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Não era para brigar, era só saudade

14 de janeiro de 2011 0

Pensei que fosse dar briga. Mas não, era só um gaúcho com saudade da sua terra. Na tarde de ontem, em uma estrada poeirenta no interior do Paraguai, eu esperava o Mauro Vieira concluir as fotos de uma plantação de soja.

Era final de tarde e estava intenso o trânsito dos veículos dos brasiguaios — como são conhecidos os agricultores brasileiros que migraram para o Paraguai. No meio da poeira uma caminhonete parou.

O motorista deu um marcha ré e estacionou. Desceu um homem alto, loiro, de chapéu e caminhou a passos largos em minha direção. Pensei: coisa boa não é. Caminhei em direção a ele. E, a poucos metros, vi que havia uma grande emoção no rosto dele. Logo que nos encontramos, ele disse:

Vi o carro da Zero Hora parado aqui e quase não acreditei. Tchê, como é bom ver vocês.

Ficamos ali, conversando no meio da poeira. Ele é o Marcilio Wille, 30 anos, que nasceu em Cerro Largo e foi levado pelos pais para o Paraguai. Ele contou toda a história da família. Perguntou sobre a "novela do Ronaldinho".

Pouco antes de encontrar Wille, nós estivemo no CTG Indio José, que ficam em Santa Rita, uma cidade de comércio forte erguida pelos brasiguaios. No Ìndio José, conversamos longamente sobre o Brasil de Bombachas.

Em 1995, eu conheci fundador da entidade, o madeireiro José Reinaldo Picolloto, quando escrevi a história dos gaúchos que se espalharam pelo Brasil e países vizinhos. Hoje, o Picolloto mudou-se com a sua serraria para o Pará. O CTG progrediu e tornou-se parte da vida cultural do Paraguai.

Uma curiosidade: ao longo das rodovias percorridas pelos gaúchos que ergueram o Brasil de Bombachas, há dezenas de CTGs.

No final do dia, rumamos de Santa Rita para Ciudad del Este para cruzar a Ponte da Amizade, que liga o Paraguai ao Foz do Iguaçu (PR). Eu estava preocupado. Desde de 1984, pelo menos uma vez por ano, vou fazer reportagens no Paraguai.

Sempre encontrei confusão de carros, motos e gente para atravessar a ponte. Acreditava que ontem não seria diferente. Tanto que a minha previsão era demorar umas duas horas na travessia. Para minha surpresa a ponte estava vazia para padrões diários de movimento.

Foi um dia de surpresas. Se tudo correr bem, hoje, rumamos para o Mato Grosso do Sul.

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