

Em um dos estandes da Soccerex, a BWA apresenta uma tecnologia que, se for adotada, promete causar polêmica. É uma catraca eletrônica que, ao registrar a passagem do cartão magnético, tira uma foto em alta definição do torcedor e a envia para um banco de dados.
A Soccerex é o último grande evento de futebol antes da escolha, pela Fifa, dos países que sediarão as Copas de 2018 e 2022, em reunião no dia 2 de dezembro.
A partir desta segunda-feira, acompanho no Rio a Soccerex, feira de negócios do futebol. O evento começou já no sábado, com uma programação mais festiva -- hoje à tarde, a taça que o Brasil tentará agarrar em 2014 esteve em exposição para torcedores e ganhou um beijo do capitão do Tri, Carlos Alberto Torres (foto). A Copa do Mundo fica no Brasil até quarta-feira.
Nesta segunda de manhã, João Havelange deve abrir a parte "de negócios" da Soccerex --- três dias de palestras e muita troca de cartões entre empresários de jogadores, clubes, políticos, marketeiros e jornalistas interessados em entender melhor o fluxo de dinheiro movimentado pelo futebol, um dos maiores negócios do planeta.
Ninguém fez mais negócios no futebol do que Havelange, o homem que trouxe grandes patrocinadores para as copas e levou a Fifa de um acanhado escritório na Suíça para um conglomerado com mais países afiliados do que a ONU. Bom lembrar que, além de figuras internacionais, os gaúchos que organizam a Copa 2014 por aqui também marcarão presença na Soccerex -- tanto a secretaria estadual quanto a municipal da Copa estarão no evento. Afinal, a Copa é o principal assunto.
Durante a Copa da África, Ricardo Teixeira havia colocado o dedo na ferida (e irritado o presidente Lula) ao criticar a malha de aeroportos brasileiros. Logo depois, o governo anunciou um investimento de R$ 5,15 bilhões em 13 terminais, entre eles o Salgado Filho.
A edição de hoje do jornal britânico Financial Times traz uma reportagem sobre as carências brasileiras nessa área. A conclusão do jornal inglês é clara: o Brasil pode dar vexame na Copa ao ficar sem espaço nos aeroportos antes mesmo do Mundial. Ontem, o presidente da Iata (principal associação de companhias aéreas no mundo), Giovanni Bisignani, disse que não está vendo muito progresso nas reformas anunciadas.
Nem nós, Bisignani. Em Porto Alegre, o Salgado Filho ainda anda a passos de tartaruga, dependendo da liberação de licitações para contratar as empresas que ampliarão o terminal e a pista de decolagem. Mesmo os MOPs - unidades provisórias, apelidadas de puxadinhos, para ampliar o terminal de passageiros - só devem ser instalados na metade de 2011. Enquanto isso, a economia cresce e a vontade de voar, também. Basta ver os aeroportos lotados em todos os feriados.
Mesmo que todo o dinheiro consiga ser gasto a tempo -- algo sempre incerto --, os R$ 5,5 bi servirão para atender a necessidade que existe agora, e não para o futuro. Uma péssima mania brasileira: construir para agora, sem pensar adiante no problema. O próprio Salgado Filho, aeroporto já defasado menos de 10 anos depois de pronto, é um exemplo.
No passo atual, o vexame de um colapso no sistema aéreo durante a Copa não é uma ideia absurda. Seria bom que os ingleses estivessem errados mas, sem uma mudança na gestão dos aeroportos, a chance de a previsão se confirmar aumenta a cada dia.
ATUALIZAÇÃO: Confira aqui, no site ZH Dinheiro, a resposta do ministro da Defesa, Nelson Jobim, à manifestação da Iata.
Ontem, na Assembleia Legislativa, o chinês Jiang Jianghua, do Escritório Nacional de Auditoria da China (CNAO), deu um número interessante. Ao fazer auditorias de obras públicas enquanto elas eram construídas, a repartição conseguiu economizar 4% do custo total ao governo chinês.
Parece pouco, mas obra pública sempre envolve muito dinheiro. Se for na China, então... Em valores, a economia total foi de US$ 7 bilhões. Para se ter uma ideia, isso dá perto de R$ 12 bilhões --- quatro vezes mais do que todo o dinheiro que será investido em Porto Alegre, em todas as áreas, para a Copa do Mundo.
Ou seja, o caminho escolhido pelo Tribunal de Contas do Estado para tentar evitar o desperdício de verbas públicas --- fazer auditorias periódicas enquanto o projeto está em andamento --- parece funcionar. Mas a preguiça brasileira em se preparar para a Copa do Mundo faz com que, com o rigor, haja a chance de atrasos nos cronogramas. É o caso da Arena Amazônia, por exemplo, que teve o financiamento do BNDES suspenso pelo Ministério Público.
Se o país tivesse acordado antes para a Copa --- somos sede oficial desde 2007, mas só em 2010 o governo federal definiu a matriz de responsabilidades que determina quais obras serão feitas para o Mundial ---, daria tempo para tudo. Agora, o atraso na preparação tirou de quem vai abrir ruas e construir estádios o direito de errar. Com pouco mais de três anos de prazo, qualquer interrupção vai custar caro. Porque tudo precisará estar pronto de qualquer jeito. E "de qualquer jeito" é sempre sinônimo de aumento nos gastos.
É o custo de errar, mas também é o custo de fiscalizar bem. Mas esse, como provou o chinês, pode virar investimento no fim das contas.
Até o próximo sábado, o Comitê Organizador Sede Porto Alegre indica os três campos de treinamento preferidos na Capital para a Copa: o estádio da PUCRS (foto), do São José e a futura Arena do Grêmio.Não deixa de ser engraçado. Pouco depois de o governador eleito do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, definir a redução de 70 mil para 40 mil espectadores do novo Estádio Nacional em Brasília, o atual governador, Rogério Rosso, encaminhou uma carta a Joseph Blatter, presidente da Fifa.
Na missiva, reclama que a entidade tenha escolhido São Paulo para a abertura da Copa, mesmo que os paulistas ainda não tenham nem começado o novo estádio do Corinthians. (Esse, será aumentado para acomodar 65 mil pagantes na abertura do Mundial).
Rosso está jogando para a torcida de olho em seu futuro político, já que a chance de Blatter mudar de ideia por conta de uma carta de um governador substituto, quase saindo, é mínima. O bom senso ganha se Brasília perder a abertura. Se é para construir um estádio para mais de 65 mil pagantes – público que o Brasil não vê muito mais do que dez vezes por ano –, que seja em São Paulo, e para a torcida gigante do Corinthians.
Maior economia brasileira, em São Paulo um elefante desses é menos branco. Um pouco menos.
Cidadãos do Rio Grande do Sul têm uma preocupação a menos com o desperdício de dinheiro público para a Copa de 2014. Por aqui, o Estado não vai construir estádios - Inter e Grêmio, cada um a sua maneira, farão isso sozinhos.
No resto do país, não. Se a existência de estádios estaduais no Rio e em Belo Horizonte atende a imensas torcidas, outras arenas projetadas para a Copa levam o carimbo de provável elefante branco nas costas. Em lugares como Manaus e Cuiabá, a paixão pelo futebol é cultivada muito mais pela televisão do que ao vivo, e os públicos dos clubes locais são pequenos.
Brasília, porém, vinha sendo o caso mais escandaloso. Na tentativa de hospedar a abertura da Copa, o governo decidiu que o estádio em construção no lugar do antigo Mané Garrincha teria 70 mil lugares. Em 2009, o público médio do Brasiliense, que joga no Mané Garrincha, foi de 4.306. O recorde, no ano passado, foi 23.269 pessoas no estádio. Ou seja, na melhor das hipóteses, a arena construída para a Copa teria 33% de ocupação. Um estádio vazio.
Por isso, a decisão do governador eleito Agnelo Queiroz, de reduzir a capacidade do novo Estádio Nacional de Brasília para 40 mil lugares, é exemplo da sensatez possível no momento, já que a construção de um estádio novo no Distrito Federal - algo muito discutível - já foi decidida.
É o cenário menos ruim para o contribuinte.
Até o dia 20 de novembro, a Match Services, empresa ligada à Fifa que cuida das acomodações das seleções na Copa do Mundo, vai enviar um segundo questionário às cidades que se candidataram a receber times durante o Mundial.
Trinta municípios se candidataram no Rio Grande do Sul para ser campo-base -- ou seja, receber uma seleção e seus torcedores durante todo o período de treinamentos antes da Copa e até as oitavas de final.
Esse novo questionário servirá para complementar as informações enviadas pelas cidades logo depois da Copa da África. No primeiro contato, cada município vendeu seu peixe da forma que desejou, seguindo orientações da Secretaria Estadual da Copa 2014. Agora, terão de responder um questionário padronizado.
A Match e a Fifa sinalizaram que poderão receber mais inscrições das cidades, e o prazo de definição das escolhidas pode ser estendido de janeiro para abril de 2011.
Ser "escolhida" pela Match, no entanto, não significa que a cidade será campo-base. Os municípios selecionados entram num caderno produzido pela empresa e distribuído a todos os mais de 200 associados da Fifa. São as seleções que se classificarem para a Copa que escolherão aonde vão ficar.