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Posts na categoria "Copa 2010"

Entrevista com Dunga

20 de outubro de 2011 2

Nesta quarta-feira, conversei com o capitão do tetra e ex-técnico da Seleção, Dunga, que esteve em Blumenau para participar, com outros ex-jogadores, de um amistoso beneficente em prol das vítimas das enchentes de setembro no Alto Vale. Foi uma conversa bem interessante, onde me surpreendeu o ótimo humor dele e a disposição de falar de qualquer assunto, mesmo os que ele vinha evitando tocar.

A entrevista está nas páginas do Jornal de Santa Catarina dessa quinta-feira (se preferir, leia aqui) . Para os leitores do blog, reservei o vídeo da íntegra da entrevista, dividido em duas partes. Confiram:

Entrevista Dunga (parte 1)

Entrevista Dunga (parte 2)

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Jorginho foi oportunista?

19 de julho de 2011 12

Uma dúvida que me ocorre:

Jorginho, que vem fazendo um bom trabalho no Figueirense após um começo meio cambaleante, aproveitou o momento favorável para desabafar nesta terça-feira algo que por certo o incomoda faz tempo.

Aproveitou o fracasso da Seleção na Copa América para fazer coro com os que querem carimbar a culpa nos jovens Neymar e Ganso. Tudo porque na Copa de 2010 o Brasil pediu a convocação da dupla, e ele e Dunga disseram não, optando pelo conceito de grupo. Alegaram que faltava experiência às jovens promessas, algo que agora lhes parece comprovado.

Sinceramente, não sei o que pensar a respeito. Teria Jorginho sido oportunista? Ou apenas quis buscar justiça nas convicções que tinha e que o Brasil foi contra, mas que agora muita gente parece ter mudado de opinião? E Dunga, que anda sumido, pensa o mesmo?

Só não acho justo crucificar os dois talentos maiores que o Brasil produziu em anos. Mas abro o debate, quero ouvir a opinião de vocês.

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Os micos do esporte em 2010

02 de janeiro de 2011 3

2010 se foi. Tem quem terá saudade, e há os que não sentirão falta alguma. De qualquer forma, o blog reproduz o material publicado na Coluna Passe Livre desse domingo no Santa e entra no ano novo lembrando os fiascos do ano velho (esses deram graças aos céus que acabou). Veja as opções e, se quiser votar ou sugerir outras opções, vá em frente, participe.

Adriano e Ronaldinho

A dupla deu o que falar no ano. Aliás, foi a única coisa que fizeram, porque jogar bola, que é o que deveriam fazer… Adriano começou no Flamengo, foi embora para a Roma fazendo aquelas juras de que “agora vai” e atualmente pede para voltar ao Brasil. Ronaldinho esgotou a paciência dos milanistas e terminou o ano cavando uma volta (ou seria aposentadoria?) ao Brasil também.

Brasileiros da Fórmula 1

Decepção total. Por incrível que pareça, Rubinho Barrichello foi o menos pior. Massa tomou um baile de Alonso, e quando não fez isso recebeu ordem da equipe para fazer. Contentou-se em ser coadjuvante e nem sequer foi notado na temporada. Bruno Senna e Lucas Di Grassi estrearam em carros ruins, é verdade, mas não fizeram nada demais e terminaram 2010 sem emprego.

A turma da Copa

A lista é grande. Vai desde Dunga e sua seleção de guerreiros blindados que na primeira dificuldade entregaram a rapadura, passando pelos vexames de França e Itália, eliminados na primeira fase (os franceses, então… que horror). Tem ainda as atuações apagadas dos superastros Kaká, Cristiano Ronaldo e Messi e as babadas épicas da arbitragem, como o gol inglês anulado contra a Alemanha.

Os supertécnicos

Eles sempre foram sinônimo de sucesso, e nem por um ano ruim (bem ruim) deixariam de ser. Mas, cá entre nós, nomes como Felipão, Luxemburgo e Parreira tiveram um 2010 sofrível, colecionando fracassos. Felipão voltou ao Brasil, ao Palmeiras, e pouco tempo depois já devia estar com saudade do Uzbequistão. Luxa passou o Brasileirão todo na zona de rebaixamento, primeiro com o Galo, depois com o Flamengo. E Parreira não passou da primeira fase com a anfitriã África do Sul na Copa e terminou o ano anunciando aposentadoria.

Inter no Mundial

Aqui o vexame é atenuado consideravelmente pelo título da Libertadores (o que faz de 2010 um ano bom para os colorados). Mas não tem jeito, não dá para ir ao Mundial e, com a cabeça na final, perder para os próprios nervos e para um time semiamador do Congo na semifinal. O Inter entrou para a história como primeiro sul-americano a não fazer uma final do torneio.

O “Centenada” corintiano

O Corinthians tem tradição, e isso não muda do dia para a noite. Mas nem isso evitou que caísse na maldição do centenário. Fez uma festa imensa, montou um timaço e…nada! Nem Paulista, nem Libertadores, nem Brasileirão. Até o Carnaval escapou da Gaviões. No fim, a polêmica do estádio, pago ou não com dinheiro público. Ou seja, um ano que não estava nos planos.

Obras da Copa de 2014 atrasadas?

23 de novembro de 2010 5

Parreira, o óbvio, me surpreendeu hoje.

Declarou que as obras da Copa de 2014 no Brasil estão muito atrasadas.

Oh!!! Estou espantado. Se não fosse a observação pertinente do Parreira, certamente não teria me dado conta disso. Nem eu, nem ninguém.

O experiente treinador, que comandou a anfitriã África do Sul na última Copa, nem deveria espantar-se tanto. Afinal, viu de perto lá na África tudo que vai acontecer por aqui em escala ainda maior: obras terminando em cima da hora, feitas a toque de caixa para burlar as fiscalizações e para que todos possam ganhar. Isso falando das que vão terminar, claro. Algumas nem nesse estágio chegarão.

E claro, quem protestar contra tudo isso será acusado de falta de patriotismo e outras coisas mais. Ainda assim, alerto ao Parreira: as obras da Copa de 2014 não estão atrasadas. Elas estão absolutamente dentro do prazo que a turma da organização pretende, para que possam fazer tudo do jeito que desejam.

Essa Copa de 2014 ainda promete fortes emoções. E decepções.

Parabéns, Espanha

11 de julho de 2010 2

A Espanha é a mais nova campeã do mundo, a oitava integrante de uma lista seleta. A Espanha merecia há tempos entrar para o clube. Conseguiu.

O curioso é que a Fúria chegou ao título mudando completamente de perfil. O time que antes era o rei das fases de classificação, goleando todo mundo, e fracassava assim que surgia o mata-mata, foi completamente diferente. Estreou jogando mal e perdendo, presa na retranca impressionante da Suíça. Depois disso, nada de goleadas, nem em Honduras. A Espanha de 2010 tocou a bola à exaustão. De vez em quando, se lembrava de que o objetivo do futebol é marcar gols, ia lá e fazia o suficiente. Em toda a Copa, marcou oito, a pior performance entre todos os campeões. Mas também teve uma defesa quase intransponível. Após o tropeço na estreia, tomou apenas um gol (do Chile).

O mata-mata, antes um pesadelo, resume o que foi essa nova Espanha. quatro jogos, quatro vitórias, todas por 1 a 0. Vitórias magras, mas sem tomar gols e, principalmente, dominando os jogos praticamente o tempo todo.

É uma geração de ouro essa da Espanha. Jogadores que, na maioria, jogam juntos desde as categorias de base. Em 1999, a Espanha conquistou o Mundial Sub-20 e alguns desses jogadores estavam lá. Depois, conseguiu resultados expressivos no Sub-17, foi prata nas Olimpíadas de Sidney (2000) e, cá entre nós, provavelmente teria ido à final na Copa da Ásia, em 2002, se não tivesse sido escandalosamente garfada no jogo contra os anfitriões sul-coreanos nas quartas de final. É a melhor geração que o futebol espanhol já produziu e merecia esse título. Desde a Euro 2008, já havia iniciado o enterro da síndrome de amarelona da Fúria. Concluiu neste domingo, no Soccer City. Eu era um que antes da Copa não acreditava na Espanha, mesmo com toda a badalação. Hoje me rendo aos fatos, esse time é um legítimo e merec ido campeão do mundo.

Sobre a Holanda, apenas um resumo: tinhe cara de vice, não tinha jeito. Na final, não conseguiu jogar e abusou da pancadaria. Ainda assim, Robben teve duas chances de dar a vitória aos laranjas e falhou. Mas o time da Holanda também é bom, muito bom, aliás. Mas a Espanha é melhor.

E a Copa terminou. Coisas boas e ruins rolaram nesses 30 dias. Se der, faço outro post pra resumir isso tudo. Importante nesse momento é dizer que a Copa 2010 tem um legítimo campeão, o time de melhor futebol não só na Copa, mas nos últimos anos.

A nós, brasileiros, resta parabenizar os espanhóis e aguardar pelos novos capítulos da nossa Seleção. Todos esperavam por uma final entre Brasil e Espanha, mas só uma parte do acordo cumpriu com o prometido. Agora começa a contagem para 2014, e são muitos os desafios para o país e para a Seleção. Em campo, a obrigação é esquecer a nefasta Era Dunga e recuperar o espírito brasileiro de jogar futebol. Sem farras e privilégios, registre-se, esse foi o lado bom do trabalho da última comissão técnica. Mas seriedade não significa ceifar talentos e transformar habilidade em falsa garra.

Que a beleza do futebol brasileiro seja resgatado. Hoje, o chamado “futebol bonito”, como os gringos chamam o jeito brasileiro de jogar, veste vermelho e fala espanhol. Com absoluta justiça.

Minha seleção da Copa 2010

09 de julho de 2010 8

A Fifa divulgou nesta sexta-feira a lista dos 10 melhores da Copa do Mundo da África do Sul. Como esperado, não há nenhum brasileiro na lista (queriam quem, o Felipe Melo?) e o domínio é das equipes finalistas, o que indica que o melhor da Copa sairá mesmo da final entre Holanda e Espanha, domingo, no Soccer City.

A lista da Fifa tem Sneijder e Robben (Holanda), Iniesta, Xavi e David Villa (Espanha), Schweinsteiger e Özil  (Alemanha), Asamoah Gyan (Gana), Diego Forlán (Uruguai) e Lionel Messi (Argentina), o único que destoou, pois apesar de ter chegado à África como grande nome da Copa, teve atuação bem abaixo das expectativas, ainda que tenha sido um pouco melhor que a dos outros craques top, como Kaká, Cristiano Ronaldo e Rooney. Resumindo, discordo apenas de Messi na lista da Fifa. Como estamos falando apenas dos 30 dias de Copa, colocaria no lugar dele nomes como os alemães Podolski ou Thomas Müller (este é barbada no prêmio de revelação, concorrendo com o ganês Ayew e o mexicano Giovanni dos Santos) ou o uruguaio Luizito Suárez, melhor jogador de vôlei da Copa…

Mas, a lista é da Fifa, não minha. A desse humilde blogueiro está aqui abaixo, e diferente de lá é uma seleção dos melhores (na minha opinião) em cada posição. Como em alguns casos sobraram destaques, alguns mereceram menção honrosa. Ah, e a seleção está no esquema que prevaleceui na Copa, o 4-5-1. Vamos a ela, e quem quiser concordar, discordar ou apenas mandar a sua, espaço aberto.

Goleiro - Stekelemburg (Holanda) – Casillas (ESP) também merecia

Laterais – Lahm (Alemanha) e Capdevilla (Espanha) – este o mais difícil de escolher, foi o “menos ruim”

Zagueiros – Alacaráz (Paraguai) e Godín (Uruguai) – menção para Puyol (ESP), Juan (BRA) e Friedrich (ALE)

Volantes - Schweisteiger (Alemanha) e Xavi (Espanha) – Pérez (URU) também merecia

Meias - Sneijder (Holanda), Forlán (Uruguai) e Iniesta (Espanha) – menção para Özil e Müller (ALE)

Atacante – David Villa (Espanha) – menção para Suárez (URU)

Técnico – Oscar Tabárez (Uruguai) – Os outros semifinalistas ficam com menção honrosa

Revelação – Müller, Özil e Khedira (Alemanha)

Craque da Copa – Sneijder (Holanda)

Melhor seleção – Espanha (Alemanha e Uruguai foram surpresas) – mas a campeã pra mim será a Holanda

Decepção – Brasil, Argentina e as seleções africanas (exceto Gana)

Melhor momento da Copa – Os instantes finais de Gana x Uruguai – vão para a história das Copas

Lições da Alemanha ao Brasil

03 de julho de 2010 14

Brasil e Alemanha são as duas grandes escolas do futebol mundial (talvez a Itália possa estar no grupo também). Portanto, uma pode perfeitamente dar lições a outra sem nenhum demérito. O Brasil por certo muitas vezes já serviu de inspiração aos alemães. Pois agora é, ou ao menos deveria ser, a nossa vez de aprender.

A Alemanha é a grande seleção da Copa 2010 e chega às semifinais na condição de favorita ao tetra. O que é surpreendente, pois ninguém, ninguém mesmo, colocava eles entre os favoritos antes de a Copa começar. Mas ser surpreendente é uma marca dessa nova Alemanha, que encanta, que tem futebol envolvente e de encher os olhos e que aniquila com os adversários, sejam eles a inexpressiva Austrália ou as campeãs do mundo Inglaterra e Argentina. A Alemanha da Copa de 2010 é um time fantástico.

Aquela piadinha de que a Alemanha joga algo parecido com futebol que sempre dá certo caiu por terra. Ou melhor, se inverteu. Hoje outras seleções se aproximaram desse conceito, enquanto que os alemães foram no sentido contrário. Quem é mais técnico hoje, Brasil ou Alemanha? Seja sincero.

A Alemanha que encanta é formada basicamente por jovens promissores. Vejamos:

Manuel Neuer – Goleiro absolutamente seguro – 24 anos

Philipp Lahm – Lateral remanescente de 2006, agora é capitão e um dos destaques – 26 anos

Jerome Boateng – Filho de pai ganês, é um zagueiro promissor – 21 anos

Marcell Jansen – Volante, também remanescente de 2006 – 24 anos

Bastian Schweinsteiger – Era atacante em 2006. Agora, como volante, é um dos craques da Copa – 25 anos

Sami Khedira – Volante e uma das principais revelações do time atual – 23 anos

Mesut Özil – Meia de talento raro, uma das revelações da Copa – 21 anos

Thomas Müller – Meia-atacante talentoso e com faro de artilheiro – 20 anos

Lukas Podolski – Também estava em 2006, agora é considerado um dos experientes do time – 25 anos

Sem contar outros reservas que participam menos dos jogos. Pois bem, mas isso não foi milagre. Duas palavras resumem a virada do futebol alemão: planejamento e ousadia. Vamos aos fatos.

Após ser campeã mundial em 1990 na terceira final seguida (a quarta em 5 Copas), a Alemanha degringolou. Ou melhor, envelheceu. As campanhas de 1994 e 1998 foram ridículas (eliminada nas quartas por Bulgária e Croácia, respectivamente) e acenderam o sinal de alerta por lá. Era preciso fazer alguma coisa, e eles fizeram.

Foi o primeiro grande centro importador de jogadores da Europa a limitar número de estrangeiros e exigir dos clubes uma certa “cota” aos jovens valores da base do país. Além disso, como não são e nunca serão um Brasil, onde talentos brotam por todos os cantos, fizeram algo que nunca precisaremos: começaram a importar talentos, naturalizando jogadores que atuavam no país ou então jovens promessas filhos de imigrantes de outros países. Em 2002 ainda não era possível colher frutos desse trabalho, mas ainda assim a Alemanha foi à final e perdeu para o Brasil. O primeiro nome, Klose, já era destaque.

Em 2006, a Alemanha era anfitriã da Copa, a pressão por vitória era gigantesca. Já com alguns jovens no elenco, ainda não conseguiu se livrar do estilo de jogo metódico, mas foi à semifinal e terminou a Copa na terceira posição. No fim, os dirigentes alemães dispensaram o técnico Klinsmann, mas mantiveram o auxiliar dele, Joaquim Löw (que dizem já era o técnico de fato) com o seguinte argumento: “o trabalho é de longo prazo e precisa continuar”. Foi aí a grande virada.

Löw pode não ser muito bom nos modos, como nos mostraram as câmeras dos estádios sul-africanos, mas é ótimo técnico (técnico mesmo, viu CBF e AFA). Ele revolucionou o futebol alemão, botando realmente em campo a teoria de tudo que se queria lá no fim dos anos 90: uma nova geração de jogadores. E, por sorte ou não, absolutamente talentosa. E muitos com experiência em grandes competições, pois agora todos atuam em grandes clubes do país.

A Alemanha chegou à Copa de 2010 com o vice-campeonato da Eurocopa e uma campanha sem sustos nas Eliminatórias. Mas longe de encantar. Löw não quis saber desse papo de pressão da primeira Copa, falta de experiência, talentos pouco testados, essas baboseiras que ouvimos tanto de um certo pseudo-treinador. Botou a garotada na roubada da Copa, e a tal roubada ficou ainda mais cascuda quando Michael Ballack, o astro e capitão do time, se machucou e foi cortado às vésperas do Mundial. Para muitos, a Alemanha estava perdida. Agora se vê, o próprio Ballack viu, foi a salvação do time.

Os alemães correram um risco tremendo trazendo um time de jovens talentosos à Copa. Tanto é verdade que estiveram à beira da eliminação ainda na primeira fase, o que poderia por em xeque todo o trabalho de longo prazo. Esse é um time que está (ou melhor, estava) sendo construído para a Copa de 2014, mas estourou antes. Mais precisamente no domingo passado, quando passou como um trator pela Inglaterra. Neste sábado, deu uma aula à Argentina e a Diego Maradona de como se forma uma seleção. Vitória histórica, incontestável e arrasadora. Na quarta-feira, em Durban, vai reeditar a final da Euro 2008 com a Espanha. E, quem sabe, pode voltar a uma final com a Holanda (se estes passarem pelo Uruguai, claro), mas agora em papéis inversos: a Holanda na condição de time metódico, os alemães apresentando ao mundo uma geração talentosa. E esse é o título informal dessa Alemanha, mesmo não ganhando o título, ficará marcada pela virada no estilo de jogo do país. E pela ousadia de colocar em campo o talento em detrimento de esquemas defensivos e de times apenas destruidores. Mesmo que não ganhem essa Copa, terão um time favorito desde já às próximas. E a receita de sucesso para que o trabalho não se perca mais pelo caminho.

E onde entra o Brasil nessa história? A tática do “grupo fechado” de Dunga mostrou-se um fracasso (dã), então é hora de recomeçar e de resgatar o que se perdeu nos quatro anos em que a Seleção foi tratada como um quartel. Nunca saberemos se jovens promessas brasileiras como Ganso, Neymar, Hernanes, Thiago Silva, Marcelo e outros que me fogem agora teriam ou não roubado a cena na Copa como fizeram os jovens alemães. Nem sei se nossos talentos são tão bons quanto os deles. Mas esse é o problema, nunca saberemos. Porque Dunga apostou em um time de brucutus incapazes de fazer algo diferente do feijão com arroz. Será que Ganso teria assumido o lugar do machucado Kaká e arrebentado? Nos resta especular.

O Brasil vive um momento parecido com o da Alemanha do final dos anos 90. Depois de três finais seguidas e dois títulos, aquela geração se foi e uma outra não aflorou porque a comissão técnica foi medrosa. Ou egoísta, ou burra, ou todas as coisas juntas. E a próxima Copa, em quatro anos, será aqui. Vocês calculam o tamanho da pressão sobre essa Seleção Brasileira de 2014? Será imensa, a maior que já existiu.

O próximo treinador terá uma tarefa nada fácil: começar a construir uma geração para as próximas 2 ou 3 Copas do Mundo, sendo que a primeira delas será em casa. Apostar em jovens talentos e reaproximar a Seleção do país (para isso os clubes precisam ser fortalecidos e manter as promessas que vão embora ainda na casca) serão princípios básicos. O exemplo vitorioso da Alemanha está aí. Resta saber se o Brasil terá a humildade necessária para seguí-lo.

De quatro, Dieguito?

03 de julho de 2010 1

Sobre a Argentina, nem perderei muito tempo. Basta reproduzir aqui o que eu disse no post de estreia dos hermanos (leia aqui), que quando fosse testado de verdade esse time mostraria toda sua fragilidade. E outra, lembram quando foi a última vez que a Argentina de Maradona enfrentou um jogo realmente decisivo? Foi contra o Brasil, em Rosário, e tomou um vareio de bola. Depois disso, só patacoada.

A Argentina foi humilhada pela excelente Alemanha (que merecerá um post só pra ela) porque não é um time, é um amontoado de jogadores, alguns bons, outros bem meia boca. Maradona não é técnico, é um animador. Pela imagem que tem na Argentina, de ídolo acima do bem e do mal, conseguiu levar a brincadeira por algum tempo. Mas quando chega a hora da verdade, o futebol não perdoa amadores. Como diria Muricy Ramalho, a bola pune. Mas é bom que se registre: Maradona deixa a África do Sul como o grande personagem da Copa. Mais até do que isso, regenerado para o mundo do futebol. Fez um papel digno, sobretudo na derrota, reconhecendo os méritos do adversário e indo consolar um a um os seus jogadores com carinho sincero. Maradona foi isso, sincero. Se não é um grande técnico, voltou a ser um grande homem. E isso é sim uma vitória. Ainda assim, inicio a campanha “Fica, Maradona”, que já fez sucesso em outras oportunidades no blog.

Voltando ao jogo: em nenhum momento a Argentina teve chance de vencer a Alemanha no Green Point. Por uma razão simples, que independia até da maior qualidade do time alemão. Eles se prepararam para vencer Messi e Cia, anularam todas as jogadas e exploraram as deficiências. Já a Argentina se iludiu com as vitórias iniciais sobre Nigéria, Coreia do Sul, Grécia e México, todos adversários fracos. Na primeira parada dura, apareceram as deficiências de um time de muito oba-oba e pouco (ou nenhum) desenho tático. Resultado, uma eliminação humilhante.

Mas cá entre nós. Nem nos melhores sonhos imaginaríamos a Argentina caindo de quatro na Copa. Aliás, nem lembro mais que o Brasil foi eliminado…

E sobre Lionel Messi, cabe um parágrafo especial. Ele foi mais um a cair na maldição dos craques badalados de clubes que chegaram à Copa para brilhar e saíram pela porta dos fundos. Foi assim com Cristiano Ronaldo (que ao menos fez um golzinho meio sem querer), Rooney e Kaká , que como o argentino saíram de mãos abanando. Mas é inegável que Messi jogou melhor que esses outros, que mostrou um pouquinho do talento que inegavelmente tem. Mas ainda assim muito pouco diante do que se esperava dele. Insuficiente até para colocá-lo na lista dos 20 principais jogadores da Copa. O mundo cairá sobre a cabeça de Messi nos próximos dias, virão as cobranças de que ele não brilha na seleção como no Barça, aquela coisa toda. Um pouco dessa cobrança será justa, pois se a Argentina não é o Barcelona, também está longe de ser um time de perebas. Messi podia ter feito mais, muito mais. Mas ainda é jovem e terá, no mínimo, a Copa de 2014 para escrever seu nome na história das Copas.

Mas que essa Copa é a Copa dos coadjuvantes, daqueles que ocupam posições periféricas no marqueteiro futebol europeu, isso é.

Dunga e o fracasso da antítese

02 de julho de 2010 37

Gente, o Brasil se foi da Copa 2010. Uma despedida previsível, dada a sucessão de erros da atual comissão técnica. O Brasil que perdeu para a Holanda foi uma vingança dos deuses do futebol sobre Dunga, que viu, de uma vez só, suas apostas decepcionarem e ainda ficou, pelas opções que fez (e que ele “apelidou” de coerência), sem opções para mudar um time sem capacidade de improvisar.  Um time de Dungas.

Esse texto abaixo eu escrevi para a edição impressa do Santa e está na edição de fim de semana. Quem quiser, pode ler aqui. A Copa acabou para a Seleção Brasileira, não para mim, que ainda tenho mais uma semana de trabalho duro. Mas prometo aos leitores: já a partir da semana que vem volto a dar mais atenção a esse espaço e também aos demais assuntos além Copa, como nosso futebol catarinense, por exemplo.

O fracasso da antítese

Dunga queria de toda forma uma Seleção que fosse a antítese da baderna de 2006. Acabou caindo como aquele time, sendo dominado num jogo de quartas de final. Ironicamente, com campanha pior. É traiçoeiro esse tal de futebol…
Durante quatro anos o técnico só criticou o que foi feito no trabalho anterior. Queria resgatar o espírito de Seleção, de brasilidade. Até conseguiu, pois se há uma coisa que esse Brasil se diferencia daquele Brasil é na raça. Mas raça, sozinha, não ganha jogo. Muito menos Copa.
Os erros que Dunga nunca quis admitir nas batalhas que travou com a imprensa caíram sobre a cabeça dele no segundo tempo de Port Elizabeth. Tanto mistério, tanta privacidade e treino secreto se confirmaram apenas pirraça mesmo, pois o Brasil, quando precisou, nada fez de diferente dos chutões de qualquer time desesperado. E aí, como um castigo, vieram na sequência os gols da Holanda em falhas individuais da tão festejada defesa, a previsível expulsão em lance de descontrole do Felipe Melo e, na hora da necessidade, a falta de opções no elenco para sair do atoleiro. Tanto é que Dunga nem mexeu (trocar um atacante por outro não conta). Nem precisava, não tinha as armas. Culpa dele. Essa é só dele, pois foi avisado.
O Brasil fez um senhor primeiro tempo, saiu na frente e perdeu pelo menos três chances claras de matar o jogo. No segundo, o time brasileiro morreu por aquilo que nunca teve, e sempre combateu, a soberba. O time holandês, previsível mas em nenhum momento descontrolado, contou com a sorte para empatar e retomar o controle do jogo. E com, quem diria, Dunga, com uma jogada ensaiada, e que todo mundo viu em treino aberto à imprensa (e noticiou), para virar. A cabeçada no primeiro pau propiciou a Sneijder, 1m70cm, fazer o gol sem subir em meio aos grandalhões.
A Holanda foi melhor que o Brasil em Port Elizabeth. Em 2010, a Holanda é melhor que o Brasil. Esse time brasileiro, sem nenhuma capacidade de improvisar nos momentos difíceis e com os craques abaixo do esperado, não merecia ser campeão. Seria um desrespeito ao futebol. Dunga, com aqueles conceitos distorcidos de Seleção, com muita patriotada e pouco conhecimento do assunto, não merecia. A Laranja de Robben e Cia, com futebol metódico e eficiente, merece a taça, como a Argentina (esta Copa está ficando com cara de Argentina, viu) e a Alemanha também. Nos resta aguardar pela festa alheia. E pensar em 2014. Com os acertos da Era Dunga e sem os erros da Era Dunga. E, felizmente, sem o Dunga. Que não será escorraçado na volta ao Brasil. Será mandado para onde ele mesmo escolheu ir: para o ostracismo. E o próximo técnico, e isso é apenas um palpite, se não for Felipão será Paulo Roberto Falcão. Aguardemos.

E o Uruguai, hein? Que classificação! Uma legítima partida à moda uruguaia, um roteiro inimaginável, o jogo mais dramático da Copa, quem sabe até um dos mais dramáticos entre todas as Copas. Confesso, vibrei com o Uruguai. Esse time, de quem nada se esperava, agora está onde o Brasil não conseguiu chegar, evitando assim a repetição daquela semifinal de 1970. Vai pegar a Holanda e pode voltar a sonhar com uma final e com título depois de 60 anos. Principalmente porque não se entrega nunca. Suárez (a verdadeira “Mano de Díos”), Muslera e Loco Abreu (não achei que ele fosse louco o suficiente para repetir a cobrança da final do Carioca) escreveram seus nomes no livro sagrado dos heróis das Copas. Livro no qual, no espaço reservado a 2010, não haverá nenhum nome brasileiro. Com justiça.

Cristiano Ronaldo sacaneado pela torcida

01 de julho de 2010 3

Mais do justo, convenhamos.

Após o fiasco na Copa, na qual chegou cheio de pompa e só fez um gol quase sem querer contra a moribunda Coreia do Norte, tendo sumido nos outros jogos, a torcida lusa finalmente perdeu a paciência com a estrelinha Cristiano Ronaldo.

Desde a eliminação para a Espanha, terça, pipocam montagens e piadinhas na internet sobre o gajo. Quem acompanha o blog há mais tempo sabe bem o que eu penso sobre Cristiano Ronaldo: é presepeiro, foca de circo tipo Ronaldinho Gaúcho. Ótimo para marketing de clube, praticamente inútil em campo.

Portanto, é com gosto que o blog reproduz algumas sacanagens recebidas pelo Twitter: