, ele carregava um pandeiro no banco do carona. Ao ser engolido pelos gigantescos engarrafamentos à caminho do treino, Fundo de Quintal sacudindo o CD Player, ele pegava o instrumento e fazia seu próprio som. O tempo trucando no meio do trânsito passava voando.

– Olha, a vida reúne tantas tristezas, porque não deixar a música se encarregar de um pedaço do lado bom da vida?

A vida profissional tem sido pródiga com o carioca Paulo Paixão. Ele ajudou a erguer taças de todos os brilhos e tons em distintos clubes e na Seleção – da gaúcha (“o cafezinho”, ele ri), à mundial, da brasileira à continental. Seu armário está lotado, mas onde ele cavouca motivação depois de mais de duas décadas de faixas?

– A próxima tarefa é sempre a mais importante. Eu quero mais, sempre mais. Estava atento no Gauchão, veio a Copa do Brasil e eu a desejo muito. Depois vou estar ligado na Copa do Mundo com a mesma dedicação. Eu me cobro muito. Vivo intensamente cada competição. Eu quero o Brasileirão – ele diz, acomodado numa das cadeiras estofadas da sala.

Mais do que um preparador físico e um supermotivador, Paixão é referência mundial na sua profissão. Na Rússia, logo depois de deixar o uniforme de campeão do mundo colorado e durante três longos anos, ele foi oferecer o “bê a bá” da sua preparação física vencedora ao CSKA Moscou (quatro títulos em três anos). Os locais não entendiam a contratação do fisicultor brasileiro, esperavam jogadores, os atletas russos se espantaram:

– Quando os jogadores russos começaram a ver filmes com os treinos físicos da Seleção, despertaram – conta Paixão cheio de entusiasmo.

– O que disseram?

– Diziam ‘Ahh Paixão…’. Ficavam espantados quando viam Kaká e Ronaldinho se puxando no trabalho físico e se exercitando ‘sem a bendita bola’. ‘Ahh Paixão…’ repetiam. Repetiam e faziam igual. Eles começaram a entender que, antes da técnica, nossos grandes jogadores treinavam pesado.

Paixão tem um poder que é só dele. Paixão consegue convencer os jogadores que é necessário treinar mais, talvez um pouco mais, quem sabe passar mais uns 10 minutos suando.

– Minha concentração é muito alta. Sou exigente, cobro, desafio. A minha próxima competição é sempre a favorita.


Hoje, a Seleção é o seu cartão de visitas.
Os jogadores sabem quem os guia. Respeitam e correm aqueles minutos a mais que podem fazer a diferença num jogo entre iguais (ou nem tanto).

– O Brasil é modelo em preparação física, em medicina do esporte. Cito o Kaká. Ele vai ficar um tempo nas nossas mãos. Vamos colocá-lo em forma. O Kaká vai fazer uma boa Copa, não tenho dúvida. A Seleção sabe do que ele precisa.

Paixão, que cuida do Grêmio como coordenador, ao lado do filho Anderson, também preparador físico, sabe que o time está bem, correndo muito. É superconfiante quando o jogo do Santos entra em questão, mas mantém contatos diários por e-mail ou telefone com os 23 de Dunga, a quem trata por “Capitão”.

– O Gomes treina numa academia em Belo Horizonte, o Gilberto Silva faz o mesmo, o Luisão me disse que está trabalhando. Quem ganhou férias na Europa já está ligado e eu mais ainda.

A Copa começou. São duas, a do Brasil vem antes. Paixão está inteiro nas duas, quer a dupla. É insaciável. Ganhou um título em maio. Quer fechar julho com outros dois antes do Brasileirão.

Não duvide.

Nunca duvide de Paulo Paixão.

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A conexão gaúcha do uruguaio Lugano

08 de maio de 2010 27

O valente capitão da seleção uruguaia, ex-zagueiro do São Paulo, ídolo do Fenerbahçe turco, Diego Lugano fala da sua vida, do interesse da dupla Gre-Nal, de Jorge Fossati e dos seus favoritos para vencer a Copa do Mundo da África do Sul.

Diego Lugano, 28 anos, atende o telefone dentro de um elevador em Istambul. Ele pede mais cinco minutos. Depois, no seu apartamento, atende a segunda ligação, sabe que é do Brasil. Conta que seus ouvidos não estão bem recuperados. Lembranças de um show do Sepultura, que assistiu a convite do guitarrista Andreas Kisser, um fanático torcedor são-paulino.

Quando começa a entender que o repórter é de Porto Alegre, fala com entusiasmo, esgrimindo um portunhol treinado durante quatro temporadas no São Paulo (2003/2006), quando foi campeão paulista, da Libertadores e do mundo:

– Você não vai acreditar… Eu estava mesmo me organizando para assistir ao Gre-Nal (a entrevista foi feita domingo passado). Vi o primeiro (dia 25 de abril, Grêmio 2 a 0), gostei muito. Assisti ao Inter ser roubado em Buenos Aires (o 3 a 1 contra o Banfield). Que vergonha. Sou de Canelones (cidade do sul do Uruguai). Acompanho muito o futebol gaúcho. Sou gaúcho como você (risos).

Zagueiro do Fenerbahçe (ou fenerbátchê na sua repetida pronúncia), campeão da Copa da Turquia e da liga local, já viu, leu e ouviu seu nome ser envolvido como futuro jogador de Grêmio e Inter muitas vezes.

– Do Grêmio eu fiquei sabendo. Mas o negócio não evoluiu.

– E o Inter? – eu questiono.

– Nunca soube de nada concreto, ao menos o meu empresário nunca me comunicou nada de especial.

– Mas você gostaria de jogar em Porto Alegre? Os dois times gaúchos sempre precisam de zagueiros especiais.

– Claro, são dois bons times, ótimas torcidas, perto de Montevidéu. Vocês fazem um churrasco tão bom quanto o nosso (risos), mas eu gostaria mesmo é de voltar para o São Paulo. É meu time, sabe. Me identifico muito com o São Paulo.
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Fossati lhe abriu as portas da seleção

Brasil, Uruguai, qualquer transferência não faz parte dos seus planos em maio de 2010. Antes, ele acha que a Copa do Mundo da África do Sul pode definir uma nova etapa na sua carreira de 11 anos. Ele cobiça vaga em algum time da Europa rica. Aliás, quem o convocou pela primeira vez para a Celeste foi um técnico muito conhecido dos gaúchos, seu conterrâneo Jorge Fossati.

– Jorge me ofereceu a grande oportunidade e acho que aproveitei. Fui seu capitão. Eu saí muito novo do Uruguai, tinha 21 anos, os torcedores não me conheciam, desconfiavam do meu futebol e da minha liderança. Jorge Fossati me ajudou muito. Sou grato a ele.

Lugano se derrete em elogios a Fossati, muito contestado em nossas terras.

– Ele é uma pessoal legal, respeita os jogadores, mas tem opiniões fortes. Os atletas gostam muito dele também.

Lugano acredita que o seu Uruguai, dele e de Fossati, pode fazer uma grande Copa do Mundo.

– Contamos com bons jogadores, experientes e que fazem sucesso na Europa. Ninguém nos cita, corremos por fora e eu acho ótimo. Esta geração pode oferecer algo mais ao Uruguai.

– Você acha que o Brasil é o favorito?

– Não, acho que não.

– Quem seria?

– A Espanha, eu apostaria na seleção espanhola, mais do que na do Brasil, muito mais do que na da Argentina. A Espanha está recheada com grandes jogadores, atua junto desde a Copa passada, ganhou a Eurocopa dois anos atrás e ainda exibe grandes individualidades.

– Quem faz você suar nos jogos na Europa (risos)?

– … (risos) Tem um quinteto que é perigoso como Henry (Barcelona), Benzema (Real Madrid), Milito (Inter de Milão) e Agüero (Atlético de Madri). O Messi é impossível, o Cristiano Ronaldo é diferenciado. A vida de zagueiro não é fácil em lugar nenhum – completa.

Nem dos atacantes, imagino, ainda mais quando se tem pela frente um cara de 1m88cm, quase 90kg, que se recusa a trocar de camiseta com adversários depois dos jogos.

Amigos? Sorrisos?

Só fora de campo, como manda o manual do zagueiro uruguaio que ele segue à risca.

Um charrua nunca se comove dentro de campo.



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Leandro Vuaden, o europeu do Gre-Nal 381

01 de maio de 2010 13

Vuaden avisa que contato físico não é necessariamente falta, diz que vai deixar o Gre-Nal correr e espera jogo leal. Confira abaixo a entrevista com o árbitro:

Leandro Pedro Vuaden correu 90 acelerados minutos no irregular gramado da Ilha do Retiro, quarta-feira à noite, em Recife. Tomou banho, voltou ao hotel, pegou as malas, pagou a conta e entrou no táxi rumo ao Aeroporto Internacional dos Guararapes. Pegou o Boeing das 3h da madrugada. Chegou às 8h em São Paulo.

Depois de um atraso de quase duas horas, pisou no asfalto de Porto Alegre perto do meio-dia. Antes das 14h, devolveu, em Estrela, sua cidade natal, o carro alugado na Capital. Perto das 15h, começou a ajudar os pedreiros que reformam a sua casa (sexta, numa visita à Redação de ZH, mostrou como prova o calo na mão direita), sem antes ligar para a mãe e confirmar a presença, mais Jaqueline e os dois filhos, Pedro e Felipe, na tradicional galinhada com arroz dos Vuaden, à noite, na vizinha Roca Sales.

Entre quarta e quinta, seja em Pernambuco, dentro do jato em São Paulo, no aeroporto gaúcho ou na loja de ferragens do Vale do Taquari, muitos bateram no seu ombro e perguntaram em diferentes sotaques:

– E o Gre-Nal? Que bronca, hein?

Em Recife, seus colegas de profissão disseram que é “o clássico mais difícil de ser controlado, meu Deus, vai ser uma guerra”, em Porto Alegre apertaram a sua mão e desejaram “sorte” e, em Estrela, um amigo que trabalha numa loja pediu, em tom de brincadeira “uma mão, pois meu time está mal”.
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O terceiro Gre-Nal de Vuaden

Leandro Vuaden vive cada segundo do seu terceiro e decisivo Gre-Nal (um empate, uma vitória do Inter, nos anteriores) com a expectativa dos estreantes, mas com a experiência de ter apitado jogo de quase 85 mil pessoas no Maracanã. Ouve de tudo, da corneta do gozador ao elogio do desconhecido.

– Eu ouço tudo, mesmo, vejo, leio.
Quero armazenar o maior número de informações possíveis, entrar no clima do jogo – conta ao telefone, com o batuque das pás e dos martelos dos pedreiros como trilha sonora da conversa ao fundo.

Vuaden, 21 jogos no Brasileirão 2009, terminou o ano como um dos três melhores árbitros do ranking gaúcho. Vai encontrar agosto como o primeiro e único com o escudo Fifa (seu desde 2008) no Estado. Leonardo Gaciba perdeu a vaga na Fifa, Carlos Simon sai depois da Copa. É nesta condição que Vuaden, 34 anos, entra em campo domingo.

– Conheço os riscos e as minhas responsabilidades. Pretendo sair do clássico sem ser notado. O espetáculo é dos atletas. Sou apenas o coordenador do espetáculo.

Ele chamou os auxiliares, Paulo Ricardo Conceição e José Franco Filho, para uma concentração especial – que começaria sábado num hotel. Eles vão conversar, dissecar o vídeo do último clássico.

– O jogo sempre merece uma leitura antecipada, um estudo. Eu jamais me escondo atrás do cartão amarelo. Mas quero o respeito do jogador. Eu mando. As leis estão comigo. A pressão dentro de campo eu jogo pela linha de fundo.
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Gaúcho com estilo europeu

Especialista em arbitragem da Rádio Gaúcha, Francisco Garcia entende que Vuaden inventou um estilo de arbitragem.

– Ele não se importa com o contato físico, deixa o jogo correr. É o melhor do Brasil – garante.

O jeito europeu de ser do alemão de Estrela nas quatro linhas deixa o jogo mais solto, sem interrupções desnecessárias.

– Se surgir uma falta aos 10 segundos de jogo, eu apito. Se precisar exibir um amarelo aos 15 segundos eu mostro.

– E o que você exige num jogo onde nem todo o contato é falta? – eu questiono.

– Aceito o contato físico. Mas, se é falta, marco na hora. Paro o jogo. É da regra.

Vuaden começou em 1997 na pegada várzea do município de Estrela.

– Meu prazo de validade é a Copa de 2018. Estarei com 44 anos. Quero ir. Eu me empenho. Todos os jogos são decisivos. Imagina o Gre-Nal.

– Muito difícil?

– Cara, é, muito, mas quem vai bem no Gre-Nal pode apitar qualquer decisão. Exigência igual à dos gaúchos não se vê.

– Ok, boa sorte, então.

– Legal, mas a violência não está liberada. Quero jogo corrido, jogado, mas na bola. Eu aviso: “Agora chega. Acabou”. Respeito às regras é tudo, meu amigo Zini.

– Eu concordo, Vuaden.

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Exclusivo: a mágoa de Maxi López

29 de abril de 2010 124

Um contato mais demorado em Buenos Aires, outro curto na Itália, meia dúzia de ligações e 15 horas depois Maxi López , 26 anos, está do outro lado da linha. Feliz, de muito bom humor, nove gols (um deles de bicicleta, domingo passado) e duas assistências em 14 jogos, o camisa 11 do Catania deixou o Grêmio, mas o Grêmio continua na sua pele, Porto Alegre no seu imaginário e o sul do Brasil no seu futuro.

Ontem, depois de um treino com bola em dois turnos na belíssima cidade barroca portuária da Ilha da Sicilia, (350 mil habitantes), vizinha do ativo vulcão Etna, o goleador, acomodado num sofá, conversou com a coluna durante mais de 20 minutos.

Maxi começou com água na boca. Entendi. Era hora do jantar na Itália. Falou da excelente culinária italiana, dos frutos do mar e do bom restaurante de carne argentina na cidade.

– Mas eu prefiro o churrasco de Porto Alegre – diz, entre risos.

Ele tem saudade da Capital, que o tratou tão bem.

– Gosto muito da torcida do Grêmio.
Vivi um momento muito legal na cidade no ano passado.

Quando o assunto é o Brasil, Maxi López tenta projetar seu futuro. Ele quer voltar um dia ao Estádio Olímpico, vestir outra vez a camisa tricolor, se possível na Copa Libertadores da América.

– Quero jogar dois, talvez três anos mais na Europa e depois voltar a Porto Alegre. Fiz um ano incrível. Não esqueço jamais.

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Confira trechos da entrevista de Maxi:



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Maxi López saiu do Grêmio em dezembro do ano passado, não voltou na pré-temporada com o técnico Silas. Dia 4 de janeiro, anunciou que estava fora. Dia 22, era jogador do Catania.

Ele segue acreditando que poderia ter permanecido no Grêmio, que poderia tê-lo contratado em outubro, novembro e ou mesmo em dezembro. A direção deixou tudo para a última hora, e o centroavante se mudou para o primeiro mundo do futebol – sonho de 10 em cada 10 jogadores da Argentina, do Brasil ou de qualquer país das três Américas. Ele saiu magoado.

– Não gostei muito como o Grêmio manejou a situação. Esperei até o último momento…

Ele repete:

– … Sempre até o último momento, buscando uma solução para dar um jeito de ficar. Não gostei de muita coisa. Mas o mais importante é que ficou o carinho da torcida.

– Quem não queria Maxi López?– eu pergunto da Redação de ZH, de onde faço as perguntas.

Ele dá os nomes dos seus desafetos gaúchos. São dois:

– Sempre tive respeito e carinho, mas creio que caras como Krieger (André Krieger, ex-diretor de futebol) e o Meira (Luiz Onofre Meira, atual diretor de futebol) são caras que não fazem bem ao Grêmio. Não gostei de duas ou três coisas… Bom, agora sou do Catania, estou tranquilo. Em algum momento vou voltar, mas sem caras como o Meira.

Na ácida critica aos dirigentes, Maxi López não coloca na mesma turma o presidente Duda Kroeff.

– O Duda (o dirigente que o trouxe para o Tricolor) é gente fina “pra caramba”.

Maxi fala bem do ambiente no vestiário azul na temporada passada, elogia seus ex-colegas, o técnico Paulo Autuori, o auxiliar Marcelo Rospide e ainda manda “parabéns” a Borges, o jogador que ocupou o seu lugar, o centroavante que Meira buscou no São Paulo.

– É bom atacante. Está fazendo gols.

O argentino não esquece do segundo Gre-Nal decisivo, domingo.

– O Grêmio no Olímpico é forte. A lembrança do Gre-Nal (o do Centenário, 2 a 1, segundo gol dele, dia 19 de julho de 2009) que fiz no Olímpico é incrível. Tomara que o Grêmio seja campeão.

Maxi pretende visitar Porto Alegre nas férias, em junho. Ficar um dia, dois, e de alguma forma saudar os gremistas, rever amigos, abraçar ex-colegas no Olímpico:

– Fiquei enamorado da torcida gremista
– encerra, antes do abraço final.



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Dunga e seus 23

17 de abril de 2010 86

Se não houver surpresas, como Neymar ou Ronaldinho, saiba como estão os jogadores da possível lista do técnico para a Copa:

GOLEIROS

JÚLIO CÉSAR
O número 1 de Dunga sente a irregularidade da Inter, de Milão. Em jogos contra o Chelsea, nas oitavas de final da Liga dos Campeões, e na derrota para Roma, determinante para a perda da liderança do Italiano, Júlio César falhou. Mas ainda é o melhor goleiro do mundo.

DONI
Apesar da ótima campanha da Roma, Doni vive sua pior temporada. Perdeu a titularidade para o compatriota Júlio Sérgio e sofreu com lesões.

VICTOR
Continua como um dos melhores goleiros do país, mas ainda busca a sua forma de 2009. Dunga oscila entre Victor e Gomes, um dos melhores da sua posição na Inglaterra.

LATERAIS-DIREITOS

MAICON
É o terceiro jogador no ranking de assistências no Italiano, com oito. Perde apenas para Ronaldinho (13) e Cossu (12), do Cagliari. E fez seis gols, um bom número para um lateral. Ele se machuca pouco. Dos 48 jogos da Inter na temporada o camisa 13 não atuou em apenas quatro.

DANIEL ALVES
É um dos melhores jogadores de um dos melhores times da história recente. Como Maicon, dá passes e se encontra na terceira posição em quantidade de assistências, no Espanhol. Fez sete passes que resultaram em gol. Fica atrás de Messi, com nove. Marcou três gols na temporada pelo Barça.

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ZAGUEIROS

LÚCIO
Chegou nesta temporada à Inter e se tornou rapidamente um dos líderes do time. O capitão da Seleção é fundamental na defesa de Mourinho – menos vazada do Italiano. Lidera, disparado, o ranking de interceptações do Italiano.

JUAN
Depois de sofrer com seguidas lesões, conseguiu uma boa sequência de jogos. Atuou em 21 dos 33 jogos da Roma na Liga Calcio. Sua presença em campo tem relação direta com a liderança da Roma.

LUISÃO
É responsável pelo melhor setor defensivo do Campeonato Português. Em 26 jogos o Benfica sofreu apenas 14 gols. Ergueu a Taça de Portugal pelo Benfica.

THIAGO SILVA
No Milan, integra o segundo melhor setor defensivo do Campeonato Italiano. Após uma fase de adaptação, sua técnica é comparada com a de Maldini.

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LATERAIS-ESQUERDO

GILBERTO
É fundamental no esquema tático do Cruzeiro, mas nunca como lateral-esquerdo. Usa a camisa 10. Atua como meia.

MICHEL BASTOS
Onde menos atua é na lateral. É meia direita. Mas troca de lado constantemente com o argentino Delgado. Ficou alguns jogos na reserva, mas hoje é um dos responsáveis pela histórica campanha do Lyon na Liga dos Campeões, pega o Bayern nas semifinais. Marcou 9 gols em 26 jogos na temporada.

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VOLANTES

GILBERTO SILVA
É reserva no Panathinaikos, da Grécia. Menos mal que seu time foi campeão grego. Havia seis anos que o Olympiacos era campeão. Deve sair depois da Copa.

FELIPE MELO
Foi contratado nesta temporada pela Juventus. Começou bem, mas a partir da surpreendente eliminação na Liga dos Campeões em casa, quando a Juve foi goleada por 4 a 1 pelo Bayern, ele foi perdendo espaço. Foi reserva, mas ganhou a titularidade de novo. É um dos jogadores mais faltosos do Campeonato Italiano.

JOSUÉ
Ainda vive do prestígio adquirido com o título alemão inédito da temporada passada. Nesta, o Wolfsburg decepcionou na Liga dos Campeões, sendo desclassificado na primeira fase, e se encontra na oitava colocação na Bundesliga a cinco pontos da zona de classificação à Liga Europa. Continua sendo o capitão do time.

KLÉBERSON
É o termômetro do time do Flamengo, peça fundamental do esquema de Andrade. A equipe carioca se classificou em primeiro lugar na Taça Guanabara e na Taça Rio. Na primeira, perdeu nas semifinais para o Botafogo. Na segunda, enfrenta novamente o Botafogo, mas na final.

RAMIRES
Na sua primeira temporada longe do Brasil conquistou a titularidade no Benfica. Disputou 22 jogos e marcou quatro gols. Fez boa campanha na Liga Europa. Ergueu a Copa de Portugal. É titular absoluto.

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MEIAS

ELANO
Titular no Brasil, ele saiu da reserva do Manchester City para jogar no Galatasaray, da Turquia. Antes, pediu sugestão a Dunga, que deu o ok decisivo para a transferência meses atrás. Seu futebol anda discreto. Irregular.

JÚLIO BAPTISTA
Reserva na Roma, entra em algumas partidas, mas não é a primeira opção do técnico Claudio Ranieri. Júlio passou por Arsenal e Real Madrid, teve várias oportunidades, mas nunca ganhou vaga, seja no meio ou no ataque.

KAKÁ

A fase de Kaká é tão ruim que ele foi vaiado pela torcida do Real Madrid. Uma pubalgia impede que ele treine forte. Sem um perfeito preparo físico, suas atuações ficam abaixo da média. Fez só 29 jogos, com oito gols. O melhor jogador de Dunga encontrou a sua pior fase na Europa.

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ATACANTES

LUÍS FABIANO
O melhor atacante da Seleção não faz uma boa temporada no Sevilla. As lesões atrapalharam suas performances. Marcou apenas 10 gols na Espanha. Jogou pouco.

ROBINHO

Voltou ao Santos depois de um período muito difícil no banco do Manchester City, na Inglaterra. Ganhou fácil a vaga de titular na Vila Belmiro, mas ainda não brilhou como na década passada. Hoje, é obscurecido por Neymar e Paulo Henrique Ganso. Ainda busca sua melhor forma física.

ADRIANO

Está gordo, fora de forma. Treina pouco e tem jogado menos ainda. Seus problemas pessoais continuam interferindo diretamente nas suas performances. Adriano não consegue mais se concentrar apenas no futebol.

NILMAR

Decepcionou no Villarreal. Fez só 10 gols no campeonato. Esteve na reserva, voltou e ainda não engrenou. Retraído, ele ainda não conseguiu se integrar totalmente ao grupo do seu time, que estacionou no meio da tabela.

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Victor numa estrada de mão única

10 de abril de 2010 60

O Grêmio lançou o Projeto Victor, quer o goleiro até 2017, a torcida faz coro, mas o jogador enxerga a Europa depois da Copa e encontra a Fiorentina como opção de futuro.

Você leu em primeira mão aqui, cinco dias atrás, as informações iniciais do até então quase secreto “Projeto Victor”. Você sabe assim que o clube espera segurar o seu goleiro até 2017. Sabe que Victor pularia dos seus quase R$ 100 mil mensais de hoje para mais de R$ 200 mil no novo contrato. É um suculento salário, digno dos melhores centroavantes, dos meias mais criativos, dos zagueiros especiais.

Salário de goleiro mais substancial no país só mesmo o de Rogério Ceni. É no goleiro do São Paulo que o Grêmio se espelha para segurar Victor de azul. Ceni ficou famoso, rico e multicampeão defendendo o time desde 1990. Victor tem contrato até 2013.

O Grêmio quer entregar a definitiva chave de ouro da pequena área a um dos melhores goleiros da história do Estádio Olímpico, inaugurado em 1954. A torcida exige que a direção gaste todos os neurônios em busca de uma solução e treme só de pensar que seu goleiro sinta o desejo de ver um carimbo estrangeiro no passaporte – apesar da nova frustração de quinta passada, do fracasso na Taça Fábio Koff.

“A Europa é um caminho”

E o que fala Victor Leandro Bagy, 27 anos, paulista de Santo Anastácio, desde o dia 19 de dezembro de 2007 em Porto Alegre?

– Não sei.

Como assim?

– Ainda é cedo, não posso adiantar meu futuro. Não consigo, não agora, não na véspera da Copa do Mundo da África do Sul. A ideia do Grêmio é superlegal, me sinto valorizado. Foi uma surpresa muito positiva. O carinho dos gremistas é demais. Me emociono.

Mas você sabe por que o melhor jogador do Grêmio dos últimos dois anos ainda não se decidiu? Ou se decidiu não quer falar?

Porque a Europa está no seu horizonte, clara como o dia, tranquila como o sono. Não pense que Victor necessita de ar espanhol, italiano ou inglês para respirar melhor ou que ele desdenhe um oceano de paixão gremista.

Nada.

É que Victor e os outros 99% dos brasileiros que nascem para a bola, crescem com a bola nos pés com um sonho único, sejam eles nascidos nas favelas cariocas ou na classe trabalhadora paulista: jogar na Europa. Correr no Santiago Bernabéu, em Old Trafford ou no Allianz Arena é realização de uma vida inteira.

– Não no Estádio da Luz (do Benfica), em Lisboa? – eu pergunto.

– O interesse do Benfica não é de hoje. Eu sei. A Europa é um caminho – ele afirma.

– É caminho desde quando? – eu insisto.

– Acho que o Luizão (zagueiro do clube português, colega de Victor na Seleção) andou falando qualquer coisa por lá… (risos) – ele responde.

O destino de Victor pode ser Florença. A Fiorentina o quer desde 2009, fez proposta, deve colocar R$ 15 milhões em cima da mesa – R$ 7,5 milhões para o Grêmio que tem 50% dos direitos federativos do atleta.

O empresário do goleiro, Fábio Mello, é o mesmo de Réver, e o Grêmio o conhece melhor do que Victor e Réver somados. O presidente Duda Kroeff fez tudo para o zagueiro continuar tricolor. Mas empresário de futebol ganha dinheiro quando o jogador troca de clube. Eles são ágeis, articulados e decididos. Não têm interesse em deixar o jogador muito tempo numa mesma equipe. Não é boa ideia, não para os empresários.

Um goleiro como Victor pode ganhar no seu primeiro ano de Europa um salário de R$ 500 mil mensais, algo proibitivo para cofres gaúchos. O jogador quer ir, o empresário faz força, o clube europeu o adula. Quem resiste? Ninguém.

Não há na história do futebol brasileiro dos últimos 20 anos um só jogador que tenha resistido ao assédio do futebol europeu – leiam-se euros.

Victor não agirá diferente. E ninguém pode culpá-lo. Ele deve sair do Olímpico na janela de agosto. Seu empresário prefere vendê-lo agora, valorizado. Sua convocação ainda é um risco. Ninguém conhece o nome dos dois goleiros de Dunga depois do titular Júlio César.

Se você perguntar se ele vai ou fica, Victor repete:

– Não sei.

“Ainda estou em evolução”

Victor mora em Porto Alegre com a noiva, Gisele. Ele se acha um cara caseiro, pacato, que se derrete com uma boa moda de viola. Ao fundo, na entrevista por telefone, se ouve os ruídos da cadelinha Alícia. A dachshund foi uma exigência de Gisele, sua companhia durante as constantes viagens do jogador.

Dias atrás eu conversei com o goleiro Gomes (do Tottenham e cotado para a Seleção), e ele falou muito bem de Victor. Desfilou elogios.

– O Gomes é boa gente. Foi colega de quarto na Copa das Confederações na África do Sul no ano passado.

– Você está pronto para Copa?

– Olha, tenho trabalhado ao máximo. Quero ser convocado. Estou bem. Eu trabalho para ser reconhecido. As minhas atuações falam por mim. Você concorda?

Eu digo que sim e faço outra pergunta:

– Você é um goleiro pronto?

– Não, ainda sou um goleiro em evolução.

– Quando você soube que a torcida gremista o considerava um goleiro especialíssimo?

– Foi no dia 3 de agosto de 2008 numa partida contra o Vitória. Creio que fiz grandes defesas. A torcida gritou meu nome, cantou e naquele domingo o Grêmio manteve a liderança no Brasileirão.

Victor não é um goleiro espalhafatoso, voador.

– Acho que falho pouco, tenho regularidade. Meus pontos fortes são a saída de gol e a colocação.

Victor pode ter menos de 30 dias como jogador do Grêmio se for convocado para Copa e se apresentar em maio. Pode não voltar.

A Europa é irresistível.

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Edu procura seu futebol europeu

27 de março de 2010 46

Luís Eduardo Schmidt, 31 anos, puxa a cadeira estofada e ocupa uma das mesas de um café localizado num dos largos corredores do BarraShoppingSul. Pede um In Love, café com leite condensado, no começo da tarde de sexta-feira. O vaivém das compras começou.

Os porto-alegrenses passam, à esquerda, à direita, e não o reconhecem.

Deveriam?

Camisa preta, óculos escuros, pendurados num dos botões de cima, ele espicha as pernas e acomoda os tênis de grife, tamanho 41, sob a mesa. Luís seria outro Luiz qualquer, como eu, não fosse ele o Edu, atacante do Inter – um paulista do Interior formado entre os garotos do São Paulo, companheiro de Ronaldinho nas seleções de base da CBF e nos Jogos Olímpicos de Sidney, que atuou nove anos na Espanha, entre o Celta e o Betis, com 250 partidas no currículo europeu e 60 gols.


“N
unca me escondi. Sei que posso colaborar”

Mas o Edu do Inter não é referência para a torcida vermelha, nem um dos rostos mais conhecidos do clube, que esgrima uma das suas mais graves crises dos últimos anos. Desde agosto do ano passado no Estádio Beira-Rio, Edu fez 20 jogos, marcou três gols. A média não é boa, é fraca, e o jogador concorda. Se ele tivesse vindo direto da sua Jaú natal, tudo bem, mas ele chegou sem escalas do Primeiro Mundo.

A cobrança, assim, regula com o tamanho das exigências do Gigante da Beira-Rio. Edu sacode a cabeça e diz:

– A readaptação de um brasileiro na volta é difícil. Não conheço ninguém que tenha voltado e jogado seu verdadeiro futebol de cara. É preciso um tempo.

– E por que você não está jogando o que pode e sabe? – eu questiono.

– A temporada 2008/2009 foi muito difícil. Sofri uma lesão. Joguei pouco, perdi a sequência, oito meses sem usar uma chuteira. Cheguei ao Inter em agosto de 2009, não fiz pré-temporada. Depois sofri nova lesão muscular. Parei um tempo, voltei aos poucos e ainda não consegui ser o jogador importante que fui nos outros clubes. Sempre tive o reconhecimento das torcidas. Nunca me escondi.

– Que tipo de jogador você é? – pergunto.

– Alguém útil ao grupo, capaz de fazer gols, mas de oferecer assistências também. Gosto de passar. Eu me alegro com o passe.

– Você está feliz?

– Não, claro que não. Ninguém pode estar legal quando o time não ganha. Jogador de futebol só está bem quando as vitórias acontecem. Mas não posso perder a confiança. Todo mundo está ciente de que as coisas não estão dando certo. Estamos tentando. Eu tento.

– Por que não está dando certo?

– Que pergunta… O conjunto não está respondendo bem.

– E você?

– Eu acho que fui bem no jogo com o Cerro. Em Quito, apesar da altitude, entendo que não fui mal. Na derrota para o São José, é difícil falar. É a sequência que eu falo… Não adianta jogar só uma, duas, quatro partidas… Sei o que posso fazer, sei que posso colaborar.


“A
torcida precisa entender: eu não sou um Nilmar”

Em pouco mais de 200 dias com a camisa do Inter, Edu encontrou três treinadores diferentes, Tite, que não o conhecia bem, Mário Sérgio, que trabalhou com ele rapidamente no São Paulo, e Jorge Fossati, que o acompanhava na Espanha. Aos três precisou se apresentar, explicar as funções táticas que poderia fazer e as que “gostava” de fazer.

Na Europa, ele foi centroavante em raras ocasiões. Sempre jogou como um atacante aberto pelo lado esquerdo (em certas partidas Rafael Sobis era quem corria pelo lado direito), um jogador que entrava na grande área com facilidade, batia bem de pé direito, marcava gols de cabeça e servia de garçom.

– Eu atuava num sistema 4-2-3-1. Jogávamos com dois atacantes abertos, que voltavam, e abasteciam o centroavante. Muita gente diz que eu não posso jogar ao lado do Alecsandro, que nós somos jogadores com as mesmas características. Não é verdade. Sou um jogador de movimentação. Mas a torcida precisa entender, antes, que eu não sou um Nilmar. Comparações são injustas.

Alecsandro, Taison, Walter, Marquinhos, Damião e Kléber Pereira são os que precisam chamar o gol de seu. Edu está entre eles, mas a crise técnica do time embaralhou os nomes. Ninguém sabe quem é titular, reserva. A única pista é que Walter se transformou no cara da vez. Os outros seis atacantes giram em torno dele.

– Ainda não exibi no Rio Grande do Sul o mesmo futebol que mostrei na Europa.

Edu vive numa panela de pressão. Sabe que joga mais, mas sabe também que a torcida está desconfiada, os dirigentes incomodados, o técnico indeciso. Ele entende. A vida de jogador de futebol é um recomeço diário. No Inter, ele precisa começar de uma vez por todas.

O tempo está se esgotando.

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Willian Magrão: joelho bom, cabeça boa

20 de março de 2010 33

Willian Magrão está ao telefone esbanjando confiança antes de um treino pós-jogo no meio da semana em Porto Alegre:

– Estou apto para jogar. Posso correr 90 minutos. Quero jogar.

Ele para, pensa uns segundos e diz:

– A bola está com o Silas…

– E a cabeça, como vai? – eu pergunto.

– Me sinto normal.

– Normal? Como assim?

– É. Não fico lembrado da lesão toda a hora. Não tenho o mínimo receio da dividida. Só confiança. Vontade.

Mas o Magro, como o chamam no Olímpico, não joga uma partida inteira entre os titulares desde fevereiro de 2009. Uma lesão no ligamento cruzado anterior do joelho direito roubou um ano da sua carreira. Deveria parar seis, sete meses. Voltou depois de nove meses, quando jogou alguns minutos contra o Palmeiras. Só iniciou uma partida oficial no dia 3 deste mês no Interior.

Em janeiro, retornou de férias, sentiu desconforto no mesmo joelho e não conseguiu fazer a pré-temporada na Serra. Um ano, três meses e seis dias depois, ele começa a buscar de verdade um lugar entre os 11 preferidos de Silas. Ele é todo gás.


Dois mil e oito havia sido a temporada quase perfeita de Willian Henrique Antunes, 23 anos, nascido em Mogi Mirim, a 160 km da capital São Paulo – no Grêmio desde 2005. Eleito um dos melhores homens de meio-campo do país em 2008, imaginava duplicar sua fama na Libertadores do ano seguinte. Ele e Rafael Carioca fizeram uma das melhores duplas azuis de meio-campo das últimas décadas.

Os torcedores o recompensaram com aplausos. Carioca foi vendido aos russos – agora voltou ao Vasco. Magrão ganhou novo salário e um contrato até 2012.

– Perdi uma grande oportunidade de aparecer na América inteira, ser visto na Europa. A lesão foi uma infelicidade. Antes, recebi sondagens da Europa. Mas eu mirava a Libertadores. Era uma chance de valorização.


O baque físico (e emocional) no precário gramado do Avenida, em Santa Cruz, seguido do anúncio da necessidade de uma cirurgia delicada, o fez mergulhar em alguns dos dias mais deprimentes da sua vida. O joelho estourado não saía um segundo do pensamento.

– Minha noiva (Michele) me ajudou. Busquei minha mãe (Rita) e meus irmãos (Richard e Keite) no interior de São Paulo. Eu precisava de apoio. Fiquei muito em casa, grudado nos DVDs. Viajei. Nos finais de semana, me tocava para Gramado e Canela. Minha família gostou demais. Foi uma grande lição de vida, aprendi muito com a lesão. Cresci como pessoa.

– A recuperação de um volante é mais demorada. Ele não pode escolher bola no jogo, precisa entrar em todas, deve marcar. Sua volta é complicada, é necessário cuidado. O volante que passa por uma cirurgia só reencontra o seu nível técnico após seis meses do seu retorno aos treinos. O Magrão está ótimo. Só depende do ok do Silas para jogar – garante o médico do Grêmio Márcio Bolzoni, responsável pela cirurgia.

Hoje, Magrão vive no interior revolto de um oceano de jogadores de meio-campo: Ferdinando, Adilson, Maylson, Fábio Rochemback, Joilson, Henrique, Douglas, Fernando, Leandro, Mythiuê, Hugo e Souza.

Todos querem um lugar nas três posições do setor. Quem já viu todos, nunca viu um só igual ao volante Willian Magrão. Ele mesmo aproveita e se define:

– Eu marco bem, tenho vigor físico, passo bem, consigo me aproximar do ataque e ainda tento chutar a gol.

Willian Magrão é um jogador quase completo.
Sua mobilidade impressiona. Se tivesse um chute certeiro, por certo, veríamos um jogador diferenciado.

Pergunto se ele prefere jogar na primeira ou na segunda função do meio-campo:

– Sou sincero, tanto faz. Jogo nas duas posições. Me adapto bem em qualquer uma, basta uma sequência de jogos.

Ferdinando e Adilson estão na frente de Magrão nas nem sempre certas contas de Silas. Magrão é apenas o terceiro volante na hierarquia tricolor em março de 2010.

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A revolução começou no futebol: torcida do Manchester quer o clube de volta

13 de março de 2010 22

O Brasil começa a deixar agora a pré-história do futebol fora de campo, em parte orientado por alguns visionários profissionais de marketing – como os do Corinthians e do Inter. Na Europa, o futuro corre em campo desde os anos 1990. Na Inglaterra, porém, o terceiro milênio não parece tão feliz como os grandes investidores anunciavam ao atrair os maiores clubes para a Bolsa de Valores de Londres.

Em Manchester, por exemplo, uma revolução promete oferecer ao futebol profissional um caminho distinto dos atuais. Fãs declarados do Manchester United e o atual dono do clube, o bilionário americano Malcolm Glazer, 81 anos, lutam abertamente pelo controle do United, fundado em 1878.

Setenta e oito mil fiéis seguidores, entre eles milionários e empresas de outros milionários, do clube mais popular das ilhas britânicas estão por trás dos Red Knights (Cavaleiros Vermelhos) que, por sua vez, controlam o fundo financeiro Must (Manchester United Supporters Trust). É o Must, com a assessoria financeira do banco japonês Nomura, que pretende comprar o United da família Glazer. A sede do grupo fica ao lado da casa de 75.769 lugares do time, o Estádio Old Trafford – que os locais denominam “Teatro dos Sonhos”.

O problema é um só. Os Glazers tiram fortunas do clube e investem em outros negócios. O Must quer que dinheiro permaneça no clube e que os investimentos sejam feitos também em novos jogadores. Já levantou R$ 2,6 bilhões. Os Glazers não conhecem e não gostam de futebol, preferem o futebol americano e enxergam no clube uma maneira de engordar a fortuna de cerca de R$ 3,5 bilhões da família.

A família Glazer adquiriu o United em 2005 por R$ 3 bilhões e não quer vender as suas ações. Na época, parecia tudo bem. Mas hoje sabe-se que as libras brotaram de discutíveis empréstimos bancários. As dívidas, mais juros, foram passadas ao clube. Cresceram.

O United é o clube mais rentável da Inglaterra, mas os R$ 140 milhões anuais do lucro são gastos no pagamento dos juros das dívidas (R$ 2,18 bilhões). Cristiano Ronaldo foi vendido por R$ 213 milhões no ano passado. Nem o total, nem parte do dinheiro, foi destinada a um novo craque. Os fãs protestam pelo custo dos ingressos dos jogos. Um bilhete médio anual em Old Trafford pulou de R$ 1,3 mil para R$ 1,9 mil.

O advogado Eduardo Carlezzo, diretor do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo, acompanha o caso de perto. Ficou surpreso com a mobilização dos torcedores, mas não acredita na venda:

– A família Glazer fechou o capital, depois de comprar 100% das ações do clube. Qualquer negócio passa por eles. Acho que só vendem se a pressão dos ingleses for insuportável – explicou.

Quando você vê cachecóis, bandeiras, chapéus e camisas verde e amarelo entre os vermelhos do United nos jogos saiba que é um protesto. O Newton Heath que deu origem ao United, usava as mesmas cores. O protesto é simbólico. Os fãs buscam os valores tradicionais do clube.

Veja no vídeo:

O adesivo “Ame United deteste os Glazers” está em todos os lugares em Manchester, no noroeste do país. A Grande Manchester tem 2, 5 milhões de habitantes.

O United soma 330 milhões de torcedores no planeta. Vende 6 milhões de camisetas por ano. No Brasil, é o terceiro time estrangeiro no gosto da torcida, depois do Milan e do Barcelona (pesquisa da TNT Sports). Sua nova patrocinadora, AON, pagou R$ 60 milhões para ver o nome na camisa a partir de agosto.

A revolução começou.

O fã quer o clube de volta. Deseja no comando alguém que saiba o real significado de um grito de gol.

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Mário Fernandes: “Meu futuro é na zaga”

05 de março de 2010 47

Mário Fernandes ainda é alto e magro. De perto, parece ter menos que o seus 1m87cm, sustentado em 79 quilos. Ele ri como um menino. Brinca o tempo inteiro.

Parece um garoto do bem.

Seu alvo, dois minutos depois que eles tomaram assento numa sala da Redação de ZH, é o melhor amigo, Saimon, convocado ontem para a seleção sub-19. Mário não parece tenso por estar no meio de mais de cem barulhentos jornalistas desconhecidos às 14h de uma quinta-feira de trabalho diferente do seu.

– Ainda consagro esse cara, o Saimon (risos). Nos rachões (treinos) eu vivo colocando o guri (risos) na cara do gol.

Com os mesmos 19 anos, Saimon, antes sério, experimenta um sorriso. A sala do jornal passa a ser a sala da casa da dupla.

Mário Fernandes é o melhor zagueiro do Grêmio
, custa 13 milhões de euros e seu futuro é a Europa, talvez na concorrida janela de agosto, e a Seleção, depois da Copa da África. O promissor Saimon ainda aguarda a sua chance. Há os que acham (eu entre eles) que os dois deveriam jogar juntos no meio da zaga dos azuis neste começo de temporada. Mas técnico não confia em zagueiro jovem. Só nos imberbes que jogam no meio ou no ataque.

A zaga central é o ímã de Mário.
A lateral (ala) onde jogou nos últimos oito meses, como uma das grandes revelações do Brasileirão 2009, não interessa mais:

– Eu falei com o Silas. Fui procurá-lo. Disse que a lateral não me interessava mais. Quero jogar na zaga.

– E o técnico Silas? – eu questiono.

– Ele entendeu. Mas disse que eu preciso disputar a posição com os outros zagueiros, que o Grêmio contratou um lateral.

– O que significa que você pode ser reserva. Ok? Você está preparado para enfrentar um banco, se for o caso?

– Claro. Mas eu tenho capacidade para ser titular no meio da zaga. Preciso de mais experiência, claro, e sequência de jogos na posição. Necessito corrigir meu posicionamento, melhorar a impulsão, mas sei que tudo se resolve nos treinos.

– Dizem que você não tem corpo de zagueiro. Que precisa de mais massa.

– Ok, sou magro, mas não vou bater de frente com o Adriano. Ele me jogaria lá no fosso. Posso antecipar. Sei me antecipar.

Saimon, todo sério, com ar de capitão, atalha a conversa e diz:

– O Mário sabe antecipar. É uma das suas melhores características. Parece que ele pressente o lance no jogo. Vê a jogada antes do atacante.

Mário Fernandes tem um ano e meio como profissional. Antes foi lateral, zagueiro, meio-campo, centroavante e, na várzea, goleiro. Foi ainda pivô no futsal.

Você jogaria como volante?

– Jogo – ele ri, alto – Jogo em qualquer uma, mas prefiro ser zagueiro. É onde posso render mais. É o meu chão. Vou brigar pela posição.

– Mas zagueiro precisa tomar café da manhã – eu rio (Silas falou que Mário precisa se alimentar melhor, que sempre pula uma das principais refeições do dia).

– Quando eu estou em casa, não tomo mesmo. Moro sozinho e acordo tarde. Mas nas concentrações, hotéis ou nas viagens, sempre gosto de um bom café da manhã.

– E a sua família? Tudo bem?

– Meus pais são separados. Tenho duas irmãs e um irmão. Meu irmão, Jonatam, mora em São Paulo e é centroavante das categorias de base do Corinthians.

– Bom de bola?

– Melhor do que eu (risos)…

Mário não se alonga na conversa sobre a família, nem quer falar da confusão que o fez fugir do Estádio Olímpico e voltar a São Paulo em março do ano passado:

– Passou. Acabou. Foi uma lição de vida.

Pergunto sobre Walter, que abandonou o Beira-Rio, se trancou em casa e não quer voltar. Ele pensa. Fala:

– Vai ver ele precisa de um tempo para ele mesmo…

Mudo de assunto, pergunto sobre as propostas europeias:

– Não sei de nada. Não há nada concreto.

– Você vale mesmo R$ 30 milhões?

– É muito dinheiro. Não sei… Nunca pensei na quantia. Um zagueiro…

– Mas o José Mourinho (técnico da Inter, de Milão) gosta de você, viu uns DVDs.

– Tô sabendo… Na Inter joga o Lúcio, de quem eu gosto muito.

Sem namorada, sem falar inglês, Mário gosta de jogar boliche, de um McDonald’s, (porque não vem de outro planeta), e de passear na Calçada da Fama. Mas gosta mesmo é de jogar de zagueiro:

– Meu futuro é na zaga.

——–

Veja os bastidores da entrevista:

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Exclusivo: Nilmar volta em cinco anos

27 de fevereiro de 2010 48

Na província espanhola de Castelló, na cidade de Villarreal, na sua nova casa, Nilmar conversou comigo por e-mail, falou da sua adaptação na Europa, do time, da Copa da África, do Inter e da saudade de Porto Alegre.


Villarreal na cabeça

“Iniciamos mal, é pura verdade. O estilo que o time foi acostumado a jogar durante muito tempo mudou bastante no início desta temporada (agosto) com o novo treinador (Ernesto Valverde, já demitido). Ao menos isto é o que os jogadores que estavam aqui sempre dizem nas nossas conversas sobre futebol. O antigo treinador, Manuel Pellegrini, que hoje dirige o Real Madrid, ficou cinco temporadas no Villarreal, jogava de uma maneira que só agora, com a mudança do treinador (Juan Carlos Garrido assumiu semanas atrás) voltamos a apresentar. Acho que estamos melhorando e vamos melhorar mais ainda.”

Treinos na Espanha

“Olha, estou me sentindo muito bem, embora no Villarreal treinemos menos que no Brasil. Mas sempre, depois dos treinamentos, eu procuro trabalhar um pouco mais por minha própria conta. Os treinamentos são diferentes, mas bons, com muita intensidade e pouco tempo. Nos jogos, sempre atuo na minha posição, o que é bom.”

Copa da África

“Acho que eu só posso me prejudicar se achar que já faço parte da lista final, que já estou lá, que minha vaga é certa. Até a convocação final ainda tem muita coisa para acontecer. Então, estou muito concentrado no meu trabalho, apesar do mau momento do time. Mas venho fazendo gols, algo que para um atacante é importante. Sei que o Dunga está acompanhando o futebol europeu com toda a atenção. Depois, quando estou na Seleção, procuro aproveitar cada minuto de treinamento e de jogos para mostrar que tenho condições de disputar um Mundial.”

Favoritos do Mundial

“Acredito que, apesar da crise financeira que afetou alguns clubes europeus, o futebol deste continente permanece com nível muito alto. A seleção da Espanha, que acompanho de perto, tem jogadores de muita qualidade. Xavi e Iniesta, no meio-campo, e Torres e Villa, no ataque, desequilibram. A Espanha é forte candidata ao título na África. A Itália, última campeã, não acompanho muito. Mas, como todos sabemos, seu futebol de muita aplicação tática vem dando resultado. Na África, acredito mais no futebol da Espanha e da Argentina, depois do Brasil, lógico.”


Cinco melhores

“Não vejo hoje na Europa, apesar dos grandes jogadores que estão espalhados por todos os países, ninguém melhor do que Messi, Iniesta, Xavi (do Barcelona) e Kaká e Cristiano Ronaldo (do Real Madrid).”

Volta ao Brasil

“No momento, não penso em voltar ao meu país, ao Inter. Estou muito feliz e bem adaptado na Espanha. É uma nova etapa na minha carreira. Quero curtir, aproveitar. Quanto ao tempo de permanência no futebol europeu, é difícil saber, antecipar. Minha vontade é de ficar, no mínimo, cinco anos, na Europa. Mas sabe como é que é, né, Zini. Fica difícil falar do futuro. Não posso antecipar nada.”

Fora de campo

“No começo é sempre mais complicado, você sabe. Tudo novo, morando em hotel, procurando casa, rodando, se informando… Pra mim, cá entre nós, que ninguém nos leia (risos), essa é sempre a parte mais chata. É preciso correr para um lado, para o outro, visitar um monte de casas e apartamentos. Agora já esta tudo arrumado, encontrei uma casa legal e assim fica bem mais fácil organizar a vida.

Na Espanha, fico muito em casa porque treinamos só pela manhã. Como moro na praia e no inverno não tem muita coisa para fazer, costumo viajar com minha mulher para Valência e Barcelona, que é aqui do lado, e fazer umas comprinhas (risos).”

Novos amigos

“Me dou muito bem com o Marcos Senna, que joga comigo e mora na Espanha desde a década passada. Conheci alguns espanhóis muito legais. Sempre assamos um churrasco gaúcho, ops, paranaense (risos). Mas sinto falta dos amigos gaúchos e de familiares. Jantares em casa em Porto Alegre eram frequentes. Tenho saudade dos organizados na casa dos meus sogros. Faz falta a gostosa rotina que criei durante dois anos aí no Sul. Ah, está batendo uma saudade danada agora…”

Saída do Inter

“Não vejo muita diferença se eu ficasse no Inter ou saísse naquele momento (julho de 2009). O que vai me levar à Copa será o meu desempenho dentro de campo. Nada mais. É difícil saber se o Inter poderia ter sido campeão de 2009 comigo. Não tem como saber. Mas, claro, eu tentaria ajudar, mas não sei se seria o suficiente para ser campeão.”

Libertadores

“Estou na torcida pela Libertadores. O Inter tem chances. Mesmo de longe, tô sempre ligado nos jogos.”

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