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Posts na categoria "Lembreto"

A derrota mais saborosa da história colorada

06 de agosto de 2010 55

O goleiro Renan falhou, o canhoto D'Alessandro, com a ajuda do matador Alecsandro, empatou. Ricardo Oliveira fez 2 a 1.

Foi pouco.

Quase nada, melhor, um zero - 2 a 1 foi a derrota mais saborosa da história do Inter.

O torcedor colorado viveu entre o choro e o riso, misturou os dois, na decisão, nos 90 minutos quase sem fim.

No Rio Grande do Sul, em São Paulo, em qualquer lugar, a decisão da semifinal da Copa Libertadores se transformou num dos maiores e mais dramáticos jogos da história colorada. Com 10, o Inter sofreu o dobro, Tinga foi expulso, a história se repetiu, Tinga havia sido expulso na final contra o mesmo São Paulo no Estádio Beira-Rio.

Na TV, no estádio, o sofrimento foi o mesmo, do primeiro ao último segundo. Valeu o esforço.
Afinal, depois do Morumbi, o aeroporto de Congonhas faz a ponte aérea com os Emirados Árabes Unidos, onde o Inter pode chegar ao bicampeonato mundial - 2006 foi apenas o começo.

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Sem rumo, Grêmio peca pela falta de liderança

31 de julho de 2010 48

O grande problema no futebol gremista é a ausência de uma grande liderança.

Os jogadores, experientes e com salários milionários, não encontram no técnico Silas a real figura do comandante em chefe. Não o respeitam como tal. Fazem o que querem, até brigam no lugar mais sagrado de um clube de futebol, o vestiário.

Na outra ponta, o principal homem de futebol do Grêmio não consegue se fazer notar pelo grupo quando o assunto é disciplina ou liderança.

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Motivação

O impacto da folha de pagamento mensal do Grêmio supera os R$ 4,5 milhões. Vai desembocar nos R$ 5 milhões se Silas for substituído por outro treinador brasileiro em caso de mais uma derrota amanhã.

Hugo, que ganha R$ 260 mil a cada 30 dias, por exemplo, nem sempre está motivado para correr 90 minutos.

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A dupla Gre-Nal na janela: Giuliano sobe, Mário desce

15 de julho de 2010 11

O mesmo CSKA que tirou o preparador físico Paulo Paixão do Inter no final de 2006 lança os seus olhares russos para o meia Giuliano. Tentou uma vez, não levou, já que o Inter valoriza muito o seu jogador. Deve voltar à carga nas próximas semanas.

Com bom retrospecto nas seleções de base da CBF, da sub-15 à sub-20, o paranaense Giuliano, 20 anos, é um jogador cobiçado pelo mercado europeu. Com a lesão de Mário Fernandes, ele passou a ser o alvo número 1 dos estrangeiros.

Giuliano marcou 14 gols em 75 jogos desde 2009.

A cotação de Mário Fernandes, 20 anos, caiu alguns números, não está mais na casa dos 11 milhões de euros que o Grêmio e seus investidores sonhavam. As constantes lesões do jogador, mais a cirurgia no ombro, o retiram do mercado de 2010.

A sua indecisão em se fixar numa posição, zagueiro e lateral, confundiu os possíveis compradores. Aliás, pelo seu porte físico e por não ser muito bom na bola aérea, Mário é observado mais como um lateral, talvez futuro meio-campo, do que propriamente como um zagueiro.

Outro nome valorizado é o paulista Maylson, 21 anos. Com 32 jogos e 11 gols no ano, é um dos nomes do Grêmio da temporada, atua em diferentes posições, tem um senso tático elogiado pelos técnicos, mas ainda precisa se firmar entre os 11 favoritos de Silas.

Maylson é hoje reserva do técnico tricolor.

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Paixão com tristeza: "Nunca senti nada igual"

11 de julho de 2010 0


Paulo Paixão tem falado direto com Dunga.

– É uma tristeza... – confessou sexta-feira ao telefone, voz ainda em busca do tom normal.

– Ninguém esperava uma derrota assim... – repete. – Ninguém, ninguém...

Um consola o outro, mas as palavras, qualquer uma, não são suficientes para esconder a dor de cada um. Sejam ditas ao vivo, cara a cara, ou pelo celular.

O experiente preparador físico da Seleção, quatro Copas no currículo, campeão mundial, nunca havia recebido baque igual como o da desclassificação na fria noite de 2 de julho, em Port Elizabeth. Entre todas as suas mais variadas decisões, jamais viu um grupo tão demolido num vestiário depois de uma derrota em quase 30 anos de futebol.

– Nunca me envolvi com um grupo igual, tão unido, tão decidido. Foi uma pena. Olha, foi um dos meus melhores trabalhos. E o grupo queria, Zini, posso dizer que queria muito esta Copa.

Sobre o seu futuro na Seleção, Paixão não sabe. Eu sei que ele está alerta, que deseja mais aos 59 anos de idade, que não se esconde de novos desafios. A futura comissão técnica será formada a partir da contratação do técnico, em três semanas. É o treinador que escolhe o preparador físico.

Paixão não recusaria um novo convite. Sempre conseguiu conciliar seus trabalhos nos clubes com a Seleção. Paixão sempre foi unanimidade na CBF. Ele saiu ileso da Copa. Recebeu elogios pelo trabalho que dotou Kaká de resistência física após seis meses de departamento médico no Real Madrid.

– É o Felipão? – eu pergunto.

Ele diz que falou com Felipão no final de maio, antes da pré-temporada da Seleção, em Curitiba, quando estava com a delegação gremista em Goiânia. Conversaram por quase uma hora. Ainda no Uzbequistão, o técnico falou que iria assumir o Palmeiras em breve e pediu conselhos. Ganhou. Como foi uma conversa pessoal, o amigo de Felipão foi o primeiro a saber que ele voltaria ao Brasil em julho. Guardou o segredo.

Neste domingo, Paixão começa a gastar seus últimos dias de folga na Europa. Terça-feira, em Moscou, será homenageado pelos dirigentes do CSKA pelos serviços prestados ao clube (2007/2009). Paixão deixou entusiasmados seguidores na Rússia, preparadores físicos locais usam os métodos do brasileiro em diferentes clubes do país. Ele volta ao trabalho com o abrigo do Grêmio no final da semana que vem.

Neste domingo, na decisão da Copa do Mundo da África do Sul, onde ele poderia estar, como na de 2002, o preparador físico não arrisca um favorito. Gosta do futebol da Holanda, de defesa compacta, com um jogador especial, Robben, e do precioso toque de bola da Espanha, um time que se conhece.

A final é uma faca no coração. Cada vez que ele vê ou lê as palavras “final de Copa”, bate uma tremenda tristeza em Paixão, tão gigantesca que às vezes parece que ele está tonto.

– Ainda não sei como definir a intensidade da minha tristeza. Nunca senti nada igual...

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A dupla Gre-Nal em ação na Copa (XI)

08 de julho de 2010 7

Brasileirão – Aos esquecidos, o Grêmio (12º) está distante oito pontos do líder Corinthians, já o Inter (15º) vive 10 pontos longe do primeiro lugar. Mas a Dupla está mais perto da zona de rebaixamento, dois ponto dos azuis, um dos vermelhos, do que da zona da Libertadores 2011.

Rio – O ex-volante Emerson, Grêmio, Seleção, Real Madrid, entre outros, deve ser o novo gerente de futebol do Flamengo.

Urna – O consenso entre situação e os diferentes grupos de oposição nas eleições presidenciais do Grêmio em dezembro é quase impossível.

Passado – O Grêmio 2010 vive em cima de nomes, ainda não alcançou a esperada fase de projetos.

Jogo-treino – Dagoberto fez dois gols na vitória do São Paulo sobre o Pão de Açúcar (4 a 2). Fernandão e Jorge Wagner completaram a goleada.

Euros – A Lazio diz que pode pagar R$ 20 milhões por Hernanes. O São Paulo pensa no negócio.

180 minutos –
Contra Peñarol, em Rivera, e Cerâmica (jogo-treino), o Inter de Celso Roth não marcou um gol sequer.

Aplausos – É impressionante o carinho da torcida colorada para com Paulo César Tinga.

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Outro jogo, outro erro, das nossas vidas

27 de junho de 2010 3

A espera durou 17 dias e 50 jogos. No 51º, o planeta arregalou os olhos. Observou o grande jogo da Copa do Mundo da África do Sul. Alemanha e Inglaterra fizeram uma partida espetacular, com cinco gols, emoção a cada minuto, grandes jogadas, brilhos individuais e um erro da arbitragem que vai ser lembrado por muitas gerações de fãs.

Com 2 a 1, jogo indefinido no final do primeiro tempo, a Inglaterra no ataque, tentando o empate, Lampard chutou de fora da grande área, a bola bateu no travessão, voltou a gramado, superou a clássica linha do cal. Gooool. Trinta e duas câmeras notam o gol e deram o replay do gol. Gol legal, límpo e transparente.

O árbitro uruguaio Jorge Larrionda, um escrivão de 42 anos, mandou o jogo seguir com se fosse um imperador de antigamente, dono da vida e da verdade. O bandeirinha Mauricio Espinosa que corria desatento ao lado do juiz também não viu a bola entrar. Continuou com a postura de quem viu uma jogada absolutamente natural. Se os 51 milhões de habitantes da Inglaterra (30 milhões na frente da TV) enlouqueceram, os 82 milhões de alemães sorriam e lembraram de 1966. Riram muito mais alto. Eu ouvi os risos. 

Medo do passado

Quarenta e quatro anos atrás, Geoff Hurst acertou o travessão e a bola bateu no poste e roçou a linha do gol. Não havia 32 câmeras, o jogo ainda não era planetário. Gol?

O juiz suíço, Gottfried Dieust, consultou o seu bandeira russo. Deu o gol.

Os alemães juram que não foi, os ingleses dizem que foi, sim senhor, e o mundo ainda não sabe ao certo depois deste tempo todo.

Os ingleses jamais se esquecerão deste último domingo de junho de 2010.

E jamais deixarão de perseguir Larrionda, que a partir de agora terá sua vida devastada pelos tablóides ingleses. A mídia sensacionalista inglasa ganhou um novo inimigo. O juiz uruguaio será perseguido pelo resto da sua vida. Seu nome será sinônimo de coisa ruim nas ilhas britânicas.

A nova geração

Fora o lance inacreditável, a Alemanha foi melhor, mereceu a vitória, exibiu uma seleção mais compacta, mais veloz e com melhores jogadores. Campeã da Europa nas categorias Sub-17, 19 e 21, os alemães buscaram os principais talentos da nova safra e os mesclaram com a geração que ficou em terceiro lugar na Copa do Mundo de 2006. Um deles é o jovem Thomas Muller, 20 anos, uma das revelações do torneio e legítimo sucesso de Ballack, ao lado do colega Özil.

Os ingleses, ao contrário dos históricos adversários, que fazem o maior clássico de seleções da Europa (o mesmo que o nosso Brasil e Argentina representa para as Américas), desembarcaram na África com uma geração superada, cansada. Perdedora.

Lampard, Gerrard e Rooney, que voam na Premier League, se transformam em jogadores comuns no English Team. O técnico Fabio Capello, mais de R$ 1 milhão por mês de salário, não renovou, não descobriu novos talentos e ficou nas oitavas de final.

Deve ser demito por justa causa, mas vai espernear, chamar Larrionda de "o grande vilão do futebol inglês do novo século".

A Inglaterra pega o avião de volta.
A Alemanha surfa na nova e boa onda de novo favorito para vencer a primeira copa do continente africano.

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A dupla Gre-Nal em ação na Copa (VI)

27 de junho de 2010 1

Certeza – Walter ainda não foi no Inter o jogador que todos esperavam. Sua venda será um alívio para a direção.

Auxílio – O atacante Emerson, ex-Flamengo, que interessou ao Inter, só foi parar no Fluminense depois que Muricy Ramalho pediu. Insistiu.

Europa – George Lucas, 25 anos, ex-Gremio, deixou o Santos. O lateral-direito vai disputar a Liga dos Campeões com o Braga, vice-campeão de Portugal.

Retorno – Eltinho, que não acertou no Inter, volta ao Avaí e deve enfrentar o Grêmio dia 5, uma segunda-feira, às 21h30min, na última das três rodadas do torneio Copa da Hora, no Estádio da Ressacada, em Florianópolis.

Interrogação – Silas é o único que ainda tem dúvidas na lateral esquerda entre Neuton e Fábio Santos.

Suor – Celso Roth tem se puxado nos treinos no Beira-Rio.

Pós-lesão –
Souza, um dos líderes do grupo gremista, deve voltar só em agosto. Ele ainda não jogou em 2010.

Futuro – Silas quer testar contra o Juventude, dia 10 de julho, o time que enfrenta o Vitória na volta do Brasileirão quatro dias depois no Olímpico.

Futuro – Celso Roth ainda tem 30 exatos dias para reorganizar o Inter. O primeiro jogo da Libertadores será no dia 28 de julho, uma quarta-feira.

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A dupla Gre-Nal em ação na Copa (III)

24 de junho de 2010 2

Mudança – Depois de 11 anos de Cruzeiro, Eduardo Maluf é o novo diretor de futebol do rival Atlético-MG. Maluf revelou que recebeu propostas de Palmeiras, Flamengo, Inter e Corinthians.

Reais – O amistoso entre Grêmio e Nacional, domingo, às 16h, em Rivera, terá a concorrência de Argentina e México. Ingressos: entre R$ 25 e R$ 40.

Voto – O balanço de 2009 do Inter deve ser arma da oposição nas eleições.

Preço – O Porto, de Portugal, aceita pagar algo como R$ 7 milhões por Walter. É meio Rafael Sobis.

Londres – Futuro colega do volante Sandro no Tottenham, Defoe, 27 anos, fez o gol salvador da Inglaterra na decisão com a Eslovênia.

Nome – O Penharol desistiu do ex-colorado Jorge Fossati. Empregou Manuel Keosseian, 56 anos, ex-técnico do Municipal, da Guatemala.

Aquecimento – O São Paulo, adversário do Inter na semifinal da Libertadores, fará três amistosos antes de voltar ao Brasileirão, dia 14 de julho. Espera o Avaí no Morumbi.

Volta – Jornais alemães apontaram a contratação de André Lima como uma das piores da história recente do Hertha Berlin. Preço: mais de R$ 7 milhões.

Ataque – O Inter já esteve bem mais otimista em relação à volta de Sobis.

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Seleção vence e convence o fã

20 de junho de 2010 7

O Brasil não é uma Seleção. É um time. Dunga não priorizou os craques. Abraçou o coletivo.

Na vitória contra a forte e, às vezes, desleal seleção da Costa do Marfim não apareceu apenas o futebol da equipe. Nasceu, ao menos na Copa, a individualidade. Duas, por sinal.

Primeiro Luís Fabiano, autor de dois gols, um deles muito bonito, mas com a ajuda dos dois braços. Não foi um Maradona, mas bebeu na mesma fonte da esperteza, comum no futebol.

Antes e depois, o mundo observou o renascimento de Kaká. Se ele não foi brilhante, teve lampejos de craque, especialmente com dois passes para o primeiro e o terceiro gols do Brasil. Kaká fez a sua melhor partida na Copa. Foi o melhor do Brasil, mesmo com os dois gols de centroavante de Luís Fabiano.

Gostei do Brasil. Notei um time compenetrado, bem organizado, atento ao sistema defensivo, saindo e defendendo em bloco. Sofreu um pouco no primeiro tempo com a força dos africanos, se acalmou depois do gol, venceu o jogo com alguma tranquilidade depois. Não se intimidou com as pancadas do adversário. Kaká, nervoso demais, foi expulso. Logo ele, um jogador que joga em paz.

O francês Stephanne Lannoy ajudou e prejudicou. Não viu os braços de Luís Fabiano no segundo gol, nem a violência africano. Viu demais ao expulsar Kaká. Vai ver o Boeing de volta para a França. Juiz com erros tão graves não pode apitar jogos decisivos numa Copa do Mundo.

O Brasil jogou bem, afastou a má impressão da estreia, ganhou de um time forte e recuperou a confiança do torcedor. Pode melhorar mais, mesmo sem grandes craques, mesmo que a Seleção se porte mais como um time de futebol.

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O que será do amanhã de Roth

14 de junho de 2010 32


Celso Roth se apresenta nesta terça no Beira-Rio. Ele desembarca montado num salário superior ao do defenestrado Jorge Fossati. Seu prêmio por título também é maior, superior ao do uruguaio que levou o Inter às semifinais da da Libertadores.

Roth chega ao Inter como um dos cinco técnicos mais bem pagos no Brasil. Nada contra, o profissional precisa se valorizar.

O Inter é que foi atrás de Roth - o contrário não aconteceu. Roth sempre se valorizou. Roth tem uma enorme, uma cavalar, rejeição no Inter. Normal. Roth não agrada ao torcedor, nem faz questão de ser feliz ao lado dele. Sua carreira é pontuada por reações contrárias dos torcedores ao seu sempre discutido trabalho.

Lembro que no Olímpico, na sua última passagem pelo Grêmio, a terceira, ele era vaiado a cada jogo. Acredito que o treinador nem preste mais atenção na torcida que o hostiliza em diferentes cidades brasileiras. Faz o seu trabalho, vira as costas, embarca no carro e busca seu condomínio. A torcida só paga seu alto salário. Nada mais.

Não sei como Roth pode ajudar o Inter. Ele terá cerca de 40 dias para organizar o time, refazer um esquema tático, o seu querido 3-5-2, ou o 4-4-2 dos sonhos dos cartolas colorados - que Fossati não queria ver nem pintado de ouro.

Técnico nunca faz nada só. Precisa da mão firme dos dirigentes, do apoio e, especialmente, da compreensão do grupo e da paciência, do carinho e das palmas da torcida.

Roth tem ao seu lado os dirigentes (Fossati os teve antes). Precisa conquistar os boleiros. E o vestiário do Inter é famoso pela sua força, pela sua complexidade, pela quantidade de altos salários que abriga. Tem ainda a missão quase impossível de trazer a torcida para o seu lado.

O Inter vai viver dias difíceis. Todos sabem.

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O mundo particular de Dunga

14 de junho de 2010 24

Ele foi o nome da desgraça em 1990. Ele foi o capitão da glória em 1994. Ele pode repetir o Franz Beckenbauer de 1974 exatos 36 anos depois. Beijar a Copa do Mundo da Fifa como jogador e técnico. Imitar um único e histórico brasileiro, Mário Jorge Lobo Zagallo.

Entre as Copas do Mundo da Itália e a dos Estados Unidos, 48 meses consecutivos, 192 semanas, 1.460 dias e noites depois, Dunga começou a formar um inimigo invisível no interior do seu cérebro. Nomeou a imprensa como adversário número 1. Não cunhou um rosto, escreveu um nome, marcou um sotaque. Somou. Não escolheu jornalistas do Rio, que classificaram a desastrosa Seleção Brasileira de Sebastião Lazaroni como fruto da “Era Dunga”, nem os paulistas, que o atacavam pela sua falta de habilidade em campo, o que não era real, muito menos os gaúchos – que quase sempre estiveram ao seu lado quando ele rasgava os gramados como bom e aplicado volante de chuteiras de travas altas. O gaúcho venera um volante de contenção.

Dunga colocou todos os jornalistas no mesmo e largo saco, jogou sua ira dentro, fechou. Deu um nó bem dado. A aversão de Dunga aos jornalistas brasileiros estava escondida porque ele também andava oculto depois de se aposentar no Inter por força de jogadas espetaculares de Ronaldinho. Coisas do jogo, da bola, da vida de boleiro. Entre as quatro linhas, jovens não respeitam os mais velhos, nem os de insígnias douradas. Corre quem pode, dribla quem tem mais talento. Sofrem os menos dotados em 90 minutos.


REPÚBLICA DAS ESTRELAS

Dunga voltou às primeiras páginas em 2006, quando aceitou liderar a nova e séria comissão técnica da CBF, cansada da República das Estrelas da Copa do Mundo da Alemanha. Foi imediatamente criticado por parte da mídia, pela quase totalidade dos treinadores do país. Ninguém via nele um representante capaz da turma dos “professores”, ainda mais sem experiência em clubes, em categorias de base. Dunga foi saudado como um alien na categoria dos treinadores.

Aos poucos, ancorado por um grupo de fiéis jogadores, o novo e inexperiente treinador foi desenhando um time, uma ideia de futebol, um esquema de jogo, ao lado do seu fiel escudeiro, o ex-lateral Jorginho.

Craque, por ser apenas craque, não tinha vez. Ronaldinho, melhor exemplo, foi murchando aos poucos. Dunga queria mais do que um drible de cinema e duas jogadas de efeito. Queria comprometimento, camisa molhada, carrinho e bola dividida. Ganhou e levantou assim a Copa América, a Copa das Confederações, a liderança das Eliminatórias 2010.

Esculpiu um time de futebol, não uma Seleção Brasileira.

Os europeus estranharam, acusaram a Seleção de pragmática, sem o “futebol samba”, e elegeram a seleção da Espanha como a maior amiga da bola da atualidade.

Na véspera do Mundial, Dunga recompensou os seus valentes com 23 vagas no Mundial da África do Sul. Levou apenas um craque, Kaká. Os outros 22, com exceção, talvez, de Julio César, o melhor goleiro do planeta, são jogadores que o Brasil produz em série quase todos os anos.


GRUPO DE SECADORES

Em Joanesburgo, Joburg, dizem os íntimos, Dunga mostrou nas pasteurizadas entrevistas coletivas que a sua ira continuava intacta, apesar das vitórias recentes. Acusou os jornalistas de “secadores”, como se jornalista fosse torcedor. Jornalista não torce, escreve. Não veste camisa, usa caneta. Em cada pergunta, mesmo a mais sincera ou curiosa, Dunga sempre nota algo oculto. Usa ironia de volante em algumas respostas. Vê fantasma onde há luz.

Dunga vive uma guerra iraquiana com a imprensa. Alimenta-se do conflito, espalha, influencia os jogadores que, nas entrevistas coletivas, repetem as mesmas frases do chefe. A Seleção é um bloco só, na maneira de pensar e de atuar. As entrevistas coletivas não apresentam deslizes ou bolas fora. Ou polêmicas.

Dunga pode vencer a 19ª Copa do Mundo.

Se ganhar vai dizer que levantou a taça sem o apoio da imprensa, que, aliás, não tem o dever de apoiar ninguém. Se perder, já sabemos quem será o culpado.

Dunga vive num mundo à parte. Não sai de lá.

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Koff e Felipão no Palmeiras

13 de junho de 2010 26

Felipão, que disse "não" ao Inter, será o novo técnico do Palmeiras.

O "Projeto Felipão" é uma ideia que o clube vem trabalhando desde a demissão de Muricy Ramalho. O ex-zagueiro Antonio Carlos era apenas um técnico tampão. Assim como os gremistas, os verdes paulistas também sonhavam coma volta de Felipão. Quem fez o meio-campo entre Felipão e o Palmeiras foi o presidente do Clube dos 13, Fábio Koff.

O ex-presidente do Grêmio e Felipão são muito amigos. Conversam com regularidade por telefone, se encontram em viagens, conversam, quando estão em Porto Alegre. A relação entre Koff e o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, era boa. Ficou ótima depois que Belluzzo ajudou o gaúcho na reeleição do Clube dos 13.

Koff falou com Felipão e chegou até a tranquilizar o treinador depois que ele soube que a situação financeira do Palmeiras não era boa.  Koff nunca acreditou que Felipão fosse trabalhar no Beira-Rio. Os amigos gaúchos mais próximos de Felipão, todos gremistas, tinham certeza de que o treinador não vestiria vermelho no Rio Grande do Sul, apesar do contrato milionário oferecido pelo Inter.

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Bom dia, África

11 de junho de 2010 6


Frágil, alquebrado, pagando cada centavo do preço de quase três décadas de cadeia, Nelson Mandela, 91 anos, pode se materializar hoje na tribuna de hora no Soccer City.

O estádio é um monumento, outro Wembley, Maracanã, Alianza Arena, Azteca.

É palco perfeito. É fortaleza de um ser humano. Se os Ovnis baixassem agora em busca de um exemplar da raça, ergueriam Nelson Madela.

No topo, mãos erguidas, repetindo o gesto característico, 180 mil olhos no estádios, milhões na África do Sul, bilhões no planeta, Mandela deve refletir, nem que seja por um segundo, que num mesmo junho, 47 anos atrás, ele e mais sete camaradas foram condenados à prisão perpétua. A lembrança deve dor, ferir, cortar que nem navalha.

Duas décadas depois de se tornar um homem livre, de se transformar em herói, depois presidente, hoje lenda, Madiba consegue tocar no seu sonho. Nada de revanche, só conciliação, reconciliação. A bandeira do arco íris fala de uma nação de muitas cores e de paz. A bandeira está em todos os lugares. Não a da submissão, a do orgulho.

Mandela observa o mundo localizar facilmente seu país em jornais, rádios, tevês e computadores. Vê a África do Sul como o país-sede da 19ª Copa do Mundo. Nota a África, um continente inteiro, dar um passo rumo ao futuro.

A África do Sul abriu a porta da nação de 47 milhões de habitantes, 80% de negros, a todas as nações. E nunca mais será mesma. A Copa é uma tatuagem. Bonita, colorida, não sai mais, só traz boas lembranças. Dá um caminho, oferece um mapa, aproveita quem pode, colhe os frutos mais tarde quem soube plantar, adubar e trabalhar. A Copa tem o poder de recuperar um país, oferecer novos caminhos, sinalizar outras trilhas.

A Fifa pode enrolar suas pernas com boleadeiras de problemas, mas ninguém pode deixar de levantar e bater palmas pela ideia de desenvolver uma Copa na África do Terceiro Mundo - o Brasil será a próxima e com os mesmos problemas. A Fifa escancarou uma nova janela, onde leões não caminham nas ruas, onde há fome e miséria, mas há também esperança e progressos. Eu vi, vejo, uma África do Sul vibrante. A África do Sul não é a real África, apesar dos seus problemas e tensões.

É apenas a porta de entrada da África real.

É o Estados Unidos do continente. Será a primeira grande potência negra em poucos anos, já que riqueza não falta, o que ainda não existe é uma distribuição de renda mais adequada, uma oportunidade para as novas gerações pós-apartheid.

Uma bola, a África do Sul é uma bola, vai rolar durante 30 dias, murchar e inflar a alma do torcedor. Vai ficar na nossa cabeça depois. Se vai aprender as lições de um Mundial eu não sei. Tomara que sim, depois das desgraça do apartheid, a África do Sul volta ao mundo com a Copa. Volta outra, disposta a mudar, a mostrar que mudou um pouco e que pode mudar mil vezes mais.

Bom dia, África do Sul.

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A polêmica República Avaiana do Olímpico

10 de junho de 2010 72

Me pergunto, questiono os outros, e ainda não encontro uma resposta sensata, definitiva.

O que o técnico Silas procura no Estádio da Ressacada?

Talento, qualidade? Negativo. Jogador acima da média? Não vi. Você assiste?

Ninguém pode dizer que é possível observar algo de especial em Edilson, Ozeia, Ferdinando e William. Uendel, nova aquisição até 2013 (sim, 2013), ainda não vi jogar, mas, meus colegas do Diário Catarinense, dizem que ele é inferior ao lateral Eltinho, que nunca conseguiu jogar no Beira-Rio. Aliás, foi reserva de Eltinho em Floripa.

Se há qualidade nos contratados, só Silas vê, os milhões de torcedores do Grêmio não conseguem notar nada em particular, um centímetro de bom futebol, uma série de jogadas que os possam fazer diferentes da média desinteressante.

O que leva o técnico a usar o Avaí como referência? Celeiros dos melhores clubes, o interior paulista é um deserto para os dirigentes do Grêmio.

O que permite o "sim, vai, contrata", dos homens do futebol ao técnico Silas quando ele desvia os olhos para perto do aeroporto da ilha?

Será que eles enxergam mesmo que Silas, tudo o que ainda está oculto aos olhos dos que acompanham o futebol todos os dias?

Espanta a certeza com que os dirigentes abraçam as incertezas de Silas.

Não quero menosprezar o Avaí, não tenho motivos, o clube é um dos novos emergentes do futebol brasileiro, fez um ótimo Brasileirão 2009, tem boa estrutura, revela bons jogadores. O estranho, o inacreditável, é que Silas nunca pesca um bom jogador em Florianópolis. Só importa os que não fizeram sucesso, os reservas, os que a torcida local não topa.

Bons, mas bons mesmos nesta história toda, são os empresários que conseguem colocar seus jogadores absolutamente comuns no Estádio Olímpico com os sorrisos dos homens do futebol.

A partir de uma foto com a camisa tricolor, o valor dos atletas dobra.

Passar um jogador adiante com a camisa do Grêmio tem um valor, negociar com a do Avaí no corpo tem outro, completamente distinto.

Quem ganha nesta história toda, calculo eu, é o empresário.
Negociar jogadores do Avaí com o Grêmio em 2010 é mais fértil do que vender veteranos da Seleção no mundo árabe.

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Nasce a terceira camisa do Grêmio

09 de junho de 2010 450

O site do Grêmio aceita a partir de hoje à tarde os votos dos sócios e dos cadastrados no Exército Gremista para escolher a terceira camisa oficial do clube na temporada. A votação se encerra no dia 18 de junho, ao meio-dia.  Os modelos disponíveis são cinco. O mais votado começará a ser usado pelo time a partir de agosto.

As vendas começam depois da Copa do Mundo da África do Sul. O preço ainda não está definido, mas deve encostar nos R$ 150.

Conheça abaixo em primeira mão os cinco modelos oferecidos pelo Grêmio numa associação com a Puma.
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Cinco horas em Soweto

02 de junho de 2010 4


O nome correto é South-West Towship (Município do Sudoeste). A contração das palavras inglesas gerou Soweto.

O endereço da periferia de Joanesburgo, cidade mais rica do país, se transformou em curiosidade, espanto e então reverência mundial depois que o movimento antiapartheid foi buscar coragem, inspiração e cérebro entre os negros que viviam confinados na área até os anos 1990. Nelson Mandela foi preso na sua casa nos anos 1960 (na residência funciona um museu, foto ao lado).

Duas décadas depois, Soweto mudou, cresceu e se transformou no lar de 1,4 milhão de pessoas, quase 100% negras. É fácil entrar, é mais fácil sair. Não imagine o lugar como uma grande Rocinha ou uma Vila Cruzeiro. Não é porque tem shopping center e um estádio, Soccer City, tinindo de novo para mais de 90 mil pessoas. Nem a palavra favela cabe para definir suas casas, não a maioria, talvez uma pequena minoria.

Durante quase cinco horas, na fria, porém ensolarada terça-feira, visitei a Igreja Católica Regina Mundi, ponto de protestos em tempos passados, e conheci o restaurante de parentes de Nelson Mandela, que fica ao lado da casa, hoje museu, em que ele viveu. Os dois lugares foram abraçados pelo governo e estão bem cuidados.

Lotado de curiosidade, avancei um pouco mais, pela estrada calçada e encontrei dois típicos moradores locais: o primeiro quer ficar, a casa é sua, não há outra região como o lugar onde as pessoas nascem, crescem e fazem amigos. Já o outro quer sair, mudar de vida, está farto de viver com migalhas dos outros, brancos em sua maioria.

Soweto não é mais um gerador de ativistas, nem uma fábrica de mais elementos, mas ainda é endereço de gente indignada. Mostra vilas de operários, mas também casas com piscinas. Carros caindo aos pedaços, carroças, catadores de lixo ao lado de BMWs e Mercedes. Exibe museus, bons restaurantes e turistas de diversos sotaques, como os alemães, italianos e suecos de ontem, mas igualmente vendedores de frutas, barraquinhas de lanches e feiras que lembram as dos nossos hippies das pracinhas.

Soweto é um lugar comum, de gente comum, mas sabe ser um local especialíssimo como nenhum outro no planeta. Numa mesma rua moraram dois Prêmio Nobel, Desmond Tutu (vencedor em 1984) e Nelson Mandela (1993). Pode ser um lugar inóspito, um espaço histórico, um lugar de chorar. Basta pisar no primeiro degrau do espetacular Museu Hector Pieterson, erguido na mesma área onde centenas de estudantes foram mortos na revolta dos anos 1970. Hector tinha 12 anos, foi assassinado a 600 metros do museu.

No centro do memorial, acomodados no meio do cascalho, 350 tijolos exibem o nome dos 350 estudantes mortos a tiros pela polícia no dia 16 de junho de 1976. Uma série de vídeos, painéis e fotos reconstrói todo o drama. Só um zumbi não se arrepia.

Ao meu lado, uma inglesa chorava agarrada ao pescoço do marido, também emocionado. Soluçava. Quando eu passei, ela me olhou e disse:

– Que tipo de gente pode fazer algo assim?

Eu não falei nada. Ela perguntou sem mirar meu rosto:

– Será só pela cor?
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Vidas de Soweto

São cerca de 1,3 milhão de habitantes, quase uma Porto Alegre de pessoas vinculadas de uma forma ou de outra aos acontecimentos de um dos subúrbios mais cheio de História do mundo. Conheça algumas delas:
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A galinha de Madiba
Do outro da lado da casa onde Nelson Mandela viveu antes de ser preso durante 8.115 dias, Bonipwa Seakamela, 49 anos, instalou o Mandela Family Restaurant em 1998, agora reformado. Na frente, no pé de uma árvore, a ex-mulher de Mandela, Winnie, enterrou meses atrás o cordão umbilical do seu bisneto. Nos fundos, na cozinha, Bonipwa prepara o prato preferido do seu parente famoso.

– Ele (Mandela) adora Xoliswa Ndoyiya’s (algo como galinha adocicada). Quando vem, sempre pede. É um prato com galinha, chutney, páprica, maionese, curry e outras especiarias. Sirvo sempre com arroz. Ele pede e repete. Diga aos brasileiros que venham. Quero apresentar meu prato que encantou Madiba (nome pelo qual o líder era chamado pelo seu clã).

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Os gols de Freddy
Na frente da sua modesta casa de alvenaria, numa rua apertada, lotada de pequenas residências, Freddy Maditjane, 28 anos, fala com entusiasmo e otimismo dos cerca de 60 campos de futebol construídos em Soweto nos últimos anos. Não quer sair. Quer ficar onde nasceu e cresceu.

Estrela do futebol escolar, goleador em campeonatos locais, ele tentou ser profissional. Não conseguiu, mas as pessoas o respeitam, lamentam a falta de oportunidade no carente futebol local. Uns vizinhos ainda o enxergam como jogador, e chegam a pedir entradas para o Mundial:

– Como, se eu não tenho nem para o meu prazer? Vou me contentar com a TV. Viu? Falta de dinheiro é um dos problemas de Soweto.

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Os tiros de Danny
Danny Duse, 58 anos, tem muito para contar, pouco tempo para falar. É rápido, seu inglês sai truncado. Logo aponta a mão para o teto e diz:

– Dois tiros deste lado, três mais acima. Olha, lado esquerdo, outros quatro buracos. Mais dois ali.

Numa das entradas de Soweto, a Igreja Católica Regina Mundi é um endereço dos piores tempos da segregação racial. Soldados entravam atirando, nem sempre para cima.

– Multidões de irmãos negros invadiam a igreja fugindo dos protestos, a polícia entrava junto. Não respeitavam a cruz, os santos, a fé.

Danny diz que ainda sonha com as invasões e ora por todos. Nessa igreja, Nossa Senhora é negra. O Menino Jesus, também.

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O sonho de Faith

Ela diz seu nome.

– Faith.

Quando peço o sobrenome e a idade, Faith sai correndo para o fundo do bar.

– Não, nunca, Não digo nem amarrada. Não, não...

Dois minutos depois, sorriso escancarado ela volta.

– Espere, espere. Vou preparar meu melhor prato. Chama-se Kota. É um alimento popular em Soweto, pão, batatas fritas, queijo, molho forte e uma fatia de carne embutida e outra de queijo.

Seu bar, quase lacrado com barras de ferro, é conhecido na região como Papazac, homenagem ao pai que se chamava Zacharya. Não vende bebidas, só refrigerantes e uma Kota custa cerca de R$ 1,50. As pessoas fazem fila, mas Faith reclama:

– Não aguento mais, quero ir para a Espanha. Não posso mais viver neste país onde os brancos têm tudo e os negros quase nada. Isto é democracia?

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O último domingo da Seleção no Brasil

24 de maio de 2010 4


A Copa do Mundo da África do Sul começa em 18 dias, o Brasil estreia em 22, mas ontem, no último domingo da Seleção no país, os jogadores continuaram distantes dos fãs que foram bater na porta do CT do Caju desde as primeiras horas da manhã.

Curitibanos de todas as idades e condições sociais imaginaram que domingo, por ser dia de futebol, Dunga e os seus mostrariam um sorriso, dedicariam um autógrafo, estariam dispostos para abraçá-los em duas ou três fotos. Coisa rápida, só um agradecimento pela calorosa presença de todos.

Ganharam apenas modestos acenos dos jogadores no final da tarde durante o treino físico.

A imprensa, mais de 200 jornalistas, viu Gilberto Silva e Kleberson na entrevista coletiva. Depois, no meio da tarde, cinegrafistas e fotógrafos documentaram parte do treino físico liderado por Paulo Paixão, sem Kaká e Luís Fabiano.

Os fãs continuam batendo na porta do CT e voltando.


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:: Veja como o domingo passou correndo na porta do CT do Caju, em Curitiba:
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9h
(começa o treino da manhã dos jogadores, distante dos olhos da imprensa)

A entrada principal do Centro de Treinamento do Caju, no bairro Sítio Cercado, está protegida por uma viatura da PM, seguranças e funcionários do Atlético-PR. Cerca de 10 pessoas se aglomeram na entrada, pedem passagem, mas não são ouvidas.

9h30min – Adílson Dos Santos exibe bandeiras (entre R$ 5 e R$ 300), perucas (R$ 20) e mantas (R$ 15) na Rua Lupinópolis, no começo dos 150 metros protegidos por seguranças e por onde circula a imprensa antes de entrar no CT para as entrevistas coletivas.

— Cheguei de Balneário Camboriú, vendi cem bandeiras. Poderia ser melhor se os treinos fossem abertos — reclama o vendedor, peruca com as cores do Brasil na cabeça.
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10h – Andressa Justino, 18 anos, Cristiane Laversdors, 26, e Dayane Almeida, 24, servem café, cortesia de um dos patrocinadores da Seleção, na portão de entrada da imprensa. Calculam servir 300 doses até perto das 17h.

10h – Maria Neusa Rosa, 59, completa duas horas na entrada do CT. Veio com uma bandeira, uma das 20 que tem em casa em Curitiba. É a mesma bandeira que festejou o Penta. Ela adora a Seleção. Está indignada:

— O povo brasileiro é sofrido, será que o Dunga não pode nos dar uma presente?

10h30min –
Josias Garcia (foto abaixo), 32, pedalou 30 minutos pelas ruas de Curitiba. Estacionou a bicicleta atrás da proteção de metal que separa os jornalistas do público e reclamou:

— Quando o Felipão mandava, como em 2001, eu entrei e vi a Seleção no CT do meu Atlético. O Brasil foi Penta. Será que o Dunga vai ser Hexa? Duvido.


11h – A chuva fina aperta e afasta umas 50 pessoas da área. Só fica quem tem guarda-chuva. Os jornalistas se acomodam no interior do CT, buscam um lugar no centro de imprensa. Dois banheiros químicos ajudam a tranquilidade geral.

11h30min (hora do almoço dos jogadores)
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12h –
Bate a fome. Nilcea Marks, que toca o Bar do Valdeci, ao lado do CT, está feliz. Vendeu 40% a mais dos seus lanches de chapa. As latinhas de cerveja bem gelada saem por R$ 2,50.

— Veio um monte de parentes me visitar, queriam ver os jogadores, mas eu não dei descontos. Gosto deles, mas negócio é negócio — diz.

12h30min – Dona Maria Neusa Rosa ainda está firme, em pé, colada a cerca, bandeira sob a cabeça, sem medo da chuva fina e confiante que um ou outro jogador vá aparecer:

— Eu sei que eles vão ficar lá dentro, mas eu sou teimosa.
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13h06min –
Começa a coletiva com Gilberto Silva e Kleberson. Silêncio no centro de imprensa. Só perguntas e respostas. A chuva aperta.

13h41min –
Termina a coletiva, os dois embarcam numa van com o logotipo da CBF e desaparecem no interior do CT de 200 mil metros quadrados. Assustam um bando de gansos que toma sol no gramado molhado.
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14h – Dez meninos com camisas amarelas e bandeiras sobem num muro lateral, ameaçam entrar no Caju por um lado lateral. Os seguranças se reorganizam. Os garotos gritam palavra de ordem contra Dunga. Um deles, camisa nova do Atlético-PR, começa a cantar:

— Dunga é argentino, Dunga é argentino.

Os outros nove não repetem o amigo, apenas agitam as bandeiras do Brasil.


14h15min – Gritaria na entrada do CT. Dona Maria Neusa Rosa não sai do lugar, bandeira nas costas, mas pergunta se é Robinho ou Kaká. Não, nenhum dos dois. Um grupo de humoristas da TV atrai a atenção de todos. Queria entrar, mas foi barrado pelos seguranças.
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15h – Dezessete caminhões com equipamentos de TV estão estacionados na rua, mais uns 30 carros usados pela reportagem. Os torcedores querem ver, tocar tudo, espiar, falar com as pessoas, matar a curiosidade.

15h30min – Mais de 50 pessoas se aglomeram na entrada do CT. Abriu o sol. Silvio Pereira, 33 anos, leva o filho Matheus, oito, no colo. Saíram de manhã de casa lotados de expectativas:

— Volto em 15 minutos. Não vou ver ninguém. Eu não dou bola, o pequeno (Matheus) é que está chateado. Ele não queria falar com os jogadores, queria só ver, contar na escola que viu. É uma judiaria com as crianças — diz.


15h40min – Uma dezena de repórteres e fotógrafos fazem um lanche ao lado do CT. São indagados se Dunga vai abrir os portões. Quando houvem um “não”, os fãs xingam Dunga.
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16h – Volta o sol depois de uma chuva rápida. A chuva manda um grupo de torcedores embora, mas logo chega outro. São jovens em sua maioria, moradores do bairro.

16h27min – Começa o treino físico. Só fotógrafos e cinegrafistas têm acesso ao interior do CT. Dunga proíbe transmissão ao vivo. Kaká e Luis Fabiano não estão treinando com o grupo. Ramires e Daniel Alves puxam a fila.


16h57min – Os jogadores acenam para os torcedores aglomerados na entrada principal do CT, do lado oposto do centro de imprensa. Dunga fica por perto, observando o movimento. Conversou bastante com os seguranças. Parecia avaliar o local.
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18h30min (hora do jantar dos jogadores)
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Começa a escurecer, a grande maioria dos jornalistas foi embora, a segurança aumenta com duas viaturas da PM. Os caminhões das TV começam a ser fechados até o dia seguinte. Os seguranças assumem a Rua Lupinópolis.

Tudo recomeça na segunda-feira, perto das 9h, quando os jogadores voltam aos treinos no interior do CT e imprensa começa a chegar para a quarta entrevista coletiva do período.

Quarta a delegação viaja para a África, às 17h.



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As nove incertezas do Grêmio

23 de maio de 2010 115

Pelo que vi e ouvi, depois de sucessivas derrotas, os problemas do Grêmio continuam os mesmos.

Eu disse, eu escrevi, eu vou repetir rapidamente, já que a Seleção, em Curitiba, está tomando todo o meu tempo.
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1 Rochemback não acerta mais, não adianta insistir. Faz quase um ano de tentativa e erro.

2 Ozeia é um zagueiro que não inspira confiança e ainda atrasa a subida dos bons garotos da base.

3 Leandro só joga no nome, mas não joga de verdade.

4 Maylson só não é titular porque a direção e seus empresários preferem Leandro.

5 William só continua no clube porque tem a proteção do técnico, mas não tem os gols que precisa para buscar uma vaga nem entre os reservas.

6 Victor está abatido, abalado pela sua ausência da lista de Dunga para a Copa.

7 Joílson não tem nem bola para ficar no grupo.

8 Saimon precisa ser mais testado na lateral e na zaga.

9 Mithyuê perdeu a vez. Leandro e Ozeia nunca perdem.
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E o Silas?
Ah, o técnico merece uma análise melhor, assunto de outro dia.



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Fernandão e o milagre de Quilmes

20 de maio de 2010 228

:: DE CURITIBA

Um carro passa devagar, pilotado por um eufórico torcedor colorado.  Ele comemora. Mão estacionada na buzina. Da janela, agora, vejo o cara com a mão para fora do carro. Ele abana, parece que está cercado por multidão. Seu sorriso é do tamanho do Couto Pereira. Uma bateria de foguetes, duas explodem mais longe. Ouço. 

O Inter fez um milagre em Quilmes. Fez quase no último minuto de jogo, derrubou os 2 a 0 com um gol de Giuliano quando todos imaginavam o Estudiantes na semifinal da Libertadores. Foi 2 a 1, deu Inter, sofrido, dolorido, histórico. O Estudiantes nunca ganhou do Inter.

Lembra no Beira-Rio? Sorondo marcou no final.

Sinal? Luz?

Não vi o jogo com a atenção devida, um olho na TV outro no computador, escrevendo os textos de Zero Hora. Mas observei que o Inter sofreu dois gols estranhos, que estava apático, nem parecia jogo de Libertadores. Mas o gol nasceu no final. Gols no final provam que o futebol se renova a cada segundo. E mata-mata são os dois jogos mais loucos do mundo, sem respeitar a realidade de cada time.

O semestre ainda não terminou. Ele será mais longo, continua depois da Copa do Mundo da África do Sul.
Ó, mais foguetes lá fora.

Será que no cara dos foguetes tem medo de Fernandão? Você tem?

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Defesa falha outra vez e Grêmio perde

20 de maio de 2010 127

O Grêmio bateu de frente com o melhor time do país. Ganhou em casa (4 a 3), perdeu em São Paulo (3 a 1). Fez um grande primeiro tempo na Vila Belmiro. Teve chance de gol, um pênalti não marcado, a bola do jogo, com Borges. Deixou escapar a grande e decisiva oportunidade.

Veio o segundo tempo, o Santos achou um gol, graças ao pé esquerdo de Ganso, um jogador em forma de craque.

O Grêmio se perturbou, sentiu, foi atrás do empate, começou a errar passes, sofreu o segundo, depois o terceiro. O adversário dominou o segundo tempo, aproveitou os enormes espaços no meio-campo e na defesa e fez três, poderia ter feito dois mais. Quase no final Jonas foi expulso e afundou o time.

Foi o fim do sonho da Copa do Brasil.

O Grêmio perdeu por um time superior. Perdeu pelas deficiências da sua zaga, outra vez.

O ataque fez cinco gols.

A defesa sofreu seis.

O Grêmio precisa se rearrumar, as reformas começam na defesa.

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Fifa detona o covarde paradão

18 de maio de 2010 21

Pelé, o Rei, inventou a paradinha, hoje clássica. Ele fazia a parada ao longo da sua compenetrada e mortífera corrida. Perto da bola, ele batia imediatamente. O gol era quase natural. As redes eram apaixonadas pelos gols de Pelé.

A International Board, entidade que regulamenta o futebol, anunciou em Zurique mudanças no texto da regra da cobrança de pênalti depois que os jogadores começaram a abusar na marca do pênalti, enganando covardemente o goleiro solitário embaixo da longa barra.

A International Board, que tem a Fifa entre seus integrantes, condenou a paradinha. Ela vai embora, não deixará saudades. De joelhos, os goleiros agradecem. Os atacantes, nem tanto.

Leia o texto abaixo publicado pela entidade:

"Fintar na corrida para uma cobrança de pênalti para confundir os oponentes é permitido, entretanto, fintar ao chutar a bola, uma vez que o batedor já encerrou sua corrida, é considerado agora uma infração à Lei 14 e um ato antidesportivo, pelo qual o jogador deve ser advertido".

A paradona é mais ou menos assim: depois da corrida rumo à cal, o jogador, pé quase encostado ou colado à bola, finge que chuta, não chuta, faz que chuta, engana de novo e aí chuta. Performance igual ou parecida não é mais permitida. O jogador que insistir com o paradão vai ganhar cartão amarelo.

A lei começa a vigorar no dia 1º de junho.

A Copa do Mundo não verá o covarde paradão.

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As escolhas erradas de Silas

17 de maio de 2010 150


Paulo Silas usou uma nova defesa contra o Corinthians no domingão depois de sofrer três gol do Santos, quarta-feira, na Copa do Brasil e arriscar a sua continuidade no torneio. A nova zaga sofreu dois. Errou outra vez.

Víctor falhou no segundo gol, junto com Bruno Collaço. Falha coletiva, outra vez, como nos gols do jogo anterior. Mário Fernandes foi superado na cabeça no primeiro gol. Mário precisa sair da grande área. Joga mais na lateral/ala direita.


O time era misto, não se podia exigir muito da parte coletiva, mas alguns jogadores continuam sem render o mínimo para ocupar um posto mesmo no banco de reservas. Cito Joilson e Rochemback, lembro de Rafa Marques, falo de Leandro. São individualidades que não conseguem fazer bem ao coletivo.

Com Maylson no banco, Silas insistiu com Leandro, que não é atacante, porque não tem o hábito de marcar gols, nem garçom, pois não é um bom passador. Eu confesso que ainda não descobri a verdadeira posição de Leandro, – talvez você possa ajudar. Pode?

O Grêmio disputou seis pontos no Brasileirão. Ganhou um. É quase zero.

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Paixão total: "Eu quero sempre mais"

15 de maio de 2010 53

EXCLUSIVO - Coordenador da preparação física do Grêmio, Paulo Paixão não esconde seu apetite por taças. Mira a Copa do Brasil e se fixa na Copa do Mundo. Sua motivação dobra a cada competição. Confira a entrevista:


Paulo Paixão chega ao Olímpico às 8h30min da sexta-feira engolida pela neblina. Seu carro preto importado, de luz acesa, desliza pelo pátio gingando no samba de Arlindo Cruz. Antes de se acomodar no estacionamento, pisa no freio e troca um amistoso minuto de conversa com um funcionário do Grêmio que limpa o pátio. Sai, tranca a porta, entra no vestiário, vê se as velas estão acesas, se as imagens dos santos estão limpas, muda de roupa e me recebe, com o fotógrafo Fernando Gomes, na sala de imprensa.

O preparador físico mais vencedor da história do futebol brasileiro está elétrico numa das primeiras horas da amena manhã de maio, 30 dias antes da estreia do Brasil na Copa do Mundo, contra a Coreia do Norte.

– Você nunca vai me encontrar desanimado. Sem chance.

Paixão é uma pessoa educada e humilde (os mais chegados o chamam de Paulinho Gentileza). Oferece café. Peço sem açúcar, como o dele.

Do fundo do vestiário, sai o meloso dueto sertanejo-universitário da dupla Victor e Léo, onde os jogadores se arrumam cheios de energia para o puxado trabalho matutino. Paixão não se importa com o som alienígena, mesmo que seu habitat natural seja o planeta do pagode, onde Zeca Pagodinho é grã-vizir.

A música move Paixão, anima, dá força, é companheira de trabalho e de viagem. Quando trabalhou no Jubilo Iwata, na segunda metade dos anos 1990, ele carregava um pandeiro no banco do carona. Ao ser engolido pelos gigantescos engarrafamentos à caminho do treino, Fundo de Quintal sacudindo o CD Player, ele pegava o instrumento e fazia seu próprio som. O tempo trucando no meio do trânsito passava voando.

– Olha, a vida reúne tantas tristezas, porque não deixar a música se encarregar de um pedaço do lado bom da vida?

A vida profissional tem sido pródiga com o carioca Paulo Paixão. Ele ajudou a erguer taças de todos os brilhos e tons em distintos clubes e na Seleção – da gaúcha ("o cafezinho", ele ri), à mundial, da brasileira à continental. Seu armário está lotado, mas onde ele cavouca motivação depois de mais de duas décadas de faixas?

– A próxima tarefa é sempre a mais importante. Eu quero mais, sempre mais. Estava atento no Gauchão, veio a Copa do Brasil e eu a desejo muito. Depois vou estar ligado na Copa do Mundo com a mesma dedicação. Eu me cobro muito. Vivo intensamente cada competição. Eu quero o Brasileirão – ele diz, acomodado numa das cadeiras estofadas da sala.

Mais do que um preparador físico e um supermotivador, Paixão é referência mundial na sua profissão. Na Rússia, logo depois de deixar o uniforme de campeão do mundo colorado e durante três longos anos, ele foi oferecer o "bê a bá" da sua preparação física vencedora ao CSKA Moscou (quatro títulos em três anos). Os locais não entendiam a contratação do fisicultor brasileiro, esperavam jogadores, os atletas russos se espantaram:

– Quando os jogadores russos começaram a ver filmes com os treinos físicos da Seleção, despertaram – conta Paixão cheio de entusiasmo.

– O que disseram?

– Diziam ‘Ahh Paixão...’. Ficavam espantados quando viam Kaká e Ronaldinho se puxando no trabalho físico e se exercitando ‘sem a bendita bola’. ‘Ahh Paixão...’ repetiam. Repetiam e faziam igual. Eles começaram a entender que, antes da técnica, nossos grandes jogadores treinavam pesado.

Paixão tem um poder que é só dele. Paixão consegue convencer os jogadores que é necessário treinar mais, talvez um pouco mais, quem sabe passar mais uns 10 minutos suando.

– Minha concentração é muito alta. Sou exigente, cobro, desafio. A minha próxima competição é sempre a favorita.


Hoje, a Seleção é o seu cartão de visitas.
Os jogadores sabem quem os guia. Respeitam e correm aqueles minutos a mais que podem fazer a diferença num jogo entre iguais (ou nem tanto).

– O Brasil é modelo em preparação física, em medicina do esporte. Cito o Kaká. Ele vai ficar um tempo nas nossas mãos. Vamos colocá-lo em forma. O Kaká vai fazer uma boa Copa, não tenho dúvida. A Seleção sabe do que ele precisa.

Paixão, que cuida do Grêmio como coordenador, ao lado do filho Anderson, também preparador físico, sabe que o time está bem, correndo muito. É superconfiante quando o jogo do Santos entra em questão, mas mantém contatos diários por e-mail ou telefone com os 23 de Dunga, a quem trata por "Capitão".

– O Gomes treina numa academia em Belo Horizonte, o Gilberto Silva faz o mesmo, o Luisão me disse que está trabalhando. Quem ganhou férias na Europa já está ligado e eu mais ainda.

A Copa começou. São duas, a do Brasil vem antes. Paixão está inteiro nas duas, quer a dupla. É insaciável. Ganhou um título em maio. Quer fechar julho com outros dois antes do Brasileirão.

Não duvide.

Nunca duvide de Paulo Paixão.

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O pior dia na vida de Victor

15 de maio de 2010 25

Victor recebeu a notícia de que estava fora da lista de Dunga terça-feira no seu quarto no Hotel Deville, na Capital. Estava na concentração tricolor, ao lado do reserva Marcelo Grohe.

A notícia foi devastadora.

Pediu para ficar sozinho. Ligou para a noiva e a mãe. Logo recebeu a solidariedade de todo o grupo e dos dirigentes. Victor é hoje o jogador símbolo do clube.

O goleiro ficou extremamente decepcionado. Dos três goleiros chamados, ele não conhece pessoalmente Doni. Acha Júlio César uma pessoa "bacana", mas seu entrosamento é melhor com Gomes, colegas de quarto na Copa das Confederações.

De Dunga, ele não fala. Diz apenas que ele teve o direito da escolha. Prefere o silêncio.

Garante que a torcida que cantou seu nome e o saudou no Olímpico, quarta-feira, o deixou emocionado. Antes leu dezenas de e-mails de fãs.  Quase chorou.

Já fala que o episódio é passado, lembra da sua vontade de vencer a Copa do Brasil, mas ainda não é capaz de adiantar seu futuro.

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Jonas na história: 50 gols pelo Grêmio

14 de maio de 2010 1

Jonas fez seu 19º gol da temporada quarta-feira nos 4 a 3 sobre o Santos.

Chegou ao 50º gol (107 partidas) e se aproxima com alguma velocidade dos maiores goleadores gremistas dos últimos 20 anos: Paulo Nunes (73), Jardel (65) e Ronaldinho (61). Borges fez 16 em 19 jogos nos primeiros cinco meses de Grêmio.

Aproveite e assista ao golaço de Jonas contra o Santos, o seu 50º com a camisa tricolor:

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