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O futuro dos Jasc em discussão

18 de setembro de 2010 4

Os Jogos Abertos de Santa Catarina terminaram neste sábado em Brusque. Edição histórica, 50 anos, os Jogos de volta ao berço. Poderia ter tido muito mais destaque, mas não tem jeito: os Jasc não empolgam mais.

Lembro de quando eu era criança, antes mesmo de participar de algumas edições como nadador. A competição tinha uma outra aura, hoje não tem mais, nem de longe, a mesma importância. Os tempos são outros. Tanto é que Floripa conquistou há pouco o bicampeonato, repetindo a primeira edição na mesma Brusque e superando no apagar das luzes o favoritismo de Joinville. Haverá festa na Ilha? Aposto que não. Não mais que uma carreata organizada por famílias de atletas e envolvidos e, dada a época, inflada por políticos querendo tirar casquinha. De resto, ninguém dará importância nenhuma.

Já disse ano passado: Blumenau perdeu os Jasc (de novo), ótimo para Blumenau. A cidade aos poucos vai se livrando daquele fardo histórico de vencer a competição todo ano, a qualquer custo, apenas para manter a tal hegemonia que não acrescentou muito ao esporte da cidade. Nos últimos anos, entrou num caminho que espero seja sem volta, de usar a base formada na cidade nos Jasc, independente do resultado. Ganhar ou perder é do esporte, o que os Jasc precisam deixar em cada cidade é um legado. O principal deles é a formação de atletas, não necessariamente de rendimento. Se não for assim, de que adianta ganhar Jasc todo ano? Blumenau tem 39 conquistas, vai levar uns 70 anos alguém chegar perto. Mesmo que fosse em 30 e poucos, supondo que Floripa engatasse uma sequência incrível, até lá dá para fazer um belíssimo trabalho na base, que no fim importa muito mais.

Sobre os Jasc em si, penso que a edição 50 despertou em alguns dirigentes a noção de que a competição precisa mudar para não morrer de vez. Uma reunião na sexta-feira para discutir o tema contou com a presença de meia dúzia de gatos pingados, uma pena. De qualquer forma, torço para que o tema volte ao debate, pois a essência dos Jasc não deveria ser perdida. Para isso, penso que algumas correções de rumo seriam necessárias. Por exemplo:

- Edições de 2 em 2 anos, no mínimo. Tornaria a competição menos enfadonha. A solução seria fortalecer os Jogos regionais, classificatórios para os Jasc, e os Estaduais de cada modalidade, que classificariam os campeões para a competição.

- Com essas medidas acima, tornar os Jasc mais enxutos, com menos participantes na fase final. Evitaria a diferença técnica abissal na maioria das modalidades, e tornaria possível a organização por uma cidade de menor porte, onde o interesse é bem maior. Jasc em Blumenau, Florianópolis, Joinville, Criciúma, Chapecó, ninguém dá a mínima. E ao contrário do que podem pensar alguns, a medida não excluiria cidades menores, pois os regionais seriam fortalecidos.

- Jogos e Joguinhos, será que precisa mesmo? Não haveria uma forma de tormar os dois uma coisa só, mais atrativa? E com isso As Olimpíadas Escolares (Olesc) ganhariam importância.

- Proibição total das importações de atletas. Se alguém de fora quer disputar, precisa fixar residência na cidade por pelo menos 3 anos. Acho o fim da picada atleta que cai de paraquedas e é capaz até de errar o nome da cidade que está defendendo. É o símbolo maior da deformação do espírito dos Jasc de que eu venho falando.

- Algumas modalidades, com todo o respeito aos praticantes, não têm condições. Rever com critério o menu de modalidades seria interessante.

É isso. Até tinha mais sugestões, mais não lembro nesse momento (se lembrar acrescento aqui). Se alguém tiver alguma também, fique à vontade para mandar. Como ex-atleta dos Jasc, torço para que ele tenha vida longa. Mas do jeito que está, é da UTI para o caixão em pouco tempo.

Comentários (4)

  • Pessoa Comum diz: 19 de setembro de 2010

    É preciso dar chance para novos talentos se revelarem. Tem muita criançada boa que não tem oportunidade de treinar. Sem isso, adeus JASC.

  • Juliano Russi diz: 20 de setembro de 2010

    Braga,
    eu acho que você está coberto de razão na maioria das suas sugestões. Eu acho que realmente os Jogos Abertos precisam de mudanças, coisas contundentes e não simples paleativos. Porém, vou responder mais ou menos o que respondi no blog do Valther Ostermann: esse negócio de que os JASC não empolgam mais é algo totalmente discutível. Eu por exemplo, me empolgo todo ano e cada vez mais tenho vontade de assistir, escrever, cobrir os jogos, etc.
    Antigamente iam veículos de comunicação do estado todo e hoje poucos vão. Bom, antigamente o principal grupo de mídia do estado não detinha os três jornais impressos de maior circulação, TV, rádio, portais, etc. Pra que mandar equipes da RBS de todas as sucursais se basta apenas mandar uma, que repassa o material pros demais?
    Outra coisa: porque essa discussão sobre a ‘empolgação’ em torno dos JASC só aparece justamente na semana dos jogos? Porque não se discute isso no resto do ano? Acho que um pouco disso se deve a própria importância que a mídia dá ao assunto. Já que sou de Blumenau, vou falar do SANTA: nos outros meses do ano, qual o espaço que o jornal destina aos esportes amadores? Excetuando-se os releases enviados pela FMD ou pelos clubes, que outras matérias são feitas sobre ginástica artística, remo, punhobol, bolão e bocha? Como assinante, digo que é dado pouco espaço pra essas modalidades. Notas de rodapé, pequenos espaços nos cantos das páginas e só. A imensa maioria das 4, 5 ou 6 páginas do caderno de esporte é tomada por Flamengo, Vasco, São Paulo, Internacional, etc.
    Volto a dizer: concordo que os jogos abertos precisam de sérias reformulações e entendo que tuas sugestões são absolutamente pertinentes. Porém, entendo que a mesma mídia que clama por mudanças, deveria apoiar e divulgar mais os esportes dito amadores durante todo o ano. Assim, entendo que cresceria ainda mais o interesse por estes esportes, e os jogos empolgariam mais,
    um abraço,

    Do blogueiro: Juliano, interessante teu ponto de vista. Os Jasc pararam no tempo, isso é fato. Ou mudam ou assumem o papel de competição menor, porém importante para formar atletas, sobretudo nas cidades menores. Sobre o espaço na mídia, é a velha discussão daquela bolacha famosa: não empolga porque tem pouco espaço ou tem pouco espaço porque não empolga? Estou nesse barco há 13 anos e não tenho nenhuma dúvida em te afirmar que o espaço dado é adequado ao interesse do leitor. Quando “empolga”, tipo handebol nas finais da Liga, o interesse aumenta e o espaço também. No dia a dia o interesse é apenas de quem vive o esporte amador, não há nada que interesse ao grande público. Claro que o jornal se interessa, quer ajudar, mas aí te reafirmo: o espaço é adequado. Veja por exemplo este post: eu queria levantar um debate sobre os Jasc, porque acho o tema importante para o esporte catarinense. E apenas você apareceu para o debate. O interesse é mínimo. Grande abraço

  • Ted Love diz: 20 de setembro de 2010
  • Ted Love diz: 20 de setembro de 2010

    Braga, quais seriam as modalidades inviáveis no teu ponto de vista?
    Aproveitando a oportunidade, o esporte em Blumenau é uma piada pronta. O basquete faleceu faz tempo, o handebol está em estágio terminal, o volei na UTI…Isso sem falar no futebol…

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