Ao entrarmos em um restaurante em Canarana, cidade agrícola do norte do Mato Grosso colonizada pelos gaúchos, uma jovem, com sorriso bonito, caminhou em nossa direção e disse:
- Não acredito que vocês estejam aqui. Venho acompanhando a jornada do Brasil de Bombachas pelo site. Como posso ajudá-los?
Respondi:
- Vamos conversar.
Perguntei o seu nome. Chama-se Ethel Verônica Kreutz (foto), 18 anos, e estuda comércio exterior na Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. É filha do casal Arno Jacó Kreutz e da Helga. A família migrou em 1989 do Rio Grande do Sul para o Mato Grosso. Ethel interrompeu as minhas perguntas e fez uma exigência:
- Sou colorada roxa. Não esquece de escrever.
Disse que não iria esquecer. A conversa aconteceu de maneira alegre. Eu, o fotógrafo Mauro Vieira e o motorista Everton de Jesus começamos falando das coisas que encontramos pelas estradas, onde andamos em busca de histórias para escrever a reportagem sobre o legado deixado pelos gaúchos que colonizaram as terras ao norte do Rio Uruguai e erguerem o que chamamos de Brasil de Bombachas.

A jovem fez uma observação:
- Pois é, eu soube que vocês estavam viajando e que iriam passar aqui, em Canarana, através de um telefonema da minha tia Inês, que mora em São Paulo das Missões, no Rio Grande do Sul.
Depois da ligação da tia, ela começou a acompanhar a viagem da equipe pelo site. No meio da conversa, eu tomei a iniciativa e falei o seguinte:
- Disse que poderíamos nos ajudar. Pode?
Ethel respondeu:
- Claro. Vai ser um prazer.
Falei que precisava encontrar algumas pessoas para entrevistar. Ela ajudou. A íntegra do que foi falado com a garota irá fazer parte da reportagem que estamos fazendo sobre Brasil de Bombachas.

