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Vexame da virada de mesa na Argentina

26 de julho de 2011 8

É, pelo jeito os (maus) modos que aos poucos vão sendo aposentados no futebol brasileiro (menos em Santa Catarina) estão fazendo escola na Argentina.

O futebol dos vizinhos, tão importante quanto o nosso, está no fundo do poço. Times falidos, dirigentes dinossauros, desmandos e, pra terminar, o rebaixamento do River Plate, algo inédito na história. Isso porque na Argentina para um clube grande ser rebaixado é preciso se esforçar muito.

Ainda assim, o poderoso River caiu. Mas, sabe-se desde ontem (segunda), poderá ser salvo por uma vergonhosa virada de mesa. A fórmula usada no Argentino há muitos anos será rasgada e no lugar surge um torneio com times da primeira e da segunda divisão, o Torneio Federal. Não, caro leitor, qualquer semelhança com a vergonhosa Taça João Havelange, uma das páginas mais tristes do nosso futebol, não é mera coincidência.

O projeto da AFA foi aprovado, mas ainda o martelo não foi batido. Uma assembleia em 18 de outubro cravará se o torneio vale ou não a partir de 2012.

Todo mundo que frequenta o blog sabe bem o que eu penso sobre viradas de mesa. São vergonhosas e, além de tudo, são burras. Vejam só o River Plate. Vive um momento terrível. Se for à Segunda Divisão, começará um projeto do zero, apostará na base (que é ótima), e com o tempo voltará a unir ainda mais a apaixonada torcida, hoje destroçada. Clbes tão grandes quanto o River seguiram este caminho no Brasil na década passada (Palmeiras, Corinthians, Vasco, Atlético-MG, Grêmio, Botafogo). Todos voltaram à elite pela porta da frente, e voltaram mais fortes.

Agora vejamos o exemplo de fases mais sombrias do nosso futebol. Em 1991, o Grêmio foi rebaixado e voltou à elite num pacotão de 12 clubes que ganharam o acesso para o ano seguinte. O Fluminense foi favorecido duas vezes: em 1996 caiu e ficou (quem não lembra daquela cena melancólica da cartolada tricolor estourando champagne nas Laranjeiras?). E em 2000, graças à já citada Taça João Havelange, veio direto da Série C (que havia ganho de maneira digna em 1999) para a elite, onde segue até hoje sem pagar aquela conta. Resultado, em todos estes casos (tem ainda o Botafogo salvo pelo vergonhoso “caso Sandro Hiroshi em 1999, lembram?) os clubes poderiam ter revertido o momento ruim em coisas boas, mas escolheram o caminho mais curto e cujo o preço é uma mancha eterna em suas biografias. De nada adinta os torcedores desses clubes protestarem, a manche está lá, nunca vai sair, e foi causada por decisões dos próprios mandatários.

São essas as escolhas que o River Plate tem hoje. Pelo andar da carruagem, vai escolher a opção da vergonha eterna. Depois, não adianta nada reclamar.

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Comentários (8)

  • Diego luiz da silva diz: 26 de julho de 2011

    Olha braga
    tem varias pessoas do jornalismo esportivo no Brasil todo que tem o que eu chamo de “sindrome da minha mae” vou explicar
    a minha mae ao inves de incentivar os filhos e levantar o moral deles não ela preferia “mostar” para nos os filhos dela que os filhos dos outros eram melhores que nós que nos eramos ruims e tudo mais.
    é o que esta acontecendo os nosso campeonatos sempre foram isso e aquilo virada de mesa e tudo mais , e os outros eram melhor que nos e tudo mais
    agora os que puxavam o saco dos hermanos tão vendo que lá não tem nada de muito diferente de cá !!!!
    e se preceberem bem nem na europa é muito diferente disso é so olhar os escandulos do campeonato italiano e a FIFA né !!!!!
    intão vamos para de encher a bola deles e vamos comesar a nos valorizar .

  • aldori diz: 26 de julho de 2011

    Desculpe Braga, mais o Atletico mg, Botafogo, Fluminense Grandes, ha tá o Coritiba, o Bahia são pequenos. Pequenos em que?
    Abraços

    Do blogueiro: Tens razão. Os méritos são os mesmos. Abraço

  • Mauro Martins diz: 26 de julho de 2011

    Meu caro Braga, ouso discordar da sua visão sobre a “virada de mesa” no futebol argentino. Não houve intenção primária de beneficiar o River Plate, o buraco é mais embaixo. Sugiro que vc. leia a matéria publicada no blog PlanetaQueRola, em O Globo, assinada pelo Marcelo Alves. Tomo a liberdade de reproduzir a seguir.

    Abraços,

    Mauro

    Virada de mesa histórica no Campeonato Argentino
    A menos que seja muito, mas muito incompetente, o River Plate já tem o seu lugar garantido na primeira divisão do futebol argentino no ano que vem. Rebaixado após um dramático duelo de mata-mata contra o Belgrano no mês passado, o tradicional clube de Buenos Aires foi um dos principais beneficiados por uma virada de mesa histórica decidida nesta segunda-feira pela Associação de Futebol da Argentina (AFA) em conjunto com os clubes.

    Com 22 votos a favor, apenas quatro abstenções (Vélez Sarsfield, Newell’s Old Boys, All Boys e Racing) e uma ausência (Olimpia), ficou decidido que o próximo Campeonato Argentino da primeira divisão que começa na primeira semana de agosto não terá rebaixamento e todos os clubes da segunda divisão estão automaticamente promovidos para a elite. As únicas exceções serão os quatro últimos colocados da Série B, que serão rebaixados para a terceira divisão e que se transformará em segunda divisão.

    Com isso, a menos que termine o próximo campeonato entre os quatro últimos, o River Plate estará de volta à elite na próxima temporada, que terá outras mudanças. De acordo com a decisão tomada na AFA, acabam os dois torneios por ano – Apertura e Clausura -, modelo que existia desde a temporada 91-92, e o futebol argentino passa a ter um único campeão. Acabam também os duelos de mata-mata contra o rebaixamento. O Campeonato Argentino teria 40 clubes com quatro sendo rebaixados e quatro subindo.

    O torneio seria disputado em cinco zonas de oiro equipes cada uma. Cada clube grande seria um “cabeça de chave”. Ou seja, Boca Juniors, River Plate, Independiente, Racing e San Lorenzo. Eles se cruzariam em confrontos entre as zonas. Os melhores de cada grupo disputariam uma fase final pelo título enquanto os piores jogariam uma repescagem contra o rebaixamento. A proposta ainda precisa ser aprovada numa Assembleia no dia 18 de outubro, mas a tendência é que isso aconteça.

    - Por uma ampla maioria (foi aprovado o projeto). Só houve quatro abstenções e um ausente. O resto aceitou o novo projeto de Grondona (Julio Grondona, o presidente da AFA). Se a Assembleia aprovar no dia 18 de outubro, a partir de agosto do ano que vem começará um novo formato no futebol argentino – disse Ernesto Cherquis Bialo, porta-voz da AFA.

    Embora o River Plate seja o mais beneficiado numa análise superficial, a decisão não teve necessariamente ligação com o rebaixamento de um gigante e a possibilidade de outro cair (Boca Juniors, San Lorenzo e Racing também corriam perigo se fosse mantido o velho regulamento com a média dos últimos campeonatos). Segundo os jornais argentinos, há um componente político na decisão do futebol argentino de mudar.

    A ideia do novo formato de campeonato teria sido um pedido do governo de Cristina Kirchner, que quer federalizar o futebol argentino e ampliar a sua atuação no esporte usando também os direitos de transmissão esportiva. Como atua apenas na primeira divisão, o governo teria o dobro de clubes em um torneio patrocinado por ele. O governo já teria assegurado ainda à AFA um aumento dos direitos de televisão do futebol caso Cristina Kirchner seja reeleita nas eleições do dia 23 de outubro.

    Com as mudanças no torneio, ainda não há detalhes de como serão distribuídas as vagas para a Copa Libertadores e a Sul-Americana nem tampouco de como se acomodará no calendário a nova Copa da Argentina, torneio eliminatório nos moldes da Copa do Brasil e outras copas nacionais que já seria criado independentemente da decisão tomada nesta segunda-feira.

    Do blogueiro: Mauro, intenção primário até creio que houve. Mas concordo contigo que a lambança é muito maior do que apenas beneficiar o River. Os argentinos vivem um momento lamentável no futebol, uma pena. Abraço

  • Eduardo M diz: 26 de julho de 2011

    Braga ,

    Não se esqueça da virada de mesa no campeonato paulista de 1990 quando o São Paulo foi rebaixado e criou-se um “modulo alternativo” , disputado somente pelos times que jogariam a série B naquele ano. O São Paulo venceu esse ‘modulo” e fez a final contra o Corinthians.

    Bom , voltando ao caso argentino , os clubes legislaram em causa própria. Com o Boca e o San Lorenzo , dois dos cinco grandes , seriamente ameaçados de rebaixamento , todos votaram a favor do novo campeonato , afinal , como você mesmo mostrou , no seu perfeito raio X do futebol argentino , todos os clubes estão mortos.

    Curiosamente , o unico clube que votou contra foi o Racing , outro integrante do chamado G5 do futebol argentino , que foi rebaixado anos atrás , voltou no campo e foi logo campeão nacional.

    O futebol argentino vive uma ainda mais conturbada. A presidente está usando a paixão dos torcedores para ganhar simpatia popular , uma versão Seculo 21 da triste frase ‘Onde a Arena vai mal , mais um clube no Nacional” , lembra-se ?

    Do blogueiro: Bem lembrado. Teve também este caso também.

  • Alvaro diz: 26 de julho de 2011

    Só pra constar: O primeiro rebaixamento do Grêmio foi devido a uma briga da direção da época contra o Ricardo Teixeira, pedidos de desculpas aceitas e subimos com mais 11. E pra quem duvidar desta possibilidade, recentemente o então presidente do Flamengo Márcio Braga “peitou” o Teixeira, a ponto da FIFA ameaçar todos os clubes brasileiros de disputar jogos internacionais caso o Flamengo não voltasse atrás. E não podemos esquecer de quando o Corinthians foi campeão pela última vez contra o Inter e agora na escolha do estádio pra Copa.

  • Serginho diz: 27 de julho de 2011

    Como assim Santa Catarina?? Está falando do jec. Pois este caso não foi virada de mesa criando um modo do jec jogar a serie c e sim escalação irregular do america/AM que tem sim que ser punido.

  • Eduardo M diz: 27 de julho de 2011

    Meu caro Alvaro ,

    O primeiro rebaixamento do Gremio , em 1991 , ocorreu porque o time gaucho venceu apenas 3 dos 19 jogos disputados. Não houve nenhuma interferencia da CBF.

    Na ultima rodada , o Gremio enfrentava um Botafogo de férias. No clube carioca estavam o atacante Renato Gaucho e o tecnico Valdir Espinosa , dois icones do titulo mundial de clubes do tricolor gaucho em 1983. E , mesmo com todas as suspeitas de um corpo mole , o Botafogo meteu 3×0 e selou o rebaixamento do Gremio.

    O unico motivo que levou o Gremio a série B em 1992 foi a péssima campanha em 1991.

    O que aconteceu em 1992 , bem , o Braga já explicou.

  • Eduardo M diz: 27 de julho de 2011

    Braga ,

    Acrescente a sua lista a atual situação do campeonato parananese. O Paraná foi rebaixado esse ano mas , bem , sabe como é né ?

    Você está esperando ver o Paraná jogando a segundona no PR em 2012 ?

    Então espere sentado para não cansar…

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