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Posts de junho 2010

Enfim, a Copa que todos nós queremos

27 de junho de 2010 0

Escrevi o texto abaixo para a edição impressa do Santa desta segunda-feira. Como lá houve cortes, o publico aqui na íntegra:

Alemanha e Inglaterra, enfim perdi o fôlego nessa Copa. Jogaço, não só o melhor da edição sul-africana, provavelmente um dos melhores entre todos os Mundiais. Sem exagero.
Times ofensivos, grandes jogadas, dribles, lançamento (até sem querer), golaços e, para completar, um erro de arbitragem para ser lembrado daqui a 100 anos. Por ironia, o troco alemão pela bola de Hurst que não entrou na final da Copa de 1966. Essa de Lampard, e seria um golaço, entrou mais que uma régua escolar. E o árbitro uruguaio Jorge Larrionda não viu. Os uruguaios são mesmo os personagens dessa Copa. Para o bem ou para o mal.
A Inglaterra empataria o jogo após sair perdendo por 2 a 0, e não adianta agora ficar aqui dizendo se o jogo mudaria ou não. O fato é que, no segundo tempo, a Alemanha fechou a conta em dois contra-ataques de se botar em aula de escolinha de futebol. O time alemão é fantástico, o melhor da Copa. Jovem e talentoso, trata a Jabulani como ninguém. Pode até não ganhar nada, pois a garotada oscila demais. É um elenco que está sendo preparado para a Euro 2012 e a Copa de 2014, mas que pelo jeito pode estourar antes disso. O jogo contra a Argentina, sábado que vem, será simplesmente fantástico. Quem viver, verá.
Quanto aos ingleses, tradição mantida: chegam com muita banca e mostram pouco. Uma Copa decepcionante de uma geração da qual muito se esperava. Foi a despedida pela porta dos fundos em Mundiais de Gerrard, Lampard, Terry e outros menos protagonistas. Destaques nos marqueteiros clubes ingleses, bajulados por parte da mídia que sempre endeusa o que vem da Europa em detrimento dos sul-americanos, mas incapazes de fazer uma seleção decente. Rooney, que mal chutou ao gol em quatro jogos (jogou machucado, é verdade), poderá se redimir em 2014. Se os súditos da rainha estiverem lá, claro.
Um jogo digno de Copa. Que mostrou que a temida Alemanha está no páreo. E que, felizmente, o futebol resiste bravamente aos retranqueiros.

Agora sim a Copa começa

25 de junho de 2010 4

Com todo respeito ao festival de perebas que já estão pegando o rumo de casa, agora sim dá para dizer que teremos Copa do Mundo.

Sobraram os 16 que mereceram. Grandes como Itália e França deram vexame, times de certa tradição como  Dinamarca e Sérvia bobearam. E os africanos deram um tremendo vexame na Copa em casa. Com times bagunçados, o que jogou por terra aquela história de evolução do futebol no continente, apenas Gana conseguiu avançar, e mesmo assim sem muitos méritos. A anfitriã África do Sul entrou para a história como a primeira dona da casa a se despedir na fase de grupos. Costa do Marfim, Nigéria e Camarões, de quem se esperava muito, mostraram muito pouco. E da Argélia ninguém esperava nada mesmo (tiraram da Copa o Egito, melhor time africano, para ir embora sem marcar um golzinho sequer (e se não fosse o frango do goleiro na estreia e o gol nos acréscimos contra os EUA, teriam arrancado três 0 a 0). Não vão fazer falta alguma.

Como também não deixarão saudade times retrancados como Suíça, Eslovênia e Grécia. A Suíça mesmo, me deu raiva. Deveria ser banida do futebol por incapacidade técnica de atacar.

E agora vem também a promessa de grandes jogos. Como não sou de ficar em cima do muro, seguem meus palpites para os jogos das oitavas (só quem passa, ok, diferente dos palpites do Brasileirão).

Uruguai 2 x 1 Coreia do Sul

EUA 3 x 2 Gana

Alemanha 1 x 1 Inglaterra (Inglaterra vence nos pênaltis)

Argentina 3 x 1 México

Holanda 1 x 1 Eslováquia (Holanda ganha na prorrogação)

Brasil 2 x 0 Chile

Paraguai 1 x 2 Japão

Espanha 2 x 2 Portugal (Portugal ganha nos pênaltis)

Minha seleção da primeira fase

25 de junho de 2010 1

Acabou a primeira fase da Copa, a de menor média de gols da história (2,10 por jogo). Em meio a tanta desolação e esquemas retrancados, teve sim quem se destacou. O blogueiro publica uma humilde seleção dos melhores da primeira fase (que fique claro, da primeira fase). A maioria é de seleções que seguem na Copa, mas teve sim quem foi bem, apesar de o time que defendia já estar a caminho de casa. E como já é a tradição aqui no blog, quem quiser concordar ou discordar, o espaço está aberto.

Goleiro – Tim Howard (EUA)

Laterais - Maicon (Brasil) e Kolarov (Sérvia)

Zagueiros – Lugano (Uruguai) e Grichting (Suíça)

Volantes – Raul Meirelles (Portugal) e Elano (Brasil)

Meias – Özil (Alemanha) e Honda (Japão)

Atacantes – David Villa (Espanha) e Diego Forlán (Uruguai)

Técnico – Bert van Marwijk (Holanda)

O vexame italiano e suas razões

24 de junho de 2010 2

Ao fazer as análises dos grupos da Copa, meses atrás, lembro bem de ter falado sobre a Itália que era um time envelhecido, sem chances de título, mas que passaria às oitavas por ter tido a sorte de cair no grupo mais fácil entre os oito. No mata-mata, sim, teria vida curta.

Errei.

E errei porque a tragédia italiana foi ainda maior do que se podia imaginar. Nem o mais pessimista dos torcedores da Azurra poderia pintar um quadro tão vexatório: eliminação na primeira fase num grupo que mais parecia uma colônia de férias. E na última posição. E sem vencer ninguém, nem a Nova Zelândia, que tem bombeiros e contadores no time. E que ainda sim esteve a um gol da classificação.

Foi a pior campanha da rica história italiana nos Mundiais (só menor que a brasileira, e talvez empatada com a dos alemães). E tem explicações: uma delas, o envelhecimento do time campeão em 2006. Marcello Lippi resolveu apostar em jogadores que nos último quatro anos só jogaram com a fama de campeões do mundo, como Cannavaro, Zambrotta, Gattuso, Iaquinta, e por aí vai. Outros dois que até poderiam fazer a diferença, como o goleiro Buffon e o meia Pirlo, se machucaram e pouco puderam ajudar. Enquanto isso, jovens promessas como o atacante Balotelli, o meia Rossi e outros ficaram na Itália.

As histórias de Itália e França, as finalistas de 2006, são parecidas em 2010. E por isso o caminho não poderia ser outro que não o da eliminação precoce e vergonhosa para ambas. A diferença, talvez explicada pela diferença de tradição entre Itália e França, a Azurra lutou até os instantes finais, mesmo aos trancos e barrancos, para seguir viva na Copa. E quase conseguiu, um chute de Pepe no último lance poderia ter dado a vaga. Seria uma tremenda injustiça, e aí muita gente estaria falando da mística da camisa italiana, blá, blá, blá…

Times como os que italianos e franceses levaram à África do Sul não tinham como ter vida longa numa Copa marcada pela aplicação tática extrema. É isso que explica jogos tão ferrenhamente equilibrados (e muitas vezes chatos) e o sucesso de times como Japão, Eslováquia, Coreia do Sul e Estados Unidos, já garantidos nas oitavas. Com muita disciplina, estão refazendo o mapa do futebol mundial.

Itália e França, essas Itália e França, faziam parte do passado do futebol. Foram embora por estarem deslocadas. E não farão falta alguma.

Domínio sul-americano na Copa

22 de junho de 2010 2

Que Brasil e Argentina estariam entre os favoritos, poucos tinham dúvida. Surpreendente mesmo é ver seleções como Chile, Paraguai e, principalmente, o Uruguai, fazendo bonito nesta primeira fase da Copa que está com cara de lavada no duelo “Libertadores x Liga dos Campeões”.

O Uruguai fez campanha do velho Uruguai – primeiro da chave, invicto e sem tomar um golzinho sequer. Tem um time experiente e com jogadores de qualidade, sobretudo Forlán, Suarez e Lugano. Por questão de simpatia, torço para que vá longe (até as quartas, pelo menos).

Chile e Paraguai lideram as respectivas chaves, mas ainda não estão garantidos. Os paraguaios até estão mais perto, pois basta empatar contra a Nova Zelândia. Se vencerem, garantem o primeiro lugar e evitam confronto com a Holanda (jogam o pepino para a Itália).

A situação do Chile é mais complicada. É líder, mas para classificar vai precisar passar no teste mais duro até então: não perder para a Espanha na sexta-feira. Se conseguir, de quebra garante a liderança da chave e provavelmente foge do Brasil no mata-mata. Um baita negócio.

E há explicação para os sul-americanos que foram à África na condição de coadjuvantes terem se juntado a Brasil e Argentina na condição de protagonistas?

Sim, numa Copa essencialmente tática, na qual praticamente todas as seleções se parecem, o bom e velho talento sul-americano para jogar bola, a capacidade de driblar e improvisar, está fazendo a diferença. E tem outra coisa: os times europeus estão capengas (Itália envelhecida, Alemanha talentosa, porém, ainda imatura, França dando vexame dentro e fora de campo, Inglaterra indo pelo mesmo caminho, Espanha querendo a todo custo voltar à condição de “amarelona”. A exceção é a Holanda, mas na hora da verdade costuma faltar pedigree aos laranjas.

A Copa em que os africanos decepcionam estrondosamente vai ficando a feição para nós, sul-americanos. Que assim seja!

Notas de Brasil x Costa do Marfim

20 de junho de 2010 0

O Brasil, enfim, estreou na Copa do Mundo da África do Sul. E que estreia!

O jogo foi complicado apenas nos primeiros minutos, mas mesmo neste curto espaço o Brasil tratou de deixar claro aos Elefantes quem é que manda no pedaço (no caso, na Copa).

Uma atuação digna de elogios rasgados, na qual as falhas (elas existiram) ficaram menores. A zaga cochilou no gol de Drogba, mas, como contra a Coreia do Norte, o gol pode ser colocado na conta de um certo relaxamento pelo jogo já estar definido. Mas não dá pra acontecer toda hora. E Dunga bobeou ao não perceber (todo mundo percebeu) que Kaká seria expulso a qualquer momento.

De qualquer forma, seguem as notas de quem jogou:

Julio Cesar – Seguro como sempre. Mais uma vez não teve culpa no gol de Drogba, a zaga o deixou vendido no lance. NOTA 7

Maicon – Não repetiu a atuação da estreia, mas também esteve longe de comprometer. NOTA 6

Lúcio – A bobeada no gol marfinense arranhou uma atuação quase perfeita. NOTA 7

Juan – Jogou muito. Tentou cobrir a falha de Lúcio no gol marfinense, no mais foi perfeito. NOTA 8

Michel Bastos – Jogou? Não pode destoar desse jeito. NOTA 4

Gilberto Silva – Após toda a polêmica do joga ou não joga, entrou em campo e foi bem, muito seguro. NOTA 7

Felipe Melo – Uma atuação para calar críticos. Jogou muito bem (apesar de também ter dormido no lance do gol de Drogba). E o mais incrível: mesmo com a pancadaria que virou o jogo, não fez uma única faltinha! NOTA 8

Elano – Outra vez uma atuação segura e importante para o time. Apareceu na frente para fazer o terceiro gol e deixou o campo após uma falta criminosa. Mas não preocupa. Menos mal. NOTA 8,5

Kaká – Estreou na Copa! Aos poucos, começa a ser o bom e velho Kaká. Comandou o meio-campo, participou de dois gols e causou desespero na defesa marfinense. O problema foi a expulsão, fruto de um nervosismo que não é típico dele. Mas deixou a torcida entusiasmada com a recuperação. NOTA 8

Robinho – Não foi tão bem quanto na estreia, mas também não comprometeu. NOTA 6

Luís Fabiano – O dono do jogo. Fez gol de oportunismo, golaço antológico (vai para a história das Copas) e conseguiu, num único lance, resumir aquela atuação de Maradona contra a Inglaterra em 1986: fez um golaço com a ajuda do braço. Irregular, sim, mas inegavelmente maravilhoso. E voltou a ser o Fabuloso que andava meio sumido. Tornou-se candidato fortíssimo à artilharia da Copa. NOTA 10

Daniel Alves - Entrou no lugar de Elano e jogou pouco. SEM NOTA

Ramires – Esse, então, entrou nos segundos finais no lugar de Robinho. Nem viu a Jabulani de perto. SEM NOTA

Dunga – O time engrenou, e inegavelmente ele tem méritos nisso. Apesar de todo o péssimo humor nas entrevistas, merece elogios. A única falha foi não ter percebido a tempo que Kaká seria expulso por estar de cabeça quente. Mas até nessa a culpa é relativa, pois tinha outras coisas a se preocupar. A bobeira foi dos auxiliares, que estão ali só para isso. NOTA 8

Costa do Marfim – Tentou o quanto deu segurar o Brasil. Quando viu que a vaca tinha ido pro brejo, partiu para a pancadaria. Como os demais africanos até aqui, decepcionou. Só se classificará se meter uma goleada histórica na Coreia do Norte. NOTA 4

Como Dunga passará à História?

19 de junho de 2010 7

Toda vez que vejo o Dunga esbravejando nessa Copa me vem à cabeça a imagem de Nelson Mandela no filme Invictus (ótimo, aliás, recomendo).

Aí alguém pergunta: o que uma coisa tem a ver com a outra? Eu respondo: nada. E tudo.

No filme, temos uma pequena amostra da grandeza de Nelson Mandela. Quando chegou ao poder após ficar 27 anos preso a mando dos que comandavam o regime do apartheid (leia-se os brancos), Mandela poderia (e foi incitado) a retaliar anos de sofrimento, dando o troco nos inimigos. O povo negro clamava por isso.

O que Mandela fez? Pregou (e usou) o poder do perdão. Fez isso para afastar a África do Sul da situação inflamável que vivia (qualquer fagulha jogaria o país em uma guerra sangrenta). E conseguiu, através do exemplo dele, levar a nação à democracia que, se ainda não é perfeita na relação brancos/negros, pelo menos caminha para isso.

O perdão de Nelson Mandela proporcionou aos sul-africanos a condição de principal nação do continente, a ponto de estar recebendo a Copa do Mundo. E a decisão dele no momento em que toda a lógica apontava para uma retaliação simples o diferenciará na História, aquela com H maiúsculo. Mandela foi um dos grandes homens do nosso tempo. Se tivesse ido pelo caminho óbvio, seria apenas mais um dos tantos ditadorezinhos africanos que, ao tomarem o poder, preferiram o caminho mais fácil.

Tá, e o Dunga?

Dunga é um sujeito sofrido, que comeu o pão que o diabo amassou no futebol. Mas é um vencedor, sem dúvida. Só que, diferente de Mandela, Dunga não conhece o perdão. É a pessoa mais rancorosa que eu já conheci. Demonstra isso agora, todo dia na nossa TV. Neste domingo, por exemplo, deixou a todos perplexos com a reação raivosa contra o Alex Escobar, da Globo, na coletiva após a vitória sobre a Costa do Marfim. Coisa de gente que precisa se tratar (atualização).

Dunga odeia a imprensa com todas as forças. Tem ela como carrasco, a culpada por todo sofrimento que ele passou após a Copa de 1990 e, mais recentemente, nos primeiros anos no comando técnico da Seleção. Tem até certa razão por isso, mas escolheu a forma errada de demonstrar. O técnico criou um ambiente bélico na relação com a imprensa no qual o único prejudicado é o torcedor da Seleção, que ele afirma representar. Dunga tem uma visão míope do trabalho dos jornalistas, acha que todos deveriam entoar cânticos ufanistas, vestir a camisa da Seleção e ajudar a colocar para baixo do tapete os problemas. Ou seja, uma assessoria de imprensa. Para Dunga, todos os jornalistas são assessores de imprensa a soldo da Seleção (e o pior é que alguns parecem isso mesmo). Os que preferem outra postura, a independente, de opinar e noticiar, são tratados como inimigos em um front de guerra.

O pior é ver que esse espírito hoje domina os jogadores da Seleção. Julio Cesar, um boa praça por excelência, disse dias atrás que, se não fosse obrigado pelas normas da Fifa, passaria todo o Mundial sem dar entrevistas. Visão contaminada pelo rancor de Dunga, sem dúvida, já que não é aos jornalistas ali que ele fala, mas sim ao torcedor que não pode estar lá no dia a dia da África do Sul. Aliás, essa imagem de “Seleção guerreira” que querem nos impor é absolutamente ridícula.

Tá, e o outro lado? Claro que erra também. Me dói observar de longe o comportamento da imprensa que cobre a Seleção. Depois da farra de 2006, quando só faltou entrevistas de jogadores na banheira de hidromassagem (se é que não teve). alguns se viram num mato sem cachorro com a mudança brusca (e nesse caso absolutamente correta) de postura nessa Copa. Resultado? Os que nada conseguem além dos minutinhos de treino que a comissão técnica libera, ficam chorando as pitangas. Os melhores, e felizmente eles existem, vão buscar coisas mais interessantes da cobertura da Copa (e do país da Copa) do que os chatíssimos, óbvios e enfadonhos treinos da Seleção. Eu não preciso (ninguém precisa) de transmissões ao vivo do coletivo ou de um rachão, nem tampouco informação além de quem vai jogar, se há machucados e pronto (no futebol de hoje, uma jogada ensaiada em segredo é muito importante em jogos tão competitivos, por isso acho válido treinos secretos).

Resumindo: para que o torcedor precisa, os 15 minutos liberados por Dunga são mais do que suficientes. Nesse caso, ponto para o treinador.

O problema é que ele faz isso por rancor, não por convicção de que é o certo. Nas coletivas, o momento que então deveria falar do time, ele apenas despeja o ódio que sente por quem está ali perguntando. E aí repito: quem perde nesse briguinha besta é o torcedor.

Quando ergueu a taça do tetra, em 1994, vocês lembram bem quais foram as primeiras palavras de Dunga? Quem não lembra faça uma leitura labial daquela imagem. Em um dos momentos mais importantes da história vitoriosa do futebol brasileiro, ele lembrou apenas de agraciar os “inimigos” com aquelas belas palavras. Fico pensando o que ele fará se o Brasil vencer a Copa 2010 no dia 11 de julho?

O Brasil pode ganhar a Copa com esse time (pelo que vi até agora, tenho cada dia mais convicção, aliás). Mas como Dunga entrará para a História? Será um vencedor, sem dúvida, até porque estará em um seleto grupo onde estão apenas o brasileiro Zagallo e o alemão Franz Beckenbauer (campeões como jogadores e técnicos). Mas estará no mesmo nível deles?

É hora de voltar à comparação com Mandela. O Dunga bélico, que vê teoria de conspiração em tudo, que só encontra motivação se tiver inimigos para enfrentar, e que na hora das vitórias só pensa em retaliar os desafetos, está mais para ditador do Congo do que para Nelson Mandela. Se tivesse optado (e talvez até ainda exista tempo para isso) pelo perdão aos que lhe causaram tanto sofrimento no passado, ele hoje, mesmo impondo o regime de disciplina militar na relação com a Seleção, que é correto, certamente seria lembrado apenas pelo profissional competente que é, com números incontestavelmente vitoriosos (e na comparação com Maradona, por exemplo, o grande personagem da Copa até aqui, daria goleada, pois é muito mais treinador). Mas como prefere garantir seu lugar na História à força, terá sempre ao lado um porém. Não precisava ser assim.

Brasil precisa engrenar. E quem não?

18 de junho de 2010 0

O Brasil foi mal na estreia, mas vá lá, quem não foi? Dos favoritos, só a Alemanha tinha feito bonito no primeiro jogo, mas vejam só o que aconteceu nesta sexta-feira: foi presa fácil para um aguerrido time da Sérvia e viu a classificação às oitavas ficar seriamente ameaçada.

Itália, Espanha, Inglaterra, França (essa então), nenhum dos considerados bichos-papões conseguiu encantar. A Argentina venceu no sufoco na estreia e goleou no segundo jogo. Jogou bem, mas expôs defeitos que podem ser fatais mais adiante. E como a Copa, de fato, só começa mais pra frente, a Argentina pode tropeçar lá, quando um tropeço dói muito mais que agora.

E o Brasil? Jogou mal, sem dúvida. Fica a expectativa par  que os fatores estreia e estreia contra uma mosca morta (e portanto com obrigação de golear) tenham pesado. Esse time de Dunga costuma responder melhor quando enfrenta adversários de nível mais alto, caso da Costa do Marfim e de Portugal, na última rodada. É o que espero, pois do contrário a classificação brasileira está, sim, a perigo. Empatar domingo significa cair na armadilha dos adversários, que aí ficariam dependendo apenas de uma vitória por dois gols contra a Coreia do Norte na última rodada. Faria do clássico Brasil x Portugal uma decisão de vaga. E o pior: provavelmente para decidir quem enfrenta a Espanha nas oitavas. Por isso, vencer domingo é fundamental. Se der para jogar bem, tanto melhor.

PS: Só um recado para os mais inflamados com o clima de Copa: torcer é uma coisa, entrar na patética onda ufanista é outra bem diferente, da qual não compactuo. O Brasil precisa da nossa torcida, mas também do nosso olhar crítico. E outra coisa: futebol não define os rumos do planeta, não é tão importante quanto alguns julgam. Alguém já disse que “é a coisa mais importante entre as coisas menos importantes”. E é bem isso mesmo. Portanto, o melhor é levar no bom-humor, como faço.

De lambuja, meus palpites pros jogos do fim de semana:

Holanda 3 x 1 Japão

Gana 2 x 2 Austrália

Camarões 1 x 3 Dinamarca

Eslováquia 1 x 2 Paraguai

Itália 3 x 0 Nova Zelândia

Brasil 1 x 0 Costa do Marfim

Procura-se bom futebol na Copa

16 de junho de 2010 2

Escrevi esse texto abaixo para a edição impressa do Santa dessa quinta-feira. Ele fala do espírito que a primeira rodada da Copa me causou, mas ao menos o primeiro jogo da segunda rodada já nos deu esperanças de que a coisa vai melhorar: futebol envolvente e vitória com fartura de gols do Uruguai (quem diria) sobre a África do Sul (que, como previsto, vai abandonar o barco ainda na primeira fase, para alegria de quem não suporta mais as irritantes vuvuzelas).

Sou um otimista, e acho que essa Copa, apesar de tanta preocupação defensiva, ainda vai empolgar. Até porque agora as equipes precisarão vencer para seguir em frente (bem diferente da estreia, quando, além do nervosismo natural, é crucial não perder). Ficar lá atrás só se defendendo nos próximos jogos significa marcar para a semana que vem a passagem de volta para casa. Oxalá.

Abaixo, o texto da edição impressa do Santa:

Sou um apaixonado por Copa do Mundo, viciado confesso. Consigo enxergar empolgação onde ninguém vê _ fui capaz de acordar animadão no domingo cedinho pra ver Argélia x Eslovênia. Só porque é Copa. Mas confesso: estou perdendo a paciência.
Conheço gente que vibra com esquemas táticos defensivos, que vê beleza em ferrolhos do tipo que estão prevalecendo na África. Mas sou como a maioria: não aguento mais tanto medo de perder, o que coloca algumas seleções até com o roupeiro dando bico na zaga pro lado que está virado. Somado a isso a tal bola que mais atrapalha do que ajuda (nunca vi tanta gente matando de canela e chutando na lua), e temos uma falta de gols de desanimar.
Torço para que essa Copa ainda seja salva nos próximos jogos, mas já sugiro à Fifa uma solução para as próximas: na hora do cara e coroa, quem ganhar já dá a saída vencendo por 1 a 0. Quem sabe assim ao menos um dos times se anima a atacar. Que me perdoem os amantes das táticas defensivas, mas eu que é ver gol. Devolvam o meu futebol!

Brasil abaixo da crítica

15 de junho de 2010 5

O Dunga pode até dizer que estreia é nervosa, que é Copa do Mundo, blá, blá, blá. Mas a primeira impressão do Brasil na Copa 2010 foi ridícula, medonha, abaixo da crítica.

Um gol sem querer do Maicon (desculpa aí, Maicon, tu é craque, mas me recuso a aceitar que tu queria fazer aquilo) e outro do Elano. Kaká, Luís Fabiano, Robinho, todos não corresponderam às expectativas.

Pode até ter sido a estreia, claro. Mas é preocupante levando-se em conta que o Brasil enfrentou o baba do grupo. E sofreu para furar a retranca. E tomou gol. E tomou pressão no fim. Não há outra palavra para definir que não decepcionante.

Contra Costa do Marfim e Portugal, que também não jogaram nada no confronto direto, registre-se, vamos sofrer ainda mais. Mas já era esperado, ninguém pode se dizer surpreso com isso.

O Brasil ganhou, que bom. Mas o Brasil precisa melhorar. E muito.

Notas dos jogadores:

Julio Cesar – Pouco acionado, foi colocado em uma roubada no lance do gol norte-coreano. NOTA 7

Maicon - O gol pode até ter sido sem querer, mas ele foi bem, é uma das forças da Seleção. NOTA 8,5

Lúcio - Não dá para dizer que foi bem porque comeu mosca no gol adversário. Mas não preocupa. NOTA 6

Juan – Quase a mesma coisa que o Lúcio. Inclusive a mesma nota. NOTA 6

Michel Bastos – Sentiu a estreia e foi um pouco tímido. NOTA 5

Gilberto Silva – Feijão com arroz futebol clube. NOTA 5

Felipe Melo – Só por não ter levado cartão já merece elogios. Também foi discreto. NOTA 6

Elano - Fez a jogada padrão dele, aparecer na frente para concluir. É discreto, mas é fundamental. NOTA 7,5

Kaká - Atuação fraca, confirmando o que todos desconfiavam: está meia-boca. Preocupa. NOTA 4

Robinho – Dos homens de frente, foi o que mais tentou. Mas ainda assim foi pouco. NOTA 7

Luís Fabiano – Está incomodado com a falta de gols. Mostrou isso ao desperdiçar chances que teve. NOTA 5

Daniel Alves - Substituição padrão da Seleção, fez o básico. NOTA 5

Ramires – Também entrou nos minutos finais e não mudou muita coisa. NOTA 5

Nilmar – Até tentou criar alguma coisa, pela vontade merece uma notinha boa. NOTA 6

Dunga – Estava nervoso com a estreia, demorou a perceber uma solução para a retranca norte-coreana. Quando conseguiu, até mudou alguma coisa. Mas pode melhorar. NOTA 6