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Posts na categoria "Tênis"

Entrevista com Guga Kuerten

31 de janeiro de 2013 22

Nesta quarta-feira, tive a oportunidade de encerrar uma pendência profissional: até então, nunca tinha tido a oportunidade de conhecer e entrevistar Gustavo Kuerten, um dos poucos personagens do esporte dos quais realmente sou fã incondicional (e quem não é?). Guga esteve em Blumenau para visitar a academia Fórmula, recém inaugurada no Shopping Neumarkt e da qual é um dos sócios em Santa Catarina. Em meio aos muitos pedidos de fotos de fãs e de quem estava na academia, e antes de se arriscar numa esteira para manter a forma, o maior catarinense vivo (na minha opinião) conversou comigo e concedeu a entrevista abaixo, que também está nas páginas do Santa desta quinta-feira. E falou de tudo um pouco, como vocês podem conferir.

Por que, afinal, uma academia para estrear no mundo dos negócios?

Guga Kuerten – Era um desejo antigo, na verdade. Esse ambiente tem tudo a ver com a minha realidade, envolvido com o esporte desde muito cedo. Sempre quis participar de algo assim, dar esta oportunidade às pessoas de ganhar qualidade de vida e criar hábitos saudáveis. Eu não tive isso. Lembro muito bem da primeira vez que estive em Roland Garros, com 15 anos, olhava aquelas academias maravilhosas, moderníssimas, e aquilo estava muito longe da minha realidade. Meus treinos físicos eram na base do improviso, uns pesos comprados pelo Larri (Passos) e só. Até corri pelos corredores do prédio dele, assim mesmo. Enfim, era muito diferente. Surgiu esta oportunidade para unir fatores, não tinha como não me interessar.

E esta tendência de academias em shoppings, também está vindo do exterior para cá?

Guga – Talvez, mas penso que as pessoas hoje querem a melhor logística possível, poder unir uma coisa a outra. Shoppings são parte muito presente da realidade de todos nós. E ainda tem a questão da segurança, infelizmente. Nossas cidades cada vez mais nos empurram para ambientes fechados, que nos garantam o mínimo de conforto e segurança. Penso que é uma tendência mesmo.

E serão outras academias depois dessa aqui em Blumenau?

Guga – Estamos abrindo quatro unidades: duas em Floripa, uma na ilha e outra no continente, aqui em Blumenau e em Joinville. A próxima, que já estava nos planos, deve ser em Criciúma. Depois, naturalmente haverá um tempo para avaliarmos o mercado, se os objetivos serão atingidos. Dependendo disso, podemos sim abrir outras unidades.

Vir a Blumenau te remete aos primeiros passos no tênis?

Guga – Inevitavelmente. Tenho uma ligação muito forte com esta região. Foi aqui que eu comecei a ter noção do que era o tênis profissional. Além disso, admiro muito a determinação do povo daqui, acho que levei um pouco disso para a minha vida. Vir até aqui sempre me faz muito bem, por tudo isso fiz questão de ajudar naquela tragédia de 2008, com a construção de algumas casas para famílias que tinham perdido tudo.

Afinal, o tênis mudou?

Guga – Ah, com certeza. Desde a época que me despedi, ali nos últimos anos que joguei em alto nível, 2003, 2004, as mudanças já eram perceptíveis. Hoje, o tênis é muito mais baseado na força física, mas ao mesmo tempo é muito mais refinado tecnicamente. Olha esses caras, um Djokovic, um Federer, esses caras jogam partidas de cinco horas decididas nos detalhes, e sem baixar a qualidade do jogo. E no dia seguinte fazem tudo outra vez! A grande mudança é essa, a exigência técnica e física é extrema.

O Fernando Meligeni (ex-tenista, atualmente comentarista) disse no blog dele após a final do Aberto da Austrália (domingo, vencido pelo sérvio Novak Djokovic) que estamos entrando na era Djokovic x (Andy) Murray. Concordas?

Guga – Acho que sim. O momento é deles, o Nole (apelido de Djokovic entre os tenistas) é um fora de série e o Murray está no auge, demorou a chegar lá em relação aos demais tops, mas chegou lá. Mas acredito que o Federer e o Nadal, que está voltando, ainda vão incomodá-los durante um bom tempo.

Roger Federer é o maior tenista de todos os tempos?

Guga – Essa é difícil. Ele é excepcional, isso é fato. E vai inevitavelmente quebrar todas as marcas em termos de títulos, de Grand Slams, enfim… Se voltarmos um pouco mais no tempo, houve tantos jogadores incríveis. Veja um Rod Laver (tenista australiano dos anos 1960, para muitos considerado o maior de todos os tempos), um Pete Sampras, tantos outros. O que eu costumo dizer é o seguinte: se fizermos uma lista dos 10 melhores, Federer estará lá. Se diminuir para cinco, ele estará lá. Entre os três, também. Se ficarem só dois, também (risos). O cara é fera.

Esta contusão do Rafael Nadal, que está desde junho fora do circuito, te faz lembrar de tudo que você passou?

Guga – Não tem como não pensar, né. Mas ele está voltando (jogará semana que vem no Chile e o Brasil Open, em São Paulo, a partir do dia 9), vamos ver como será. Certeza que ele vai ter que correr muito atrás da máquina para alcançar estes outros caras que estão voando. Mas ele (Nadal) é muito forte, física e psicologicamente. Vai superar.

O fato de vocês dois terem tido lesões até de certa forma parecidas (ainda que a do espanhol seja no joelho), e serem jogadores essencialmente de saibro, é apenas uma coincidência?

Guga – Sim, não vejo de outra forma que não uma coincidência.

No fim de semana o Brasil volta à elite da Copa Davis (enfrenta os EUA, na Flórida) pela primeira vez desde que você abandonou as quadras. Qual o real estágio do esporte no país?

Guga – A evolução é lenta, não é num passe de mágica que vamos formar jogadores em larga escala. Mas ao menos agora enxergo um trabalho sendo feito, com planejamento, organização. Os frutos virão, mas é preciso ter paciência.

Você costuma ser bem atuante nas redes sociais, e de vez em quando posta opiniões bem contundentes sobre assuntos diversos, não foge de polêmica. O que você acha, por exemplo, dos rumos que estão tomando a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 no Brasil?

Guga – Infelizmente, a conclusão óbvia é que o Brasil não está preparado para Copa e Olimpíada. Falta maturidade para aproveitar o que eventos dessa magnitude têm de melhor e de fato provocarem mudanças efetivas no país. Não vamos ter isso. Teremos estádios de mais, aeroportos, estradas, transporte de menos. E esse seria o legado que colocaria o país em outro patamar. Repito, nos falta maturidade para entender isso. Teremos Copa, Olimpíada, sem dúvida serão muito legais. Mas pouco ficará depois que eles acabarem, e isso é uma pena. O Brasil perdeu a chance.

Pensa em ser dirigente esportivo algum dia?

Guga – Não.

Nunca?

Guga – Nunca pensei nisso. Hoje, não vejo possibilidade. Mas gosto de ver esportistas assumindo funções importantes.

O que você pensa de dirigentes, principalmente no esporte, que se perpetuam no poder?

Guga – Sem dúvida não é bom, acabam personificando entidades que deveriam ser pautadas pelo pensamento plural. Mas nem de longe acho que esse seja o nosso maior problema no esporte.

Como o Guga, ídolo indiscutível, avalia o caso Lance Armstrong?

Guga – (Pensativo) O que posso te dizer, o cara decepcionou a todos, é uma fraude. É preciso separar o lado esportivo da questão social, o trabalho dele contra o câncer. Isso ainda consigo enxergar que tenha sido sincero, e não merece cair na mesma vala, ajuda pessoas no mundo todo. Falando apenas de esporte, a atitude dele deixou toda uma modalidade importante sob suspeita, pessoas que são honestas, que competem ou que praticam por prazer e se espelhavam nele. Isso é muito triste, é o contrário do que deve ser o esporte. Por isso nem consigo mais enxergá-lo como alguém do esporte, agora os problemas dele são com a Justiça.

De que ainda valem os Jogos Abertos?

08 de novembro de 2012 3

Começaram esta semana, em Caçador, os Jogos Abertos de Santa Catarina. Ao mesmo tempo que os Jasc me despertam admiração, pelo valioso trabalho de fomentar o esporte amador em todos os cantinhos do Estado ao longo desses 52 anos, me entediam profundamente pela forma como ainda são disputados os Jogos.

Quem me lê há mais tempo sabe: não é de hoje que os Jasc deixaram de ser interessantes. Blumenau, felizmente _ e deixando a modéstia de lado me sinto parte dessa decisão, de tanto que enchi o saco _, conseguiu romper com aquela neura de ganhar a competição a todo custo, a tal manutenção da hegemonia que, acreditem, num passado nem tão distante ajudava a definir os rumos políticos da cidade.

Eu fui atleta dos Jasc. Antes disso, fui admirador dos desfiles em carro aberto dos campeões. Mas Blumenau cresceu, tomou outros rumos, por que eu deveria achar normal o esporte daqui viver como há 20, 30 anos?

Hoje, os atletas blumenauenses são novamente vanguarda, como quando defendiam a hegemonia e ficaram 23 anos sem perder. Vão aos Jasc com o resultado do trabalho de base, seja ele bom ou não. Ganhar, nesse caso, importa ao competidor, claro, e só. A cidade ser campeã é insignificante. Os outros ainda vão entender isso.

Blumenau não ganhará mesmo os Jasc de Caçador, nem precisaria eu estar aqui torcendo contra.

Floripa é favorita ao tetra (será o oitavo título, precisará de mais 32 para se tornar a maior vencedora). Joinville também tem chance, até Itajaí deve ficar à frente dos blumenauenses _ o trio investiu pesado em atletas de fora. Da minha parte, resta dizer que cada um faz o que bem entende com a sua política e o seu dinheiro.

Se há algo em termos de esporte que Blumenau deva invejar na Capital e na maior cidade do Estado, não é a classificação nos Jasc. E sim o fato delas terem projetos fortes, em parceria com a iniciativa privada, que formam times que brigam por títulos importantes, nacionais e internacionais, projetam os nomes das cidades e formam uma geração de atletas através da idolatria.

É isso que Blumenau precisa buscar. E os Jasc, insisto, precisam de uma reformulação corajosa, que valorize de fato a produção esportiva de cada cidade.

Londres 2012: as apostas do blog

24 de julho de 2012 4

A Olimpíada de Londres vai começar (nesta quarta já tem futebol feminino). Hora de fazer apostas na participação brasileira.

A promessa é de que dessa vez, com uma preparação mais profissional, o Brasil amarele menos nas decisões.

Vamos conferir. Abaixo, as minhas apostas:

Brigam pelo ouro

- Futebol masculino

- Cesar Cielo, Felipe França e o revezamento 4×100 da natação

- Juliana e Larissa e Emanuel e Alisson (vôlei de praia)

- Roberto Scheidt e Bruno Prada (Iatismo)

- Equipe de judô (aqui são vários)

Brigam por medalhas

- Vôlei masculino e feminino

- Basquete masculino

- Handebol feminino

- Futebol feminino

- Fabiana Murer (salto com vara)

- Thiago Pereira (natação)

- Diego Hypolito (ginástica)

O resto, salvo uma ou outra surpresa que felizmente sempre vão existir, do contrário a gente nem perdia tempo assistindo, deve se dividir entre fazer figuração e pegar experiência importante para os Jogos de 2016, no Rio de Janeiro.

E vocês, têm palpites? Mandem aí

Melhores e piores de 2011

25 de dezembro de 2011 9

O ano está chegando ao fim. Esportivamente, 2011 foi cheio de atrativos:

No futebol, foi o ano de Messi, do imbatível Barcelona, do Santos, sim, por que não? Foi o ano do início da afirmação de Neymar, da ressureição do Vasco. Foi, em vários sentidos, um ano do Corinthians. Parecia que seria o ano da volta de Ronaldinho Gaúcho, de Kaká, de Ganso. Não foi. Parecia que a nova Seleção Brasileira mostraria suas credenciais. Pelo contrário, deixou nas nossas cabeças uma enorme interrogação. Em 2011, um nome tornou-se realidade: Leandro Damião.

E por falar em Santa Catarina (onde ele começou), por estas terras o ano parecia que seria do Avaí, mas não foi. Parecia que não seria o ano do Figueirense, mas de certa forma acabou sendo. Parecia que o Criciúma brilharia, mas ficou no quase. Parecia que o Joinville seguiria a rotina de insucessos, mas o tricolor virou o jogo. E parecia que a Chapecoense e Mauro Ovelha ficariam no quase, mas eles brilharam (no Estadual, na Série C de fato ficaram no quase…). De qualquer forma, o treinador é um personagem do futebol catarinense no ano que termina. Afirmou-se, ganhou enfim a chance que tanto queria. No ano de Roni, de Lima, de Aloísio, de Willian, de Fernandes, de Jorginho, de Wellington Nem, Ovelha é o meu destaque.

No futebol do Vale, não há destaques. A região tem quantidade, mas falta qualidade. Acabar com o abismo que a separa dos grandes é o maior desafio de 2012.

Nos demais esportes, foi, sobretudo, o ano de uma sigla: UFC. O Brasil apaixonou-se por algo que já era febre há muitos anos nos EUA e no Japão. E por uma simples razão. No octágono, o Brasil hoje é vencedor. Anderson Silva é o grande nome de 2011, mas o catarinense Júnior Cigano e tantos outros brilham e arrastam legiões de fãs. Situação inversa vive a Fórmula 1, que parece estar em divórcio com o torcedor brasileiro, cansado após 18 anos (desde a morte de Senna) de coadjuvantes e fracassos. Nas corridas, aliás, segue a supremacia alemã, que agora atende pelo nome de Sebastian Vettel. 2011 também será inesquecível para o tenista sérvio Novak Djokovic, para o nadador César Cielo e também para o super surfista norte-americano Kelly Slater.

E aí, será que esqueci de alguém? E pra vocês, quem brilhou e quem deixou a desejar em 2011?

Férias do blogueiro

Este é o último post do blog em 2011. Saio para um merecido descanso e retorno dia 16 de janeiro, de gás renovado e com muitas novidades. Desejo a todos que ajudaram a fazer o blog neste ano um 2012 muito especial, com muitas conquistas e realizações. E que continuem por aqui no próximo ano. Dia 16 estou de volta, para falar muito da semana que antecede o início do Catarinense.

Um grande abraço e Feliz 2012!

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O futuro dos Jasc e o fiasco de Blumenau

21 de novembro de 2011 12

Sou do tempo das carreatas em caminhões dos bombeiros com as delegações blumenauenses que voltavam dos Jasc com mais um título. Eu era criança e achava tudo muito legal, o povo vibrava, era uma demonstração do orgulho blumenauense diante da supremacia esportiva sobre as cidades maiores do Estado.

Hoje, entendo que aquilo era, prioritariamente, um teatro com fins políticos. Não dos atletas, claro. Vivíamos uma espécie de ditadura dos Jasc: vencer era uma obrigação do prefeito, sob pena de perder prestígio político e, em decorrência disso, votos e eleições. A pressão era enorme.

Fui atleta nos Jasc, sei bem qual é a importância dos Jogos. Mas há muito tempo já defendo que tudo ali precisa ser repensado. A competição, hoje, não tem identidade. Não se sabe se querem ser parte decisiva na formação do esporte catarinense ou apenas um show. Do jeito que estão, ganhar não tem serventia alguma.

Aí, chegamos ao fracasso blumenauense na edição que terminou sábado, em Criciúma. A pior colocação da cidade em 50 anos, um quarto lugar que se repetiu uma única vez, na segunda edição dos Jogos, em 1961. Ou seja, é plenamente aceitável considerar esta a pior campanha de Blumenau na história. E há duas formas, basicamente, de analisá-la:

1) O enfraquecimento da formação de atletas na cidade. Se for verdade, é preocupante. E como dinheiro não faltou (o orçamento da FMD aumentou nos 5 anos), seria um problema de gestão dos recursos. Esta é uma leitura. Tem quem a defenda como única “culpada”.

2) A outra: é uma questão de mudança de foco.  Há muito tempo defendo que ganhar os Jasc apenas por ganhar, não significa nada. Blumenau abandonou a tática (nefasta, na minha opinião) de contratar atletas apenas para os Jogos, o que é comum e até moda em outras delegações. Hoje, vai com a base e pronto. Se der, deu.

O quarto lugar em Criciúma me parece efeito colateral desta decisão que, a meu ver, é acertada. A principal função dos Jasc é formar atletas, despertá-los para o esporte. Ganhar, de verdade, não é o mais importante (combina bem com o Barão de Cobertain e seu “o importante é competir”). É o primeiro estágio para, mais adiante, o atleta tornar-se de alto rendimento, buscar conquistas maiores e, por que não, ganhar dinheiro com isso.

Mas não tem sido bem assim. Cidades preferem mascarar resultados importando atletas que não tem ligação alguma com os Jasc. A anfitriã Criciúma, por exemplo, contratou 132 atletas, isso mesmo! Alguns de renome nacional e, pasmem, até dois norte-americanos. Conseguiu o inédito vice-campeonato, mas a que custo? A base da cidade sentiu-se prestigiada? Está orgulhosa com o resultado? Outro exemplo: Concórdia venceu o tênis de mesa masculino contratando o melhor do país na modalidade. Pois ele veio, competiu, venceu e no mesmo dia rumou ao aeroporto e embarcou para a França, onde mora. Pergunto: isto tem a ver com o espírito formador de atletas dos Jasc?

Durante muito tempo, como ex-atleta, cobrei esta postura de Blumenau. Desde quando ainda ganhava todo ano. Não é agora, que a cidade tenta fazer isso, que vou descer a lenha por um quarto lugar que alguns tentam ler como uma tragédia. Concordo com os dirigentes quando dizem que “não adianta ganhar os Jasc todo ano e não ter lugar para guardar os troféus”. Sim, os 39 troféus de Blumenau estão encaixotados num galpão, porque não há lugar para eles. E é preciso ter. Se há uma história de conquistar que pode inspirar novas gerações de atletas, ela não pode ficar escondida.

E digo mais: adianta ganhar os Jasc e depois o processo não ter continuidade? Hoje, Blumenau forma atletas que, quando prontos para brilhar, vão fazer isso em outros lugares. Prefiro mil vezes ir só com a base para os Jasc, perder se for o caso, mas ter aqui times fortes disputando ligas nacionais de vôlei, basquete, futsal, handebol, nadadores e atletas competindo aqui. Mas fortes mesmo, não apenas para fazer figuração. Porque se nos Jasc o importante é competir, no alto rendimento o importante é GANHAR. Formação de atletas nós temos, falta uma conexão com a iniciativa privada (sempre ela) para investir na continuidade do processo aqui, não lá fora. Joinville e Florianópolis fazem isso, e podem ter certeza que isso sim, como blumenauense, me dá uma pontinha de inveja deles, e não terem ficado na frente nos Jasc. A propósito, perguntem lá em Floripa o que dá mais orgulho, o tricampeonato nos Jasc ou o tetracampeonato da Cimed na Superliga de vôlei masculino? Perguntem lá. Mas só com dinheiro público não se chega até isso. Não mesmo.

Em resumo: o resultado de Blumenau em Criciúma é anormal, por isso tanto espanto. Mas não há nada de trágico nele. Não há remédio no mundo que não seja amargo. Enquanto outros estão na tática que Blumenau usou há 15, 20 anos, de ganhar os Jasc a qualquer custo, por aqui já deu pra perceber que isso não tem efeito prático e acaba por destroçar o esporte da cidade (aquele que a população pode perceber e até usufruir). Se há uma cidade que pode se dar ao luxo de abrir mão dos Jasc para se lançar novamente na vanguarda, começar uma tendência que lá na frente vá fazer os Jasc retomar suas origens, esta cidade é Blumenau. Mesmo que Floripa, vamos supor, passe a ganhar todo ano, só alcançaria a supremacia blumenauense nos Jogos em 2043! Até lá, há muito tempo para reestruturar tudo que está errado aqui e ainda voltar com folga a mandar no esporte amador catarinense.

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Santa estreia novo colunista de esporte

28 de outubro de 2011 42

Uma novidade para os leitores da editoria de esporte do Jornal de Santa Catarina. A partir da próxima terça-feira, dia 1º de novembro, o jornal passa a publicar a coluna do jornalista carioca Renato Maurício Prado, que trata, principalmente, do futebol nacional _ com foco maior, mas não único, nos clubes cariocas. É um acréscimo de opinião, sem excluir as demais colunas e o foco do Santa no esporte local. Em breve, virão mais novidades por aí.

A coluna de Renato Maurício Prado _ mais conhecido pelo público pelas participações nos programas esportivos do canal a cabo SporTV, como o Bem, Amigos! e o Redação SporTV _ vai comentar o panorama do esporte nacional três vezes por semana: às terças, sextas e nos finais de semana.

O colunista tem 35 anos de carreira no jornalismo, a maior parte ligada ao esporte, e assina a coluna que será publicada pelo Santa (e já era publicada no Diário Catarinense) no jornal carioca O Globo desde 2002. Além do futebol, ele também costuma comentar outras questões do esporte nacional, Fórmula 1 (já foi correspondente) e tênis _ escreveu um livro que narra a trajetória do nosso catarinense Gustavo Kuerten no tricampeonato de Roland Garros.

Quem é ele

* Renato Maurício Prado nasceu em Niterói em 11/1/1953 e começou no jornalismo em 1976, no Jornal do Brasil, onde foi repórter de política e de esportes.

* Em 1979, transferiu-se para O Globo, como repórter da editoria de esportes, onde posteriormente foi colunista, subeditor e editor (no período de 83 a 86).

* Em 1987, foi designado correspondente do Globo em Madri, Espanha, tendo como uma das principais atribuições cobrir a Fórmula-1 por todo o mundo.

* De volta ao Brasil, em 1988, teve rápida passagem pela Rede Globo de Televisão, como repórter de vídeo, na editoria de esportes, e passou a chefiar a sucursal Rio da revista Placar, da Abril.

* Em 2002, voltou a ser colunista de esportes de O Globo, onde assina uma coluna às terças, sextas e domingos. Participa do Programa “Bem Amigos” no Sport TV, nas noites de segunda-feira e faz também comentários esportivos no canal a cabo e nas rádios Globo e CBN.

* Tem dois livros publicados: o “Deixa que eu chuto” (foto), com duas edições, sobre o lado folclórico e divertido do esporte, e o “Saibro, suor e glória”, que conta a trajetória vitoriosa do ídolo catarinense Gustavo Kuerten em Roland Garros.

Abaixo, a entrevista que eu fiz com o Renato Maurício Prado durante a semana, e que está publicada também na edição de fim de semana do Santa:

“Os clubes do Rio aprenderam a disputar os pontos corridos”

Santa – Pra começar, uma bem fácil: quem será o campeão brasileiro de 2011?

Renato – Sou jornalista e não adivinho! (risos) Esse campeonato é completamente imprevisível! No momento, o favorito é o Vasco, que vem voando, graças a um doping extremamente positivo e poderoso: a vontade de ganhar o título para o Ricardo Gomes, que viveu aquele drama do AVC e ainda está se recuperando.

Santa – O futebol carioca ressurgiu nos últimos anos, com títulos importantes e times fortes. Os clubes aprenderam a lição ou trata-se apenas de coincidência?

Renato – Os clubes do Rio aprenderam a disputar campeonatos por pontos corridos. Passaram a montar elencos fortes, e não somente times, e apostaram no retorno de jogadores que podem fazer a diferença, como Ronaldinho Gaúcho, Renato (ex-Santos e atualmente no Botafogo), Juninho Pernambucano, Fred etc. Ainda falta muito, em termos de estrutura, mas o Rio esta provando que Centro de Treinamento é bom e ajuda, mas não é o bastante. Até porque não entra em campo e não faz gol.

Santa – Que nota dá para o andamento da Copa de 2014 até o momento? E das Olimpíadas de 2016 no Rio?

Renato – Por enquanto, zero e zero. Esse tipo de competição é uma grande oportunidade para que se consiga fazer obras de infraestrutura que, passados os eventos, se tornam legados importantes para o povo. Nada disso foi feito até agora. Ao contrario, estão plantando elefantes brancos em lugares que não precisavam de estádios, como Brasília, Belém e Cuiabá! E nossos aeroportos (que são vergonhoso) terão puxadinhos provisórios! Isso sem falar nas denuncias de desvios de verba no Ministério do Esporte…

Santa – Mano Menezes corre risco na Seleção no caso de não engrenar em 2012?

Renato – Corre. E muito! Se fracassar nas Olimpíadas de Londres, acho que não chega à Copa. Até porque a seleção principal não esta jogando nada.

Santa – Neymar tem condições de ser o melhor do mundo nos próximos anos?

Renato – Tem. Ele é fenomenal! Mas precisa manter a cabeça no lugar, pra não deixar a carreira encolher, como aconteceu, por exemplo, com o Robinho.

Santa – Além de futebol, você também gosta muito de F-1 e tênis, dois esportes que já viveram dias melhores no Brasil. Acha que o país poderá voltar a ter novos ídolos nesses esportes?

Renato – Torço muito para que isso aconteça. Mas as perspectivas a curto prazo não são animadoras…

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O futuro dos Jasc em discussão

18 de setembro de 2010 4

Os Jogos Abertos de Santa Catarina terminaram neste sábado em Brusque. Edição histórica, 50 anos, os Jogos de volta ao berço. Poderia ter tido muito mais destaque, mas não tem jeito: os Jasc não empolgam mais.

Lembro de quando eu era criança, antes mesmo de participar de algumas edições como nadador. A competição tinha uma outra aura, hoje não tem mais, nem de longe, a mesma importância. Os tempos são outros. Tanto é que Floripa conquistou há pouco o bicampeonato, repetindo a primeira edição na mesma Brusque e superando no apagar das luzes o favoritismo de Joinville. Haverá festa na Ilha? Aposto que não. Não mais que uma carreata organizada por famílias de atletas e envolvidos e, dada a época, inflada por políticos querendo tirar casquinha. De resto, ninguém dará importância nenhuma.

Já disse ano passado: Blumenau perdeu os Jasc (de novo), ótimo para Blumenau. A cidade aos poucos vai se livrando daquele fardo histórico de vencer a competição todo ano, a qualquer custo, apenas para manter a tal hegemonia que não acrescentou muito ao esporte da cidade. Nos últimos anos, entrou num caminho que espero seja sem volta, de usar a base formada na cidade nos Jasc, independente do resultado. Ganhar ou perder é do esporte, o que os Jasc precisam deixar em cada cidade é um legado. O principal deles é a formação de atletas, não necessariamente de rendimento. Se não for assim, de que adianta ganhar Jasc todo ano? Blumenau tem 39 conquistas, vai levar uns 70 anos alguém chegar perto. Mesmo que fosse em 30 e poucos, supondo que Floripa engatasse uma sequência incrível, até lá dá para fazer um belíssimo trabalho na base, que no fim importa muito mais.

Sobre os Jasc em si, penso que a edição 50 despertou em alguns dirigentes a noção de que a competição precisa mudar para não morrer de vez. Uma reunião na sexta-feira para discutir o tema contou com a presença de meia dúzia de gatos pingados, uma pena. De qualquer forma, torço para que o tema volte ao debate, pois a essência dos Jasc não deveria ser perdida. Para isso, penso que algumas correções de rumo seriam necessárias. Por exemplo:

- Edições de 2 em 2 anos, no mínimo. Tornaria a competição menos enfadonha. A solução seria fortalecer os Jogos regionais, classificatórios para os Jasc, e os Estaduais de cada modalidade, que classificariam os campeões para a competição.

- Com essas medidas acima, tornar os Jasc mais enxutos, com menos participantes na fase final. Evitaria a diferença técnica abissal na maioria das modalidades, e tornaria possível a organização por uma cidade de menor porte, onde o interesse é bem maior. Jasc em Blumenau, Florianópolis, Joinville, Criciúma, Chapecó, ninguém dá a mínima. E ao contrário do que podem pensar alguns, a medida não excluiria cidades menores, pois os regionais seriam fortalecidos.

- Jogos e Joguinhos, será que precisa mesmo? Não haveria uma forma de tormar os dois uma coisa só, mais atrativa? E com isso As Olimpíadas Escolares (Olesc) ganhariam importância.

- Proibição total das importações de atletas. Se alguém de fora quer disputar, precisa fixar residência na cidade por pelo menos 3 anos. Acho o fim da picada atleta que cai de paraquedas e é capaz até de errar o nome da cidade que está defendendo. É o símbolo maior da deformação do espírito dos Jasc de que eu venho falando.

- Algumas modalidades, com todo o respeito aos praticantes, não têm condições. Rever com critério o menu de modalidades seria interessante.

É isso. Até tinha mais sugestões, mais não lembro nesse momento (se lembrar acrescento aqui). Se alguém tiver alguma também, fique à vontade para mandar. Como ex-atleta dos Jasc, torço para que ele tenha vida longa. Mas do jeito que está, é da UTI para o caixão em pouco tempo.