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Posts na categoria "Copa 2010"

Espanha total

12 de julho de 2010 0


Depois de 30 dias, 64 jogos, a 19ª Copa do Mundo é da Espanha. Título justo, mas a Holanda venceu seis partidas e só caiu no 116º minuto da decisão. Perdeu sua terceira final. A Holanda não desiste, nem vai desistir. Seu futebol é referência, é ninho de grandes jogadores.

Campeã da Euro 2008, com a base do Barcelona, melhor time da década no continente, a Espanha chegou no Mundial como favorita e ainda assistiu à Holanda eliminar o Brasil, outro favorito. Depois, encontrou os holandeses na final, venceu e ganhou sua primeira Copa.

A taça fica na Europa.

Sai de Roma, alcança Madri.

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Paixão com tristeza: "Nunca senti nada igual"

11 de julho de 2010 0


Paulo Paixão tem falado direto com Dunga.

– É uma tristeza... – confessou sexta-feira ao telefone, voz ainda em busca do tom normal.

– Ninguém esperava uma derrota assim... – repete. – Ninguém, ninguém...

Um consola o outro, mas as palavras, qualquer uma, não são suficientes para esconder a dor de cada um. Sejam ditas ao vivo, cara a cara, ou pelo celular.

O experiente preparador físico da Seleção, quatro Copas no currículo, campeão mundial, nunca havia recebido baque igual como o da desclassificação na fria noite de 2 de julho, em Port Elizabeth. Entre todas as suas mais variadas decisões, jamais viu um grupo tão demolido num vestiário depois de uma derrota em quase 30 anos de futebol.

– Nunca me envolvi com um grupo igual, tão unido, tão decidido. Foi uma pena. Olha, foi um dos meus melhores trabalhos. E o grupo queria, Zini, posso dizer que queria muito esta Copa.

Sobre o seu futuro na Seleção, Paixão não sabe. Eu sei que ele está alerta, que deseja mais aos 59 anos de idade, que não se esconde de novos desafios. A futura comissão técnica será formada a partir da contratação do técnico, em três semanas. É o treinador que escolhe o preparador físico.

Paixão não recusaria um novo convite. Sempre conseguiu conciliar seus trabalhos nos clubes com a Seleção. Paixão sempre foi unanimidade na CBF. Ele saiu ileso da Copa. Recebeu elogios pelo trabalho que dotou Kaká de resistência física após seis meses de departamento médico no Real Madrid.

– É o Felipão? – eu pergunto.

Ele diz que falou com Felipão no final de maio, antes da pré-temporada da Seleção, em Curitiba, quando estava com a delegação gremista em Goiânia. Conversaram por quase uma hora. Ainda no Uzbequistão, o técnico falou que iria assumir o Palmeiras em breve e pediu conselhos. Ganhou. Como foi uma conversa pessoal, o amigo de Felipão foi o primeiro a saber que ele voltaria ao Brasil em julho. Guardou o segredo.

Neste domingo, Paixão começa a gastar seus últimos dias de folga na Europa. Terça-feira, em Moscou, será homenageado pelos dirigentes do CSKA pelos serviços prestados ao clube (2007/2009). Paixão deixou entusiasmados seguidores na Rússia, preparadores físicos locais usam os métodos do brasileiro em diferentes clubes do país. Ele volta ao trabalho com o abrigo do Grêmio no final da semana que vem.

Neste domingo, na decisão da Copa do Mundo da África do Sul, onde ele poderia estar, como na de 2002, o preparador físico não arrisca um favorito. Gosta do futebol da Holanda, de defesa compacta, com um jogador especial, Robben, e do precioso toque de bola da Espanha, um time que se conhece.

A final é uma faca no coração. Cada vez que ele vê ou lê as palavras “final de Copa”, bate uma tremenda tristeza em Paixão, tão gigantesca que às vezes parece que ele está tonto.

– Ainda não sei como definir a intensidade da minha tristeza. Nunca senti nada igual...

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Nova Era Maradona acaba na África

03 de julho de 2010 9

"Surra mundial", choraram os argentinos.

"Vitória de campeão", gritaram os alemães.

Os dois estão certos.

Todo o restante do planeta, que dedicou um pedaço do sábado para assistir à eletrizante goleada da Alemanha sobre a Argentina na belíssima Cidade de Cabo, tem quase certeza que nasceu o campeão da Copa do Mundo da África do Sul. A 19ª Copa do Mundo terá um novo dono dia 11 e deve atender pelo nome de Alemanha, um tricampeão sedento pelo Tetra.

Os 4 a 0 não foram demais. Apenas espantaram. A diferença entre os dois times, no papel, não é tão grande. Em campo um abismo dividiu as duas seleções cheias de história.

As duas seleções já haviam disputado cinco partidas em Copas, com três vitórias alemãs. As últimas, aliás, ocorreram exatamente nas quartas de final de 2006, nos pênaltis, e na decisão de 1990. A única vitória argentina aconteceu na final de 1986, com Maradona em campo.

A Alemanha achou um gol aos 3 minutos de jogo com Müller, a maior revelação da Copa. Quem faz o primeiro gol, normalmente ganha. Mais organizados, melhor orientados, esbanjando juventude, preparo físico e jogo coletivo, os alemães dominavam os argentinos, que não conseguiam entrar na sua grande área.
Especulavam o contra-ataque, quase definiram a partida ainda no primeiro tempo e o jogo só ficou no 1 a 0 pelo detalhe. No segundo tempo, os três gols nasceram com a naturalidade absoluta dos times que controlam um jogo. Schweinsteiger foi o nome do jogo, fez fila no terceiro gol, mandou no meio-campo. Messi foi uma decepção, volta sem um gol na bagagem.

A Argentina, por sua vez, tragicamente repete a campanha da Copa de 2006: venceu o México nas oitavas e foi eliminado pelos alemães nas quartas. Maradona usou outra vez um time ofensivo demais, sem cuidados defensivos, abandonado os zagueiros nas mãos de apenas um volante. Confiou na qualidade técnico e no brilho pessoal dos seus jogadores. Bateu de frente no futebol coletivo dos europeus. Bateu e caiu.

A 2ª Era Maradona, como a 2ª Era Dunga, se encerrou na África do Sul. Maradona, como os argentinos temiam, não foi na decisão o técnico que muitas imaginavam. Um treinador capaz de ler o jogo com a certeza dos estrategistas. Como Dunga, Maradona sai nas quartas de final. Não vai deixar saudade.

A Argentina, como o Brasil, precisa recomeçar.

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O Homem de Cristal apareceu

02 de julho de 2010 19

Dois jogos em 90 minutos.

No 1º, deu Brasil, 1 a 0, dominando, controlado a decisão. Fez 1 a 0.
No 2º, a Holanda mandou, fez dois gols, ganhou.

A Holanda repete 1974 em 2010. Despachou o Brasil.

Sneidjer foi o responsável pelos dois gols, achou um, depois de um cruzamento e com a ajuda de Felipe Melo e Julio César, fez o outro de cabeça. Com 1m70cm de altura, o holandês cabeceou com a tranquilidade dos gigantes no meio da grande área brasileira.

Sneidjer foi um dos nomes do jogo. Robben foi o nome e o sobrenome do jogo. O Homem de Cristal, apelido de Robben pela sequência de lesões, mandou no jogo, desequilibrou a defesa, envolveu o meio-campo e fez Dunga trocar Michel Bastos por Gilberto. Ele se moveu pelo campo inteiro, driblou, lançou, chamou as faltas.

Foi o melhor em campo.

Perder em quartas de final de Copa do Mundo é sempre um baque. O Mundial parece que foi feito para o Brasil vencer. Ganhou cinco em 19. Mas a Holanda foi superior, mostrou um time mais equilibrado. Vitória sem contestação. Foi o 24º jogo sem derrotas da Holanda.

O Hexa fica para o Brasil, em quatro anos. De preferência sem Dunga, que assistiu ao jogo, não fez as melhores substituições, foi apunhalado por Felipe Melo que entrou na Copa pedindo um cartão vermelho. Ganhou no jogo mais decisivo, depois de agredir o grande jogador de Holanda e Brasil nas quartas de final da Copa do Mundo da África do Sul.

Robben, o Homem de Cristal, fez o que Cruyff também fez. Ganhou do Brasil, 36 anos depois.

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Holanda não tem medo do Brasil

30 de junho de 2010 10

A Holanda é sempre uma seleção mágica em todos os sentidos. Na maneira de jogar, com seus ponteiros, seus craques, sua filas de Cruyff, Gullit, Van Basten,  Berkamp, Robben e etc, seus técnicos ofensivistas, sua paixão pelo futebol.

O pragmatismo é dom dos vizinhos europeus. Nunca da Holanda.

A Holanda é uma seleção vistosa, é o Brasil da Europa, mas sem os cinco títulos mundiais.

Poderia estar exibindo três, 1974, 1978 e 1994. 1998?

A Laranja Mecânica, inventada na década de 1970, caiu em todos os Mundiais. Matou o Brasil uma vez, foi dinamitada duas vezes.


A Holanda tem até um Pelé, guardada as proporções. Cruyff revolucionou o futebol e foi um dos cinco maiores jogadores do planeta de todos os tempos. Tem time célebres, como o Ajax que mandou na Europa em diferentes temporadas.

O holandês é como o brasileiro. Gosta de futebol bem jogado, detesta retrancas, adora os craques, aplaude de pé o drible, o bom passe, o gol de letra. Ama dois ponteiros, vaia o lateral que é apenas lateral. Pega no pé direito do volante que insiste em apenas marcar.

A Holanda, ao contrário de outras seleções do mundo, não teme a Seleção Brasileira.
Joga igual, defende e ataca com o que tem. Não fica atrás, não espera. Não é como o Chile, que ataca mais ou menos e não defende nada bem.

Por ser o Brasil europeu, a Holanda acha que joga o mesmo futebol dos trópicos. Esquece que precisa gerar craques dos seus 17 milhões de habitantes com a mesma rapidez e quantidade que o adversário de sexta, que os pescam quase todos os anos em quase 200 milhões de pessoas. É pelo fato de a Holanda não temer o Brasil, independentemente do seu carregamento (ou não) de craques, que o Brasil teme a Holanda. Se a Argentina treme, a Holanda não treme. O perigo vive aí. A Holanda sabe que pode e tem seleção para vencer o Brasil.

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Outro jogo, outro erro, das nossas vidas

27 de junho de 2010 3

A espera durou 17 dias e 50 jogos. No 51º, o planeta arregalou os olhos. Observou o grande jogo da Copa do Mundo da África do Sul. Alemanha e Inglaterra fizeram uma partida espetacular, com cinco gols, emoção a cada minuto, grandes jogadas, brilhos individuais e um erro da arbitragem que vai ser lembrado por muitas gerações de fãs.

Com 2 a 1, jogo indefinido no final do primeiro tempo, a Inglaterra no ataque, tentando o empate, Lampard chutou de fora da grande área, a bola bateu no travessão, voltou a gramado, superou a clássica linha do cal. Gooool. Trinta e duas câmeras notam o gol e deram o replay do gol. Gol legal, límpo e transparente.

O árbitro uruguaio Jorge Larrionda, um escrivão de 42 anos, mandou o jogo seguir com se fosse um imperador de antigamente, dono da vida e da verdade. O bandeirinha Mauricio Espinosa que corria desatento ao lado do juiz também não viu a bola entrar. Continuou com a postura de quem viu uma jogada absolutamente natural. Se os 51 milhões de habitantes da Inglaterra (30 milhões na frente da TV) enlouqueceram, os 82 milhões de alemães sorriam e lembraram de 1966. Riram muito mais alto. Eu ouvi os risos. 

Medo do passado

Quarenta e quatro anos atrás, Geoff Hurst acertou o travessão e a bola bateu no poste e roçou a linha do gol. Não havia 32 câmeras, o jogo ainda não era planetário. Gol?

O juiz suíço, Gottfried Dieust, consultou o seu bandeira russo. Deu o gol.

Os alemães juram que não foi, os ingleses dizem que foi, sim senhor, e o mundo ainda não sabe ao certo depois deste tempo todo.

Os ingleses jamais se esquecerão deste último domingo de junho de 2010.

E jamais deixarão de perseguir Larrionda, que a partir de agora terá sua vida devastada pelos tablóides ingleses. A mídia sensacionalista inglasa ganhou um novo inimigo. O juiz uruguaio será perseguido pelo resto da sua vida. Seu nome será sinônimo de coisa ruim nas ilhas britânicas.

A nova geração

Fora o lance inacreditável, a Alemanha foi melhor, mereceu a vitória, exibiu uma seleção mais compacta, mais veloz e com melhores jogadores. Campeã da Europa nas categorias Sub-17, 19 e 21, os alemães buscaram os principais talentos da nova safra e os mesclaram com a geração que ficou em terceiro lugar na Copa do Mundo de 2006. Um deles é o jovem Thomas Muller, 20 anos, uma das revelações do torneio e legítimo sucesso de Ballack, ao lado do colega Özil.

Os ingleses, ao contrário dos históricos adversários, que fazem o maior clássico de seleções da Europa (o mesmo que o nosso Brasil e Argentina representa para as Américas), desembarcaram na África com uma geração superada, cansada. Perdedora.

Lampard, Gerrard e Rooney, que voam na Premier League, se transformam em jogadores comuns no English Team. O técnico Fabio Capello, mais de R$ 1 milhão por mês de salário, não renovou, não descobriu novos talentos e ficou nas oitavas de final.

Deve ser demito por justa causa, mas vai espernear, chamar Larrionda de "o grande vilão do futebol inglês do novo século".

A Inglaterra pega o avião de volta.
A Alemanha surfa na nova e boa onda de novo favorito para vencer a primeira copa do continente africano.

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Itália encontra fundo do poço

24 de junho de 2010 1

A surpreendente queda da Itália, ainda mais que a da França, mostra como as falhas de dois técnicos experientes podem liquidar duas seleções tradicionais em Copas do Mundo em apenas 270 minutos. A dupla não se move sozinha, se movimenta com o apoio das suas respectivas federações, respondem aos presidentes das entidades, cada um na sua, mas têm licença para longos voos. Podem ousar.

Fico com Marcelo Lippi, campeão do mundo na Copa da Alemanha. Esqueço Raymond Domenech, vice no mesmo torneio.

Lippi ganha quase US$ 1 milhão por mês. Foi chamado depois do fracasso da Itália na Euro 2008. Foi recebido como esperança. Foi saudado como o salvador. Ele ganhou todos os títulos possíveis, da Copa da Itália passando pela Liga dos Campeões e até uma Copa do Mundo.

O que a esperança italiana fez?

Nada, quase nada, zero se a seleção italiana for analisada. Convocou errado.

Os melhores atacantes do país estavam longe da África do Sul, como Cassano e Balotelli, um que é inventivo, capaz da jogada diferenciada, do toque de qualidade. Lippi insistiu com atacantes sem qualidade, meros definidores.

Não é culpa de Lippi se a Itália não produziu um novo Toti e outro Del Piero, se Pirlo estava fora de forma, machucado, se Cannavaro envelheceu, se Buffon, um dos três melhores goleiros do mundo precisou abandona a Copa.

Mas é dele a falta de apresentar no Mundial uma equipe tão limitada, tão quadrada, tão sem criatividade, tão burocrática. Lippi se defendeu, quando precisou atacar no desespero levou três gols em 90 minutos. Achou que o seu ferrolho venceria outra vez. Perdeu. Não entrou nem na fase do mata-mata, onde, talvez, levada pela sua camisa, a Itália pudesse jogar o que não sabe.

Com quatro títulos mundiais, dona de uma torcida que ama o futebol, de um campeonato nacional que encanta o planeta, menos que antes, mas ainda conserva um certo charme, a Itália precisa se reinventar. Chegou ao fundo do poço, como disse Gattuso. Ficou em quarto lugar no Grupo F, atrás até da Nova Zelândia. Fez o fiasco do novo século.

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Seleção vence e convence o fã

20 de junho de 2010 7

O Brasil não é uma Seleção. É um time. Dunga não priorizou os craques. Abraçou o coletivo.

Na vitória contra a forte e, às vezes, desleal seleção da Costa do Marfim não apareceu apenas o futebol da equipe. Nasceu, ao menos na Copa, a individualidade. Duas, por sinal.

Primeiro Luís Fabiano, autor de dois gols, um deles muito bonito, mas com a ajuda dos dois braços. Não foi um Maradona, mas bebeu na mesma fonte da esperteza, comum no futebol.

Antes e depois, o mundo observou o renascimento de Kaká. Se ele não foi brilhante, teve lampejos de craque, especialmente com dois passes para o primeiro e o terceiro gols do Brasil. Kaká fez a sua melhor partida na Copa. Foi o melhor do Brasil, mesmo com os dois gols de centroavante de Luís Fabiano.

Gostei do Brasil. Notei um time compenetrado, bem organizado, atento ao sistema defensivo, saindo e defendendo em bloco. Sofreu um pouco no primeiro tempo com a força dos africanos, se acalmou depois do gol, venceu o jogo com alguma tranquilidade depois. Não se intimidou com as pancadas do adversário. Kaká, nervoso demais, foi expulso. Logo ele, um jogador que joga em paz.

O francês Stephanne Lannoy ajudou e prejudicou. Não viu os braços de Luís Fabiano no segundo gol, nem a violência africano. Viu demais ao expulsar Kaká. Vai ver o Boeing de volta para a França. Juiz com erros tão graves não pode apitar jogos decisivos numa Copa do Mundo.

O Brasil jogou bem, afastou a má impressão da estreia, ganhou de um time forte e recuperou a confiança do torcedor. Pode melhorar mais, mesmo sem grandes craques, mesmo que a Seleção se porte mais como um time de futebol.

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Do que se ressente a África do Sul

20 de junho de 2010 3

A Copa do Mundo da África do Sul recebeu cinco seleções do seu continente, além da equipe do país-sede. Das seis, só a Argélia conta com um treinador com passaporte africano. Todas as outras chamaram estrangeiros – um deles do Brasil, o experiente Carlos Alberto Parreira.

Entre os seis técnicos, quatro são europeus, como Lars Lagerback (foto menor), duas Copas como discreto treinador da Suécia. As federações não falam, mas jornalistas locais admitem que os técnicos africanos, em sua grande maioria, não são respeitados pelos jogadores – especialmente os que chegam ricos da Europa.

Além dos treinadores estrangeiros, importados sem critérios, o futebol africano se ressente da falta de investidores e da ausência de um trabalho de base com os jovens. Na África do Sul, o número de campos de futebol na periferia das cidades impressiona. É possível notar crianças, jovens e adultos praticando o esporte sem os equipamentos adequados, às vezes calçando apenas um tênis velho.

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Nem Dunga gostou do Brasil

15 de junho de 2010 13


Você esperava mais?

Eu esperava bem mais.

Muito mais porque a Coreia do Norte não está entre as cem melhores seleções do mundo, não visita um Mundial desde 1966 e tem escassas chances de intercâmbio.

A Seleção Brasileira foi burocrática e previsível. Estancou na marcação forte da Coreia do Norte. Insistiu em entrar pelo meio da defesa, congestionada com cinco homens. Seus melhores momentos foi quando consegui atacar pelas pontas, que é o melhor caminho para abrir as defesas.

Faltou talento aos 11 de Dunga. O craque Kaká afundou na marcação outra vez. Que fim levou o jogador que foi o número 1 do mundo três anos atrás?

Os dois gols nasceram de duas grandes jogadas individuais:

1) Maicon entrou pela direita e, quase sem ângulo, detonou um direitaço no desprevenido goleiro adversário, 1 a 0.
2) Robinho, numa lançamento magistral, encontrou Elano livre na grande área, pronto ara o disparo final, 2 a 0.

O gol coreano, no final do jogo, nasceu de outro belo lançamento, mas pegou o lado direito da zaga brasileira olhando as estrelas desde o Ellis Park.

Foi a estreia, o nervosismo pega, a gente entende.
Mas sabe também que a Costa do Marfim tem mais qualidade e força dos que coreanos. Todos os brasileiros têm certeza de que os africanos serão mais difíceis e, depois, Portugal ainda mais. A verdadeira Copa do Mundo ainda não começou para o Brasil. Acho que nem Dunga gostou da sua Seleção. O verdadeiro Brasil ainda precisa dizer quem é na África do Sul.

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Com Kaká é bem melhor

15 de junho de 2010 12

Na Seleção, Kaká, 28 anos, soma 76 partidas oficias, com 27 gols, desde o começo da década. Na história das Copas do Mundo, em 2002 e 2006, fez seis jogos, marcou somente um gol.

Kaká é de uma linhagem brasileira quase exclusiva, a dos craques, dos atletas que alcançam o Olimpo da Fifa, que são chamados, ao menos durante um ano, de número 1. Ele foi o grande nome planetário de 2007, seguido de Cristiano Ronaldo (2008) e Messi (2009).

Três anos depois, o Brasil inteiro vê na Seleção um só craque, Kaká
, sobrevivente da geração de Rivaldo, Ronaldinho, Ronaldo, que a idade já engoliu. Ao fazer uma Seleção espelhada no esforço coletivo, Dunga deixou Kaká na obrigação de brilhar como o único craque na companhia de ótimos e bons jogadores.

O Brasil se dobra aos pés de Kaká, 200 milhões de torcedores fazem suas preces.

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A verdadeira Dinamáquina está na torcida

14 de junho de 2010 6

Também tem Holanda e Paraguai, por hoje. Amanhã tem mais:



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O mundo particular de Dunga

14 de junho de 2010 24

Ele foi o nome da desgraça em 1990. Ele foi o capitão da glória em 1994. Ele pode repetir o Franz Beckenbauer de 1974 exatos 36 anos depois. Beijar a Copa do Mundo da Fifa como jogador e técnico. Imitar um único e histórico brasileiro, Mário Jorge Lobo Zagallo.

Entre as Copas do Mundo da Itália e a dos Estados Unidos, 48 meses consecutivos, 192 semanas, 1.460 dias e noites depois, Dunga começou a formar um inimigo invisível no interior do seu cérebro. Nomeou a imprensa como adversário número 1. Não cunhou um rosto, escreveu um nome, marcou um sotaque. Somou. Não escolheu jornalistas do Rio, que classificaram a desastrosa Seleção Brasileira de Sebastião Lazaroni como fruto da “Era Dunga”, nem os paulistas, que o atacavam pela sua falta de habilidade em campo, o que não era real, muito menos os gaúchos – que quase sempre estiveram ao seu lado quando ele rasgava os gramados como bom e aplicado volante de chuteiras de travas altas. O gaúcho venera um volante de contenção.

Dunga colocou todos os jornalistas no mesmo e largo saco, jogou sua ira dentro, fechou. Deu um nó bem dado. A aversão de Dunga aos jornalistas brasileiros estava escondida porque ele também andava oculto depois de se aposentar no Inter por força de jogadas espetaculares de Ronaldinho. Coisas do jogo, da bola, da vida de boleiro. Entre as quatro linhas, jovens não respeitam os mais velhos, nem os de insígnias douradas. Corre quem pode, dribla quem tem mais talento. Sofrem os menos dotados em 90 minutos.


REPÚBLICA DAS ESTRELAS

Dunga voltou às primeiras páginas em 2006, quando aceitou liderar a nova e séria comissão técnica da CBF, cansada da República das Estrelas da Copa do Mundo da Alemanha. Foi imediatamente criticado por parte da mídia, pela quase totalidade dos treinadores do país. Ninguém via nele um representante capaz da turma dos “professores”, ainda mais sem experiência em clubes, em categorias de base. Dunga foi saudado como um alien na categoria dos treinadores.

Aos poucos, ancorado por um grupo de fiéis jogadores, o novo e inexperiente treinador foi desenhando um time, uma ideia de futebol, um esquema de jogo, ao lado do seu fiel escudeiro, o ex-lateral Jorginho.

Craque, por ser apenas craque, não tinha vez. Ronaldinho, melhor exemplo, foi murchando aos poucos. Dunga queria mais do que um drible de cinema e duas jogadas de efeito. Queria comprometimento, camisa molhada, carrinho e bola dividida. Ganhou e levantou assim a Copa América, a Copa das Confederações, a liderança das Eliminatórias 2010.

Esculpiu um time de futebol, não uma Seleção Brasileira.

Os europeus estranharam, acusaram a Seleção de pragmática, sem o “futebol samba”, e elegeram a seleção da Espanha como a maior amiga da bola da atualidade.

Na véspera do Mundial, Dunga recompensou os seus valentes com 23 vagas no Mundial da África do Sul. Levou apenas um craque, Kaká. Os outros 22, com exceção, talvez, de Julio César, o melhor goleiro do planeta, são jogadores que o Brasil produz em série quase todos os anos.


GRUPO DE SECADORES

Em Joanesburgo, Joburg, dizem os íntimos, Dunga mostrou nas pasteurizadas entrevistas coletivas que a sua ira continuava intacta, apesar das vitórias recentes. Acusou os jornalistas de “secadores”, como se jornalista fosse torcedor. Jornalista não torce, escreve. Não veste camisa, usa caneta. Em cada pergunta, mesmo a mais sincera ou curiosa, Dunga sempre nota algo oculto. Usa ironia de volante em algumas respostas. Vê fantasma onde há luz.

Dunga vive uma guerra iraquiana com a imprensa. Alimenta-se do conflito, espalha, influencia os jogadores que, nas entrevistas coletivas, repetem as mesmas frases do chefe. A Seleção é um bloco só, na maneira de pensar e de atuar. As entrevistas coletivas não apresentam deslizes ou bolas fora. Ou polêmicas.

Dunga pode vencer a 19ª Copa do Mundo.

Se ganhar vai dizer que levantou a taça sem o apoio da imprensa, que, aliás, não tem o dever de apoiar ninguém. Se perder, já sabemos quem será o culpado.

Dunga vive num mundo à parte. Não sai de lá.

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VÍDEO: um papo com Fernando Becker

11 de junho de 2010 1

Em mais um Copa e Cozinha da Redação, eu converso com o repórter Fernando Becker, que conta um pouco de suas experiências pelos estádios do mundo.

Assistam. Mais vídeos de copa na página VÍDEOS BRASIL NA ÁFRICA.

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VÍDEO: uma conversa com Benfica na abertura do Mundial

11 de junho de 2010 0

Na estreia do Copa e Cozinha da Redação, na abertura do Mundial da África, eu converso Silvio Benfica conversam sobre - claro - Copa do Mundo.

Assistam. Mais vídeos de copa na página VÍDEOS BRASIL NA ÁFRICA.

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A Copa do Mundo e o Gauchão

11 de junho de 2010 4

Esperava um futebol de Terceiro Mundo entre África do Sul e México. Vi.

Aguardava talento de Primeiro Mundo entre Uruguai e França. Não vi.

O primeiro dia de Copa do Mundo foi de um aborrecimento sueco: dois empates, dois gols, um cartão vermelho, um milímetro de emoção.

Foi menos motivador que o começo de um Gauchão em um final de semana de sol e de praia do final de janeiro em terras gaúchas.


De México e África do Sul, meros participantes do Mundial, não esperava nada, zero de qualidade ou de craques. Imaginava um jogo mais emocionante, com mais gols. Esperava, mais aí é fantasia, uma vitória dos Bafana Bafana, só quem esteve na África do Sul pode entender o sentimento dos seus habitantes negros pela sua seleção. É uma torcida do Flamengo com jogadores do Paissandu.

Depois, sintonizei França e Uruguai. Os europeus são de uma pobreza criativa que poderia espantar uma casta inferior na Índia. Claro, um Zidane aparece de século em século, mas seus novos colegas não merecem a camisa que foi sua, de Vieira e de outros. É uma equipe burocrática, lenta e sem poder ofensivo. Quem vê Henry pensa no passado, mas o ontem ninguém alcança mais.


O Uruguai repetiu as Eliminatórias 2010. Plantado, raiz grossa, na defesa, meio-campo marcador, ataque dependente do pé direito de Forlan, um dos melhores chutes do mundo do futebol. Se a bola não chega ao santo pé, o Uruguai fica no 0 a 0, se a defesa com até oito homens suportar o bafo na nuca do adversário.

A Copa do Mundo da África do Sul, acho, deve começar na segunda rodada.

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Bom dia, África

11 de junho de 2010 6


Frágil, alquebrado, pagando cada centavo do preço de quase três décadas de cadeia, Nelson Mandela, 91 anos, pode se materializar hoje na tribuna de hora no Soccer City.

O estádio é um monumento, outro Wembley, Maracanã, Alianza Arena, Azteca.

É palco perfeito. É fortaleza de um ser humano. Se os Ovnis baixassem agora em busca de um exemplar da raça, ergueriam Nelson Madela.

No topo, mãos erguidas, repetindo o gesto característico, 180 mil olhos no estádios, milhões na África do Sul, bilhões no planeta, Mandela deve refletir, nem que seja por um segundo, que num mesmo junho, 47 anos atrás, ele e mais sete camaradas foram condenados à prisão perpétua. A lembrança deve dor, ferir, cortar que nem navalha.

Duas décadas depois de se tornar um homem livre, de se transformar em herói, depois presidente, hoje lenda, Madiba consegue tocar no seu sonho. Nada de revanche, só conciliação, reconciliação. A bandeira do arco íris fala de uma nação de muitas cores e de paz. A bandeira está em todos os lugares. Não a da submissão, a do orgulho.

Mandela observa o mundo localizar facilmente seu país em jornais, rádios, tevês e computadores. Vê a África do Sul como o país-sede da 19ª Copa do Mundo. Nota a África, um continente inteiro, dar um passo rumo ao futuro.

A África do Sul abriu a porta da nação de 47 milhões de habitantes, 80% de negros, a todas as nações. E nunca mais será mesma. A Copa é uma tatuagem. Bonita, colorida, não sai mais, só traz boas lembranças. Dá um caminho, oferece um mapa, aproveita quem pode, colhe os frutos mais tarde quem soube plantar, adubar e trabalhar. A Copa tem o poder de recuperar um país, oferecer novos caminhos, sinalizar outras trilhas.

A Fifa pode enrolar suas pernas com boleadeiras de problemas, mas ninguém pode deixar de levantar e bater palmas pela ideia de desenvolver uma Copa na África do Terceiro Mundo - o Brasil será a próxima e com os mesmos problemas. A Fifa escancarou uma nova janela, onde leões não caminham nas ruas, onde há fome e miséria, mas há também esperança e progressos. Eu vi, vejo, uma África do Sul vibrante. A África do Sul não é a real África, apesar dos seus problemas e tensões.

É apenas a porta de entrada da África real.

É o Estados Unidos do continente. Será a primeira grande potência negra em poucos anos, já que riqueza não falta, o que ainda não existe é uma distribuição de renda mais adequada, uma oportunidade para as novas gerações pós-apartheid.

Uma bola, a África do Sul é uma bola, vai rolar durante 30 dias, murchar e inflar a alma do torcedor. Vai ficar na nossa cabeça depois. Se vai aprender as lições de um Mundial eu não sei. Tomara que sim, depois das desgraça do apartheid, a África do Sul volta ao mundo com a Copa. Volta outra, disposta a mudar, a mostrar que mudou um pouco e que pode mudar mil vezes mais.

Bom dia, África do Sul.

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Por que esconder, Diego?

09 de junho de 2010 0

Decisão de Maradona de fechar treinos da Argentina contraria onda de confiança da imprensa hermana


Eu chego e saúdo o guarda negro e alto de jaqueta escura, as letras HPC (sigla em inglês do Centro de Alta Performance da Universidade de Pretória) bordadas do lado do coração.

– Bafana, Bafana!

É o apelido da seleção sul-africana e significa, em zulu, meninos, meninos.

Ele responde, muito animado:

– Muchachos, muchachos!

Se eu não soubesse, teria certeza: a fortificada concentração da Argentina fica do outro lado da cerca protegida por uma lona verde que corre por centenas de metros. Impede que cerca de 40 jornalistas argentinos, coreanos, chineses e brasileiros sigam a movimentação dos 23 atletas que Diego Maradona escolheu entre os mais de cem que testou desde 28 de outubro de 2008.

O portão retrátil da universidade, lar de quase 40 mil estudantes, está guardado por dezenas de vigilantes particulares e policiais, alguns bem estressados. A entrada é vetada aos jornalistas, que não desistem, aguardam um milagre. Encostados em possantes teleobjetivas, os fotógrafos procuram o foco, que bate na parede da concentração e volta. Não há quem buscar.

– Não entendo, o que será que a Argentina está preparando, uma jogada espetacular? Treinando algo inacreditável?

Atrás da questão de Camilo Martino, 46 anos, percebe-se uma tonelada de ironia. Repórter do Diário Popular, de Buenos Aires, ele não vê razão para barrar a imprensa:

– Os argentinos estão confiantes, esperam grandes atuações. Maradona não precisa esconder o jogo.

Não sabia, nem imaginava que os hermanos estavam tão otimistas. Elias Perugino, 47 anos, experiente repórter da Revista El Gráfico, explica:

– Quem vê o futebol, na África, no Brasil ou na Rússia, sabe que a Argentina tem excelente matéria-prima. Os jogadores chegam à Copa no seu melhor momento. Não foi assim em 2002 nem em 2006.

Peço mais detalhes.

– Messi e Higuaín brilham na Espanha, Milito faz gols toda hora na Itália, Tevez é estrela na Inglaterra. Todo grande time europeu tem um grande jogador argentino.

Há um porém:

– Temos uma defesa fraca, frágil, que precisa de cuidados e um goleiro, Romero, que não é confiável.

A discussão dos repórteres é quebrada pela chegada de dois torcedores com faixas, bandeiras e uma fantasia. Naturais de Córdoba, são os dois primeiros a desembarcar em Pretória.

– Quero ser o mascote oficial da seleção – pede Jonas Testi, 31, suando dentro de uma fantasia de zebra.

A Argentina é zebra?, pergunto.

– Me diz, brasileiro: quem tem melhor jogadores hoje? Me dá outro Messi, mais um Verón? Você já viu o chute do Di Maria?

Bem ao lado, Xavier Isaurralde e Luis Oscar Martinez, de uma rede de TV, começam a preparar o fogo. Compraram a churrasqueira portátil, o carvão e a carne (“muito boa”, garante Xavier) em Pretória.

– A fumaça vai voar. Quem sabe o Maradona sente o perfume do assado e dá um pulo aqui? – brinca Xavier.

– Vou guardar o pedaço dele, bem passado – diz Luis, dando a deixa para Xavier: – Um vazio por uma entrevista exclusiva.

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Por dentro dos estádios da Copa

08 de junho de 2010 0

Para quem não pode ir à Copa, uma novidade: um passeio pelos estádios da Copa pelo computador. Nesta terça-feira, o Google Street View disponibilizou na internet imagens dos palcos que abrigarão os jogos do Mundial, a partir de sexta-feira.

Com a ferramenta, é possível viajar virtualmente pelos estádios e pelas ruas das sedes do torneio.

O clicEsportes selecionou os três estádios que vão abrigar os jogos da Seleção na primeira fase da Copa da África do Sul.

Abaixo, o vídeo que mostra a Trike, a bicicleta do Google que fez as imagens:

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Como eles foram

07 de junho de 2010 29


O Brasil venceu a Tanzânia por 5 a 1 nesta segunda-feira, no último amistoso antes da estreia na Copa, no dia 15, contra a Coreia do Norte. Confira uma análise de cada jogador:

Gomes -
Fez boas defesas, se mostrou tranquilo e seguro. É possível confiar no reserva de Júlio César, o melhor goleiro do mundo.

Maicon - Seja nos treinos ou nos jogos, na defesa ou no ataque, o lateral manda no lado direito da Seleção.

Lúcio - É o zagueiro que dá o equilíbrio ao setor. Foi bem outra vez. Saiu para ser preservado.

Juan - Forma com Lúcio a melhor dupla de zaga do futebol atual. Seguro como de costume.

Michel Bastos - Ainda não se achou na Seleção, erra na marcação e ainda não apoia o suficiente.

Gilberto Silva - Discreto e burocrático. Não fez um bom primeiro tempo.

Felipe Melo - O maior fracasso do amistoso. Foi envolvido pelos atacantes da Tanzânia, não ofereceu a cobertura que a defesa necessita. Errou passes. Comprometeu.

Elano - Se movimentou com sempre, mas sem a qualidade que se espera de um meia.

Kaká - Seu desempenho não é do grande jogador que já foi. Ainda busca a sua melhor forma física e técnica.

Robinho - É o melhor atacante da Seleção, goleador até.

Luís Fabiano - Parece pesado, sem mobilidade e distante da linha de arremate. Precisa de um gol.

Luisão - Jogou 45 minutos, não destoou. É bom zagueiro.

Josué - Entrou no segundo tempo e foi mais útil que Gilberto Silva.

Daniel Alves - Substituiu Elano com vantagem. Deu o passe para o segundo gol de Ramires.

Nilmar - Jogou menos de 15 minutos, quase marcou de cabeça.

Gilberto - Ocupou o lugar de Michel Bastos, marcou mais do que atacou, marcou melhor que o titular.

:: Ops - Faltou a análise de Ramires, na hora de copiar o texto do editor para o corpo do blog. Gracias pelos avisos:
Ramires entrou bem e ofereceu mobilidade ao meio-campo. Mostrou ser um jogador capaz de fazer múltiplas funções. Opção forte para Dunga.

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Dia de treino em Joannesburgo

04 de junho de 2010 3

Depois de oito dias em Joanesburgo, 11 da estreia, a Seleção parece pronta, capaz de enfrentar os primeiros desafios do mundial, Coreia do Norte, Costa do Marfim e Portugal, três adversários em 10 rápidos dias.

Dunga não tem mais dúvidas no seu time. Se Michel Bastos, com uma torção no tornozelo direito, não se recuperar, o treinador chama Gilberto, um lateral esquerdo ainda mais experiente.

Júlio César ainda se recupera de uma pancada nas costas, só que a lesão não tira o sono da Comissão Técnica. Não há qualquer outro problema físico.

Em Curitiba, ainda no final de maio, a Seleção se apresentou com dois problemas, Kaká e Luís Fabiano. Hoje, os dois treinam com a mesma intensidade dos demais colegas e melhoram a cada treinamento. O meia e o atacante garantiram em entrevistas que estarão em plena forma a partir do dia 15, data da estreia do Brasil, que espera os norte-coreanos no Estádio Ellis Park.

Os treinos mostram que os 23 convocados trabalham todos os dias com muita intensidade. À tarde, nos olhos da imprensa mundial, Paulo Paixão faz um longo aquecimento, normalmente usando bola. Depois, Dunga e Jorginho começam os trabalhos táticos, normalmente usando apenas uma parte do campo e pedindo que os jogadores toquem na bola duas vezes. Goleiros trabalham de um lado, zagueiros do outro e homens do meio-campo e atacantes usam um terceiro espaço em campo, como aconteceu nesta sexta-feira.

Quem vê os treinos com atenção observa um grupo totalmente compenetrado. A obediência ao comando de Dunga é absoluta. Não se vê ninguém correndo menos ou reclamando de qualquer coisa, nem de uma possível erro de arbitragem em rachões, dois toques ou coletivos.

Antes dos treinos, os jogadores fazem muitas brincadeiras, riem alto, normalmente em volta uma roda de bobinho, onde um deles precisa correr atrás da bola até conseguir recuperá-la. Não parece, ao menos nos treinos, aborrecidos ou entediados. Pelo contrário, lembram o trabalho de jogadores motivados, unidos em torno de um objetivo.

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Soweto, vuvuzelas e o Brasil

03 de junho de 2010 4

Atrás de uma das goleiras do estádio de Soweto, do outro lado do muro, 22 adolescentes, camisas amarelas contra vermelhas, disputavam um jogo pegado, mas sem um só assistente. Todo o mundo que se interessava por futebol nesta parte do distrito de Soweto, 1,3 milhões de almas, estava concentrado no treino físico do Brasil.

Não havia espaço para outro jogo na atenção de ninguém. Milhares de pessoas ocuparam as cadeiras do pequeno estádio, talvez 3 mil. Foi o primeiro treino aberto do Brasil em Joanesburgo.

A segunda Seleção no coração dos sul-africanos estava em Soweto e a festa tinha local e hora para começar, perto das 16h. A recepção foi espetacular.


Centenas de pessoas esperaram o ônibus da delegação brasileira no portão de entrada do estádio. Cantaram, agitaram bandeiras, dançaram e tocaram as vuvuzelas. A polícia fez um linha de homens para evitar uma aproximação do ônibus dos jogadores.

Dentro do estádio o clima era de festa de título. Os jogadores receberam um carinho inesperado. Foram recebidos como campeões, como se fossem sul-africanos, como se tivessem nascido em Soweto.


No treino, os reservas se movimentaram com a bola, um toque cada, e receberam aplausos, gritos e cantos. As vuvuzelas tocaram sem parar. Aumentaram depois que começou o rachão. Cada jogada era recebida com um grito de exclamação, cada chute, drible, merecia novos “ooooohhh”.

Os fãs do futebol brasileiro, que só conhecem os jogadores da TV, jamais esquecerão a tarde do dia 3 de junho de 2010, oito dias antes da abertura da Copa do Mundo. Eles viram seus heróis de perto. Pagaram seu tributo ao som das vuvuzelas.

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Os pulmões dos Bafana Bafana

03 de junho de 2010 0


Diga uma vez:

- Bafana Bafana.

E você verá o sul-africano abrir um imenso sorriso. Talvez ele acrescente duas palavras ao ouvir o carinhoso apelido da seleção do seu país:

- Vamos ganhar!

O torcedor local, ao menos o de Joanesburgo, maior polo financeiro e industrial do continente africano, está confiante como nunca esteve. Se vê pela quantidade de bandeiras enfeitando carros, estabelecimentos comerciais e residências.

A camiseta amarela é a peça da moda. Os jornais só falam da Copa do Mundo. Os sinais estão até nas igrejas.

O torcedor imagina que a África do Sul pode vencer o Mundial por ser a dona da casa, por ter o técnico Carlos Alberto Parreira (experiente e vencedor), pela motivação espetacular dos jogadores, por ter uma nação atrás da equipe.

Os sul-africanos acreditam em milagres. Pensam que estarão na final no Estádio Soccer City dia 11 de julho.

Cada vez que um político famoso encontra um microfone ao alcance da mão, dia ou noite, sai falando alto da necessidade de o país abraçar a seleção de futebol como nunca aconteceu antes. Diz mais ou menos assim: “se os jogadores acreditarem neles, a nação vai atrás”.

Todos lembram o que Nelson Mandela fez no Mundial de Rúgbi nos anos 1990. Usou o esporte favorito do branco com sangue europeu para chamar a atenção do carente negro africano. Com a união em torno do selecionado nacional de rúgbi, ele quis dizer que as raças podiam ser uma só. África do Sul, a partir daquele momento, começava uma nova etapa da sua história - que o futuro sem preconceito racial, sem vingança, depois que o negro ocupou o poder, não seria apenas possível como totalmente viável na África do Sul.

A voz pela nova união está em todas as cidades províncias, bairros e ruas, mas não chega em todos os ouvidos. Os brancos, em sua maioria, não gostam e não acompanham o futebol. Não sabem que são as grande estrelas da bola no pé e não se preocupam com elas. Muitos têm entradas para assistir aos jogos, mas compraram os tickets porque foram motivados pela Copa e seus astros internacionais. Não devem torcer com o fervor que uma seleção que abriga uma Copa do Mundo merece. Serão meros espectadores.

Rúgbi é o esporte dos brancos, os negros elegeram o futebol. Depois de quase uma semana em Joburg, de dezenas de entrevistas, conversas, tevê, internet e jornal, eu não tenho certeza de que os caras pálidas desta grande, acolhedora e bela cidade gritarão Bafana Bafana com todas as forças dos seus pulmões.

Digo mais.

Eu duvido. Mas ainda creio na força do gol.

Ou como dizem os sul-africanos:

- Laduuuuuma.

Que é a maneira que os negros encontraram para gritar gol.

Ou como eles dizem:

- É o barulho da tempestade.

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VÍDEO: Concentração da Seleção Argentina em Pretória

02 de junho de 2010 0

Diretamente de Pretória, na África do Sul, Luiz Zini Pires mostra o local onde a Seleção Argentina está concentrada. Os jornalistas não tem acesso aos treinos devido ao forte esquema de segurança.

Confira os vídeos:

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Hooligans terão cela especial na Copa

02 de junho de 2010 2

Os hooligans são esperados na Copa do Mundo, mas não são bem-vindos. A Ministério da Justiça da África do Sul, com apoio das forças de segurança da Inglaterra, evitou que um grupo de ingleses, com um passado de arruaças antes e depois de grandes jogos de futebol na Europa, embarcasse para o continente africano via o Aeroporto Internacional de Dubai dias atrás.

O governo inglês tem em seu poder mais de 3 mil passaportes de pessoas identificadas como hooligans. Assim, eles não podem deixar as ilhas britânicas. O problema, no entanto, não é exclusivo da rainha Elizabeth II. Outros países da Europa mais rica, como Alemanha, Itália, Espanha, também têm problemas semelhantes. A polícia dos três países, assim como a inglesa, vão enviar policiais ao continente africano para cuidar dos seus torcedores mais exaltados. A vigilância será diária, 24 horas sem intervalo.

Se alguém escapar do controle, o governo sul-africano promete uma resposta imediata para quem desafiar as autoridades nos estádios ou nas ruas das nove cidades - com 10 estádios, que receberão 64 jogos em 30 dias a partir de 11 deste mês.

Os estádios receberam novas celas, criadas especialmente para o torneio, assim como dezenas de postos policiais. Quem praticar atos de vandalismos em tornos ou no interior dos estádios será preso no próprio estádio. Não dividirá celas ou presídios com os criminosos locais.

O governo da África do Sul promete uma Justiça rápida durante a Copa do Mundo. Criou 56 novas cortes em diferentes cidades da África do Sul. A ideia é a acelerar o processo de julgamentos dos estrangeiros que cometeram algum crime durante o Mundial.

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