Sócrates morreu num final de semana. Justo nos dias em que o Brasil se fecha em casa e se conforta com o futebol da TV.
Nos seus últimos meses, o ex-jogador sonhava com o Brasil, com a Copa do Mundo de 2014, com a televisão e sempre, claro, com o futebol, que fez dele um dos jogadores mais conhecidos das últimas três décadas.
Sócrates queria percorrer o Brasil e mostrar aos telespectadores como as 12 sede do Mundial estavam se preparando para a maior festa do futebol mundial. Não conseguiu.
Agora, a TV é sua testemunha.
Quem quiser saber quem foi Sócrates, no Corinthians, na Seleção e na vida, precisa buscar um canal no controle remoto. Sua história vai se misturar hoje com a espetacular decisão do Brasileirão, 10 jogos de alta temperatura, todos valendo alguma coisa.
A TV, manhã, tarde, noite, madrugada, vai nos lembrar quem foi Sócrates, seus gols, sua comemoração, o braço direito fixo no alto, o punho fechado, os precisos, preciosos e inimitáveis passes de calcanhar, a elegância dos seus lançamentos, os títulos, sua camisa amarela número 8 da Seleção e, sua ação política dentro e fora de campo.
Entre todas as partidas da última rodada nada vale mais do que Corinthians e Palmeiras. Vale o título de 2011. Onze heróis corintianos podem nascer hoje, antes mesmo da volta olímpica de campeão. Ao levantar a taça, caso mirem o firmamento, Sócrates estará lá em cima, já num andar superior, vendo, ouvindo e sentindo tudo.
Sócrates não morreu.
Os jogadores de futebol no Brasil têm este poder.
A torcida faz do craque um santo.
Hoje, em São Paulo, no Brasil, nascerão Pedros e Paulos. Sócrates também.
Um contato mais demorado em Buenos Aires, outro curto na Itália, meia dúzia de ligações e 15 horas depois Maxi López , 26 anos, está do outro lado da linha. Feliz, de muito bom humor, nove gols (um deles de bicicleta, domingo passado) e duas assistências em 14 jogos, o camisa 11 do Catania deixou o Grêmio, mas o Grêmio continua na sua pele, Porto Alegre no seu imaginário e o sul do Brasil no seu futuro.
Ontem, depois de um treino com bola em dois turnos na belíssima cidade barroca portuária da Ilha da Sicilia, (350 mil habitantes), vizinha do ativo vulcão Etna, o goleador, acomodado num sofá, conversou com a coluna durante mais de 20 minutos.
Maxi começou com água na boca. Entendi. Era hora do jantar na Itália. Falou da excelente culinária italiana, dos frutos do mar e do bom restaurante de carne argentina na cidade.
– Mas eu prefiro o churrasco de Porto Alegre – diz, entre risos.
Ele tem saudade da Capital, que o tratou tão bem.
– Gosto muito da torcida do Grêmio. Vivi um momento muito legal na cidade no ano passado.
Quando o assunto é o Brasil, Maxi López tenta projetar seu futuro. Ele quer voltar um dia ao Estádio Olímpico, vestir outra vez a camisa tricolor, se possível na Copa Libertadores da América.
– Quero jogar dois, talvez três anos mais na Europa e depois voltar a Porto Alegre. Fiz um ano incrível. Não esqueço jamais.
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Confira trechos da entrevista de Maxi:
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Maxi López saiu do Grêmio em dezembro do ano passado, não voltou na pré-temporada com o técnico Silas. Dia 4 de janeiro, anunciou que estava fora. Dia 22, era jogador do Catania.
Ele segue acreditando que poderia ter permanecido no Grêmio, que poderia tê-lo contratado em outubro, novembro e ou mesmo em dezembro. A direção deixou tudo para a última hora, e o centroavante se mudou para o primeiro mundo do futebol – sonho de 10 em cada 10 jogadores da Argentina, do Brasil ou de qualquer país das três Américas. Ele saiu magoado.
– Não gostei muito como o Grêmio manejou a situação. Esperei até o último momento...
Ele repete:
– ... Sempre até o último momento, buscando uma solução para dar um jeito de ficar. Não gostei de muita coisa. Mas o mais importante é que ficou o carinho da torcida.
– Quem não queria Maxi López?– eu pergunto da Redação de ZH, de onde faço as perguntas.
Ele dá os nomes dos seus desafetos gaúchos. São dois:
– Sempre tive respeito e carinho, mas creio que caras como Krieger (André Krieger, ex-diretor de futebol) e o Meira (Luiz Onofre Meira, atual diretor de futebol) são caras que não fazem bem ao Grêmio. Não gostei de duas ou três coisas... Bom, agora sou do Catania, estou tranquilo. Em algum momento vou voltar, mas sem caras como o Meira.
Na ácida critica aos dirigentes, Maxi López não coloca na mesma turma o presidente Duda Kroeff.
– O Duda (o dirigente que o trouxe para o Tricolor) é gente fina “pra caramba”.
Maxi fala bem do ambiente no vestiário azul na temporada passada, elogia seus ex-colegas, o técnico Paulo Autuori, o auxiliar Marcelo Rospide e ainda manda “parabéns” a Borges, o jogador que ocupou o seu lugar, o centroavante que Meira buscou no São Paulo.
– É bom atacante. Está fazendo gols.
O argentino não esquece do segundo Gre-Nal decisivo, domingo.
– O Grêmio no Olímpico é forte. A lembrança do Gre-Nal (o do Centenário, 2 a 1, segundo gol dele, dia 19 de julho de 2009) que fiz no Olímpico é incrível. Tomara que o Grêmio seja campeão.
Maxi pretende visitar Porto Alegre nas férias, em junho. Ficar um dia, dois, e de alguma forma saudar os gremistas, rever amigos, abraçar ex-colegas no Olímpico:
– Fiquei enamorado da torcida gremista – encerra, antes do abraço final.
Ex-centroavante da Dupla, Washington marcou 37 gols em 68 jogos pelo São Paulo.
A média de 0,573 por partida o coloca na lista dos 10 maiores artilheiros da história do clube e, mesmo assim, é um dos jogadores mais vaiados do Morumbi.
Alguma semelhança com a situação do nove colorado, o criticado, porém eficiente, Alecsandro (foto)?
Dos 156 gols do Inter em 2009, ele marcou 28, 16 deles no Brasileirão. Mirou a artilharia, mas não a tocou. Adriano e Diego Tardelli, com 19, foram os matadores principais. Alecsandro marcou até agora seis gols no Gauchão, e não atuou em boa parte dos jogos. Na Libertadores, um gol, mas o tento que deu a vitória diante do Emelec.
Mesmo com esses números, o torcedor sempre sonha com outras opções.
A propósito, vai ter gol de Alecsandro hoje à noite?
O Palmeiras lançou em novembro um projeto de sócio-torcedor, o Avanti.
A meta era superar os 100 mil sócios que o líder Internacional conseguiu nessa modalidade. Os dirigentes imaginaram 200 mil seguidores em dois anos.
Até a semana passada apenas 1.844 torcedores haviam se tornado sócios-torcedores do terceiro clube mais popular de São Paulo. Talvez um reflexo do mau momento do time alviverde. Por enquanto, Inter na frente.
Por falar em torcida, o marketing do Inter está aplaudindo de pé os fãs vermelhos. A nova camisa já vendeu mais de 15 mil unidades em fevereiro, mês de lançamento. Um outro modelo especial, que saúda Escurinho, vendeu 4 mil camisas desde dezembro.
A próxima aposta é uma camisa retrô com o histórico número 9 do goleador Flávio Bicudo, ídolo dos anos 1970.
Ronaldo está sentindo a ausência de um companheiro que o coloque em condições de marcar gols. Cobra um garçom no Corinthians.
Lembra de Douglas, hoje no Grêmio, em 2009, nas conquistas do Paulista e Copa do Brasil.
Mano Menezes, que discorda, vai continuar usando o ex-gremista Tcheco. Mais adiante, Mano quer unir Tcheco e Danilo, que se recupera de lesão, juntos na armação, com Ronaldo e Jorge Henrique no ataque.
Pelo jeito, Douglas está com moral no seu ex-clube. E no Grêmio?
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Blog do Zini (ou Bola Dividida) é a coluna do jornalista Luiz Zini Pires. Oferece informações exclusivas, comentários e análises sobre o futebol gaúcho, brasileiro e europeu. Trata dos bastidores do futebol, o que você vê e o que você não vê.
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