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Posts de novembro 2012

Felipão e Parreira na Seleção. Quem gostou?

29 de novembro de 2012 25

Felipão e Carlos Alberto Parreira estão de volta à Seleção Brasileira. Não teve invenção mirabolante e nem tentativa arriscada. Deu a lógica.

A CBF, que parece sem comando, se deu conta de que não poderia esperar até janeiro para dizer o óbvio, que o Felipão seria o técnico. A bobagem sem sentido faria o Brasil passar uma vergonha em escala planetária no sábado, ao sediar o sorteio dos grupos da Copa das Confederações sem uma comissão técnica para representar a seleção anfitriã. Aí, pronto, pararam com a frescura (e ainda houve pressão da Fifa, sim) e Felipão e Parreira (como coordenador técnico) foram anunciados nesta quinta, como este colunista, aliás, já vinha falando há algum tempo.

Vejam bem…

Parece-me a melhor escolha para O MOMENTO, por questão de perfil.

Não é hora de testes, os dois que ganharam as duas últimas Copas para o Brasil conhecem como poucos o caminho das pedras e me parecem os únicos nomes capazes de suportar com tranquilidade a pressão descomunal que a Seleção passará a sofrer a partir de 2013 até a Copa.

Só não gostaria que a escolha invocasse sentimentos de patriotada, pois isso seria lamentável. E nem que houvesse uma guinada no time em formação (e isso não vai ocorrer). Agora é tocar em frente, a escolha está feita.

E vocês, gostaram?

Guardiola decepcionaria o torcedor brasileiro

26 de novembro de 2012 20

A queda de Mano Menezes na sexta-feira, ainda que esperada pelo menos desde a metade do ano, agitou os bastidores do futebol. A decisão da CBF de só anunciar o substituto em janeiro só colaborou para o festival de boatos.

O torcedor brasileiro, já agoniado pela falta de um trabalho confiável para 2014, clama por uma guinada. Por isso, a brincadeira virou coisa séria e o nome do espanhol Pep Guardiola para técnico da Seleção é quase uma unanimidade. Não gosto de unanimidades, tampouco de modinhas, por isso acho que quem pede o ex-técnico do Barça está errado, ao menos no argumento. Vamos aos fatos:

Guardiola tem um grande trabalho na carreira. Mas um só, e no Barcelona. Convenhamos, você aí que me lê, se treinasse o time catalão, teria grandes chances de se consagrar. Assumir a Seleção Brasileira seria seguir no topo, mas sem algumas vantagens. Ou seja, ele até pode fazer um bom trabalho, mas jamais será como aquele que o tornou sonho de consumo de todo torcedor. Por dois motivos bem simples: primeiro, o Brasil não tem Messi. Segundo, o esquema revolucionário do Barcelona não é obra de Pep, ele é apenas parte dele. Se existisse uma categoria recém-nascidos, nela começaria a forma de jogar do clube. Mas é isso, é uma filosofia, que começa na base e vai até o time principal. Não tem milagre.

Na Seleção, Guardiola teria que se sujeitar aos mesmos problemas de Mano, de Dunga, enfim… Poucos treinos, nem sempre o time ideal e pressão de todos os lados. Se ele quer mesmo, como estão dizendo, sem dúvida é um cara corajoso. Mas a chance de a torcida brasileira, que aposta nele como um salvador da pátria, se decepcionar, é considerável.

Por outro lado

Tem uma outra forma de enxergar a questão: outras modalidades tiveram ganho de qualidade considerável ao quebrar o paradigma (uma bobagem protecionista, na verdade) e apostar em técnicos estrangeiros, de países de ponta. Basquete, ginástica, handebol, os exemplos são vários.

Mano Menezes caiu. Até que enfim!

23 de novembro de 2012 33

E se foi o Mano Menezes.

Quem lê o blog, sabe que eu clamo por isso faz tempo.  E inclusive já especulei aqui que ele já estaria fora há muito tempo, e que a CBF só esperava pelo fim do ano para oficializar. Pois bem.

Lamento apenas que tenha sido num momento que a Seleção começa a ganhar um padrão (que bem poderia ser mantido) e que, ao que tudo indica, tenha sido uma decisão política na guerra de egos da CBF.

Certo é que Mano Menezes nunca foi técnico de Seleção. Fez um trabalho fraco, demorou a dar algum padrão mínimo ao time e não passaria confiança nenhuma nas competições que a equipe vai encarar: Copa das Confederações e Copa do Mundo.

E agora, quem vem?

Vários nomes especulados. Pra mim, é o Felipão. Não que seja meu favorito, mas parece ser a escolha óbvia para o momento. E eu já disse isso desde quando ele saiu do Palmeiras e resolveu “matar tempo” até o fim do ano.

Muricy Ramalho pode surgir por ser um nome forte entre os que agora detém o poder na CBF. E Tite, com todo o respeito, não me parece muito diferente do Mano.

E vocês, o que acham?

Fórmula 1 em Santa Catarina? Duvido

21 de novembro de 2012 64

Bernie Ecclestone, o todo-poderoso da Fórmula 1, esteve na terça-feira em Santa Catarina. Foi conhecer, a convite, o projeto de um autódromo (projeto antigo, por sinal) no Parque Beto Carrero World, em Penha. O governador Raimundo Colombo também esteve lá, o que deu um ar de formalidade à visita.

Logo, todo mundo se alvoroçou. Será?

Bom, seria ótimo, o Beto Carrero já levou as principais provas de kart do país para lá e tem o perfil da F-1 atual. Mas, sinceramente, duvido muito.

A Fórmula 1 está em Interlagos desde os anos 90. Trata-se do maior evento turístico da maior e mais rica cidade brasileira. Estive em Interlagos recentemente (em setembro), o autódromo está bem precisando de uma boa garibada, tá bem velhinho. Mas daí a perder a F-1, que leva quase 100 mil pessoas a SP na semana do GP Brasil, repito: duvido. E outra: a estrutura para receber a prova exige muito mais do que a região pode oferecer atualmente. Se São Paulo não dá conta (trata-se do único evento que extrapola a rede hoteleira da cidade), calculem aqui. E o aeroporto? Navegantes? Então tá…

A explicação mais razoável para a visita de Ecclestone pode estar numa palavra: Business. O contrato da F-1 com Interlagos vence em 2013 (e pode ser renovado até 2020). Mas para isso a categoria cobra alterações no autódromo que giram em torno de R$ 120 milhões, e que ninguém quer assumir agora, com troca de governo municipal em janeiro (Interlagos pertence à prefeitura de São Paulo). Aí, Ecclestone pode ter visto na visita ao Beto Carrero uma boa forma de pressionar o governo paulistano a resolver a pendência de uma vez, sob risco de perder a galinha dos ovos de ouro.

E, cá entre nós, não vai perder.

A única possibilidade que enxergo é o de duas provas da F-1 no Brasil. Não é impossível, já que hoje em dia o dinheiro manda mais do que em qualquer outra época na categoria. Mas é bem difícil.

Vamos aguardar. Mas, pra mim, a carinha meio entediada do Bernie olhando o projeto é mais do que suficiente para acreditar que F-1 em SC não passa de um sonho bem distante.

Criciúma já prepara time de elite para 2013

19 de novembro de 2012 45

Voltando da folga no feriado, muito feliz com a confirmação do acesso do Criciúma para a Série A.

É muito merecido, pela campanha espetacular, que já credenciava o Tigre a subir desde a virada do turno. Talvez isso até tenha atrapalhado e feito o rendimento cair no returno e a confirmação da vaga ter sido tão dramática: culpa da ansiedade de não deixar escapar algo que já era tão certo.

Bom, mas tudo isso é passado. O Tigre subiu com justiça, esteve em todas as rodadas no G-4, ninguém mereceu mais que ele este acesso. Agora, o presente é tentar o título da Segundona no sábado que vem. É difícil e curiosamente depende dos rivais. O Tigre precisa vencer o Avaí na Ressacada e torcer para o Joinville vença o Goiás no Serra Dourada.

O futuro é 2013 na elite. E eu tenho informações, de fontes muito confiáveis aqui e em São Paulo, de que a direção do Criciúma trabalha para formar um grande time para a próxima temporada. Já há algumas semanas existem conversas neste sentido, agora com a vaga na mão as coisas devem ficar mais concretas.

O que eu sei é o seguinte: a Seara, que já patrocina (ou patrocinou) o Tigre, e hoje também estampa a marca na camisa do Santos e também na da Seleção, estaria disposta a investir no clube. Colocando mais dinheiro e também ajudando na busca por jogadores, por exemplo, do Santos. Alguns nomes que não serão aproveitados na Vila Belmiro devem desembarcar no Sul. Também há conversas com o São Paulo, mas aí a coisa envolve o meia Lucca, que antes mesmo da contusão já estaria “apalavrado” com o tricolor paulista. A lesão não mudou nada, Lucca iria para o Morumbi em 2013 e em troca o Criciúma receberia dinheiro, claro, e jogadores do elenco paulista. Também, claro, a direção prepara contratações jogadores-chave, aqueles que fazem a diferença num elenco.

Isso é o que eu sei. Também não tenho nenhuma dúvida de que o homem-forte do Tigre, eu Antenor Angeloni, pelo perfil que tem não entrará em algo tão grande para fazer feio. O acesso veio com esse time, mas ele não tem como dar conta do recado na Série A, precisa de reforços, pois o Tigre não pode bater e voltar. Tem camisa e tem torcida para isso, precisa de um planejamento caprichado e de investimento. E quem manda no clube sabe disso e, desconfio, vai fazer isso.

SC estará muito bem representada na elite em 2013.

Aproveito também para comentar o rebaixamento do Palmeiras neste domingo, pois o que vou falar também serve para o Figueirense, cuja queda na semana passada não consegui analisar de forma mais detalhada.

Ser rebaixado não significa morrer, muito pelo contrário. Nos pontos corridos, quem cai é porque houve uma somatória de erros no caminho, não há um único culpado. E ir para a Série B é um remédio necessário, mas que precisa ser tomado de acordo com a receita. Se o clube souber assimilar os muitos erros, ter a humildade de recomeçar e apostar tudo em planejamento, consegue fazer a torcida comprar a ideia e apoiar integralmente. Aí a volta é questão de tempo. Do contrário, se achar que sobe “só com nome”, a Série C é logo ali.

As explicações que a FCF nos deve

14 de novembro de 2012 61

No prédio onde moro, há uma empresa responsável por administrar o condomínio, que é razoavelmente grande. Na teoria, ela deveria resolver as questões importantes, poupando os moradores de chateações e inconvenientes, afinal é paga para isso. Na prática, imprime boletos mensais do pagamento das taxas de condomínio e, vez por outra, algumas advertências a moradores que deveriam morar em cavernas, tamanha a dificuldade em respeitar regras de convívio civilizado. E só.

Não sou o síndico do prédio. Se fosse, já teria há muito tempo mandado a tal administradora de condomínio passear, pois para puxar a orelha de gente mal-educada e imprimir boletos não preciso de muita ajuda. Às vezes, com um pouquinho de organização a gente consegue resultados muito mais relevantes atuando em conjunto e por objetivos únicos. E se livra de quem vive de sorver o dinheiro alheio sem fazer esforço. A minha parte eu faço, tento convencer os outros a se livrar deles.

Segunda-feira, ao assistir ao Conselho Técnico do Catarinense 2013, lembrei da administradora de condomínio do meu prédio. É impressionante a capacidade da Federação Catarinense de Futebol de não fazer nada e ter os clubes na palma da mão. A fórmula do Estadual é uma porcaria (já era esse ano, então o erro vem lá de trás e nem poderia ser corrigido agora por impedimento do Estatuto do Torcedor). As questões importantes, que interessam aos clubes filiados e aos torcedores _ a questão da vaga na Série D na Copinha ou no Estadual, por exemplo _, o Delfim prefere lavar as mãos e deixar a CBF resolver, como se ela tivesse algo com isso.

O pior foi ouvir que o Catarinense 2013 terá patrocínio da Chevrolet (como outros estaduais pelo país), mas que esse dinheiro não chegará aos protagonistas do campeonato! Se a Federação deveria zelar pelos clubes, para onde afinal vai o dinheiro? Deve a todos, no mínimo, uma explicação oficial. A FCF repassa migalhas aos filiados, bem diferente de outras federações pelo país, como a paulista e a gaúcha. E ainda assim os dirigentes, por preguiça, conveniência ou burrice mesmo, sei lá, continuam assinando e batendo palmas para tudo.

Apesar da Federação, os clubes catarinenses brilham no cenário nacional – só estaremos atrás de São Paulo em número de representantes nas Séries A e B do Brasileirão em 2013. Mérito só deles, registre-se. Mas já passou da hora de alguém sair da letargia e dizer à administradora de condomínio do futebol catarinense que, se é apenas para imprimir boletos, que os clubes podem muito bem se virar sozinhos.

*Texto publicado na coluna desta quarta-feira no Jornal de Santa Catarina

Fernando Alonso no Desafio das Estrelas de Kart

12 de novembro de 2012 2

A nona edição do Desafio Internacional das Estrelas, organizado por Felipe Massa e que está marcado para os dias 12 e 13 de janeiro de 2013, pela primeira vez no Parque Beto Carrero World, em Penha, ganhará um reforço de peso.

O brasileiro anunciou nesta segunda-feira que o companheiro de Ferrari, o espanhol Fernando Alonso, participará da competição.

Alonso, que ainda disputa o título da temporada 2012 com o alemão Sebatian Vettel _ ambos buscam o tricampeonato _, nunca esteve na prova, que nos anos anteriores sempre foi disputada no kartódromo internacional de Florianópolis (apenas a primeira edição, em 2005, ocorreu no interior de SP).

Outras duas estrelas muito ligadas à Ferrari estão na mira de Felipe Massa para a edição no Beto Carrero: o heptacampeão mundial Michael Schumacher, que se aposenta no final do ano e já esteve no Desafio em 2010 (aliás, venceu), e outro heptacampeão mundial, mas da MotoGP: o italiano Valentino Rossi.

O kartódromo internacional do Parque Beto Carrero é considerado um dos mais modernos do mundo e foi projetado pelo mago das pistas Hermann Tilke, responsável por diversas pistas da F-1, como as da Malásia, Bahrain, Turquia, Abu Dhabi e Coreia do Sul. O local também recebe, desde o ano passado, outra importante prova brasileira: as 500 Milhas de Kart.

Tigre volta a dar as cartas no acesso

10 de novembro de 2012 22

A pressão era enorme, mas o Criciúma deu a resposta que o torcedor esperava e que a campanha até aqui recomendava. Goleou o América-RN por 4 a 1 em Goianinha e deu um recado ao São Caetano, perseguidor direto: “se quer a vaga na elite, vá tentar em outra porta, nessa não vai dar”.

Uma vitória essencial pelo momento que o Tigre vivia (com Zé Carlos em campo, a coisa muda), vindo de duas derrotas em casa e vendo, na sexta, o Atlético-PR passar e o São Caetano ficar a um ponto. Retomou as rédeas da situação. Semana que vem, na penúltima rodada, carimba de vez o passaporte para a elite se vencer o Atlético-PR no HH (não tivesse vencido o América, imaginem o que seria esse jogo) ou até empatando ou perdendo, desde que o São Caetano não vença o Goiás (que já subiu, mas briga pelo título) no ABC Paulista.

Nesse momento, é essencial que a semana seja de tranquilidade, sem pressão e nem euforia do torcedor, que está agoniado com a demora para soltar o grito da garganta e até por isso anda estressado com o time. Nesse momento, acreditem, jogar em casa não é muita vantagem. Mas tenho certeza que a torcida vai entender o seu papel e dar o suporte necessário para o Tigre, enfim, garantir o acesso mais do que merecido pela campanha espetacular. O time está desde a primeira rodada no G-4, não tem como sair de lá na penúltima e seria a maior injustiça do mundo sair na última.

Sobre os outros catarinenses que jogaram na sexta, o JEC se despediu de qualquer chance ao perder para o Bragantino em SP, resultado normal porque os paulistas lutam para não cair e jogaram a vida. Mas o JEC deve se orgulhar da campanha de volta à Série B e já pensar em dar o passo adiante em 2013. E o Avaí desde que se despediu não para mais de ganhar, bateu o Guarani e, sem pressão, começa a projetar o time do próximo ano.

O Verdão do Oeste chegou lá!

08 de novembro de 2012 30

Na terceira tentativa seguida, fim da espera. A Chapecoense, enfim, deu aquele passo essencial aos clubes, cruzou a ponte da Série C para a Série B, agora faz parte dos 40 melhores clubes do país.

Numa metáfora apropriada, deixou de ser menino para transformar-se em homem.

E como é merecido esse acesso para o Verdão do Oeste. Tem torcida, estrutura, apoio da cidade. Estive lá em fevereiro num jogo do Catarinense e voltei de fato impressionado com o que vi. Vacilou na Hora H em 2010 e 2011, viu Criciúma e Joinville irem embora. Agora, experiente em Série C, fez um caminho seguro até o acesso. Soube matar o cruzamento decisivo com o Luverdense no jogo em casa, semana passada (nos outros anos, a torcida lembra bem, pecou justamente nos jogos na Arena Condá). Nesta quinta, em Lucas do Rio Verde (MT), apenas administrou a enorme vantagem. No fim, ainda tomou um golzinho de pênalti (pra mim, não foi), mas não fez muita diferença.

A festa em Chapecó é merecida, essa torcida ama o clube. Parabéns também à diretoria que conquistou a façanha. Mas amanhã mesmo é hora de arregaçar as mangas e trabalhar.

Primeiro, para buscar o título da Série C (na semifinal, enfrentará quem passar domingo entre Oeste-SP e Fortaleza, que jogam no Ceará). Seria muito legal para a Chape e para o futebol catarinense, que manteria por aqui o título que o JEC conquistou ano passado. E dá para buscar, com certeza, essa taça e se juntar também ao Avaí e ao Criciúma, que já venceram a Terceirona.

Depois, e mais importante, é planejar muito bem esse 2013 histórico. Hora de unir forças, lideranças de todo o Oeste colaborando para a Chapecoense não ser apenas uma participante nessa Série B que será espetacular. Além do mini catarinense, com Figueira, Avaí e JEC fazendo companhia ao Verdão, tem ainda a muito provável presença do Palmeiras e de um grande do Nordeste, Bahia ou Sport.

Será preciso fazer um elenco forte e montar um projeto focado em fazer bonito, como, por exemplo, está fazendo o Joinville nesta volta à Série B. Acho perfeitamente possível. Mas é preciso começar a trabalhar, todos juntos, o quanto antes.

Parabéns a Chapecoense e ao Oeste do Estado. Santa Catarina está feliz com mais essa conquista.

De que ainda valem os Jogos Abertos?

08 de novembro de 2012 3

Começaram esta semana, em Caçador, os Jogos Abertos de Santa Catarina. Ao mesmo tempo que os Jasc me despertam admiração, pelo valioso trabalho de fomentar o esporte amador em todos os cantinhos do Estado ao longo desses 52 anos, me entediam profundamente pela forma como ainda são disputados os Jogos.

Quem me lê há mais tempo sabe: não é de hoje que os Jasc deixaram de ser interessantes. Blumenau, felizmente _ e deixando a modéstia de lado me sinto parte dessa decisão, de tanto que enchi o saco _, conseguiu romper com aquela neura de ganhar a competição a todo custo, a tal manutenção da hegemonia que, acreditem, num passado nem tão distante ajudava a definir os rumos políticos da cidade.

Eu fui atleta dos Jasc. Antes disso, fui admirador dos desfiles em carro aberto dos campeões. Mas Blumenau cresceu, tomou outros rumos, por que eu deveria achar normal o esporte daqui viver como há 20, 30 anos?

Hoje, os atletas blumenauenses são novamente vanguarda, como quando defendiam a hegemonia e ficaram 23 anos sem perder. Vão aos Jasc com o resultado do trabalho de base, seja ele bom ou não. Ganhar, nesse caso, importa ao competidor, claro, e só. A cidade ser campeã é insignificante. Os outros ainda vão entender isso.

Blumenau não ganhará mesmo os Jasc de Caçador, nem precisaria eu estar aqui torcendo contra.

Floripa é favorita ao tetra (será o oitavo título, precisará de mais 32 para se tornar a maior vencedora). Joinville também tem chance, até Itajaí deve ficar à frente dos blumenauenses _ o trio investiu pesado em atletas de fora. Da minha parte, resta dizer que cada um faz o que bem entende com a sua política e o seu dinheiro.

Se há algo em termos de esporte que Blumenau deva invejar na Capital e na maior cidade do Estado, não é a classificação nos Jasc. E sim o fato delas terem projetos fortes, em parceria com a iniciativa privada, que formam times que brigam por títulos importantes, nacionais e internacionais, projetam os nomes das cidades e formam uma geração de atletas através da idolatria.

É isso que Blumenau precisa buscar. E os Jasc, insisto, precisam de uma reformulação corajosa, que valorize de fato a produção esportiva de cada cidade.