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Posts de novembro 2010

Gaúchos na Soccerex

23 de novembro de 2010 0
Com investimento de R$ 180 mil do governo do Estado, o Rio Grande do Sul está usando a Soccerex para divulgar a preparação gaúcha para a Copa do Mundo.
No primeiro dia de palestras da feira, sacolinhas escrito "Bento", presente da prefeitura de Bento Gonçalves aos participantes, estavam por todo o lado no Forte de Copacabana. Um duelo etílico entre vinhos de Caxias do Sul e espumantes de Bento era uma das atrações do estande.

Segundo o secretário extraordinário da Copa, Eduardo Antonini, o objetivo principal da presença na feira é mostrar a sede gaúcha aos executivos do mercado mundial da bola. Grêmio e Inter estão representados com destaque - dirigentes dos dois clubes também circularam na Soccerex nesta terça.
- Como nossos estádios são privados, o governo não tem a meta de vir fazer negócios necessariamente. Estamos aqui para mostrar o Estado - disse Antonini.
Perto do estande gaúcho, Rio, Minas Gerais, Bahia (foto) e São Paulo montaram estruturas bem maiores, com investimentos acima de R$ 500 mil. A coordenadora do Núcleo de Eventos do Comitê Organizador da Copa 2014 em São Paulo, Carolina Fontes, conta que fornecedores de produtos para estádios e contatos com as outras cidades organizadoras são o melhor de uma feira como essa, mas reconhece que o investimento não se paga em forma de negócios fechados.
--- Nosso ganho não é financeiro, mas de divulgação e experiência. Entramos em contato, por exemplo, com um projeto de voluntariado muito eficiente que está sendo projetado para a Olimpíada de Londres --- diz Carolina.

De olho no torcedor - literalmente

23 de novembro de 2010 5
Em um dos estandes da Soccerex, a BWA apresenta uma tecnologia que, se for adotada, promete causar polêmica. É uma catraca eletrônica que, ao registrar a passagem do cartão magnético, tira uma foto em alta definição do torcedor e a envia para um banco de dados.
A ideia está sendo vendida na feira de negócios de futebol como uma forma de aumentar a segurança nos estádios, e deve ser testada no Engenhão (RJ) e no Pacaembu (SP). O argumento é simples: se um torcedor aprontar alguma durante a partida, será facilmente identificável por um software que compara a imagem do incidente na arquibancada com o rosto registrado ao passar pela roleta.
Com a tecnologia, os clubes podem determinar um padrão para cada torcedor - por exemplo, saber a que hora ele gosta de chegar no estádio. É conteúdo valioso para o marketing do clube - e o que impedirá um time de vender esses dados para outras empresas? Ou mesmo cedê-los aos patrocinadores? Saber a que horas e com que companhia alguém vai ao jogo também é bom material para ser usado por criminosos.
É a velha - e cada vez mais atual - discussão sobre uso da tecnologia. Claro que um estádio é um local público, e qualquer criminoso pode montar uma campana para descobrir a que horas seu alvo vai ao jogo. Mas ao tornar tão fácil a análise desses dados, o problema aparece.
Para os torcedores da Dupla, há outro ponto. Com a tecnologia, o clube poderá saber se a pessoa entrando como cartão não é o sócio, e multá-lo. Estará no seu direito. Mas é prática corriqueira entre os sócios, cada vez mais numerosos em Inter e Grêmio, emprestar os cartões para familiares ou amigos quando não querem ir ao jogo. É um hábito que, se os clubes quiserem, terá de desaparecer.
A tecnologia impressiona. E, como toda a inovação, pode provocar mudanças. E, como toda mudança, pode desagradar a muitos. Vai acabar sendo uma questão de bom senso principalmente dos clubes, que não têm interesse em desagradar seus maiores clientes: os torcedores.

Briga de foice pela Copa

22 de novembro de 2010 0
A Soccerex é o último grande evento de futebol antes da escolha, pela Fifa, dos países que sediarão as Copas de 2018 e 2022, em reunião no dia 2 de dezembro.
Sendo assim, várias candidaturas marcam presença aqui no Rio com suntuosos estandes e os dirigentes que estão à frente dos comitês de cada país. A candidatura da Holanda/Bélgica trouxe um dos principais jogadores da seleção laranja nos anos 80, Ruud Gullit (foto), presidente do comitê organizador.
Rússia, Catar e Inglaterra também estão com estandes para tentar um último lobby antes da escolha, marcada por acusações de corrupção que já fizeram a Fifa até banir gente do futebol.
O rolo, porém, só é discutido nas internas. Aos jornalistas, ninguém comenta o assunto, temendo represálias na hora da votação pelo comitê executivo da Fifa. Gullit se esquivou dizendo que "só precisamos pensar em fazer a nossa parte". Já o representante da candidatura inglesa, David Dein, foi mais claro:
- Nem pensar em falar sobre isso. É um tema delicado demais para comentar agora.
A briga pesada para levar o Mundial para seu país se justifica, segundo Gullit, pela mídia gratuita que o país ganha: quanto custaria ter meses a fio o nome do Brasil nas televisões de todo o planeta, perguntou. Mas para o holandês que fez carreira no Milan, há também um motivo mais pessoal.
- Quero dar ao meu filho a chance de ver uma Copa no seu país, o que não tive quando criança.

Negócios da bola

21 de novembro de 2010 0

A partir desta segunda-feira, acompanho no Rio a Soccerex, feira de negócios do futebol. O evento começou já no sábado, com uma programação mais festiva -- hoje à tarde, a taça que o Brasil tentará agarrar em 2014 esteve em exposição para torcedores e ganhou um beijo do capitão do Tri, Carlos Alberto Torres (foto). A Copa do Mundo fica no Brasil até quarta-feira.

Nesta segunda de manhã, João Havelange deve abrir a parte "de negócios" da Soccerex --- três dias de palestras e muita troca de cartões entre empresários de jogadores, clubes, políticos, marketeiros e jornalistas interessados em entender melhor o fluxo de dinheiro movimentado pelo futebol, um dos maiores negócios do planeta.

Ninguém fez mais negócios no futebol do que Havelange, o homem que trouxe grandes patrocinadores para as copas e levou a Fifa de um acanhado escritório na Suíça para um conglomerado com mais países afiliados do que a ONU. Bom lembrar que, além de figuras internacionais, os gaúchos que organizam a Copa 2014 por aqui também marcarão presença na Soccerex -- tanto a secretaria estadual quanto a municipal da Copa estarão no evento. Afinal, a Copa é o principal assunto.

A Copa é refém dos aeroportos

19 de novembro de 2010 3

Durante a Copa da África, Ricardo Teixeira havia colocado o dedo na ferida (e irritado o presidente Lula) ao criticar a malha de aeroportos brasileiros. Logo depois, o governo anunciou um investimento de R$ 5,15 bilhões em 13 terminais, entre eles o Salgado Filho.

A edição de hoje do jornal britânico Financial Times traz uma reportagem sobre as carências brasileiras nessa área. A conclusão do jornal inglês é clara: o Brasil pode dar vexame na Copa ao ficar sem espaço nos aeroportos antes mesmo do Mundial. Ontem, o presidente da Iata (principal associação de companhias aéreas no mundo), Giovanni Bisignani, disse que não está vendo muito progresso nas reformas anunciadas.

Nem nós, Bisignani. Em Porto Alegre, o Salgado Filho ainda anda a passos de tartaruga, dependendo da liberação de licitações para contratar as empresas que ampliarão o terminal e a pista de decolagem. Mesmo os MOPs - unidades provisórias, apelidadas de puxadinhos, para ampliar o terminal de passageiros - só devem ser instalados na metade de 2011. Enquanto isso, a economia cresce e a vontade de voar, também. Basta ver os aeroportos lotados em todos os feriados.

Mesmo que todo o dinheiro consiga ser gasto a tempo -- algo sempre incerto --, os R$ 5,5 bi servirão para atender a necessidade que existe agora, e não para o futuro. Uma péssima mania brasileira: construir para agora, sem pensar adiante no problema. O próprio Salgado Filho, aeroporto já defasado menos de 10 anos depois de pronto, é um exemplo.

No passo atual, o vexame de um colapso no sistema aéreo durante a Copa não é uma ideia absurda. Seria bom que os ingleses estivessem errados mas, sem uma mudança na gestão dos aeroportos, a chance de a previsão se confirmar aumenta a cada dia.

ATUALIZAÇÃO: Confira aqui, no site ZH Dinheiro, a resposta do ministro da Defesa, Nelson Jobim, à manifestação da Iata.

O custo de fiscalizar

17 de novembro de 2010 0

Ontem, na Assembleia Legislativa, o chinês Jiang Jianghua, do Escritório Nacional de Auditoria da China (CNAO), deu um número interessante. Ao fazer auditorias de obras públicas enquanto elas eram construídas, a repartição conseguiu economizar 4% do custo total ao governo chinês.

Parece pouco, mas obra pública sempre envolve muito dinheiro. Se for na China, então... Em valores, a economia total foi de US$ 7 bilhões. Para se ter uma ideia, isso dá perto de R$ 12 bilhões --- quatro vezes mais do que todo o dinheiro que será investido em Porto Alegre, em todas as áreas, para a Copa do Mundo.

Ou seja, o caminho escolhido pelo Tribunal de Contas do Estado para tentar evitar o desperdício de verbas públicas --- fazer auditorias periódicas enquanto o projeto está em andamento --- parece funcionar. Mas a preguiça brasileira em se preparar para a Copa do Mundo faz com que, com o  rigor, haja a chance de atrasos nos cronogramas. É o caso da Arena Amazônia, por exemplo, que teve o financiamento do BNDES suspenso pelo Ministério Público.

Se o país tivesse acordado antes para a Copa --- somos sede oficial desde 2007, mas só em 2010 o governo federal definiu a matriz de responsabilidades que determina quais obras serão feitas para o Mundial ---, daria tempo para tudo. Agora, o atraso na preparação tirou de quem vai abrir ruas e construir estádios o direito de errar. Com pouco mais de três anos de prazo, qualquer interrupção vai custar caro. Porque tudo precisará estar pronto de qualquer jeito. E "de qualquer jeito" é sempre sinônimo de aumento nos gastos.

É o custo de errar, mas também é o custo de fiscalizar bem. Mas esse, como provou o chinês, pode virar investimento no fim das contas.

Estádios para treinos já foram vistoriados

16 de novembro de 2010 1
Até o próximo sábado, o Comitê Organizador Sede Porto Alegre indica os três campos de treinamento preferidos na Capital para a Copa: o estádio da PUCRS (foto), do São José e a futura Arena do Grêmio.
Todo já foram vistoriados pela equipe da Secopa – mesmo que a Arena esteja ainda em fase inicial de construção. O secretário municipal da Copa, Ricardo Gothe, levou hoje à direção gremista o convite oficial. A Arena, quando pronta, atenderá com folga as exigências da Fifa.
Estar também na Copa, para o Grêmio, vai além da rivalidade Grenal. O clube, por exemplo, não tem acesso a isenções fiscais federais para a obra da Arena – apenas os estádios que receberão jogos estão contemplados. Em nível estadual, o benefício abrange tanto a reforma do Beira-Rio quanto a nova casa gremista. Ter o selo do Mundial é um passo para também se candidatar a incentivos para a construção da Arena.
Também para o São José, ser escolhido um campo oficial de treinamentos é uma porta que se abre para tornar o clube mais conhecido. É essa também a intenção do Zequinha ao adotar a grama sintética a partir do ano que vem: virar notícia fora do Rio Grande do Sul.
Nesta terça, a Fifa divulgou em seu site a informação de que os campos oficiais sejam definidos até meados do ano que vem. A decisão, a primeira depois da definição do Beira-Rio como estádio da Copa, está próxima.

Em São Paulo, o elefante é menos branco

13 de novembro de 2010 3

Não deixa de ser engraçado. Pouco depois de o governador eleito do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, definir a redução de 70 mil para 40 mil espectadores do novo Estádio Nacional em Brasília, o atual governador, Rogério Rosso, encaminhou uma carta a Joseph Blatter, presidente da Fifa.

Na missiva, reclama que a entidade tenha escolhido São Paulo para a abertura da Copa, mesmo que os paulistas ainda não tenham nem começado o novo estádio do Corinthians. (Esse, será aumentado para acomodar 65 mil pagantes na abertura do Mundial).

Rosso está jogando para a torcida de olho em seu futuro político, já que a chance de Blatter mudar de ideia por conta de uma carta de um governador substituto, quase saindo, é mínima. O bom senso ganha se Brasília perder a abertura. Se é para construir um estádio para mais de 65 mil pagantes – público que o Brasil não vê muito mais do que dez vezes por ano –, que seja em São Paulo, e para a torcida gigante do Corinthians.

Maior economia brasileira, em São Paulo um elefante desses é menos branco. Um pouco menos.

Sensatez e 30 mil lugares a menos

12 de novembro de 2010 0

Cidadãos do Rio Grande do Sul têm uma preocupação a menos com o desperdício de dinheiro público para a Copa de 2014. Por aqui, o Estado não vai construir estádios - Inter e Grêmio, cada um a sua maneira, farão isso sozinhos.

No resto do país, não. Se a existência de estádios estaduais no Rio e em Belo Horizonte atende a imensas torcidas, outras arenas projetadas para a Copa levam o carimbo de provável elefante branco nas costas. Em lugares como Manaus e Cuiabá, a paixão pelo futebol é cultivada muito mais pela televisão do que ao vivo, e os públicos dos clubes locais são pequenos.

Brasília, porém, vinha sendo o caso mais escandaloso. Na tentativa de hospedar a abertura da Copa, o governo decidiu que o estádio em construção no lugar do antigo Mané Garrincha teria 70 mil lugares. Em 2009, o público médio do Brasiliense, que joga no Mané Garrincha, foi de 4.306. O recorde, no ano passado, foi 23.269 pessoas no estádio. Ou seja, na melhor das hipóteses, a arena construída para a Copa teria 33% de ocupação. Um estádio vazio.

Por isso, a decisão do governador eleito Agnelo Queiroz, de reduzir a capacidade do novo Estádio Nacional de Brasília para 40 mil lugares, é exemplo da sensatez possível no momento, já que a construção de um estádio novo no Distrito Federal - algo muito discutível - já foi decidida.

É o cenário menos ruim para o contribuinte.

Para quem quer ser campo-base

11 de novembro de 2010 0

Até o dia 20 de novembro, a Match Services, empresa ligada à Fifa que cuida das acomodações das seleções na Copa do Mundo, vai enviar um segundo questionário às cidades que se candidataram a receber times durante o Mundial.

Trinta municípios se candidataram no Rio Grande do Sul para ser campo-base -- ou seja, receber uma seleção e seus torcedores durante todo o período de treinamentos antes da Copa e até as oitavas de final.

Esse novo questionário servirá para complementar as informações enviadas pelas cidades logo depois da Copa da África. No primeiro contato, cada município vendeu seu peixe da forma que desejou, seguindo orientações da Secretaria Estadual da Copa 2014. Agora, terão de responder um questionário padronizado.

A Match e a Fifa sinalizaram que poderão receber mais inscrições das cidades, e o prazo de definição das escolhidas pode ser estendido de janeiro para abril de 2011.

Ser "escolhida" pela Match, no entanto, não significa que a cidade será campo-base. Os municípios selecionados entram num caderno produzido pela empresa e distribuído a todos os mais de 200 associados da Fifa. São as seleções que se classificarem para a Copa que escolherão aonde vão ficar.