Quando o secretário-geral da Fifa, Jérome Valcke, irritou o governo dizendo que os brasileiros precisavam levar um chute no traseiro para colocar a Copa em andamento, o ministro Aldo Rebelo disse não aceitar mais o francês como interlocutor.
Joseph Blatter, presidente da Fifa, teve de intervir e pediu reunião com a presidente Dilma Rousseff, que o recebeu em audiência. De lá para cá, nem Rebelo, nem ninguém no governo esclareceu se Valcke seria perdoado ou não. Hoje, Blatter deu uma entrevista coletiva em Zurique, após as reuniões do Comitê Executivo, e deixou claro como o assunto vai ficar --- ficará como se nada tivesse acontecido.
Como era previsto, a Fifa não trocou seu interlocutor para a Copa, como o governo federal queria. Valcke segue como o homem forte do Mundial, papel que já cumpriu em 2010, e Blatter, que derreteu-se em elogios há duas semanas quando no Brasil, jogando em casa voltou a criticar a organização brasileira.
– Convidamos o Brasil a continuar o que começou. Pelo menos votaram a lei no Congresso. A bola está no campo deles agora para jogar. Queremos atos e não mais só palavras – frisou o presidente da Fifa.
Ou seja: tudo voltou à situação anterior à crise do traseiro. A Fifa nervosa com estádios atrasados, aeroportos sem obras e rede hoteleira deficiente. O governo federal pressionado, sendo criticado pela Fifa de fora do país e afagado pela entidade quando seus representantes estão em território brasileiro.
Na reunião desta sexta-feira, o Comitê Executivo da entidade também aprovou o relatório financeiro de 2011, quando a Fifa faturou US$ 36 milhões. Além disso, foi definida a reformulação do Comitê de Ética da entidade - uma das medidas anticorrupção determinadas ainda no ano passado -, a criação de um seguro para jogadores cedidos a seleções nacionais e a eleição de uma mulher para integrar o Comitê Executivo.









