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Encerramento do Blog do Braga

13 de março de 2013 0

Escrevo este post para me despedir. Foram praticamente quatro anos nesse blog, quase 1,5 mil posts, dezenas de milhares de comentários de todos vocês. Debatemos diversos temas, concordamos, discordamos, sempre no alto nível que marcou esse espaço. Me orgulho muito do trabalho feito aqui, mas é hora de buscar outros desafios profissionais, um desejo de muitos anos.

Não faço mais parte do Grupo RBS, onde permaneci por mais de 10 anos no Jornal de Santa Catarina. Só tenho a agradecer a esta casa, foi nela que o profissional Rodrigo Braga se formou e consolidou conceitos. Estou partindo para novos projetos e, por isso, encerrando o Blog do Braga e a coluna no Jornal de Santa Catarina.

Agradeço, e muito, a participação de todos vocês neste período. Continuarei opinando e debatendo o esporte e outros temas nas redes sociais, convido quem desejar a participar lá no Twitter @rodrigobragag e no Facebook Rodrigo Braga Godoy.

Um grande abraço a todos.

De que ainda valem os Jogos Abertos?

08 de novembro de 2012 3

Começaram esta semana, em Caçador, os Jogos Abertos de Santa Catarina. Ao mesmo tempo que os Jasc me despertam admiração, pelo valioso trabalho de fomentar o esporte amador em todos os cantinhos do Estado ao longo desses 52 anos, me entediam profundamente pela forma como ainda são disputados os Jogos.

Quem me lê há mais tempo sabe: não é de hoje que os Jasc deixaram de ser interessantes. Blumenau, felizmente _ e deixando a modéstia de lado me sinto parte dessa decisão, de tanto que enchi o saco _, conseguiu romper com aquela neura de ganhar a competição a todo custo, a tal manutenção da hegemonia que, acreditem, num passado nem tão distante ajudava a definir os rumos políticos da cidade.

Eu fui atleta dos Jasc. Antes disso, fui admirador dos desfiles em carro aberto dos campeões. Mas Blumenau cresceu, tomou outros rumos, por que eu deveria achar normal o esporte daqui viver como há 20, 30 anos?

Hoje, os atletas blumenauenses são novamente vanguarda, como quando defendiam a hegemonia e ficaram 23 anos sem perder. Vão aos Jasc com o resultado do trabalho de base, seja ele bom ou não. Ganhar, nesse caso, importa ao competidor, claro, e só. A cidade ser campeã é insignificante. Os outros ainda vão entender isso.

Blumenau não ganhará mesmo os Jasc de Caçador, nem precisaria eu estar aqui torcendo contra.

Floripa é favorita ao tetra (será o oitavo título, precisará de mais 32 para se tornar a maior vencedora). Joinville também tem chance, até Itajaí deve ficar à frente dos blumenauenses _ o trio investiu pesado em atletas de fora. Da minha parte, resta dizer que cada um faz o que bem entende com a sua política e o seu dinheiro.

Se há algo em termos de esporte que Blumenau deva invejar na Capital e na maior cidade do Estado, não é a classificação nos Jasc. E sim o fato delas terem projetos fortes, em parceria com a iniciativa privada, que formam times que brigam por títulos importantes, nacionais e internacionais, projetam os nomes das cidades e formam uma geração de atletas através da idolatria.

É isso que Blumenau precisa buscar. E os Jasc, insisto, precisam de uma reformulação corajosa, que valorize de fato a produção esportiva de cada cidade.

Operado, JEC traz ponto importante. Avaí reage

28 de agosto de 2012 54

Não é novidade, eu mesmo já disse isso aqui várias vezes: em alguns jogos, importante mesmo é vencer.

Foi o caso de Avaí x Boa Esporte. O Leão não jogou bem, sofreu um bocado para se impor em campo. Saiu atrás, mas insistiu até conseguir a virada, já na reta final da partida, e mais uma vitória na Ressacada nesta Série B.

Três pontos essenciais. O time da Capital está, sim, entrando na briga pelo G-4. Mas, volto a dizer, falta consistência ao Leão.

O Joinville, jogando em Paranaguá, conseguiu um excelente resultado ao trazer um ponto do empate em 1 a 1 com o Atlético-PR. Além de o Furacão ser adversário direto (e portanto mantê-lo atrás na tabela é importante), o jogo teve uma das piores arbitragens que eu já vi na vida.

Não há como não fazer análise diferente: o JEC foi operado em campo pelo árbitro Francisco Carlos Nascimento, de Alagoas. Pênalti inexistente no gol de empate dos donos da casa. Mas aí abro um parêntese: o time catarinense se descontrolou de forma exagerada com a ruindade da arbitragem, o que acabou ocasionando a expulsão de Bruno Tiago ainda no primeiro tempo por uma falta tosca (já tinha amarelo). Naquele momento, o time colocou tudo a perder por falta de controle emocional.

Felizmente, o tricolor soube esfriar a cabeça e voltar a colocar a bola no chão. Os erros continuaram. Aliás, até quando acertou, o péssimo árbitro prejudicou o JEC (ele deu pênalti em Lima, mas a falta foi escandalosamente fora da área). Alertado, voltou atrás. Nesse caso, não dá pra criticar, ainda que a forma como ele voltou atrás seja, no mínimo, estranha. Enfim, dá pra tirar uma noção do que foi a trapalhada condução do jogo.

Diante disso, o empate que já seria bom, ficou ótimo. um resultado que ajuda a consolidar o time catarinense no G-4.

Mais tarde,  fechando a rodada, o Criciúma tropeçou na abertura do returno. Não jogou bem e acabou derrotado pelo inofensivo Guaratinguetá. Dessa vez, nem a costumeira sorte apareceu. O resultado ainda não é suficiente para soar o alerta no time, que só fazendo os resultados em casa já se garante. Mas o desafio do Tigre daqui até o fim da Série B é manter a cabeça no lugar e o foco no objetivo principal, sem se abalar com eventuais tropeços que virão, se considerarmos que o returno terá nível técnico maior que o turno.

Por que o Mundial de Handebol se foi?

24 de maio de 2011 11

Texto publicado na edição desta terça-feira no Jornal de Santa Catarina:

Previsível

Desde o anúncio, em 2009, Santa Catarina em nenhum instante levou a sério a organização de um evento do porte do Mundial de Handebol. O fim da paciência da Federação Internacional, que vetou o Estado e transferiu a competição para São Paulo, foi um desfecho previsível.

Todos têm parcela de culpa: governo estadual, que empurrou com a barriga; cidades envolvidas, que esperaram tudo cair do céu. Blumenau, por exemplo, tanto bateu o pé para ser sede mas até ontem não havia definido o local dos jogos. É uma lição, sem dúvida.

Fora isso, há o prejuízo para o Estado. Sim, porque o Mundial de Handebol é uma competição de custo baixo, pelo tamanho que tem, e de retorno alto (estima-se lucro de até seis vezes o valor investido). Sem falar na projeção das cidades em mercados importantes, como Europa e Ásia, onde em alguns países o handebol é tão popular quanto o futebol. Turistas que viriam, ou a simples exposição de SC pela TV.

Perdemos isso. E porque não conduzimos o processo com seriedade.

Copa 2014: a vez do Beira-Rio

14 de outubro de 2010 6

Primeiro, foi o Morumbi. Um dos estádios mais modernos do país foi considerado inapropriado para sediar jogos da Copa de 2014, no Brasil. Houve quem achasse que era mera questão técnica, mas não, é perseguição mesmo.

Agora, com o Morumbi fora da parada (e a certeza de que um estádio novo será construído para muita gente “ganhar”), as baterias da Fifa/CBF se volta para o Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre. Curiosamente, dois estádios que são particulares, ou seja, não envolveriam verbas públicas, licitações daquelas que a gente bem conhece, essas coisas. O terceiro estádio particular da Copa, a Arena da Baixada, em Curitiba, já capitulou: para não ficar fora, o Atlético-PR foi obrigado a aceitar as condições da máf…, digo, da turma que comanda.

A Fifa começou a implicar com tudo na reforma do Beira-Rio, que já está acontecendo, inclusive. Quer empurrar parceiros ao Internacional, quer controlar a situação. Com o Morumbi foi exatamente a mesma coisa, com a diferença de que em nenhum momento Fifa e CBF quiseram que o estádio do São Paulo fosse a sede paulista, e por isso criaram todo um jogo de cena.

A turma do Inter precisa ficar atenta, porque o plano está um curso mais uma vez. O colorado vive uma fase esplendorosa dentro e fora de campo, e por isso não precisa se curvar para reformar seu estádio para a receber jogos da Copa. Se Fifa e CBF querem mais que isso, é melhor pular fora e manter a dignidade, como fez o São Paulo. Aliás, curiosamente os dois clubes, os mais organizados e vencedores do país na década, são opositores a Ricardo Teixeira. Mas essa já é outra história…

O Beira-Rio merece estar na Copa do Brasil em 2014, como o Morumbi também. São casas que fazem parte da história do futebol brasileiro. Mas para isso não precisam, e nem devem, se sujeitar às condições impostas por quem quer fazer do Mundial uma farra de dinheiro público que, ao que tudo indica, deixará um legado de dívidas e elefantes brancos quando for embora.

O futuro dos Jasc em discussão

18 de setembro de 2010 4

Os Jogos Abertos de Santa Catarina terminaram neste sábado em Brusque. Edição histórica, 50 anos, os Jogos de volta ao berço. Poderia ter tido muito mais destaque, mas não tem jeito: os Jasc não empolgam mais.

Lembro de quando eu era criança, antes mesmo de participar de algumas edições como nadador. A competição tinha uma outra aura, hoje não tem mais, nem de longe, a mesma importância. Os tempos são outros. Tanto é que Floripa conquistou há pouco o bicampeonato, repetindo a primeira edição na mesma Brusque e superando no apagar das luzes o favoritismo de Joinville. Haverá festa na Ilha? Aposto que não. Não mais que uma carreata organizada por famílias de atletas e envolvidos e, dada a época, inflada por políticos querendo tirar casquinha. De resto, ninguém dará importância nenhuma.

Já disse ano passado: Blumenau perdeu os Jasc (de novo), ótimo para Blumenau. A cidade aos poucos vai se livrando daquele fardo histórico de vencer a competição todo ano, a qualquer custo, apenas para manter a tal hegemonia que não acrescentou muito ao esporte da cidade. Nos últimos anos, entrou num caminho que espero seja sem volta, de usar a base formada na cidade nos Jasc, independente do resultado. Ganhar ou perder é do esporte, o que os Jasc precisam deixar em cada cidade é um legado. O principal deles é a formação de atletas, não necessariamente de rendimento. Se não for assim, de que adianta ganhar Jasc todo ano? Blumenau tem 39 conquistas, vai levar uns 70 anos alguém chegar perto. Mesmo que fosse em 30 e poucos, supondo que Floripa engatasse uma sequência incrível, até lá dá para fazer um belíssimo trabalho na base, que no fim importa muito mais.

Sobre os Jasc em si, penso que a edição 50 despertou em alguns dirigentes a noção de que a competição precisa mudar para não morrer de vez. Uma reunião na sexta-feira para discutir o tema contou com a presença de meia dúzia de gatos pingados, uma pena. De qualquer forma, torço para que o tema volte ao debate, pois a essência dos Jasc não deveria ser perdida. Para isso, penso que algumas correções de rumo seriam necessárias. Por exemplo:

- Edições de 2 em 2 anos, no mínimo. Tornaria a competição menos enfadonha. A solução seria fortalecer os Jogos regionais, classificatórios para os Jasc, e os Estaduais de cada modalidade, que classificariam os campeões para a competição.

- Com essas medidas acima, tornar os Jasc mais enxutos, com menos participantes na fase final. Evitaria a diferença técnica abissal na maioria das modalidades, e tornaria possível a organização por uma cidade de menor porte, onde o interesse é bem maior. Jasc em Blumenau, Florianópolis, Joinville, Criciúma, Chapecó, ninguém dá a mínima. E ao contrário do que podem pensar alguns, a medida não excluiria cidades menores, pois os regionais seriam fortalecidos.

- Jogos e Joguinhos, será que precisa mesmo? Não haveria uma forma de tormar os dois uma coisa só, mais atrativa? E com isso As Olimpíadas Escolares (Olesc) ganhariam importância.

- Proibição total das importações de atletas. Se alguém de fora quer disputar, precisa fixar residência na cidade por pelo menos 3 anos. Acho o fim da picada atleta que cai de paraquedas e é capaz até de errar o nome da cidade que está defendendo. É o símbolo maior da deformação do espírito dos Jasc de que eu venho falando.

- Algumas modalidades, com todo o respeito aos praticantes, não têm condições. Rever com critério o menu de modalidades seria interessante.

É isso. Até tinha mais sugestões, mais não lembro nesse momento (se lembrar acrescento aqui). Se alguém tiver alguma também, fique à vontade para mandar. Como ex-atleta dos Jasc, torço para que ele tenha vida longa. Mas do jeito que está, é da UTI para o caixão em pouco tempo.