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Posts de abril 2011

Só o governo está tranquilo em relação à Copa

22 de abril de 2011 2

Hoje, no 10º Fórum Empresarial/Fórum de Governadores em Comandatuba, na Bahia, o ministro do Esporte, Orlando Silva, disse que está tranquilo em relação ao cumprimento dos prazos para as obras de infra-estrutura para a Copa de 2014. E deu uma razão objetiva: a flexibilização da Lei das Licitações, que permitirá mais rapidez para contratar as obras.

Silva fez coro a outros integrantes do governo federal que, durante a semana, vêm tentando reduzir o pânico que começa a tomar conta de quem olha para o estágio da preparação para a Copa. Nos últimos dois meses, os alertas quanto ao atraso nas obras vieram de todo o lado: do presidente da Fifa, Sepp Blatter, aos ministros do TCU, passando pelo Ipea.

A defesa mais agressiva veio do ministro da secretaria-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que desqualificou a nota técnica do Ipea que considerava impossível terminar a tempo a ampliação da maior parte dos aeroportos brasileiros. Para ele, isso é "complexo de vira-lata".

Talvez estejamos vendo, por parte dos agentes públicos, exatamente o contrário. Em vez de subestimar a capacidade do brasileiro, todos vêm colocando muita fé na rapidez das construções. Quatro meses de 2011 já se passaram e não se vê, nas 12 cidades-sede, quase nenhuma das obras prometidas saindo do papel. Em Porto Alegre, apenas uma, a duplicação da Av. Beira-Rio, está andando.

É ótimo que o governo Dilma tome providências para reduzir a burocracia que, muitas vezes, emperra os investimentos. Porém, flexibilizar a Lei das Licitações exige que a fiscalização aumente na mesma proporção da velocidade em que os recursos públicos são liberados. Ou seja, é preciso investir nos órgãos de controle.

Afinal, estamos falando de R$ 33 bilhões, até 2014.

A briga de R$ 300 milhões pela abertura da Copa

21 de abril de 2011 1

Na imagem à direita, o governador Agnelo Queiroz, do Distrito Federal, de camiseta amarela, tenta chegar na bola em uma pelada entre autoridades distritais e um time de artistas em comemoração ao aniversário de 51 anos de Brasília.

Na esfera política, o governador tenta dar um chapéu em outras duas capitais brasileiras e abrigar o primeiro jogo da Copa de 2014. O tema do aniversário de Brasília é a Copa da Fifa, jogada ensaiada para usar o marketing da comemoração a favor da candidatura --- o que rendeu uma menção no site da entidade, que destaca  a cúpula decorada como bola de futebol do Museu Nacional Honestino Guimarães.

A disputa pelo jogo de abertura, porém, é um triangular que também envolve São Paulo e Salvador. As três cidades têm prós e contras, a saber:

Brasília --- a favor, o fato de ser a capital federal e estar adiantada na construção de um estádio para 70 mil pessoas. Contra, a falta de tradição no futebol e a incerteza sobre a pertinência de construir uma arena tão grande numa cidade sem times na série A.

São Paulo --- a favor, ser a maior cidade brasileira e provável sede do centro de transmissões da Fifa, além de ter a melhor estrutura hoteleira e de recepção para um jogo de alta visibilidade. Contra, o atraso na construção da Arena Corinthians, ainda na prancheta.

Salvador --- a favor, o potencial turístico e cultural da cidade e o bom andamento da obra da nova Fonte Nova, situada em local privilegiado. Contra, o menor peso político da Bahia em relação aos adversários.

A Fifa cogita uma solução salomônica: fazer a festa de abertura em um local (Salvador) e o jogo, em outro (São Paulo ou Brasília, com vantagem para os paulistas). A indefinição da entidade, porém, já custa caro aos cofres brasileiros. Isso porque o jogo de abertura precisa de um estádio com pelo menos 60 mil lugares.

O Corinthians modificou seu projeto, aumentando o custo em R$ 300 milhões, para subir de 48 mil para 65 mil assentos, e se credenciar. Em Brasília, o movimento foi contrário: o projeto original é de 70 mil lugares, para buscar o jogo de abertura, mas Agnelo Queiroz chegou a cogitar sua redução, para adequar melhor à média de público do futebol do Distrito Federal.

O alívio para o dinheiro do contribuinte durou pouco. Como a Fifa ainda não encerrou a disputa, o governador desistiu da modificação, que poderia poupar até R$ 300 milhões do orçamento do distrito --- o Estádio Nacional de Brasília está sendo construído com dinheiro da venda de terrenos públicos. Vai até o fim em busca do jogo de abertura, que traz holofotes à cidade mas não é nem de perto tão assistido quanto as semifinais e a final da Copa, já garantida para o Maracanã.

Ou seja, a briga de foice pela abertura, além de custar milhões adicionais para os contribuintes do DF ou para os torcedores do Corinthians, pode resultar em uma vitória de Pirro, obtida a um preço alto demais para compensar.

US$ 1 bilhão: o programa eleitoral de Blatter

20 de abril de 2011 0

Dia 1º de junho, a Fifa promove nova eleição para a presidência da entidade, em Zurique. O suíço que substituiu o brasileiro João Havelange em 1998 enfrenta, desta vez, o qatariano Mohamed Bin Hammam.

Ninguém cogita uma derrota de Blatter. Não apenas porque Bin Hammam não tem expressão mundial, mas especialmente porque o ex-secretário-geral de Havelange mantém um hábil (e caro) domínio da entidade há 13 anos, seguindo à risca os passos do brasileiro que fez do futebol um negócio trilhardário.

Um desses passos é dar espaço a países emergentes do futebol, estratégia que Havelange iniciou nos anos 70 e que dobrou a Copa do Mundo de tamaho nos últimos 30 anos, passando de 16 equipes na Argentina para as atuais 32 nações, que se enfrentarão no Brasil em 2014.

A outra estratégia é mais simples: dólares. Hoje, a imprensa mundial divulgou trechos da carta que  Blatter distribuiu às 208 federações que compõem a Fifa. Em sua plataforma eleitoral, o suíço argumenta que a entidade precisa de experiência e continuidade.

Mas o tiro mais certeiro veio na promessa de direcionar US$ 1 bilhão para o "desenvolvimento do futebol" nos países associados. A oferta financeira não é à toa: uma das promessas de Bin Hammam é aumentar os repasses da Fifa. A cifra impressiona, mas tem de ser colocada em perspectiva. Uma Copa do Mundo rende, para a Fifa, cerca de US$ 4 bilhões brutos, calcula a Bloomberg.

A eleição de junho tem uma diferença crucial em relação a outros pleitos mundo afora. Dificilmente os candidatos --- especialmente Blatter --- vão abordar os problemas de credibilidade que a Fifa enfrenta, como as denúncias de compra de votos durante a concorrência para sediar as copas de 2018 e 2022, vencidas respectivamente pela Rússia e pelo próprio Catar de Bin Hammam.

Vencendo quem vencer, não há porque esperar grandes mudanças.

O condomínio que substituirá o Eucaliptos a partir de 2012

15 de abril de 2011 2

A imagem ao lado mostra como será o conjunto de condomínios residenciais que ocuparão o terreno do Estádio dos Eucaliptos, vendido no ano passado pelo Internacional para dar o pontapé inicial nas obras do Beira-Rio para a Copa.
A construção das torres deve se iniciar no primeiro trimestre de 2012.
Serão sete prédios residenciais com 308 apartamentos, além de uma área para comércio e serviços com 200 m² e 595 vagas de estacionamento. Nesta sexta-feira, a Prefeitura entregou à construtora Melnick Even o Estudo de Viabilidade Urbana do projeto.
Como contrapartida pelo empreendimento, a construtora doou à cidade uma área de 4,4 mil m2, onde será implantada uma praça pública, voltada para a rua Silveiro. (na parte de baixo da imagem)
Vender o Eucaliptos representou o pontapé inicial para as obras de modernização do Estádio Beira-Rio, que será usado na Copa de 2014. O negócio não teve valor divulgado, mas fontes de mercado estimam que o estádio rendeu ao Inter entre R$ 25 milhões e R$ 28 milhões.
O valor geral de vendas estimado pela construtora é de R$ 200 milhões.
Para reduzir o impacto no trânsito que os moradores dos sete prédios de alto padrão devem provocar, o estudo determinou algumas mudanças no trânsito do bairro:
- A rua Silveiro terá sentido único de circulação desde a av. José de Alencar até a Rua Otávio Dutra
- A rua Dona Augusta terá sentido único  de circulação desde a Dona  Sofia até a José de Alencar
- A rua Dona Sofia terá sentido único desde a Silveiro até a Dona Augusta.

Fifa fecha com quarto patrocinador nacional da Copa 2014

15 de abril de 2011 0

A Fifa anunciou hoje que fechou acordo com a Nestlé para patrocinar a Copa de 2014, no Brasil. Como patrocinadora nacional, a multinacional ficará ao lado de Oi, Seara e Itaú, com o direito de explorar a marca da Copa em produtos e promoções.

Além disso, a empresa poderá vender chocolates da marca Nescau nos estádios da Copa das Confederações de 2013 e da Copa do Mundo.

A Fifa também tem patrocinadores internacionais para as Copas, como McDonald's e Budweiser. Confira a lista aqui. Os valores dos acordos não foram divulgados, mas a entidade, em balanço liberado em março, anunciou lucro de US$ 631 milhões entre 2007 e 2010.

Os 24 mil que vão mostrar o Brasil ao mundo

12 de abril de 2011 0
À primeira vista, parece exagerado o papel que a Fifa dá à estrutura de imprensa nos estádios e cidades da Copa. Mas dados mostrados no no primeiro seminário voltado à comunicação do Mundial, realizado em Belo Horizonte pelo Comitê Organizador Local da Copa 2014, percebe-se a razão.
Os diretores de comunicação do COL, Rodrigo Paiva, e da Fifa, Nicola Maingot, fizeram um alerta a representantes dos governos estaduais e das 12 cidades-sede do Mundial: preparem-se para ser uma central de informações sobre o Brasil durante os próximos três anos. Segundo avaliação da Fifa, o Brasil deve atrair muito mais a atenção de estrangeiros do que a África do Sul.
Portanto, é fundamental que as equipes de comunicação dos envolvidos na organização da Copa trabalhem juntas para que não falte informação a quem procura. Os gaúchos estiveram presentes no seminário: pela Prefeitura da Capital, o coordenador de Comunicação do Gabinete do Prefeito, Giuliano Thaddeu, e a coordenadora de Publicidade, Aline Kusiak. Pelo Governo do Estado, o coordenador de comunicação da secretaria do Esporte, Fabio Berti.
Os números da Comunicação em uma Copa impressionam. O Mundial deve trazer ao Brasil 4 mil jornalistas de veículos impressos e internet, 10 mil fotógrafos e 10 mil profissionais de rádio e TV. Antes de cada jogo, cada cidade terá um clipe de 30 segundos, que será exibido aos milhões de espectadores mundo afora. Além disso, as cidades-sede têm espaço garantido no site da Fifa, que teve, só no Mundial da África do Sul, seis bilhões de acesso. A previsão é que, em 2014, sejam 18 bilhões.
Só entre a imprensa credenciada, portanto, são 24 mil pessoas que podem divulgar o que o Brasil tem – de bom e de ruim.

Do Rio, um alerta sobre as desapropriações causadas pela Copa

12 de abril de 2011 2

Vem do Rio o alerta para os efeitos colaterais que as transformações nas cidades-sede, com as obras prometidas para a Copa,  podem trazer.

Para construir uma via expressa de 56 quilômetros orçada em R$ 800 milhões, a prefeitura carioca está retirando dezenas de famílias de suas casas na Zona Oeste do Rio. Mas, segundo dezenas de famílias que estão movendo ações judiciais contra o Município, os valores oferecidos para a desapropriação estão muito abaixo do que as residências valem.

O assunto vem se agravando. Segundo a agência AFP, moradores vêm encontrando, quando chegam do trabalho, suas casas demolidas. A situação chamou a atenção inclusive da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), que solicitou ao Brasil no início de março informações sobre os despejos.

Em Porto Alegre, estão previstas duas grandes desapropriações para dar lugar a obras da Copa: na Vila Dique, à beira do Aeroporto Salgado Filho, 1,2 mil famílias sairão para dar lugar à pista ampliada do terminal. Quatrocentas delas, as da cabeceira, já foram retiradas e assumiram imóveis novos na Zona Norte, próximo ao Sambódromo.

O caso mais complicado deve ser o da avenida Tronco (ao lado, uma imagem do projeto), que será ampliada para virar uma artéria importante de ligação

da Zona Sul ao Centro. Mais de 1,8 mil casas estão no traçado da avenida. Porém, as comunidades afetadas, na região da Vila Cruzeiro, ainda não têm informações sobre o plano habitacional que será implantado --- a obra está à espera do projeto básico, a cargo do Centro das Indústrias do Rio Grande do Sul (Ciergs).

A apreensão, assim, é grande. Moradores temem receber muito menos do que suas casas valem, o que dificulta a compra de outra moradia. Também não desejam ser enviados para uma região muito afastada, longe de seus empregos e de estruturas como hospitais e comércio.  A Prefeitura garante que já vem comprando terrenos nas cercanias para evitar esse problema, e planeja enquadrar as famílias nos programas de Aluguel Social e Minha Casa, Minha Vida.

O que está acontecendo no Rio deve servir de exemplo para as autoridades gaúchas. Mais do que acelerar as obras, é preciso fazer isso intensificando o contato e a negociação com quem será atingido. Só assim todos ganham.

Anúncio sobre Copa das Confederações será na Marina da Glória

11 de abril de 2011 0

Será na Marina da Glória, no Rio, o primeiro grande evento da Copa de 2014 no Brasil: o sorteio para as Eliminatórias, no dia 30 de julho.
Seleções de todo o mundo enviarão representantes para o sorteio, que definirá como será a disputa por uma das 31 vagas para a Copa brasileira.
Há três semanas, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, chegou a dar como exemplo do atraso brasileiro a indefinição sobre a cidade que receberia o sorteio, a menos de seis meses do evento. No ano passado, o secretário-geral da entidade, Jeróme Valcke, chegou a visitar a Cidade da Música e o Forte de Copacabana para avaliar os locais, mas a escolha recaiu sobre a Marina da Glória, que também vinha sendo cogitada.
Um dia antes do sorteio, a Fifa anunciará, também, as cinco sedes dos jogos da Copa das Confederações. De olho na visibilidade da competição, considerada um ensaio geral para a Copa do Mundo, as cidades-sede brigam para receber alguma das partidas - as seleções do Brasil e da Espanha já estão confirmadas.
Para Porto Alegre, portanto, o dia 29 de julho poderá marcar um novo desafio: não só deixar tudo pronto para a Copa do Mundo, mas boa parte, um ano antes. Como a reforma do Beira-Rio tem previsão de término para dezembro de 2012, a Capital é bem cotada para receber alguma partida da Copa das Confederações.

Em Belo Horizonte, cidades sede debatem preparação

08 de abril de 2011 0

Entre os dias 11 e 14 de abril, se realiza em Belo Horizonte o Seminário da Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014 --- Comunicação e Fan Fest. Será o momento das 12 cidades-sede discutirem planos conjuntos de marketing e comunicação para o evento, além de tratar da organização das Fan Fests.

Uma Copa se joga em estádios com a presença de 60 mil pessoas, mas se sente nas Fan Fests. Em 2006, na Alemanha, as praças públicas com telões transmitindo as partidas eram aonde ocorria a interação entre os moradores das cidades-sede e os turistas. É, certamente, a parte mais democrática do Mundial.

Para tratar do assunto, Porto Alegre vai enviar o secretário da Copa, João Bosco Vaz, na quarta-feira. Já na segunda-feira, as ações de marketing e comunicação serão debatidas pelo coordenador de Comunicação do Gabinete do Prefeito, Giuliano Thaddeu, e pela coordenadora municipal de Publicidade, Aline Kusiak.

Via-crúcis para hermanos e gaúchos na Copa

06 de abril de 2011 2

Direto  de Brasília, o colega Léo Saballa Júnior dá a notícia: não há chance de a nova ponte do Guaíba ficar pronta até a Copa do Mundo.

Apesar de o estudo técnico já ter sido concluído pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), não há nem sombra do projeto da ponte, que deve ser concluída apenas em 2015.

Uma das boas possibilidades de o Rio Grande do Sul lucrar com a Copa é com a vinda de argentinos e uruguaios ao Brasil. Fanáticos por futebol e com grandes chances de ver suas seleções classificadas para 2014 --- o Uruguai, além da ótima campanha na África do Sul, tem uma geração jovem já classificada para a Olimpíada de Londres ---, os hermanos atravessariam de carro o Estado, movimentando a economia, para assistir aos jogos no Beira-Rio ou até em Curitiba.

A ponte, porém, com seus frequentes enguiços e içamentos, é um perigo à espreita. Não só para a imagem gaúcha ante os turistas, mas também para os moradores da Região Metropolitana. Com o tráfego constante, que aumentará durante a Copa, a ligação entre Porto Alegre e Guaíba será mais exigida do que nunca.