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Posts na categoria "Libertadores da América"

O caso de Oruro: precisamos de um basta!

22 de fevereiro de 2013 37

Não dá mais. O futebol não pode estar acima da convivência social. Muito menos acima da vida das pessoas. Não pode determinar algo tão sério, é só um jogo.

Precisamos de um basta!

Não importa aqui qual o seu clube, qual o meu clube, não importa nada que esteja apenas no âmbito esportivo. Pelo bem do futebol, pelo bem do esporte, precisamos, todos nós, cobrar um basta.

O caso do torcedor boliviano morto (morto, não, assassinado) por membros de uma organizada do Corinthians em Oruro não pode ficar impune. Como a tragédia em Santa Maria, que abalou a todos nós, precisa ser ponto de partida para mudanças efetivas, e assim ao menos não ter sido em vão.

A Conmebol, surpreendentemente, agiu. E com rapidez. Proibiu torcedores nos jogos do Corinthians na Libertadores. Ainda é uma decisão provisória, mas a meu ver foi justa.

Era descabido querer a eliminação do Timão da Libertadores. O correto é punir, na essência, o torcedor. E aí não importa que sejam todos, que os bons paguem por uma minoria. Infelizmente, precisa ser assim para surtir algum efeito. O torcedor vai pensar duas vezes antes de fazer, a organizada também, antes de acobertar criminosos nos seus quadros.

O clube também acaba punido. O Corinthians vai jogar sem a sua torcida, e isso pesa muito. Terá um prejuízo monstruoso (estimado em cerca de R$ 15 milhões), pois já tinha vendido praticamente todos os ingressos dos três jogos como mandante na primeira fase. É justo? Há quem entenda que o clube não pode pagar pelo ato de seus torcedores. Talvez, mas e se o clube dá respaldo a estes torcedores? Se faz vista grossa para atos como esse? Se patrocina organizadas com criminosos travestidos de torcedores em seus quadros? É tão injusto assim? Será que os clubes não precisam de um exemplo desses para repensar este tipo de relação promíscua?

Torço para que a Conmebol recupere um pouco da sua credibilidade (depois de deixar por isso mesmo tantos e tantos casos de violência em competições organizadas por ela) e se mantenha firme na decisão de mudar de postura e ser intolerante com atos de violência. Que não recue da decisão de punir exemplarmente, no âmbito esportivo, ao menos, a morte do garoto boliviano no estádio do San José. Mas que não fique por aí: o próprio San José precisa ser punido por ter permitido que torcedores entrassem armados no estádio. A segurança em estádios sul-americanos é ridícula, beira o amadorismo. Casos de torcidas atirando de tudo para dentro do campo, manifestações racistas abomináveis, a lista é enorme.

O Corinthians pode até ser exemplo, só que não pode virar bode expiatório e ser o único a pagar a conta que é de muita gente.

Torço para que o Corinthians acate, repense a relação com as organizadas, mas não só ele. Que todos os clubes brasileiros revejam esta postura. Porque, sim, em 99% dos casos acontece exatamente a mesmíssima coisa. Foi o Corinthians, poderia ter sido qualquer outro. Importante é que vire exemplo de que precisamos mudar. O futebol brasileiro mudou, enriqueceu. Hoje somos referência em muitas coisas. Uma Copa do Mundo aqui está batendo à porta, estamos na vitrine para o mundo todo ver. Não dá mais pra tolerar tanta imbecilidade, tanto descaso, tanta falta de comprometimento com a justiça. Não dá mais.

No fim, mas no caso o mais importante: os culpados pela morte do garoto Kevin precisam ser punidos. Basta de tratar crimes em estádios de futebol como algo menor. São crimes, cometidos por criminosos. Tudo igual nas ruas, igual lemos nas páginas policiais.

Clubes, imprensa, sociedade em geral: chega de compactuar com criminosos e delinquentes inconsequentes manchando a imagem do futebol. Precisamos de um basta. Sem a miopia das paixões clubísticas, sem jeitinho.

Eu quero um basta! Precisamos.

O que pedir pro seu time (se o mundo não acabar)

21 de dezembro de 2012 8

Dizem por aí que nesta sexta-feira, 21 de dezembro, o mundo vai acabar.

Por via das dúvidas, ando parcelando minhas compras todas no cartão de crédito…

Mas para entrar no clima apocalíptico dos Maias, sugiro uma brincadeira com os amigos leitores. É o seguinte:

SE o mundo NÃO acabar, o que você gostaria de pedir para o seu clube do coração em 2013?

Fica também como uma espécie de pedido para o Papai Noel.

Mandem as suas sugestões. Para descontrair, deixo abaixo uma sugestiva música da ótima (e extinta) banda norte-americana R.E.M, uma das minhas favoritas.

Troféu Cavalo Paraguaio 2012 vai para...

19 de dezembro de 2012 28

Eis uma marca registrada desse blog, o nosso querido e simpático (mas que ninguém quer ostentar) Troféu Cavalo Paraguaio!

Neste ano, porém, farei diferente. Vou deixar para você, leitor, a árdua tarefa de escolher o merecedor desta honraria no ano que se encerra. Pode ser um clube, um personagem do esporte, tanto faz. Quem se destacou (negativamente, óbvio) em 2012?

Não darei alternativas para não limitar a criatividade de vocês. O mais votado vence e leva pra casa o cavalinho pangaré rompante.

Participem!

O exemplo do Corinthians aos demais clubes

16 de dezembro de 2012 12

Nos meus 34 anos, quase todos ligados ao futebol, o Corinthians foi de certa forma um espelho do Brasil: um gigante de enorme potencial, entregue à falta de comando, pra dizer o mínimo. Não é mais assim, e já faz algum tempo que não é. O título mundial, alcançado neste domingo, no Japão, é apenas a cereja do bolo de um projeto vencedor que, enfim, deu ao Timão o tamanho que ele sempre teve condições de ter.

Sobre a final em Yokohama, nem vou me estender. Basta lembrar o que escrevi na coluna de quinta-feira: que o Corinthians era favorito na decisão, que é uma partida muito diferente da semifinal. Teve quem se precipitou em dizer, baseado nos últimos jogos das duas equipes, que seria uma goleada do Chelsea. Mas dessa vez o time brasileiro, como era de se esperar, voltou a ser aquele taticamente perfeito da Libertadores. Uma atuação coletiva impecável, um goleiro que merece canonização depois do que fez, e o grupo do Corinthians bateu a empáfia e o marketing do Chelsea de forma merecida. Ponto.

Posto isso, volto à saga corintiana até a conquista do mundo. Ela começou em 2008, para tirar do fundo do poço um gigante que havia sofrido a humilhação do rebaixamento à Série B no ano anterior. Pois o Corinthians se preparou para se reerguer. Voltou à elite sem sustos, em seguida internacionalizou a marca ao trazer Ronaldo e Roberto Carlos e começou a garimpar títulos. Sofreu um baque com a ida de Mano Menezes para a Seleção, apostou em Adilson Batista, que fracassou. Aí, chegou Tite. Estamos no fim de 2010.

O treinador demorou a engrenar, o Corinthians brigou pelo título brasileiro até o fim, mas vacilou na última rodada e acabou em terceiro. Por causa disso, veio o fatídico jogo com o Tolima, pela Pré-Libertadores. E de um vexame monumental surge o Timão campeão do mundo: qualquer dirigente, qualquer um, teria demitido Tite após aquela derrota na Colômbia. O Corinthians resistiu à tentação, priorizou o projeto e o técnico ficou, mesmo com toda a pressão. Dali em diante, um time com a marca de Tite e jogadores comprometidos com a ideia ganhou tudo: Brasileiro, Libertadores e agora o Mundial _ só Telê Santana, com o São Paulo em 1991 e 1992, tinha alcançado a trinca na sequência.

Mais do que ganhar o mundo em campo, o Corinthians chega ao ápice do seu projeto pronto para ganhá-lo fora das quatro linhas também. Contratos milionários e bem costurados de patrocínios, de material esportivo e de TV. Um estádio próprio (ainda que por linhas tortas). E um trabalho finalmente bem feito para valorizar uma marca de valor estratosférico. O Timão fez a lição de casa e hoje é exemplo para todos os outros clubes brasileiros. Se conseguir se manter nesta linha (em se tratando dos nossos cartolas, tudo é possível), e os demais não se coçarem, a tendência é de uma hegemonia do bando de loucos nos próximos anos.

*Texto principal da minha coluna desta segunda-feira no Caderno de Esportes do Santa. O restante do material posto aqui após a publicação.

Comparar Messi a Pelé não é pecado

02 de maio de 2012 26

Coluna publicada nesta quarta-feira no Jornal de Santa Catarina:

Pelé, Messi e Neymar

Como quase todo mundo na minha idade, cresci e me apaixonei pelo futebol folheando as páginas da Revista Placar. E recortando das últimas páginas os escudinhos de futebol de botão – que, aliás, tenho até hoje. Como fã, me deu uma imensa alegria saber ontem que coube à Placar (na edição que chega às bancas esta semana) trazer à tona finalmente o debate que todo mundo faz, mas de maneira equivocada: Messi é (ou será) melhor que Pelé?

Até hoje, o debate foi burro. Porque a maioria das pessoas (muitas até que admiro na crônica esportiva) se negava a comparar Pelé a qualquer outro jogador. “Ele não conta, é de outro planeta”, vivem dizendo. Oras, que eu saiba Três Corações, onde nasceu o Rei, fica no interior de Minas Gerais, não em Júpiter ou na galáxia de Andrômeda.

A Placar, enfim, acabou com essa frescura e comparou Messi a Pelé na mesma idade: aos 24 anos e 10 meses. E… surpresa! O brasileiro é muito melhor em todos os critérios, obviamente. Porém, não é inalcançável, como defendem por aí. Sem gols marcados pelo Exército e outros penduricalhos que compõem o currículo do Atleta do Século, a revista usou como critério apenas gols relevantes e conquistas de títulos importantes. E com o cuidado de deixar claro que as comparações são feitas em épocas completamente distintas do futebol.

O veredito é quase a minha opinião: Pelé está muito acima, já estava aos 24 anos, mas Messi ainda tem praticamente a metade da carreira pela frente. E como os números dele crescem a cada temporada – diferente do Rei, que começou avassalador e foi caindo de rendimento, ainda que assombroso – é possível, sim, que no futuro o argentino seja, diante da frieza dos números, o melhor de todos os tempos.

Ainda que eu ache que Messi até pode vir a fazer mil gols e tal, mas nunca será um jogador tão completo como Pelé foi. E aí eu acrescento outro fora de série ao debate: Neymar. Confrontado com a sombra de Pelé desde criança no Santos, e ainda que tenha levado um baile de Messi no duelo entre eles, no Mundial passado, o jovem craque tem, aos 20 anos, números muito superiores aos de Messi na mesma idade. Números de Pelé. E toda uma carreira pela frente, nos clubes e na Seleção – ainda que os arrogantes europeus só admitam considerá-lo a partir do momento que for jogar por lá.

Se Neymar chegará ao topo, ou se Messi levará para a Argentina a coroa do futebol, só o tempo vai nos dizer. Nos números, não é heresia nenhuma cogitar a possibilidade. O resto é papo furado.

Pra terminar…

Mais triste do que lembrar os 18 anos sem o ídolo Ayrton Senna é constatar no que transformou-se o automobilismo brasileiro (em termos de expoentes internacionais) depois que ele nos deixou.

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Melhores e piores de 2011

25 de dezembro de 2011 9

O ano está chegando ao fim. Esportivamente, 2011 foi cheio de atrativos:

No futebol, foi o ano de Messi, do imbatível Barcelona, do Santos, sim, por que não? Foi o ano do início da afirmação de Neymar, da ressureição do Vasco. Foi, em vários sentidos, um ano do Corinthians. Parecia que seria o ano da volta de Ronaldinho Gaúcho, de Kaká, de Ganso. Não foi. Parecia que a nova Seleção Brasileira mostraria suas credenciais. Pelo contrário, deixou nas nossas cabeças uma enorme interrogação. Em 2011, um nome tornou-se realidade: Leandro Damião.

E por falar em Santa Catarina (onde ele começou), por estas terras o ano parecia que seria do Avaí, mas não foi. Parecia que não seria o ano do Figueirense, mas de certa forma acabou sendo. Parecia que o Criciúma brilharia, mas ficou no quase. Parecia que o Joinville seguiria a rotina de insucessos, mas o tricolor virou o jogo. E parecia que a Chapecoense e Mauro Ovelha ficariam no quase, mas eles brilharam (no Estadual, na Série C de fato ficaram no quase…). De qualquer forma, o treinador é um personagem do futebol catarinense no ano que termina. Afirmou-se, ganhou enfim a chance que tanto queria. No ano de Roni, de Lima, de Aloísio, de Willian, de Fernandes, de Jorginho, de Wellington Nem, Ovelha é o meu destaque.

No futebol do Vale, não há destaques. A região tem quantidade, mas falta qualidade. Acabar com o abismo que a separa dos grandes é o maior desafio de 2012.

Nos demais esportes, foi, sobretudo, o ano de uma sigla: UFC. O Brasil apaixonou-se por algo que já era febre há muitos anos nos EUA e no Japão. E por uma simples razão. No octágono, o Brasil hoje é vencedor. Anderson Silva é o grande nome de 2011, mas o catarinense Júnior Cigano e tantos outros brilham e arrastam legiões de fãs. Situação inversa vive a Fórmula 1, que parece estar em divórcio com o torcedor brasileiro, cansado após 18 anos (desde a morte de Senna) de coadjuvantes e fracassos. Nas corridas, aliás, segue a supremacia alemã, que agora atende pelo nome de Sebastian Vettel. 2011 também será inesquecível para o tenista sérvio Novak Djokovic, para o nadador César Cielo e também para o super surfista norte-americano Kelly Slater.

E aí, será que esqueci de alguém? E pra vocês, quem brilhou e quem deixou a desejar em 2011?

Férias do blogueiro

Este é o último post do blog em 2011. Saio para um merecido descanso e retorno dia 16 de janeiro, de gás renovado e com muitas novidades. Desejo a todos que ajudaram a fazer o blog neste ano um 2012 muito especial, com muitas conquistas e realizações. E que continuem por aqui no próximo ano. Dia 16 estou de volta, para falar muito da semana que antecede o início do Catarinense.

Um grande abraço e Feliz 2012!

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Permanência de Neymar é uma exceção

10 de novembro de 2011 1

A permanência de Neymar no futebol brasileiro até 2014, ainda que apenas uma promessa diante das câmeras, é sim um fato importante. E inédito.

Porém, nem de longe merece reações pachequisticas de torcedores fundamentalistas, achando que o Brasil virou o novo paraíso sobre a Terra.

Minha opinião, bem resumidamente:

Neymar é um jogador acima da média, isso ninguém mais discute. O normal seria ele ir para um gigante da Europa, Real Madrid ou Barcelona, no caso. Mas lá, ele ainda precisaria provar o que é, seria mais um entre tantas estrelas, teria a questão da adaptação, na primeira partida ruim diriam “tá vendo, jogar na Europa é diferente”…

Mas não pense que ele não queria isso. Todo jogador quer. Ainda mais em clubes top de linha.

Porém, como eu disse, Neymar é diferente. Além disso, só tem 19 anos…

Então, o que aconteceu? Foi armada (no bom sentido) uma tremenda engenharia para que Neymar fique no Brasil. Os motivos são vários. Destaco alguns: o Brasil precisa de ídolos aqui neste momento, onde é urgente uma maior sintonia do povão com a Copa que está por vir. Neymar, sem dúvida, será a grande estrela da Seleção em 2014. Ficando no Brasil, ele traz o torcedor de volta à relação mais carinhosa com a Seleção, hoje tão distante. E isso interessa não só à Seleção, mas aos patrocinadores dela, à publicidade em geral, a tantos outros que ganham com o sucesso da Copa aqui. E são eles que estão ajudando a bancar esta engenharia que sugurou o garoto do topete esquisito por aqui.

E Neymar, mesmo deslumbrado como qualquer garoto que joga bola pela possibilidade de ir jogar num gigante do futebol, foi convencido pelo staff a ficar um pouco mais por aqui. O pai dele, atuante e inteligente, o empresário (macaco velho) e o ótimo presidente do Santos, o melhor dirigente do país na atualidade. Ganhando o mesmo que ganharia na Europa, mas aqui já consagrado, sem precisar provar nada a ninguém, e feliz onde está, por que ele trocaria agora? Você trocaria? Pois é, nem ele.

Assim, Neymar fica mesmo por aqui até a Copa de 2014, se tudo seguir conforme o script, e depois vai seguir seu rumo na Europa, provavelmente para ser o melhor do mundo, ídolo aqui e nos confins da Ásia, estas coisas.

É isso. Portanto, não concordo com quem usou este fato para entoar cânticos nacionalistas, dizer que agora o Brasil vai inverter a lógica do mercado e os europeus vão ficar sem sua matéria-prima barata do futebol. Muito menos que o Santos deu exemplo aos demais clubes de que não é preciso vender craques para pagar as contas.

Até gostaria que tudo isso fosse verdade, mas (ainda) não é bem assim. Quem sabe um dia. Outros jogadores até vão dizer agora que também querem, afinal o Brasil está na crista da onda. Mas não acredito que outros craques serão segurados da mesma forma. Seria ótimo, mas não creio.

O caso de Neymar é diferente, especial. Igual a ele.

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Clubes têm o calendário que merecem

07 de outubro de 2011 1

Sobre o calendário do futebol brasileiro em 2012, divulgado nesta sexta-feira pela CBF, só tenho uma coisa a dizer sobre esta aberração:

Bem-feito para os clubes brasileiros, que aceitam tudo que vem da CBF sem questionar. Merecem o que têm, inclusive perder jogadores para a Seleção toda hora (ano que vem será ainda pior).

Sobre alternativas para o que está aí, muito já se falou, nem vou me repetir aqui. A CBF não está nem aí, e os clubes pelo jeito também não, porque nunhca vi ninguém questionar. Depois, quando a porcaria está feita, aparece um ou outro pra esbravejar. Na verdade, pra fazer jogo de cena.

Quer tentar entender a obra-prima da CBF? Então clica aqui e boa sorte.

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Santa Catarina merece mais respeito

11 de dezembro de 2010 7

Sem entrar em muitos méritos, só uma impressão mesmo. Santa Catarina vive um momento especial com seus clubes conseguindo, enfim, reconhecimento nacional. É hora de valorizar o que é daqui.

Mas aí a prova de que a nossa Federação é muito fraca é o fato de termos apenas duas vagas na Copa do Brasil em 2011. Por que não mais uma, pelo menos? Não me venham dizer que os critérios são os rankings da CBF, pois pra começar eles são uma piada (de mau gosto). Entrar na Copa do Brasil hoje é simples, basta um lobbyzinho político na CBF. Quem pode mais, chora menos. E faz tempo que SC está só chorando…

Primeiro, temos dois times na Série A, e pra mim time da Série A entraria obrigatoriamente na Copa do Brasil. A partir daí, poderia haver a distribuição por federações das vagas, mas ainda assim baseado na proporcionalidade de times na elite.

E outra, se são poucas as vagas, que abram mais. A Copa do Brasil é o único torneio no país que permite isso. Na Inglaterra a FA Cup começa com centenas de times, representantes até da oitava divisão (sim, eles têm isso, e nós, bem maiores, a duras penas temos quatro). A diferença é que os clubes principais entram só nas fases mais agudas. Não tem segredo, basta boa vontade da CBF.

Exigiria, claro, a tão esperada mudança no calendário. Como eu sempre defendi, a Copa do Brasil deveria ocorrer em paralelo com o Brasileirão, para evitar aquela vergonha de times que vão à Libertadores não disputarem, o que tira credibilidade do torneio. Poderia durar seis meses, de junho (após o fim da Libertadores) a dezembro, com os times grandes entrando só lá por agosto, setembro. A Sul-Americana iria para o primeiro semestre, junto com Estaduais e Libertadores (aí sim, quem joga a Libertadores não disputa a Sul-Americana).

Seria um calendário com muito mais representatividade dos clubes e mais interessante, evitando que clubes menores fiquem tanto tempo sem jogar, ou quando jogam são torneios deficitários. Dá pra fazer, é só a Dona CBF querer. Mas é preciso que os interessados pressionem, porque se deixarem a entidade dona do futebol brasileiro cuidará, pra variar, apenas da galinha dos ovos de ouro, a Seleção Brasileira, que é o que lhe garante lucros astronômicos. Cuidar de time pequeno e campeonato nacional não dá dinheiro e rende dor de cabeça, eles não vão fazer por boa vontade. Ainda mais agora, que a Copa de 2014 vai fazer muita gente lavar a égua…

Viúvas do mata-mata voltam a atacar

29 de novembro de 2010 19

Cuidado, elas estão de volta. As viúvas do mata-mata no Brasileirão estão saindo das trevas para assombrar mais uma vez. Querem a volta do tempo em que ninguém entendia o que ia acontecer, que a bagunça reinava e outras cositas mais… Como se integridade tivesse a ver com fórmula.

Na real, as viúvas sempre estão por aí, à espreita, sorrateiras. Foi só essa discussão dos times entregando jogo ou não na reta final do Brasileiro para elas se assanharem e voltarem aos holofotes. Sai pra lá, assombração!! Ao menos a CBF já mandou avisar que não há chance de mudança na fórmula. Me tranquilizo moderadamente. Afinal, quem aí confia na CBF?

Os pontos corridos estão consolidados no Brasileirão, e assim que tem que ser. Esses jogos “suspeitos” nada mais são do que coincidências da tabela, que por outro lado reservou para a última rodada “finais” na disputa por vaga na Libertadores (Grêmio x Botafogo) e na luta contra o rebaixamento (Vitória x Atlético-GO). A fórmula atual premia a regularidade, nunca, jamais, haverá um campeão que não tenha merecido. Já no mata-mata… E tem mais: num eventual mata-mata (que gera desinteresse nas rodadas finais porque times já estão classificados ou eliminados) o cenário de times entregando ou poupando jogadores aconteceria da mesma forma. Ou seja, a solução não passa por aí.

Minha solução para quem pede tanto jogos de mata-mata é simples: basta a CBF trazer a Copa do Brasil para ocorrer paralelamente ao Brasileirão, o que ainda por cima fortaleceria a competição, hoje manchada por regras ridículas que deixam o atual campeão e os times mais fortes da temporada de fora. Assim, junto com o Brasileirão, todos poderiam participar.  Bastaria ainda um lobbyzinho básico junto à Conmebol para mandar a enfadonha Copa Sul-Americana para o primeiro semestre, para ocorrer paralelamente à Libertadores (aí sim, quem disputa uma não joga a outra).

Simples, não?

Só não me venham com esse papinho de mudar o Brasileirão, por favor. Seria um retrocesso que não cabe mais em um futebol que está aos poucos conhecendo a maturidade das regras claras. E premiando os que realmente merecem.

PS: Em vez de querer mudar a fórmula vitoriosa do Brasileirão, porque as viúvas não tentam convencer a CBF a dar um regulamento decente para as Séries C e D, como já foi debatido aqui no blog?

Outro PS: Admito que essa proposta do apresentador e narrador Milton Leite, de quem sou fã, achei interessante, apesar de falar em mata-mata. Mas seria um pouco diferente, não mexeria na disputa pelo título. Confiram aqui e opinem também.