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Posts com a tag "bahia"

Um arco-íris no meio do caminho

24 de janeiro de 2011 2


Estávamos a caminho de Barreiras, na Bahia, quando passamos por uma chuva forte. Cerca de 10 minutos depois, já tinha sol. Isso é comum no Nordeste.

A incidência de raios solares sobre as gotas de chuva produziu o arco-íris da foto. O mais bacana é que ele surgiu em cima de uma lavoura de soja, o que se encaixa perfeitamente com as matérias que estamos produzindo, pois é isso que o gaúcho planta aqui.

Um encontro com os novos moradores do Brasil de Bombachas

24 de janeiro de 2011 1

Há um ano e meio, em Santa Maria, repetiu-se uma cena na residência do casal de médicos Humberto Takizawa Berner e Yamara Gomes da Silva que havia acontecido no lar daqueles que há quatro décadas haviam erguido o que chamamos, hoje, de Brasil de Bombachas. A exemplo do que fizeram os pioneiros, que povoaram as terras ao norte do Rio Uruguai, o casal deixou uma situação estável para apostar em um futuro melhor para sua família. Com as duas filhas e os cachorros, os dois se instalaram em Barreiras, uma cidade no oeste da Bahia, que os gaúchos tornaram uma potência no cultivo da soja.

Familiares do casal pediram que Zero Hora fosse lá para ouvir a história dos dois. Toquei a campanhia da casa no sábado. Em 1995, eu estive em Barreiras, em busca de histórias para escrever o Brasil de Bombachas. Agora, acompanhado pelo fotógrafo Mauro Vieira e pelo motorista Everton de Jesus, percorro os caminhos que fiz em 1995 para escrever sobre o presente do território povoado pela gauchada.

O casal atendeu à campanhia à moda gaúcha: fraternalmente. Berner é neurocirurgião e Yamara é neurologista infantil. Duas especialidades muito requisitadas ao redor do mundo, imagine em uma fronteira agrícola. As duas filhas do casal, Luiza, 9 anos, e Ana Rita, dois, dão vida à casa. No sábado, Berner estava de babá das crianças. Disse que foram para Barreiras a convite de uma colega de profissão. Ele enfileirou os três principais motivos que levaram o casal a decidir pela mudança:

Aqui, nós recebemos o preço justo pelo nosso trabalho. A estrutura que temos para exercer a profissão, tanto do SUS como particular, é de primeira qualidade. E o que consideramos muito importante: nós fazemos a diferença. No Rio Grande do Sul, éramos apenas mais dois médicos.

Berner lembra que, quando desceu do ônibus, em Barreira, e foi recebido pelo seu colega, a primeira vontade que teve foi a de voltar correndo para o Rio Grande do Sul. O visual da cidade o assustou: ruas e avenidas esburacadas pelo intenso trânsito de caminhões e maquinário agrícola. Um trânsito caótico. O recolhimento de lixo que deixava muito a desejar. Yamara recorda que o impacto cultural foi violento. No final, o casal foi convencido de que as coisas não eram tão ruins como pareciam ser.

Ao se envolver com o trabalho, os dois foram percebendo que eram muito mais que um casal de médicos que havia se estabelecido em uma cidade agrícola: estavam participando da construção de novo modo de vida que havia iniciado com os povoadores do Brasil de Bombachas. O conteúdo completo da conversa que tivemos com os dois vai fazer parte da reportagem que será publicada na Zero Hora.